Os projetos vencedores do Prêmio Mario Covas

O choque elétrico ainda mata muita gente no Brasil
Especialistas estimam que a maior parte dos acidentes aconteça durante o trabalho em serviços de obra ou reparos muito próximos da rede elétrica. Na maioria das vezes, são homens e, infelizmente, sem equipamentos de proteção. Também houve um crescimento no número de internações por conta da exposição à corrente elétrica nos hospitais do Estado – foram 642 hospitalizações em 2008 e 1.031 em 2010. A maior parte das interações neste período foram em Piracicaba (2.104), São Paulo (457) e São Pedro (164), cidade localizada também na região de Piracicaba. Além da morte instantânea, as descargas elétricas podem causar várias complicações, pois as vítimas podem ter arritmia cardíaca grave causada pelo choque, destruição muscular, queimaduras de pele nas áreas de entrada e de saída da corrente elétrica pelo corpo e, tardiamente, insuficiência renal aguda. Se em São Paulo ocorre dessa forma, deve-se imaginar no resto do Brasil, em que não há dados catalogados. Clique para mais informações.

Ontem, no Palácio dos Bandeirantes, os projetos vencedores do Prêmio Mario Covas foram homenageados. As iniciativas premiadas foram:

Campanha Chama Segura – [Comando do Corpo de Bombeiros – Polícia Militar – Secretaria da Segurança Pública]

Capacitação de Cooperativas de Reciclagem de Lixo – [LASSU/PCS/USP – Laboratório de Sustentabilidade do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais Escola Politécnica – Universidade de São Paulo (USP)]

Centrais de Flagrantes – novo sistema de gestão – [Polícia Civil do Estado de São Paulo – DECAP -Departamento de Polícia Judiciária da Capital – Secretaria da Segurança Pública]

GGC Gerenciamento Gerontológico do Cuidado- Instituto Paulista de Geriatria e Gerontologia- IPGG – [Instituto Paulista de Geriatria e Gerontologia (IPGG) José Ermírio de Moraes – Secretaria da Saúde]

Kit Escolar para Alunos a da Rede Estadual de Ensino – [Secretaria da Educação e Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE)]

Plano de Contenção de Custos do CDP Sorocaba – [Centro de Detenção Provisória de Sorocaba – Secretaria da Administração Penitenciária]

Projeto Desconstruindo a Violência – [Coordenadoria de Reintegração Social e Cidadania da Secretaria da Administração Penitenciária]

Retorno de Investimento com Formação de Pessoal – [CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos]

Sistema de Proteção Escolar – [Secretaria de Estado da Educação e Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE)]

Teatro de Fantoches Educando para o Trânsito – [Polícia Militar – Secretaria da Segurança Pública]

Menções Honrosas

A Evolução da Concessão do Passe Escolar – [EMTU/SP – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo]

Ambiente de Pagamentos – [Coordenação de Administração Tributária – Secretaria da Fazenda]

Educar para o Trânsito é Educar para a Vida – [3ª Companhia do 2º Batalhão de Policiamento Rodoviário – Secretaria da Segurança Pública]

Gestão de Paciente de Alto Risco Cirúrgico – [Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) – Iamspe – Instituto de Assistência Médio do Servidor Público Estadual]

Laboratório de Baciloscopia da Coordenadoria de Unidades Prisionais da Região do Vale do Paraíba e Litoral – Corevali – [COREVALI- Coordenadoria Região do Vale do Paraíba e Litoral – Secretaria da Administração Penitenciária]

Logística Hospitalar em Hospital Terciário – [Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia – Secretaria da Saúde]

O Policiamento Rodoviário na solução de problemas indígenas – Case Aldeia Indígena Pindo-Ty – [3º Pelotão da 2ª Cia do 1º Batalhão de Polícia Rodoviária – Secretaria da Segurança Pública]

Programa de Contratações Públicas Sustentáveis – [Secretaria de Gestão Pública – SGP]

Dos projetos que eu julguei e que foi ganhador, gostaria de destacar o Projeto Chama Segura, uma campanha de educação pública que tem como principal objetivo aumentar a segurança comunitária, e exercer a presença do Estado nas comunidades mais carentes. Desenvolvido em parceria com a Liquigás, o projeto consiste na divulgação de atitudes e conceitos sobre segurança evitando diversos acidentes, especialmente com o manuseio e uso diário de GLP. É realizada uma palestra demonstrativa de como manusear corretamente o equipamento e a troca gratuita dos kits de instalação de botijões, compostos por regulador de pressão, mangueira para condução do GLP e um par de abraçadeiras.

