Qualidade em saúde: infecção hospitalar é uma ameaça à integridade dos pacientes

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A qualidade e a confiabilidade são fatores críticos para a indústria aeroespacial. Em um ambiente onde os erros ou falhas de produtos ou serviços podem ser fatais, a operação eficaz de um sistema de gestão da qualidade tem um papel essencial na redução de riscos e provisão de uma estrutura confiável para organizações que fornecem um produto ou serviço. Os sistemas de gestão da qualidade têm sido utilizados na indústria aeroespacial por muitos anos. Os esforços dos membros da indústria aeroespacial para estabelecer um único Sistema de Gestão da Qualidade resultaram nas Normas AS9100, 9110 e 9120. Elas são usadas e apoiadas pelas companhias aeroespaciais líderes no mundo, como também através de parcerias com suas cadeias de fornecedores.

hospitalarA infecção hospitalar envolve agentes infecciosos (microrganismos como bactérias, fungos, vírus e protozoários). Inicialmente, ocorre a penetração do agente infeccioso no corpo do hospedeiro (ser humano) e há proliferação (multiplicação dos microrganismos), com conseqüente apresentação de sinais e sintomas. Portanto, é qualquer infecção adquirida após a internação do doente e que pode se manifestar durante ou mesmo após a sua alta, e está relacionada com a internação. Ela pode ser adquirida também em outros estabelecimentos assistenciais de saúde, como consultórios, ambulatórios e outros. Quando a infecção for diagnosticada após a alta do paciente, é caracterizada como infecção hospitalar, desde que esteja relacionada com os procedimentos que foram realizados no paciente durante a sua internação.

Podem ser, entre outros: febre, dor no local afetado, drenagem de secreção pela ferida operatória se foi cirurgiado, alteração de exames laboratoriais, debilidade, etc. As infecções podem acometer diversas localizações do corpo de um indivíduo ou disseminar-se pela corrente sangüínea. Pode-se adquirir uma infecção, seja por falha de procedimentos, falha na esterilização de materiais ou uso de produtos inadequados, As infecções hospitalares estão sendo denominadas atualmente como “infecções relacionadas à assistência à saúde”, pelo fato de poderem ocorrer, além do hospital, em clínicas, consultórios médicos com procedimentos, consultórios odontológicos e outros serviços assistenciais. A lavagem das mãos é considerada o procedimento mais importante, simples e econômico para a prevenção das infecções hospitalares. Com esse procedimento, pode-se impedir que microorganismos presentes nas mãos dos profissionais de saúde sejam transferidos de um paciente para o outro (infecção cruzada).

Alguns hospitais adotaram uma espécie de equipe para atuar na assessoria da direção do hospital, que tem como tarefas, por exemplo: detectar casos de infecção e atuar possibilitando a tomada de providências necessárias para evitar o aparecimento de novos casos; conhecer as principais infecções que ocorrem no serviço e definir se sua ocorrência está dentro de parâmetros aceitáveis de acordo com cada tipo de serviço e ou procedimento; padronizar procedimentos que diminuem o risco de infecção; colaborar e ou desenvolver treinamentos, atualizações, campanhas e outros eventos que promovam a adesão dos profissionais de saúde às medidas de prevenção e controle de infecção; monitorar o uso de antibióticos, evitando que os mesmos sejam utilizados de maneira descontrolada; recomendar e fazer com que os profissionais pratiquem as medidas de isolamento de doenças transmissíveis; oferecer apoio técnico à administração do estabelecimento para a aquisição correta de materiais e equipamentos que devem ser específicos para esse tipo de serviço e para o planejamento adequado da área física das unidades de saúde.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez um estudo para avaliar a higiene das mãos e emitiu um relatório sobre isso. O documento apresenta os resultados brasileiros para o instrumento elaborado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O trabalho é inédito e revela dados importantes sobre as rotinas de segurança sanitária realizadas por gestores e profissionais que trabalham em estabelecimentos de saúde de todo o Brasil. A higienização das mãos é o procedimento mais importante e barato para evitar a transmissão de infecções relacionadas à assistência à saúde. Entre os resultados, alguns merecem destaque. O relatório mostra, por exemplo, que 70% dos estabelecimentos de assistência à saúde (EAS) dispõem de orçamento exclusivo para a aquisição contínua de produtos para higienização das mãos. A maioria dos estabelecimentos – 75% – possui ainda um sistema de auditorias regulares para avaliar se o álcool gel, sabonete, toalhas descartáveis e outros materiais necessários estão disponíveis para a lavagem das mãos.

