Norma fornece os requisitos para o aproveitamento da água de chuva

Curso: Ferramentas MASP – (Metodologia de Análise e Solução de Problemas)
A solução de problema é possível por meio de análises das relações entre características e causas, executando ações corretivas apropriadas. Entretanto, esse processo de estratégica de soluções pode ser abordado sob diversos ângulos. Consequentemente, quando se usa uma metodologia mal aplicada, não se chega à ações de melhoria. Sendo assim, é importante entender as relações entre as causas atuais e as características do problema ou efeito. Clique para mais infotrmações.

rainCerca de 98% da água da Terra que estão nos oceanos não são potáveis devido ao sal, portanto, somente 2% é própria para uso. Mas dessa porcentagem, 1,6% são as geleiras. Apenas 0,36% é encontrada no subsolo em aquíferos e poços e cerca de 0,036% está nos lagos e rios. Com a poluição, essa água precisa ser tratada e somente com o combate aos desperdícios e o aproveitamento da água da chuva o ser humano poderá evitar a escassez.

Porque faz miúdas as gotas das águas que, do seu vapor, derramam a chuva. (Jó 36:27)

A escassez de água no mundo agrava-se em virtude da desigualdade social, da falta de manejo e usos sustentáveis dos recursos naturais. De acordo com os números apresentados pela Organização das Nações Unidas (ONU), controlar o uso da água significa deter e poder, pois as diferenças registradas entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento chocam e evidenciam que a crise mundial dos recursos hídricos está diretamente ligada às desigualdades sociais. Em regiões onde a situação de falta d’água já atinge índices críticos de disponibilidade, como em alguns locais da África onde a média de consumo de água por pessoa é de dez a 15 litros/pessoa. Já em Nova York, há um consumo exagerado de água doce tratada e potável, onde um cidadão chega a gastar 2.000 litros/dia.

Aproximadamente 35% da população mundial não têm acesso à água tratada e 43% da população mundial não contam com serviços adequados de saneamento básico. Diante desses dados, constata-se que mais de dez milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência de doenças intestinais transmitidas pela água. Numa economia mundial cada vez mais integrada, a escassez de água cruza fronteiras, podendo ser citado com exemplo o comércio internacional de grãos, onde são necessárias 1.000 toneladas de água para produzir 1 tonelada de grãos, sendo a importação de grãos a maneira mais eficiente para os países com déficit hídrico importarem água. Enfim, além do crescimento populacional, a urbanização e a industrialização também ampliam a demanda pelo produto. Conforme a população rural, tradicionalmente dependente do poço da aldeia, muda-se para prédios residenciais urbanos com água encanada, o consumo de água residencial pode facilmente triplicar. Além disso, a industrialização consome ainda mais água que a urbanização. A afluência (concentração populacional), também gera demanda adicional, à medida que as pessoas ascendem na cadeia alimentícia e passam a consumir mais carne bovina, suína, aves, ovos, laticínios e consomem mais grãos.

Por tudo isso, a reutilização/reuso de água ou o uso de águas residuárias não é um conceito novo e tem sido praticado em todo o mundo há muitos anos. Nesse sentido, deve-se considerar o reuso de água como parte de uma atividade mais abrangente que é o uso racional ou eficiente da água, o qual compreende também o controle de perdas e desperdícios, e a minimização da produção de efluentes e do consumo de água. Dessa forma, grandes volumes de água potável podem ser poupados pelo reuso quando se utiliza água de qualidade inferior (geralmente efluentes pós-tratados) para atendimento das finalidades que podem prescindir desse recurso dentro dos padrões de potabilidade.

