Descaso e incompetência

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Alguns fatores indicam que para a expansão da indústria petroquímica brasileira há a necessidade de novos investimentos. E quais são esses fatores? O potencial de mercado sinalizado pelo baixo consumo local em relação aos padrões dos países desenvolvidos e a defesa e preservação do mercado interno de petroquímicos, cuja balança comercial hoje está equilibrada num cenário de intensa competição internacional. Clique para mais informações.

vazamentoEssas são as duas palavras que resumem a atuação da presidente, dos diretores da Petrobras, da ministra do Meio Ambiente, dos ógãos fiscalizadores, ou seja do governo em relação ao vazamento de petróleo no Campo do Frade, onde a Chevron perfurava um poço de petróleo, expôs o descontrole e a falta de conhecimento dos gestores públicos sobre o que de fato ocorre na costa brasileira com a exploração do petróleo. O que se pode notar é que no Campo do Frade há uma total ausência de uma estrutura de fiscalização pública sobre a atividade privada. Nem preventiva, pois depois que o dano está feito é que aparecem os fiscais.

Na verdade, não existe um plano de contenção para a exploração do petróleo e do gás nesses locais, havendo alguns atropelos do processo de contenção do acidente, o que exibe a limitação da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e os órgãos ambientais envolvidos. E o pior: ninguém sabe ou não tem conhecimento detalhado sobre as condições em que operava a Chevron. Assim, o pedido de indenização da Defensoria Pública da União só terá o valor determinado quando estiver estabelecido o tamanho e as conseqüências do vazamento. Como há várias multas e indenizações pedidas contra a Chevron, o mais provável é que as indenizações sejam agrupadas para um julgamento único, o que evitará, no futuro, um recurso da empresa para anular decisões sobre o ressarcimento de danos.

Contudo, outros órgãos do governo foram eficazes, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que no dia 18 de novembro disponibilizou um conjunto de imagens do radar ASAR, a bordo do Envisat, e do sensor MODIS, dos satélites Aqua e Terra, que foi entregue ao Ibama e à Petrobras. As imagens podem ser utilizadas para avaliar o vazamento de petróleo no campo da empresa americana Chevron, situado na Bacia de Campos, no litoral norte do Rio de Janeiro. “A Petrobras recebeu as imagens 30 minutos após serem gravadas pelos satélites. São informações importantes para o contingenciamento do acidente”, informa Ivan Barbosa, chefe da Divisão de Geração de Imagens do INPE.

Desde 2009, o INPE mantém em sua unidade de Cachoeira Paulista uma Estação de Sensoriamento Remoto Marinho que recebe imagens, em tempo quase real, para a detecção de poluentes na superfície do mar e outras aplicações, como o estudo de ecossistemas e recursos naturais marinhos e a medição da intensidade de correntes e campo de ventos, altura de ondas, entre outros parâmetros. A estação, que recebe e processa as imagens do satélite Envisat, foi adquirida pelo INPE em parceria com a Petrobras. Suas imagens são ideais para o monitoramento ambiental e identificação de derrames de óleo no mar. “O fornecimento imediato e contínuo de imagens à Petrobras faz parte da nossa operação regular”, explica Ivan Barbosa. Para acompanhar a situação na Bacia de Campos, enquanto necessário também o Ibama receberá as imagens dos satélites do INPE. As imagens da Bacia de Campos fornecidas pelo INPE estão disponíveis no link http://imagens.dgi.inpe.br/cdsr/Bacia_de_Campos/

Agora, depois do leite derramado ou do petróleo estendido em uma mancha imensa, acontece a difusão, que é o processo pelo qual o óleo derramado se move fisicamente e se dilui acima da superfície da água. A superfície lisa pode então ser transportada pela água corrente ou ser movida pelo vento em uma proporção de quase 3 a 4% da velocidade do vento. O grau de difusão é diretamente influenciado pela viscosidade do óleo derramado e por condições ambientais como a força do vento, turbulência e a presença de gelo na superfície da água.

Já a evaporação é inicialmente importante em reduzir o volume de derramamento que permanece no ambiente aquoso e terrestre. Ela é mais importante na dissipação de frações de hidrocarbonetos relativamente leves e voláteis e é acentuada por altas temperaturas ambientais e velocidade do vento, e no ambiente marinho por mares violentos que movem o óleo derramado para a atmosfera pela formação de um fino aerosol na crista da onda. No mar , já que as frações de petróleo de baixo peso molecular são evaporados preferencialmente, a relativa concentração de moléculas mais pesadas cresce grandemente no volume residual derramado. Por exemplo, após um derramamento de um óleo no Alasca, houve uma perda de 15-20%de massa por evaporação. Isto causou uma relativa concentração de frações moleculares pesadas, não destiladas, de uma massa inicial de 34% a mais de 50%.

