A recolocação profissional

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recolocaçãoDenominada nos Estados Unidos como outplacement, corresponde a uma prática empresarial que visa dar apoio aos trabalhadores despedidos no processo de reinserção profissional. Inicialmente essa prática era desenvolvida no interior das próprias empresas que procediam aos desligamentos de funcionários e tinha como objetivo reduzir o impacto social disso e minimizar os seus efeitos sobre a imagem institucional. Progressivamente foram nascendo organizações especializadas que prestam o serviço de outplacement em regime de terceirização. Além desse serviço de recolocação prestam ainda ao aconselhamento em especial na área da gestão de carreiras.Na verdade, a demissão é um processo de perda e geralmente desestrutura o profissional e o outplacement além de auxiliar na estratégia de marketing do executivo, também dá suporte para o equilíbrio emocional à medida que fornece informações alguns caminhos que podem ser trilhados.

Normalmente, esse tipo de trabalho envolve uma orientação do profissional para uma avaliação na carreira; uma revisão de seus objetivos pessoais, profissionais e definir sua área de atuação (em um novo emprego ou um negócio próprio); uma assessoria para que ele possa desenvolver a sua rede de contatos e relacionamento; um trabalho em técnicas de marketing pessoal e negociação; uma avaliação de suas competências profissionais; um treinamento em simulações de entrevistas de emprego; incentivo na busca do aperfeiçoamento e do desenvolvimento contínuo. Conforme explica Laerte Leite Cordeiro, mestre em Administração e consultor em carreiras e empregos Executivos da Laerte Cordeiro Consultores, foi no começo dos anos 80 que se começou a falar de uma nova política de recursos humanos das empresas que, vinda dos Estados Unidos, ganhava corpo no Brasil, principalmente nas grandes empresas americanas em nosso País e particularmente em São Paulo. “Era o outplacement que chegava, no momento em que a grande crise do petróleo se espalhava pelo mundo, também tocava o Brasil e assustava as grandes empresas, sugerindo medidas de contenção de gastos e redução de custos. Até então as empresas mantinham quadros pomposos, com organogramas de grande altura e largura. Era o tempo de diretores, adjuntos, assessores, assistentes, gerentes, chefes, supervisores, secretárias executivas, secretárias de diretoria, de gerência e por aí afora. Havia pequenos e grandes impérios burocráticos nas empresas, até então sem maior preocupação com os custos de tais exageros, vivendo em aparentes zonas de conforto”.

Em vista disso, segundo ele, houve grandes cortes de pessoal realizados pelas empresas, principalmente naqueles cargos que representavam maior ônus para as finanças das organizações. “Diretores não foram poupados, mas o sacrifício maior deu-se entre os gerentes e os chefes maiores. Os diretores que ficaram chamaram a si os supervisores e demitiram os gerentes. O ano de 1983 foi a Noite de São Bartolomeu gerencial. Ocorre, porém, que demitir diretores e gerentes, até então, era uma prática pouco adotada num Brasil que vinha crescendo continuamente em seu processo de desenvolvimento. Ao contrário, o que se observava nessa época era, ainda, que os jornais brasileiros de grande circulação publicavam os seus cadernos de empregos, aos domingos, recheados de ofertas de empregos para executivos. Na nova situação a enfrentar, as maiores empresas, historicamente grandes empregadoras de executivos, queriam agora mais demitir do que admitir. A oferta de empregos para cargos de nível mais alto se reduziu severamente e a recolocação dos demitidos se mostrava difícil e demorada, na medida em que uma nova legião de candidatos se apresentava ao mercado. O emprego de diretores e gerentes dantes tão fácil, mostrava-se agora um objetivo difícil para cada profissional”.

Cordeiro diz que nessa hora delicada para as empresas grandes e multinacionais no Brasil, surgiu o outplacement, política e procedimento de recursos humanos que objetivava diminuir o drama das demissões e facilitar a vida dos profissionais demitidos. Era preciso ajudar os executivos agora candidatos a emprego a bem disputar as posições em menor número disponíveis. “Eles precisavam de apoio, informações e facilidades tais como: ajuda psicológica para um ajuste pessoal e familiar à nova situação de disponibilidade; assessoria para definir um novo foco de busca de emprego, compatível com seus conhecimentos e experiência e com as novas expectativas das empresas; elaboração de um currículo moderno e atualizado que os ajudasse a se comunicar adequadamente com os exigentes empregadores; orientaçã o qualificada e moderna para uma eficaz atuação nos árduos processos de seleção, então praticados pelas empresas empregadoras; apoio e serviços para adequada divulgação de suas candidaturas junto aos agentes de emprego no mercado de trabalho, incluindo empresas,headhunters e anúncios dos jornais”.

Por seu turno, as empresas que então despediam profissionais e executivos de nível alto, precisavam reduzir alguns prejuízos eventuais, decorrentes da infeliz situação que o momento conjuntural impunha: amenizando os eventuais problemas trabalhistas que o processo demissional trazia em seu bojo; – reduzindo difíceis situações de vazamento de segredos industriais promovidas por inevitáveis situações de conflito provocadas pela situação de desligamento de altos funcionários; trabalhando para manter a motivação e o moral do grupo de colaboradores remanescente, diante do clima de terror reinante; e, finalmente, buscando manter uma boa imagem pública da empresa como empregadora e de bom lugar para se trabalhar. “O outplacement, definido como um processo administrativo das empresas demissoras, que tinha como objetivo atender a essas necessidades da conjuntura da época, veio importado dos Estados Unidos e aqui se destacou como a solução possível para resolver a situação complexa do momento. Na maioria das empresas, esse processo foi administrado pelos órgãos de recursos humanos das empresas, mas em geral executados por consultorias externas que se incumbiam de realizar os programas de apoio para os demitidos, sob patrocínio financeiro das empresas demissoras. Algumas consultorias brasileiras, atuantes na época, pioneiras do outplacement em nosso país ainda estão ativas, prestando serviços de qualidade internacional às empresas patrocinadoras. Com o passar dos anos, a nova atividade de recursos humanos consagrou-se como um caminho econômico, inteligente e humano para o problema das demissões necessárias – nas crises ou fora delas – e, para muitas empresas e profissionais, foi a solução e a ajuda para muitas situações delicadas. Hoje, o outplacement faz parte da política de recursos humanos de muitas organizações, independentemente de porte e nacionalidade e é especialmente adequado para utilização em momentos difíceis da conjuntura econômica e da situação particular de cada empresa”, conclui.

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