Os bombeiros educadores, equipe com treinamento específico para transmitir à população informações sobre prevenção, vão nas comunidades de baixo poder aquisitivo ministrar palestras sobre a forma correta de manusear os botijões de GLP, aproveitando para transmitir outras informações sobre segurança doméstica, com a distribuição de folhetos educativos. Após a palestra, as pessoas atendidas entregam seus kits usados/vencidos, e que, em grande parte das vezes, esta fora da conformidade com as normas de segurança. Além do aspecto educativo da campanha, vale ressaltar o seu caráter preventivo, tendo em vista a substituição de um kit sem condições de uso, não raro em péssimo estado de conservação, por um kit novo e seguro, preservando-se assim, a vida, a saúde e o patrimônio da comunidade. Os vazamentos e acidentes com GLP não costumam ter como causa o botijão, a maior parte das ocorrências é causada pelo uso inadequado, pelo posicionamento em local de risco ou por más condições do kit de instalação. Os botijões, quando utilizados corretamente, com kits certificados pelo Inmetro, dentro prazo da validade e em boas condições de manutenção, são equipamento seguros, com baixo risco de acidentes. Infelizmente a cultura da prevenção ainda é baixa no Brasil e não existe a massificação das informações corretas sobre o produto GLP.

A maior parte população não tem informações básicas e simples como o prazo de validade dos kits de instalação que é de cinco anos ou que o gás, quando acumulado em um ambiente, pode explodir com qualquer fagulha. Não são raros os acidentes causados pelo desconhecimento das características do produto, resultando em perdas materiais e, por vezes, em perdas de vidas. Os principais focos deste tipo de acidente são comunidades de baixa renda, onde, somada à falta de informação, a impossibilidade financeira para adquirir equipamentos novos, porém a necessidade básica do uso de GLP para fazer a alimentação diária da família.

Além disto, comunidades carentes costumam apresentar características habitacionais propícias à propagação de fogo: residências muito próximas, material construtivo de fácil combustão, locais de difícil acesso, acúmulo de madeira, papelão etc. É importante ressaltar que incêndios em algumas comunidades localizadas sob viadutos/pontes, podem danificar a estrutura de sustentação, prejudicando o trânsito local e, aumentando gastos públicos para recuperação destas estruturas, atendimento de ocorrências e a impossibilidade de avaliarmos acidentes pessoais e principalmente a vida humana. No ano de 2010, foram registradas 2.859 ocorrências com GLP no estado de São Paulo, das quais 11% resultaram em incêndios.

O Projeto Chama Segura já retirou mais de 5.000 kits irregulares de circulação nos oito meses do projeto, capacitou a população para o uso correto do GLP, estimulou a cultura da prevenção e ampliou a segurança comunitária a se tornar mais efetiva no controle do risco. Através de um contato com a liderança da comunidade escolhida, é agendado o dia, o Corpo de Bombeiros e a liderança local executarão a ampla divulgação prévia da ação. No dia marcado a equipe vai até o local ministrar as palestras e fazer a troca dos kits. Depois assistir à palestra, as pessoas entregam o kit antigo e recebem o novo kit e um manual de segurança. O material recolhido será revendido como sucata para as fábricas de reguladores para serem reciclados. Desta forma, todo o material recolhido será reaproveitado, transformado em reguladores novos, garantindo que não haverá desperdício de material, nem descarte de material contaminado.

Enfim, o projeto teve como foco a proteção do ser humano, da vida e, sobretudo, atuou diretamente sobre uma necessidade básica da população que é a segurança. A disseminação da informação e a coleta dos kits antigos são ações efetivas para redução do risco. O Corpo de Bombeiros estima que no decorrer dos próximo anos, com a manutenção e expansão do projeto sejamos capazes de reduzir a quantidade de acidentes, salvando vidas e reduzindo o custo do Estado com a mobilização das equipes, além do atendimento a vítimas de incêndios causados por acidentes com GLP.

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