A solubilização é o processo pelo qual frações de óleo dissolvem-se na coluna de água. Isto causa contaminação da água na vizinhança da área derramada. Em geral, frações mais leves são mais solúveis em água do que as mais pesadas e aromáticos são mais pesados que os alcanos. Por fim, o material residual que é a fração que permanece após a maioria da evaporação e solubilização das frações leves ter ocorrido. Este resíduo forma uma emulsão um pouco estável e gelatinosa conhecida como mousse .Como este é lavado para a terra , pode se combinar com partículas de sedimento para formar óleos como piche e areia, que serão soterradas na praia ou serão lavados de volta para o mar. No mar a degradação das emulsões por oxidação biológica e fotooxidação de componentes leves cria blocos de um resíduo asfáltico, denso semi sólido. Estes são importantes nas poluições crônicas das praias e alguns ambientes pelágicos. A principal fonte destes resíduos é a lavagem de tanques.

Por tudo isso, a sociedade vai ter que conviver com o petróleo e as toxicidades dos hidrocarbonetos que são bem conhecidos e bem estudados fenômenos, com uma grande quantidade de dados de bioensaios de laboratório e de campo. Revisões compreensivas de dados específicos de toxicidade para uma grande variedade de organismos são úteis em várias fontes. Muitos bioensaios tem sido feitos para avaliar a provável toxicidade de espécies de hidrocarbonetos. Uma importante observação foi feita nestes estudos de que a toxicidade de hidrocarbonetos particulares é fortemente relatada à sua estrutura química e sua hidrofobicidade. Para explicar a de um outro jeito, os hidrocarbonetos que são mais solúveis em água são menos tóxicos.

O mecanismo biofísico do efeito de hidrofobicidade é que a proporção de transporte de hidrocarbonetos nos organismos depende da sua solubilidade em fase lipídica das membranas celulares. A solubilidade lipídica é o maior fator de controle para a proporção e grau de bioconcentração de hidrocarbonetos específicos do ambiente aquático. Em casos de exposição aguda, a solubilidade de lipídios influencia o grau de rompimento da membrana que é causado (perda da integridade da membrana plasmática é frequentemente observado pelo efeito tóxico de uma aguda exposição de hidrocarbonetos).

Deve ser salientado que espécies de hidrocarbonetos insolúveis em água tem uma grande toxicidade, maior que os relativamente leves e solúveis em água. A grande parte dos danos ecológicos após um derramamento de petróleo é frequentemente atribuido as frações leves. A razão para essa contradição é que os hidrocarbonetos mais leves tipicamente constituem uma grande fração do volume derramado e desde que eles têm baixo peso molecular, eles compreendem uma fração muito maior do número total de moles de hidrocarbonetos no derramamento de petróleo que tem contato com organismos do que os hidrocarbonetos mais pesados. A bioconcentração de hidrocarbonetos no ambiente aquático tem sido determinada em muitas situações de exposição crônica e após eventos de derramamento. A contaminação de ecosistemas terrestres afeta não somente a microbiota do solo, mas também a macrocomunidade residente. Os efeitos deletérios do óleo são maios acentuados na flora apesar de ocorrerem danos na comunidade animal. Ocorre também falta de investigações dos efeitos na flora.

Em plantas: os danos são mais acentuados, ocorrem nas partes mais sensíveis das plantas, como as raízes. Os efeitos são menores nas partes de madeira de árvores e arbustos. Efeitos indiretos incluem a falta de oxigênio no solo e consequente redução de microorganismos. Os microorganismos que degradam petróleo competem com as plantas por nutrientes minerais. Derramamentos de baixa escala podem algumas vezes atuar privilegiando o crescimento de algumas plantas, isso se deve pela ação como hormônio de componentes do petróleo. Os efeitos dependem do tipo de vegetação presente na área afetada.

Em animais: por causa do alto teor de conteúdo lipídico e taxas metabólicas os animais do solo são provavelmente mais sensíveis do que as raízes das plantas. O óleo exerce um grande efeito sobre a respiração dos animais. Um efeito indireto sobre os animais é a exaustão de oxigênio no ar do solo por causa da degradação microbiana. Mais estudos deverão ser feitos para se esclarecer os danos causados às populações animais afetadas por derramamentos de petróleo.

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