Com relação específica sobre a disponibilidade de álcool gel, mais da metade das unidades – 53% – afirmaram que o produto se encontrava amplamente disponível na instituição, com fornecimento regular em cada ponto de assistência. O relatório mostra ainda que 99% dos serviços participantes da pesquisa contam com água corrente limpa, 93% contam com sabonete em todas as pias e 92% possuem toalhas descartáveis em todos os lavatórios. Dos 901 estabelecimentos de saúde que responderam ao questionário, 67% possuem um lavatório para cada dez leitos e um lavatório para cada unidade de terapia intensiva. Quando o assunto é a divulgação das práticas de lavagem das mãos, a pesquisa indica que na maioria das instituições que responderam ao questionário – 70% – há a presença de cartazes nas áreas hospitalares com explicações sobre as indicações de higienização das mãos. Com base nas respostas, a equipe da Anvisa avalia que ainda é necessário um grande esforço por parte dos estabelecimentos de assistência à saúde em áreas importantes. A pesquisa aponta que em 66% deles não existe um sistema de observadores para verificação da adesão à higienização na instituição. A maioria – 68% – também não conta com orçamento específico para capacitação e treinamento sobre o tema.

Outro problema constatado é o de que em 77% dos estabelecimentos o profissional de saúde não tem retorno sobre os dados de adesão à higienização das mãos. “Seria importante essa devolutiva para o profissional perceber que sua prática está sendo monitorada e assim ter estímulo para continuar e aperfeiçoar a higienização das mãos”, diz a gerente de Vigilância e Monitoramento em Serviços de Saúde da Anvisa, Magda Costa. A pesquisa contou com a participação de 901 serviços de saúde e foi feita por meio de um formulário disponível na página eletrônica da Anvisa, sendo voluntária a adesão dos estabelecimentos de saúde. O formulário ficou disponível entre os dias 4 de maio e 31 de dezembro de 2011, com o objetivo de avaliar a situação da rede hospitalar no Brasil em relação à promoção e às práticas de higienização das mãos.

O grande número de estabelecimentos que participaram da pesquisa é uma amostra representativa da situação nacional sobre o tema. O texto do documento intitulado “Instrumento de Autoavaliação para Higiene das Mãos”, foi fornecido à Anvisa pela Organização Mundial da Saúde e traduzido para a língua portuguesa pela Associação Paulista de Epidemiologia e Controle de Infecções Relacionadas à Saúde (APECIH). Confira o relatório completo: http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/b0708b004a5e0144be88ff45db97490b/Relatório_de_Avaliação.pdf?MOD=AJPERES

Enfim, mesmo que todas as medidas de prevenção e controle de infecção sejam adotadas, não existe hospital com taxa zero de infecção. O paciente internado, muitas vezes é submetido a procedimentos invasivos (ventilação mecânica, cirurgias, cateterismos e outros) e isso representa fatores que predispõe a infecções, uma vez que esses doentes estão com suas defesas diminuídas, o que facilita o desenvolvimento de infecções. Cada hospital possui uma determinada característica, como clientela e níveis de atendimento. Quanto mais complexo é o atendimento, maiores são as chances do aparecimento de IH. Dentro do mesmo hospital, o risco de adquirir infecção hospitalar também varia. Há mais chance de surgir uma infecção hospitalar em um paciente de UTI do que em um paciente de enfermaria. Isso se deve ao fato de, na UTI, além do paciente estar com sua imunidade prejudicada, são realizados maior número de procedimentos invasivos, o que corrobora para o aparecimento das IH. Portanto, somente um profissional qualificado pode reconhecer as circunstâncias que permitem a comparação entre os hospitais. Caso contrário, as taxas de infecção hospitalar tornam-se um número sem sentido, podendo parecer muito ou pouco, conforme o entendimento pessoal, porém, sem base científica.

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2 Respostas

  1. Como nos previnismo de infecsao hospitalar??

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