O manejo florestal sustentável

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 NBR14039 – COMENTADA
de 05/2005

Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. Possui 140 páginas de comentários…

Nr. de Páginas: 87

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 NBR5410 – COMENTADA
de 09/2004

Instalações elétricas de baixa tensão – Versão comentada

Nr. de Páginas: 209

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 NBRISO9001 – COMENTADA
de 11/2008

Sistemas de gestão da qualidade – Requisitos. Versão comentada

Nr. de Páginas: 28

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manejoPapel, móveis, medicamentos e alimentos, além da produção de embalagens, de aço e de cimento. É difícil imaginar como seria a sociedade atual sem produtos florestais. Mas a importância das florestas vai muito além dos insumos industriais. Elas são fundamentais para a preservação da água, proteção e conservação do solo, manutenção da biodiversidade, recuperação de áreas degradadas e sequestro de carbono. Ou seja, seria difícil imaginar a sociedade sem os serviços prestados pelas florestas. Por isso, a gestão e o uso sustentável desses ecossistemas é um dos maiores desafios mundiais e, em particular, do Brasil, que possui a segunda maior área florestal do planeta e o primeiro lugar em termos de florestas tropicais. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), florestas ocupam aproximadamente 60% da área total do País. São cerca de 519,5 milhões de hectares, sendo 512,8 milhões de ha de florestas naturais e 6,7 milhões de ha de florestas plantadas.

Ainda hoje as notícias de desmatamento ilegal desenfreado no Brasil estão sendo motivos de críticas e restrições em negociações internacionais. Conciliar a utilização das florestas com a manutenção de sua biodiversidade, capacidade de regeneração e vitalidade, para desempenhar suas funções ecológicas, sociais e econômicas é o principal foco de atuação do manejo florestal sustentável (MFS). Segundo a pesquisadora Yeda Oliveira, da Embrapa Florestas (Colombo-PR), o termo é utilizado para caracterizar um conjunto de procedimentos técnicos, gerenciais e administrativos que visam produzir madeira e produtos não madeireiros, em associação com outros tipos de produção, com o mínimo de danos à floresta. Trata-se, portanto, de uma alternativa ao manejo tradicional, não sustentável e muitas vezes executado de forma ilegal, ainda utilizado em algumas regiões brasileiras. “O MFS pode ser adotado em florestas naturais e plantadas, com diferentes modalidades de uso. E aplicado em propriedade de diversos tamanhos e em comunidades tradicionais, em vários contextos”, explica Yeda Oliveira. O manejo florestal sustentável mMadeireiro, também conhecido como o bom manejo, preconiza a intervenção na floresta para produção de produtos madeireiros, mas com a aplicação de tratamentos silviculturais e monitoramento para garantir a regeneração da floresta.

Já o manejo agroflorestal, ou silvipastoril, busca unir a produção agrícola sustentada com a utilização da floresta. O uso dos recursos florestais renováveis por associações e comunidades tradicionais pode utilizar o modelo de administração do manejo florestal comunitário e familiar, que é voltado para populações que tiram sua subsistência dos recursos renováveis das florestas. Por sua vez, o manejo de uso múltiplo está apoiado no “triângulo da sustentabilidade” (econômica, social e ambiental). Ele tem como foco a maximização da rentabilidade com a obtenção de produtos madeireiros e não madeireiros aliada aos “serviços” da floresta. Está é a aposta tecnológica da Embrapa, uma vez que nos modelos de manejo madeireiro os benefícios econômicos, no curto prazo, são inferiores, quando comparados com técnicas menos sustentáveis. Por isso, é necessário incorporar outros produtos de alto valor de mercado, além de adotar o conceito de pagamento por serviços ambientais (PSA), que consiste na remuneração oferecida ao produtor que preserva a floresta.

No caso das florestas plantadas, o Brasil apresenta um grande potencial para ampliar a área. A plantação árvores tem contribuído para a redução do desmatamento das matas nativas. Um exemplo é uma iniciativa da Embrapa e da Emater-PR, que está promovendo o cultivo de palmito da pupunheira (Bactris gasipaes) no litoral do Paraná. O projeto viabilizou a criação de uma cooperativa com 230 associados na cidade de Morretes e está reduzindo a pressão ambiental sobre o palmito juçara (Euterpe edulis), espécie nativa da Mata Atlântica, que antes era explorada de forma extrativista e clandestina. Outro exemplo é o projeto que envolve a Embrapa, o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), a Suzano Papel e Celulose e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Essas instituições estão implantando florestas energéticas para a produção de lenha em áreas degradadas da Chapada do Araripe, em Pernambuco, e aliviando a pressão de exploração da caatinga. Atualmente a produção das florestas plantadas é utilizada por vários setores industriais, que têm uma participação superior a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Além disso, o plantio florestal tem contribuído para a redução dos gases de efeito estufa e para o sequestro de carbono. É o caso dos sistemas silvipastoris, uma modalidade da integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), que combina o cultivo de pastagens com árvores e arbustos e ajuda na recuperação de pastagens degradadas e na conservação do solo e da água.

