Takt time

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05 de Novembro de 2012 – 209ª Edição – Ano 2012

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NBR ISO/IEC 17043: os requisitos para os ensaios de proficiência

Essa norma especifica os requisitos gerais para a competência de provedores de ensaio de proficiência e para o desenvolvimento e a operação de programas desses ensaios.

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Publicação Target/ASQ em destaque

The Certified Six Sigma Black Belt Handbook é uma das publicações da ASQ que a Target está disponibilizando para o mercado brasileiro. Conheça mais detalhes sobre ela.

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Como realizar corretamente a manutenção das edificações

A manutenção de edifícios é uma atividade complexa que vem ganhando cada vez mais importância nos dias atuais.

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BS 8587: um guia para facilitar a gestão da informação

Essa norma, editada pela BSI em 2012, fornece aos proprietários, operadores, lojistas, gerentes e administradores as orientações e recomendações no que diz respeito à gestão de informações e dados.

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NBR 15906: gestão empresarial para serviços notariais e de registro

Essa norma estabelece os requisitos de sistema de gestão empresarial, para demonstrar a capacidade dos serviços notariais e de registro de gerir seus processos com qualidade, de forma a satisfazer as partes interessadas.

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Uma leitora me escreve querendo saber o que é takt time. A palavra alemã takt serve para designar o compasso de uma composição musical, tendo sido introduzida no Japão nos anos 30 com o sentido de ritmo de produção, quando técnicos japoneses estavam a aprender técnicas de fabricação com engenheiros alemães. Pode ser definido a partir da demanda do mercado e do tempo disponível para produção; é o ritmo de produção necessário para atender a demanda. Matematicamente, resulta da razão entre o tempo disponível para a produção e o número de unidades a serem produzidas. Para alguns especialistas, é o tempo alocado para a produção de uma peça ou produto em uma célula ou linha. A ideia de alocar um tempo para produção pressupõe, naturalmente, que alguém aloca e assim o takt time não é dado absoluto, mas sim determinado. Pondere-se que a conceituação tem limites. É preciso esclarecer que a empresa pode realizar opções tanto quanto aos níveis de atendimento da demanda como aos de utilização da capacidade.

A compreensão desses limites leva à necessidade de ampliação do conceito. Uma definição mais adequada parece ser a seguinte: takt time é o ritmo de produção necessário para atender a um determinado nível considerado de demanda, dadas as restrições de capacidade da linha ou célula. Concretamente, o takt time é o ritmo de produção alocado para a produção de uma peça ou produto em uma linha ou célula. Uma diferença parece ser que se reconhece explicitamente nesta definição que o ritmo eventualmente necessário pode não ser suportado pelo sistema de produção. Depois disso, pode-se dizer que surgem outras questões conceituais, precisamente no que tange à compatibilização da demanda com a capacidade. Na seção seguinte, esclarece-se o conceito de tempo de ciclo, explicando-se como é exatamente esse que limita o takt time. A amarração entre processo e operação é visualizada nessa articulação e ilustrada quando debatidas as relações entre os mesmos. A vinculação dessa questão com o planejamento e Controle da Produção é importante de ser explorada, de forma a evitar que o sistema, mesmo tendo condições globais de atender à demanda, não seja sobrecarregado em momentos de pico e tenha seu funcionamento abalado. Feitas essas diferentes considerações, o takt time pode ser legitimamente entendido como o tempo que rege o fluxo dos materiais em uma linha ou célula.

Seu conceito está diretamente relacionado com o processo, na medida em que trata do fluxo dos materiais ao longo do tempo e espaço. Sob uma perspectiva operacional, o tempo disponível para produção não é necessariamente igual à duração do expediente. Em situações reais, deve-se descontar os tempos de paradas programadas, tais como manutenção preventiva dos equipamentos, paradas por razões ergonômicas, etc. Sendo assim, pode-se afirmar que: tempo disponível para produção = período de trabalho – paradas programadas. Em uma linha de produção, a cada intervalo definido pelo takt time, uma unidade deve ser terminada. Por exemplo, para uma linha de montagem de automóveis com demanda diária de 300 unidades e tempo disponível para produção de 10 horas (600 minutos), o takt time será de 2 minutos. Ou seja, a cada 2 minutos deve sair um carro pronto no final da linha.

