Como a indústria calçadista poderá vencer os desafios devido à concorrência internacional

Como gerenciar as normas técnicas adequadamente
Controlar e manter o acervo de Normas Técnicas atualizadas e disponíveis para compartilhamento entre todos os colaboradores é um grande desafio para as empresas por envolver a dedicação e o esforço de vários profissionais. Atualmente, as organizações utilizam planilhas de controle, sistemas internos e sites de fontes não confiáveis para realizarem a busca de informações sobre a vigência das Normas Técnicas. Esse processo, além de causar perda de tempo na busca de informações, pode resultar em sérios riscos aos negócios e à imagem institucional da empresa como, por exemplo, multas, prejuízos financeiros e não conformidades em auditorias por não utilizarem informações de fontes oficiais. Clique para mais informações.

A indústria calçadista é geralmente qualificada como tradicional e baseada em tecnologias simples. No entanto, essa visão faz sentido se apenas o processo de manufatura for levado em consideração, já que em relação às atividades de marketing e design, assim como a gestão do processo global, a indústria calçadista pode alcançar altos níveis de sofisticação. Um outro problema se relaciona com calçados fabricados sem normalização que podem trazer problemas para a saúde das articulações, ossos e coluna das pessoas. Os calçados brasileiros estão muito longe de serem ideais, e que se encaixem exatamente nos tamanhos correspondentes. As indústrias brasileiras de calçados e os produtos importados ainda não obedecem um padrão único na sua fabricação, existindo casos que um pé 35 tem que usar calçados 36 por causa da forma.

calçadosConforme dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), apesar de o saldo da balança comercial do setor calçadista brasileiro em 2011 ter ficado positivo em US$ 868,5 milhões, o desempenho foi menor do que o ano de 2010, quando atingiu US$ 1,1 bilhão. O faturamento das exportações registrou US$ 1,3 bilhão em 2011, uma redução de 12,8% em relação ao ano anterior. Já as importações cresceram 40,4% em 2011 gerando pagamentos de US$ 427,7 milhões. Os dados são da Abicalçados a partir de informações do MDIC/Secex. O ano de 2011 encerrou negativo para os exportadores brasileiros de calçados. De janeiro a dezembro do ano passado, a queda no volume de pares embarcados foi de 21%. O faturamento acompanhou a trajetória e ficou negativo de 13%. Nos 12 meses do ano passado, o Brasil enviou para o exterior 113 milhões de pares, contra os 143 milhões de 2010. As divisas obtidas com as operações somaram US$ 1,296 bilhão. Já no ano anterior o valor havia ficado em US$ 1,486 bilhão. As perdas foram decorrentes da defasagem cambial somada à crescente crise econômica global, que gerou redução nas compras dos principais países consumidores.

Os cinco principais estados exportadores de calçados acompanharam o ritmo de desaceleração dos embarques em 2011. O Rio Grande do Sul, que deteve 20% na participação total das exportações em volume, registrou redução de 25% na quantidade de pares e envi ou ao exterior 22,6 milhões de pares. Porém, os gaúchos mantiveram liderança no faturamento – de 45% – e geraram divisas de US$ 577 milhões. A redução nas divisas foi de 19%. O Estado do Ceará, por sua vez, exportou 45 milhões de pares, assumindo o primeiro lugar entre os exportadores em volume e o segundo em faturamento, com US$ 351,6 milhões. Em ambas as áreas os cearenses também registraram desempenho negativo. Os volumes caíram 29% e o faturamento 12%. São Paulo apresentou redução de 5% no faturamento e de 17% no volume. Já a Paraíba reagiu de modo positivo e elevou em 7% o valor das divisas, encerrando 2011 com US$ 84,5 milhões. Porém, teve queda de 10% no volume.

Já as importações da Ásia seguiram crescendo ao longo de todo o ano passado. Para evitar a tarifa antidumping de US$ 13,85 implantada pelo governo sobre os calçados chineses, os importadores optaram por trazer o produto alegadamente de outros países. O ano encerrou com o preocupante aumento de 40% nas divisas pagas pelo Brasil. Pelos 34 milhões de pares trazidos em 2011 – aumento de 19% – os compradores pagaram US$ 427,7 milhões. Assim, de janeiro a dezembro de 2011, os calçados com cabedal sintético lideraram as importações por tipo de material, com 39% do total. Foram 13,3 milhões de pares que entraram no País, para os quais foram pagos US$ 170 milhões. Os calçados em tecido ficaram em segundo lugar, com a importação de 9,6 milhões de pares. Já os calçados em couro ficaram na terceira colocação, com 5 milhões de pares.