Os estudos demonstram que esses sistemas contribuem para a recuperação de pastagens degradadas, para a conservação do solo e da água e para a captura de carbono. As avaliações realizadas no Rio Grande do Sul demonstram que integração de árvores e pastagens compensa o carbono liberado por quatro vacas por hectare, sendo que o histórico de lotação na região é de meio animal na mesma área. A plantio de florestas comerciais é uma das metas do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O programa ABC pretende incentivar o setor produtivo a aumentar a área de florestas plantadas no país para 9 milhões de hectares até 2020. Estima-se que, em 2008, as árvores plantadas chegaram a sequestrar 10 toneladas de CO2 por hectare. Além disso, a plantação de florestas gerou 2,2 milhões de empregos, sendo 630 mil diretos. E a tendência é o crescimento do setor nos próximos anos. Segundo o documento “Diretrizes para a Política Nacional de Florestas Plantadas”, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, o Brasil pode ampliar sua área de florestas plantadas dos atuais 7 milhões de ha para cerca de 16 milhões, em 10 anos, ampliando a participação do País no mercado mundial de 3,2% para cerca de 10%. Esse crescimento poderia ser traduzido em investimentos da ordem de R$ 40 bilhões e 200 mil empregos no meio rural, além de R$ 160 bilhões de investimento e 800 mil empregos gerados nos demais segmentos da indústria consumidora de madeira. Tudo isso sem comprometer a produção de alimentos e as florestas nativas.

Assim, o manejo sustentável – ou bom manejo – é a melhor solução para a exploração racional de madeira e outras riquezas não madeireiras da floresta. Uma floresta bem manejada continuará oferecendo essas riquezas para as gerações futuras, pois a madeira e seus outros produtos são recursos renováveis. Alguns o definem como a administração da floresta para a obtenção de benefícios econômicos e sociais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema objeto do manejo. Atualmente, o conceito foi ampliado para manejo florestal de uso múltiplo, passando a incluir múltiplos produtos e subprodutos não madeireiros, bem como a utilização de outros bens e serviços naturais da floresta. O bom manejo implica uma exploração cuidadosa, de impacto ambiental reduzido, a aplicação de tratamentos silviculturais, para potencializar a regeneração da floresta e fazer crescer outra colheita, e o monitoramento, para controlar essa regeneração e ajudar o manejador na tornada de decisões técnicas e comerciais.

Em termos ambientais, o bom manejo contribui para que a floresta mantenha sua forma e função mais próximas de seu estado original. A manutenção da forma se dá na medida em que se minimizam os danos à floresta e, em consequência, às árvores comerciais remanescentes. Mantida a sua forma, a floresta pode continuar a desempenhar suas funções como proteger o solo contra a erosão, preservar a qualidade da água, abrigar a biodiversidade e outras. Além disso, a floresta remanescente corre menos riscos de incêndios e pode ser enriquecida com os tratamentos silviculturais. O bom manejo é economicamente viável e, a longo prazo, mais barato que a exploração convencional. Em novembro de 2011, a ABNT publicou a norma NBR 14790: Manejo florestal — Cadeia de custódia — Requisitos. Segundo o padrão, o objetivo da cadeia de custódia é criar uma associação de informações entre a matéria prima contida em um produto florestal e a origem daquela matéria prima. Um número crescente de consumidores procura evidências de práticas ambientalmente corretas de negócios e exige comprovação das organizações com base florestal de que a madeira que elas utilizam provém de fontes de manejo sustentável. As organizações, portanto, necessitam de um mecanismo confiável e crível que forneça aos seus consumidores informações sobre a origem da sua matéria prima. Os requisitos da cadeia de custódia descrevem o processo de como partir da informação sobre a origem associada à matéria-prima utilizada para chegar à informação sobre a origem que está anexada aos produtos da organização.

Isso pode ser feito em duas abordagens opcionais para a cadeia de custódia: O método da separação física e os métodos baseados em porcentagem. A norma, implementada em conexão com programas de certificação do manejo florestal e/ou programas de rotulagem, provê tal mecanismo. A utilização de declarações e rótulos relacionados, como resultado da implementação da cadeia de custódia, é baseada na NBR ISO 14020 e a consideração de material reciclado dentro da cadeia de custódia é baseada nos requisitos da NBR ISO 14021. A rotulagem de produtos é considerada um instrumento de comunicação opcional que pode ser incorporada no(s) processo(s) da cadeia de custódia das organizações. Quando a organização decidir aplicar a rotulagem no produto ou fora do produto (promocional), os requisitos para a utilização do rótulo, incluindo os que foram estabelecidos pelo proprietário do rótulo, se tornam parte integrante dos requisitos da cadeia de custódia.

As declarações efetuadas sobre produtos de base florestal fornecem informações relativas à origem desses produtos a partir de florestas manejadas de forma sustentável e fontes recicladas e outras fontes não controversas. Os compradores podem utilizar esta informação na escolha do produto com base na sustentabilidade, bem como outras considerações. O objetivo da comunicação da origem da matéria prima é incentivar a procura e a oferta desses produtos originários de florestas manejadas de forma sustentável e estimular o potencial para a melhoria contínua de mercado do manejo dos recursos florestais do mundo. O objetivo global da cadeia de custódia é oferecer aos clientes dos produtos de base florestal informações precisas e comprováveis sobre o conteúdo do material que é originário de florestas certificadas, manejadas de forma sustentável ou de material reciclado.

A norma especifica os requisitos da cadeia de custódia e os requisitos mínimos do sistema de gestão para a implementação e gerenciamento do processo da cadeia de custódia. Um sistema de gestão da qualidade (NBR ISO 9001) ou sistema de gestão ambiental (NBR ISO 14001) de uma organização pode ser utilizado para implementar os requisitos mínimos para o sistema de gestão definido nessa norma que, implementada em conexão com programas de certificação do manejo florestal e/ou programas de rotulagem, provê tal mecanismo. Ela também pode ser implementada para fins de avaliação da conformidade de terceira parte baseado nos requisitos definidos em esquemas de certificação florestal. A avaliação da conformidade é considerada uma certificação do produto e seguirá a ABNT NBR ISO/IEC Guia 65.

Mais informações sobre a norma, clique no link:

NBR14790 – Manejo florestal – Cadeia de custódia – Requisitos

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