Outros autores apresentam conceituações de takt time que não incluem explicitamente as considerações sobre a capacidade, embora alguns deles tratem desse aspecto na apresentação de sua lógica de balanceamento de linha. Alguns introduzem uma variante da definição de takt time, denominada taxa da planta – “plant rate (R)” – incorporando na definição do ritmo da fábrica aspectos como folgas e taxas de eficiência, eventualmente importantes em regimes de entrada de operação de planta ou no início de produção de novos modelos, mas questionáveis na medida em que podem encobrir perdas. A compreensão do importante conceito de takt time só é de fato possível quando contrastado com o de tempo de ciclo.

Quanto a isso, deve-se observar que a duração de um ciclo é dada pelo período transcorrido entre a repetição de um mesmo evento que caracteriza o início ou fim desse ciclo. Em um sistema de produção, o tempo de ciclo é determinado pelas condições de operação da célula ou linha. Considerando-se uma célula ou linha de produção com ‘n’ postos de trabalho, o tempo de ciclo é definido em função de dois elementos: tempos unitários de processamento em cada máquina/posto (tempo padrão); e número de trabalhadores na célula ou linha. Genericamente, para uma máquina ou equipamento, o tempo de ciclo é o tempo necessário para a execução do trabalho em uma peça; é o tempo transcorrido entre o início/término da produção de duas peças sucessivas de um mesmo modelo em condições de abastecimento constante.

Algumas operações, devido às suas características, como tratamento térmico, queima de cerâmica, tratamento químico, pintura, etc., requerem que esse seja definido como o tempo para o processamento de um lote ou batelada. Cada máquina e equipamento tem um tempo de ciclo característico para cada operação (processamento) executada. Em alguns casos, como em tornos automáticos e com CNCs, pode ser fisicamente identificado com relativa facilidade. Contudo, o retorno das ferramentas de corte a uma mesma posição e em outras, nem tanto, como no caso de operações manuais.

Quando se analisa uma operação isolada, o tempo de ciclo é igual ao tempo padrão; é o tempo que consta nos roteiros de produção dos sistemas de controle de produção. Por exemplo, para o caso de uma máquina dedicada com um tempo padrão de 2,5 minutos, o tempo de ciclo também será de 2,5 minutos; isto é, a cada 2,5 minutos pode ser produzida uma peça, repetindo-se um ciclo. Quando se analisa todo o sistema de produção (células, linhas ou mesmo a fábrica inteira), a discussão muda de perspectiva. Nesse caso, deixa-se de ter uma única máquina, a partir da qual se pode, com facilidade, definir o tempo de ciclo, sendo necessário contemplar as relações sistêmicas de dependência entre os equipamentos e as operações.

É possível, inclusive, questionar se existe um tempo de ciclo para uma célula ou linha de produção. A resposta é afirmativa, tendo-se, dependendo do caso, o tempo de ciclo da linha ou o tempo de ciclo da célula. Para os materiais a ideia de ciclo não tem sentido. Uma mesma peça não passa mais de uma vez pelo processamento, não havendo um ciclo, portanto. A noção de ciclo só tem sentido para os sujeitos do trabalho, e não para os objetos do trabalho (materiais), posto que é o trabalho realizado por homens e máquinas que se repete regularmente.

Assim, o ciclo não está vinculado ao início ou término do processamento de um produto ou componente na linha. Para uma situação em que a cada posto há um operador, as operações podem ser realizadas em paralelo; obviamente, em peças diferentes. Um exemplo disso: um determinado produto a ser produzido em um tempo disponível de produção (tempo disponível = tempo total – paradas programadas), ou seja, temos 480 minutos de tempo disponível para produzirmos 300 unidades diárias (conforme demanda programada); o takt time será o tempo obtido pela divisão de 480 minutos pelo número de 300 unidades, que corresponde a 1,6 minuto para cada unidade produzida (a cada 1,6 minuto deve-se ter um produto acabado ao final do processo). É importante, sempre que se pensar em takt time, considerar a capacidade de produção.