De janeiro a novembro de 2011, a produção industrial no setor de calçados reduziu 10% no comparativo do mesmo período de 2010. A informação é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dentre as principais causas do desempenho negativo estão a queda nos volumes de calçados exportados e a entrada de produtos importados. Em consequência, uma vez que no Brasil não existe uma preocupação, nem por parte do consumidor, nem por parte do produtor com a qualidade dos calçados, também não existe empecilho à produção de massa confeccionada com matéria prima inferior. As implicações de tal prática, entretanto, são lesivas, pois há a constatação de doenças articulares, circulatórias, dermatológicas, posturais, aci dentárias, decorrente do uso contínuo de calçados inadequados podem ser verificadas em contato direto com os consumidores e ortopedistas. Os calçados inadequados podem causar sérios problemas de saúde como dores nos pés, dores na coluna lombar, joanetes, torções nas articulações no tornozelo, fratura de ossos nos pés e no fêmur, dores nos joelhos, calosidades, tendinite que é a inflamação de tendões e deformidades dos dedos.

Por tudo isso, segundo o presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac) e da empresa Target Engenharia e Consultoria, Mauricio Ferraz de Paiva, existem 142 normas publicadas pela ABNT sobre calçados (acesse o link para conhecê-las). Uma delas é a norma NBR 14834, editada em 2011, que estabelece os métodos de ensaios, e os requisitos para estabelecer o índice de conforto dos calçados, bem como, define as características para a seleção de modelos de calce. “A norma especifica que a amostra a ser testada deve consistir em três pares de calçados do mesmo modelo e referência. Os ensaios em calçados femininos devem ser realizados com os pares de numerações 35, 36 e 37; em calçados masculinos, devem ser utilizados pares de numerações 40, 41 e 42; em calçados infantis, três pares de numerações diferentes da mesma classificação e/ou de acordo com a grade de fabricação, a menor, a do meio e a maior numeração. A classificação bebê varia da numeração 14 – 19, a pré-infanto varia da numeração 20 – 23, a infanto varia da numeração 24 – 27 e a infanto-juvenil varia da numeração 28 – 34.

Os corpos de prova devem estar em ambiente climatizado a 23 ºC de temperatura e 50% de umidade relativa do ar, conforme NBR 10455, por um período mínimo de 24 h. Como acessórios para os ensaios, devem haver um par de meias com 55 a 75 de algodão para calçados masculinos, femininos, infantis e esportivos. Para calçados abertos e calçados sociais femininos, não se aplica o uso de meias. As características dos modelos adultos e infantis são: modelo com experiência em caminhar em esteira ergométrica, exceto para os modelos infantis; modelo com resistência física para suportar 30 min caminhando em esteira ergométrica a uma velocidade de 5 km/h para homens e de 4 km/h para mulheres, exceto para os modelos infantis ; modelo sem alterações e/ou lesões neuromúsculo-esquemicas e sem alterações nos padrões da marcha; modelo sem deformidades estruturais e sem calosidades nos pés; modelo com alinhamento articular nos membros inferiores (joelho e calcâneo alinhados e pés com arco plantar normal); modelo com o primeiro pico de força (PPF) da componente vertical da força de reação do solo, durante a marcha descalça, com valor inferiora 122 % do peso corporal (1,22 unidade normalizada); e modelo com o índice de assimetria na marcha descalça, entre o segmento esquerdo e o segmento direito, para o PPF, inferior ou igual a 5%.

Conforme a norma destaca, avalia Paiva, a classificação do nível de conforto de um calçado deve ser determinada pelas normas indicadas na Seção 5, totalizando oito níveis. A NBR 14836 aprese nta dois níveis de conforto, uma classificação para os picos de pressão na região do calcâneo e uma para os picos de pressão na região da cabeça dos metatarsos. A NBR 14840 também apresenta dois níveis de conforto, uma classificação para a percepção do calce e uma para a avaliação das marcas e lesões.
Por fim, deve ser redigido um relatório de ensaio contendo todos os métodos utilizados e resultados obtidos, mencionando todos os desvios desta norma; todos os esclarecimentos necessários para a completa identificação dos corpos de prova, inclusive a numeração dos calçados utilizados para o ensaio; as condições ambientais de temperatura e umidade do ambiente do laboratório durante a realização dos ensaios; tabela do índice de conforto, co m os resultados, a pontuação e o nível de conforto em cada ensaio, índice de conforto obtido pelo calçado, pontuação total e valor percentual da pontuação total; o parecer final deve conter a pontuação total atingida em relação à pontuação máxima dos ensaios, o valor percentual e o índice de conforto obtido pelo calçado; fotos do calçado (vista lateral e inferior); e a data e o nome do responsável pelos ensaios.

Mais informações sobre a NBR 14834 de 02/2011, clique no link:

NBR 14834 de 02/2011 – Conforto do calçado – Requisitos e ensaios

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