Dessa forma, a reutilização de água pode ser direta ou indireta, decorrente de ações planejadas ou não. O reuso indireto não planejado ocorre quando a água, utilizada em alguma atividade humana, é descarregada no meio ambiente e novamente utilizada a jusante, em sua forma diluída, de maneira não intencional e não controlada. Caminhando até o ponto de captação para o novo usuário, está sujeita às ações naturais do ciclo hidrológico (diluição, autodepuração). O reuso direto planejado das águas ocorre quando os efluentes, após tratados, são encaminhados diretamente de seu ponto de descarga até o local do reuso, não sendo descarregados no meio ambiente. É o caso com maior ocorrência, destinando-se a uso em indústria ou irrigação. Já as águas de chuva são encaradas pela legislação brasileira hoje como esgoto, pois ela usualmente vai dos telhados, e dos pisos para as bocas de lobo onde, como “solvente universal”, vai carreando todo tipo de impurezas dissolvidas, suspensas ou simplesmente arrastadas mecanicamente, para um córrego que vai acabar dando num rio que por sua vez vai acabar suprindo uma captação para Tratamento de Água Potável. Claro que essa água sofreu um processo natural de diluição e autodepuração, ao longo de seu percurso hídrico, nem sempre suficiente para realmente depurá-la.

De acordo com o presidente da Target, Maurício Ferraz de Paiva, a norma NBR 15527 fornece os requisitos para o aproveitamento de água de chuva de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis, porém não se aplica a usos não potáveis em que as águas de chuva podem ser utilizadas após tratamento adequado como, por exemplo, descargas em bacias sanitárias, irrigação de gramados e plantas ornamentais, lavagem de veículos, limpeza de calçadas e ruas, limpeza de pátios, espelhos d’água e usos industriais. “A concepção do projeto do sistema de coleta de água de chuva deve atender as ABNT NBR 5626 e ABNT NBR 10844. No caso da ABNT NBR 10844, não deve ser utilizada caixa de areia e sim caixa de inspeção. No estudo devem constar o alcance do projeto, a população vai utilizar a água de chuva e a determinação da demanda a ser definida pelo projetista do sistema”, explica.

Somam-se a isso que no projeto deve ser incluídos estudos das séries históricas e sintéticas das precipitações da região onde ele estará localizado e as calhas e condutores horizontais e verticais devem atender a ABNT NBR 10844, devendo ser observados o período de retorno escolhido, a vazão de projeto e a intensidade pluviométrica. “Devem ser instalados dispositivos para remoção de detritos, que podem ser, por exemplo, grades e telas que atendam a NBR 1221 3. Também pode ser instalado no sistema de aproveitamento de água de chuva um dispositivo para o descarte da água de escoamento inicial, sendo recomendado que tal dispositivo seja automático. Por fim, devem ser considerados no projeto: extravasor, dispositivo de esgotamento, cobertura, inspeção, ventilação e segurança”, recomenda Paiva.

A norma descreve que o volume de água de chuva aproveitável depende do coeficiente de escoamento superficial da cobertura, bem como da eficiência do sistema de descarte do escoamento inicial, sendo calculado pela seguinte equação: V = P X A x C x qfator de captação, onde: V é o volume anual, mensal ou diário de água de chuva aproveitável; P é a precipitação media anual, mensal ou diária; A e a área de coleta; C é o coeficiente de escoamento superficial da cobertura; e qfator de captação é a eficiência do sistema de captação, levando em conta o dispositivo de descarte de sólidos e desvio de escoamento inicial, caso este último seja utilizado. No Anexo A (informativo), estão descritos os métodos de cálculos para dimensionamento dos reservatórios.

A água de chuva só deve ser usada em ambientes urbanos para fins não potáveis, isto é, não deve ser usado para beber, banho, lavagem e cozimento de alimentos. Entre seus principais usos, em áreas urbanas, banheiro (descarga de vasos sanitários); regas de hortas e jardins; lavagem de pisos, quintais e automóveis; em áreas rurais: além dos mesmos fins do ambiente urbano, destina-se a irrigação de plantações, lavagem de criatórios de animais e bebedouro; e em áreas industriais, além dos usos semelhantes a edificações em ambiente urbano, recomenda-se para resfriamento de caldeira e extrusoras, lavagem de peças, dentre outras aplicações. Entre os seus benefícios, permite aproveitar um recurso disponível, que contribui para economizar na conta da água, além de servir como reserva em épocas de seca ou de falta d’água; contribui para reduzir a necessidade de água para fins não potáveis dentro da edificação (regas de jardins, lavagem de automóveis, descarga de vasos sanitários) e para reduzir enchentes nas grandes cidades, que têm o solo impermeabilizado pelo asfalto.

Para mais informações sobre a NBR 15527, clique no link: NBR 15527 – Água de chuva – Aproveitamento de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis – Requisitos

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