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O Brasil precisa de uma lei para os crimes eletrônicos?

Curtos-Circuitos e Seletividade em Instalações Elétricas Industriais - Conheça as Técnicas e Corretas Especificações - Presencial ou Ao Vivo pela Internet

Curso: Curtos-Circuitos e Seletividade em Instalações Elétricas Industriais – Conheça as Técnicas e Corretas Especificações

Modalidade: Presencial ou Ao Vivo pela Internet

Dias: 13 e 14 de Novembro

Horário: 09:00 às 18:00 horas

Carga Horária: 16h

Professor: José Ernani da Silva

Preço: A partir de 3 x R$ 257,81

(*) O curso permanecerá gravado e habilitado para acesso pelo prazo de 30 dias a partir da data da sua realização.

Engenheiros e Projetistas têm a constante preocupação de saber especificar adequadamente os equipamentos elétricos que são submetidos à corrente de curto-circuito, pois um sistema elétrico está sujeito a eventuais falhas que podem envolver elevadas correntes de curtos-circuitos, e que fatalmente irão submeter os equipamentos a esforços térmicos e dinâmicos. Este curso é dividido em dois tópicos: curto-circuito e coordenação da proteção (seletividade). O tópico Curto-Circuito discute: a) Cálculo de corrente de curto-circuito simétrica e assimétrica; b) Especificação dos equipamentos de proteção do ponto de vista de corrente de curto-circuito; c) Recomendações práticas das normas nacionais e internacionais vigentes, como ANSI-VDE-IEC-NEC-ABNT. O tópico Coordenação da Proteção discute: a) Importância e conceitos de proteção exigidos em normas; b) Filosofia e técnicas de proteção para dispositivos de proteção de Baixa, Média e Alta Tensão; c) Ajuste de relés fase e neutro de sobrecorrentes. Para atender à demanda daqueles que não podem se locomover até as instalações da Target, tornamos disponível este curso Ao Vivo através da Internet. Recursos de última geração permitem total aproveitamento mesmo à distância. Os cursos oferecidos pela Target são considerados por seus participantes uma “consultoria em sala”, ou seja, o participante tem a possibilidade de interagir com renomados professores, a fim de buscar a melhor solução para problemas técnicos específicos e particulares.

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Rafael Fernandes Maciel

O Senado Federal aprovou em plenário, no último dia 31, o projeto de lei originário da Câmara de Deputados (PL 2793/11 e PLC 35/12) que tipifica como criminosas algumas condutas cometidas no meio digital, sobretudo a invasão de computadores. A imprensa tem noticiado como se fosse a primeira aprovação deste tipo no Brasil e alguns setores comemoraram como se a existência de uma lei para os crimes eletrônicos fosse tudo que faltava para diminuir a delinquência cibernética. Não se tem dúvida da importância do fato, entretanto, esse projeto ainda será encaminhado para a Câmara dos Deputados e lá poderá sofrer tal qual o PL 84/99 encaminhado pelo Senado em 2008 e até o início deste ano aguardava votação.

Pelo menos agora, nos parece, será conduzido com maior celeridade, sobretudo por ter o PL 84/99 sido praticamente extinto, porquanto excluídas as condutas lá previstas em um acordo celebrado com o Governo Federal no calor do caso da atriz Carolina Dieckmann no início deste ano. Na oportunidade, restou acordado que o atual projeto teria preferência e o anterior, do Deputado Eduardo Azeredo, seria, como o fora, modificado para não tipificar qualquer conduta. Fora um fato lamentável, visto que o projeto de 1999 havia sido discutido exaustivamente e estava muito mais maduro para se tornar lei, especialmente em razão de que seu “substitutivo”, o PL 2.793/11, trazia, em seu corpo, incongruências redacionais as quais seriam fonte abundante de argumentos para as defesas criminais, tornando letra morta a previsão legislativa, como por exemplo, o uso da expressão “devassar dispositivo informático”. