A credibilidade dos sistemas de certificação (parte 1)

E-BOOKS DA AMERICAN SOCIETY QUALITY (ASQ)

A Target e a American Society for Quality (ASQ), maior entidade mundial na área da Qualidade, firmaram uma parceria que prevê a venda dos e-books online da ASQ no seu site (veja aqui o catálogo ASQ/Target). São mais de 200 publicações que serão oferecidas a fim de fornecer ao mercado técnico brasileiro o melhor conteúdo sobre gestão, qualidade, normalização, etc. Essa parceria torna a Target um distribuidor autorizado no Brasil das publicações renomadas da ASQ. É uma oportunidade para que profissionais brasileiros obtenham as publicações da ASQ com o mesmo preço dos Estados Unidos online, o que vai garantir e eles um diferencial competitivo internacional. Atualmente, no site da Target o cliente já pode comprar as normas técnicas nacionais e internacionais online, bastando se cadastrar, inserir os dados de um cartão de crédito válido, escolher o produto ASQ e receber autorização para comprar com um clique e acessar as publicações escolhidas. Todas essas ações de aproximação da entidade com os parceiros internacionais vêm ampliando as fronteiras de atuação da ASQ fora da América do Norte, o que vem sendo feito desde 1996. Muitas companhias se tornaram globais e precisam estar atualizadas quanto ao avanço da gestão pela qualidade em outros países, precisam de informações globais. Assim, a visão da ASQ é tornar a qualidade uma prioridade global, pois há um mercado amplo e que precisa das ferramentas de gestão pela qualidade, principalmente nos países em desenvolvimento. A ASQ está preocupada em desenvolver serviços e produtos focados no mercado local, de forma personalizada e atrativa para cada região.

Confira abaixo o catálogo ASQ/Target

Roberto Ricardo Machado de Andrade, WB Produção e Consultoria – roberto.andrade@wbbra.com.br

Há uma necessidade indiscutível de independência, ética, credibilidade e valor agregado que devem nortear todos os processos e etapas de certificação. Essa discussão passa por todos os atores do sistema de gestão da certificação e pode ser o ponto de partida para debates mais amplos e aprofundados.

Órgão normalizador – Muito se fala de organismos certificadores que têm em sua corporação atividades de consultoria, o que demonstra falta de independência e conflito de interesses em relação às atividades de certificação. Esse item é antigo demais para ser discutido. Já foi tema, inclusive, de revisão de norma e guias do IAF e da ISO.

Por outro lado, fala-se pouco de organismos normalizadores que tem ligados a sua corporação organismos certificadores. Este caso, pouco explorado pelas partes interessadas, também revela falta de independência. Na realidade, a entidade certificadora é uma captadora de, podemos dizer, novos produtos, quando esta vai ao mercado e identifica novas oportunidades de geração de normas. Certamente é muito mais ágil um trâmite corporativo, ou seja, entre partes de um mesmo grupo do que um organismo certificador sem a estrutura de normalização.

O grau de independência não é o ponto que está sendo levantado aqui, e sim a independência no sentido completo de seu significado. A integração das normas de sistema de gestão é um tema atual e crescente nas demandas dos clientes da certificação. O custo e benefício de um sistema de gestão integrado comparado a um sistema de gestão combinado, onde estruturas, recursos e controles dos requisitos de cada norma praticamente não interagem, é claramente vantajoso para os clientes da certificação. Identificam-se no mercado algumas ações normativas no sentido da integração. Por exemplo: a “PAS 99:2006 – Especificações de requisitos comuns de sistemas de gestão”, especificação técnica publicada pelo BSI, que surge como um esforço para a integração. O interessante é que essas iniciativas não surtem o efeito de planejamento desejado junto às normalizadoras.

A grande vantagem para a integração de sistema de gestão é o envolvimento de todos os atores do sistema no processo de integração. Não basta o cliente da certificação integrar os seus processos. Todos devem integrar as etapas e serviços relativos ao sistema, para que a integração renda os benefícios na sua totalidade. Um bom exemplo de desintegração são as revisões e emissões das normas de sistema de gestão, que poderiam seguir um cronograma integrado e seus requisitos comuns serem atualizados de maneira uniforme ou pelo menos homogênea.

Observa-se no mercado uma dispersão enorme de esforços dos clientes da certificação, devido às revisões de normas. Essa defasagem de tempo na revisão entre normas gera custos elevados para a cadeia da certificação e principalmente para o cliente da certificação, o que resulta em perda de valor. Para cada revisão de uma norma, o cliente da certificação passa por análise crítica, adequações de seus sistemas e treinamentos para compreender as mudanças realizadas, entre outros esforços. Por outro lado, a certificação de sistemas de gestão integrados não viabiliza a emissão de um certificado único e acreditado para a integração realizada pelo cliente da certificação.

Em alguns casos, o organismo certificador emite um certificado de integração, o qual não é acreditado. Isso quer dizer que o cliente da certificação recebe um certificado acreditado para cada norma. Assim, se o cliente da certificação for certificado em três normas, por exemplo: NBR ISO 9001, 14001 e OHSAS 18001, terá de pagar por três certificados em separado, mesmo tendo o seu sistema declarado e avaliado como um sistema de gestão integrado (SGI).

Por fim, um pouco de reflexão num requisito técnico fundamental para a gestão da certificação é a determinação do tempo de execução de uma auditoria. Este requisito é tratado de maneira genérica na norma NBR ISO 17021, que transfere a responsabilidade pela sistemática de determinação do tempo de auditoria para o organismo certificador. Um documento complementar e mandatório do IAF – “IAF Mandatory Document for Duration of QMS and EMS Audits”, orienta os vários passos para a determinação dos tempos de auditoria para as normas NBR ISO 9001 e 14001. Alguns pontos para discussão podem ser levantados com relação, por exemplo, à ética e valores agregados ao processo de certificação, relacionados com o tempo de auditoria. O calculo do número de dias é um parâmetro técnico e não comercial, pois o organismo certificador pode utilizar esse parâmetro na negociação comercial; percentuais de redução são definidos, dependendo das características e complexidade dos processos do cliente da certificação, mas o organismo certificador oferece as reduções com base em procedimento próprio, ou seja, com critérios desenvolvidos pelo fornecedor do serviço; o organismo acreditador certifica o organismo certificador com base em critérios de auditoria e amostragem, e pode não identificar falhas no cálculo do número de dias de auditoria, até por que o procedimento de calculo do tempo de auditoria é da responsabilidade do organismo certificador.

Um exemplo clássico de interpretação da norma, e principalmente do documento mandatório do IAF, é que o documento indica duas condições para determinar a redução de tempo: primeira: “É esperado que a duração da auditoria envolvendo o planejamento e a preparação de relatórios não reduza a duração da auditoria na localização do cliente em menos de 80% do cálculo do tempo de auditoria.”; segunda: “É pouco provável que a redução na duração da auditoria exceda 30% do tempo estabelecido nas tabelas para SGQ e SGA.” Se verificarmos a aplicação dessas duas recomendações do documento mandatório do IAF, podemos nos surpreender. Determinados organismos certificadores calculam seus tempos de auditoria dando 20% de redução e outros, 30%. As interpretações, permitidas pela norma e documento dos organismos normalizadores, levam um parâmetro técnico a se transformar em uma variável comercial. Considerando, diretamente, um preço unitário, competitivo e igual, o organismo certificador que oferecer a redução de 30% terá mais chances de obter êxito na contenda por um cliente da certificação.

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Filed under: gestão em saúde, infecção hospitalar, Informação científica

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