NBR ISO 20121: os requisitos obrigatórios para a sustentabilidade dos eventos

eventAs estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que são realizados cerca de 330 mil eventos por ano no país capazes de atrair quase 80 milhões de participantes sejam eles ativos ou passivos. A região sudeste ainda lidera e concentra a maior parte dos eventos, promovendo quase 170 mil a cada ano, cerca de 50% do total, seguida pela região sul com 63 mil eventos anuais (19% do total). Quando termina um evento, a maioria dos materiais utilizados em sua montagem, é simplesmente descartado, como convites, panfletos, brindes e até o próprio cenário. Quase 80% de tudo o que foi usado vai para o lixo e só cerca de 20% desse material será reaproveitado. Estima-se que, com a adoção de medidas de minimização de impacto, como priorizar os recicláveis e reutilizáveis na escolha dos materiais usados na produção e confecção do cenário e evitar imprimir o que não for absolutamente necessário, é possível reduzir em até 80% o volume de lixo dos eventos.

Dessa forma, os impactos socioambientais gerados por congressos, feiras de negócios e exposições deve começar a fazer parte das preocupações da sociedade para termos cidades com melhor qualidade de vida. Apenas na capital paulista, segundo dados da Secretaria Municipal de Turismo de São Paulo, são 90 mil por ano, praticamente um a cada 6 minutos, gerando benefícios para a cidade, mas também, muitos problemas ambientais, sociais e de saúde para seus freqüentadores. A redução do impacto negativo no meio ambiente e à sociedade, aumento da qualidade e conforto ambiental para os ocupantes e freqüentadores, custos operacionais menores são alguns dos benefícios que a prática de sustentabilidade socioambiental pode agregar aos eventos. Dessa maneira, fica evidente que o controle sob construção, demolição e reforma, o correto tratamento de resíduos, a racionalização do uso da água, eficiência energética, qualidade do ar e conforto ambiental interno, responsabilidade social da empresa organizadora e montadora, neutralização de carbono gerado podem atenuar os problemas provocados ao meio ambiente.

Editada em 2012, a NBR ISO 20121: 2012 – Sistemas de gestão para sustentabilidade de eventos – Requisitos com orientações de uso (clique no link pra mais informações sobre a norma) aplicável a qualquer organização que deseje: estabelecer, implementar, manter e melhorar um sistema de gestão para sustentabilidade de eventos; garantir que esteja em conformidade com sua política de desenvolvimento sustentável estabelecida; demonstrar conformidade voluntária com essa norma por primeira parte (autodeterminação e autodeclaração), segunda parte (ratificação da conformidade por partes que tenha um interesse na organização, como clientes ou por outras pessoas em seu nome), ou terceira parte independente (por exemplo, organismo de certificação). Na verdade, os eventos são algumas vezes, por sua natureza, de grande visibilidade e passageiros, com impactos sociais, econômicos e ambientais positivos e negativos.

Ela foi elaborada para auxiliar as organizações e os indivíduos a melhorar a sustentabilidade de suas atividades relacionadas a eventos. Especifica os requisitos de um sistema de gestão para sustentabilidade de eventos, a fim de melhorar a sustentabilidade de eventos. É aplicável a todos os tipos e tamanhos de organizações envolvidas no projeto e execução de eventos e acomoda diferentes condições geográficas, culturais e sociais. Ao mesmo tempo, ela requer que as organizações reconheçam a sua relação e o impacto sobre a sociedade, e as expectativas da sociedade com os eventos.

É uma norma de sistema de gestão que desafia uma organização a melhorar seu processo e a considerar a melhoria contínua no seu desempenho, bem como permite à organização a flexibilidade de ser mais criativa sobre a execução de atividades relacionadas a eventos sem prejudicar a finalidade do evento. Não é uma lista de verificação ou uma estrutura de relatório ou um método de avaliação do desempenho de sustentabilidade de eventos. É para ser aplicada de forma flexível e permitirá que as organizações que não trabalhem formalmente em prol do desenvolvimento sustentável comecem a implementar um sistema de gestão para sustentabilidade de eventos.

As organizações com sistemas de gestão implementados serão capazes de integrar os seus requisitos em seus sistemas existentes. Todas as organizações se beneficiarão do processo de melhoria contínua ao longo do tempo. A complexidade do sistema e a extensão da documentação e os recursos destinados a ela serão proporcionais ao seu escopo definido, ao tamanho da organização e da natureza das atividades, produtos e serviços da organização. Este é particularmente o caso das pequenas e médias empresas. O sucesso desse sistema depende do comprometimento de todos os níveis e funções, especialmente da alta direção. Além disso, para que um determinado sistema de gestão seja bem-sucedido, ele precisa ser flexível e integrado dentro do processo de gestão de eventos e não apenas considerado um componente a ser adicionado. Para maior eficácia, a sua influência precisa-se estender por toda a cadeia produtiva, bem como pelas partes interessadas identificadas.

Segundo a norma, a organização deve determinar: as partes interessadas que são relevantes ao sistema de gestão para sustentabilidade de eventos; os requisitos dessas partes interessadas (ou seja, suas necessidades e expectativas, se estabelecidas, implícitas ou obrigatórias). Deve estabelecer, implementar e manter um procedimento para identificação e engajamento com as partes interessadas sobre as questões identificadas e emergentes do desenvolvimento sustentável, relativas ao seu papel na cadeia de valor dos eventos. Deve documentar as saídas de seu engajamento com as partes interessadas. A identificação das partes interessadas deve, quando aplicável, abranger o seguinte: o organizador de evento; o proprietário do evento; a força de trabalho; a cadeia produtiva; os participantes; o público do evento; os órgãos reguladores; e a comunidade. A organização deve definir seus princípios administrativos do desenvolvimento sustentável na forma de uma declaração de propósito e valores. Os princípios do desenvolvimento sustentável que regem a organização, relativos à gestão de eventos, devem incluir no mínimo considerações para a administração, inclusão, integridade e transparência. Deve definir e documentar seu propósito principal e valores com relação às suas atividades, produtos e serviços que dizem respeito especificamente a eventos.

Os princípios, propósito e valores da organização devem fornecer uma estrutura para a definição de suas políticas, objetivos e metas, conforme definido no escopo de seu sistema de gestão para sustentabilidade de eventos. Assim, a empresa precisa deve estabelecer, implementar e manter um procedimento para identificar suas questões de desenvolvimento sustentável e avaliar sua significância associada com suas atividades relativas a eventos, produtos e serviços dentro do escopo definido do sistema de gestão. A identificação de questões deve, quando aplicável, abranger o seguinte: os aspectos ambientais – utilização de recursos, escolha de materiais, conservação de recursos, redução das emissões, preservação da biodiversidade e da natureza, emissão de poluentes no solo, na água e no ar; os aspectos sociais – normas de trabalho, saúde e segurança, liberdades civis, justiça social, comunidade local, direitos indígenas, questões culturais, acessibilidade, equidade, patrimônio e sensibilidades religiosas; os aspectos econômicos – retorno sobre o investimento, economia local, capacidade do mercado, valor das partes interessadas, inovação, impacto econômico direto e indireto, presença de mercado, desempenho econômico, risco, comércio justo e participação nos lucros. Além dessas questões de desenvolvimento sustentável que uma organização pode controlar diretamente, uma organização deve considerar também questões que ela pode influenciar. Os critérios utilizados para a avaliação da importância devem ser documentados e devem incluir uma consideração de resposta das partes interessadas e a identificação de novas questões emergentes. As saídas do procedimento devem ser documentadas, mantidas atualizadas e compartilhadas com as partes interessadas relevantes.

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A arrecadação brasileira e a transferência de riqueza ao Estado

Curso: Curtos-Circuitos e Seletividade em Instalações Elétricas Industriais

Nesse Curso: Curtos-Circuitos e Seletividade em Instalações Elétricas Industriais(clique no link para mais informações e inscrições), o participante poderá aprender que um sistema elétrico está sujeito a eventuais falhas que podem envolver elevadas correntes de curtos-circuitos, e que fatalmente irão submeter os equipamentos a esforços térmicos e dinâmicos. Dessa forma, esse curso é dividido em dois tópicos: curto-circuito e coordenação da proteção (seletividade). No primeiro discute: o cálculo de corrente de curto-circuito simétrica e assimétrica; a especificação dos equipamentos de proteção do ponto de vista de corrente de curto-circuito; as recomendações práticas das normas nacionais e internacionais vigentes, como ANSI-VDE-IEC-NEC-ABNT. No tópico coordenação da Proteção discute-se a importância e conceitos de proteção exigidos em normas; a filosofia e técnicas de proteção para dispositivos de proteção de Baixa, Média e Alta Tensão; e o ajuste de relés fase e neutro de sobrecorrentes.

Enio De Biasi

Os governos, e suas máquinas arrecadadoras, não têm motivos para se queixar. Continua a ser observado, como de costume nos últimos anos, um expressivo crescimento na receita tributária, seja dos Estados – ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) –, seja das receitas administradas pela Secretaria da Receita Federal. Esse fenômeno se repetiu no 1º semestre de 2012. Os Estados do Sudeste tiveram um acréscimo de 5,2% no volume arrecadado de ICMS no período. Já os Estados do Sul do Brasil viram sua arrecadação desse imposto subir incríveis 12% (admitindo que no Rio Grande do Sul a arrecadação de maio seja idêntica à de abril, uma vez que o número do Estado ainda não foi divulgado). A União, por sua vez, teve um aumento de 6,5% e de 14% nas arrecadações tributária e previdenciária, respectivamente.

Esses números impressionam e intrigam. Afinal de contas, o país como um todo teve um crescimento medíocre no 1º semestre de 2012! Que mágica, que fenômeno é esse em que se observa uma evolução da economia muito próxima de ZERO e os governos continuam com suas arrecadações em uma espiral apontando para cima? Essa transferência de riqueza, dos indivíduos e das empresas para o Estado, causa uma sensível distorção na divisão de forças da sociedade. Gera, segundo nossa avaliação, um perigo de ruptura entre o Estado e seus financiadores. Até quando a sociedade civil privada, que trabalha, produz, investe, empreende e gera riqueza, vai tolerar financiar um Estado opulento, perdulário, que pouco investe, que regula mal e que se interfere diuturnamente nas atividades privadas?

Somente discursos da presidente Dilma Rousseff e do seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticando os empresários por não investirem não vão trazer resultados. Os agentes econômicos precisam de regras claras, de um ambiente saudável e de perspectivas que permitam retorno do seu capital investido. E o Brasil não tem dado esses sinais. Ao contrário. O governo exonera pontualmente, privilegia setores econômicos (são sempre os mesmos!), não ataca os problemas reais da economia (carga tributária e infra-estrutura) e não planeja. Também criticamos a falta de um estudo estratégico para o Brasil. Toda empresa, se quiser ter sucesso, tem seu planejamento estratégico. Qual é o plano estratégico do Brasil? Qual dos últimos governos de plantão elegeu as prioridades do país, seus gargalos, suas demandas, seus pontos fracos e fortes? Análise SWOT é uma ferramenta básica de todos que pretendem criar um plano de negócio e os governos brasileiros parecem desconhecer essa ferramenta. Continuam com boas ideias, como a recente desoneração da folha de pagamentos. A questão é: por que somente alguns setores são privilegiados, criando distorções entre os agentes privados?

Embora tenha apresentado crescimento, os números do 2º trimestre são sensivelmente piores que os do 1º trimestre. Já era tempo de os governos sentirem, ao menos um pouco, que a economia brasileira está mostrando sinais de alerta, de uma crise que tem gerado preocupação para todos os governos e todos os agentes. As empresas já acusaram o golpe; basta observar a arrecadação de IRPJ (Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas) e de CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), incidentes sobre o lucro das empresas, que apresentaram redução de 2,2% no 2º trimestre de 2012 em relação ao mesmo período de 2011. O Imposto de Importação continua com aumentos expressivos, de 20,2%, comparando-se o 1º semestre de 2012 frente ao de 2011. Já o IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) cresceu “apenas” 6,3% na mesma comparação. Estamos, portanto, promovendo substituição de produção nacional por produtos importados. Que incentivo tem o setor industrial brasileiro para atender aos apelos da presidente e do ministro da Economia?

A arrecadação previdenciária continua crescendo, mas em um ritmo bem menor, resultado da estabilidade na geração de empregos. A indústria tem dado claros sinais de que está em uma vertente descendente, tanto dos negócios quanto, por via de consequência, do número de empregados. São sinais de alerta e de nada vai adiantar a Presidente querer mudar o foco, afirmando que o PIB não é tão importante para um país. Ora, sempre foi, e agora que deixou de ser um bom apelo de sucesso do seu governo, analisar seu desempenho com outras medidas não vai resolver os nossos problemas. Até porque o fator eleito, de dizer que mais importante que o PIB é dar oportunidade de progresso para nossas crianças e nossos jovens, não parece dar, exatamente, uma boa medida de sucesso. Os estudantes brasileiros são pessimamente avaliados nos exames mundiais de matemática, redação e ciências! Essa sim seria uma medida de planejamento estratégico: investir seriamente em educação. Mas este seria um projeto de Estado e não de governo. É preciso coragem e compromisso com o país, e não com partidos políticos, para investir em um projeto cujo retorno se dará ao longo de algumas gerações.

Enio De Biasi é sócio-diretor da De Biasi Auditores Independentes (www.debiasi.com.br)

O que é um elipsômetro?
Elipsometria é uma técnica óptica que permite a medida da espessura e as propriedades ópticas de filmes extremamente finos ou camadas de um material. As propriedades mensuráveis são o índice de refração (ou quanto a luz é desviada) e a magnitude da absorção de luz, ou seja, do chamado coeficiente de absorção. O equipamento para a realização destas medidas é o elipsômetro. O princípio de funcionamento de um elipsômetro está baseado na irradiação (com um fonte de luz muito bem definida) de um material e a posterior captura de sua reflexão. Os modernos elipsômetros fazem uso de lasers como fontes de luz. Geralmente é utilizado o laser de He-Ne (Hélio-Neônio). O feixe de luz passa primeiramente através de um polarizador, de modo que somente a luz orientada numa direção bem conhecida pode prosseguir. Esta, em seguida, passa através de um dispositivo denominado compensador, cuja finalidade é polarizar elipticamente o feixe de luz. Só então a luz remanescente atinge o material sob estudo. A análise é feita considerando a Lei de Snell que diz que quando um feixe de luz interage com um material, parte dele será refletido imediatamente e parte atravessará o material, antes da reflexão. Através da medida da diferença entre duas reflexões, a espessura do material poderá ser determinada. A luz refletida também sofre uma mudança na polarização, de tal sorte que esta é usada para calcular o índice de refração e o coeficiente de absorção.


Os dados de elipsometria dependem do índice de refração do meio ambiente (ar), do (s) filme (s), substrato e espessura do filme (s).
Créditos: University of Colorado

Para que um elipsômetro trabalhe adequadamente, o material sob exame precisa satisfazer certas propriedades físicas. A amostra precisa ser composta de um número pequeno de camadas bem definidas. As camadas devem ser opticamente homogêneas, ter estrutura molecular idêntica em todas as direções e refletir quantidades significativas de luz. Se algum destes requisitos não for atendido, os procedimentos-padrão não funcionarão.


Elipsômetro.
Créditos: CSIC (Espanha)

Os elipsômetros são dispositivos extremamente sensíveis, capazes de medir camadas tão finas quanto camadas atômicas. São muito usados na indústria de semicondutores, onde é muito comum o crescimento – por métodos químicos -, de camadas sucessivas, uma sobre as outras. A elipsometria é uma técnica não-destrutiva. Os materiais medidos por esta técnica não sofrem danos adversos durante o processo. Tal aspecto tem feito com que a o uso da elipsometria tenha aumentado muito no estudo de sistemas biológicos. Como sabemos, materiais biológicos estão longe de ser uniformes, como é o caso dos materiais manufaturados, não apresentando, portanto, as características necessárias para as medidas de elipsometria. Contudo, para o estudo destes materiais novas técnicas estão sendo desenvolvidas, tendo por base o uso de múltiplos elipsômetros, dispostos em diferentes ângulos.

Nota do Editor Científico: o material que serviu de base para este texto foi obtido em www.wisegeek.com. Texto/Adaptação – Oswaldo Luiz Alves. As ilustrações apresentadas foram obtidas em www.google.com.

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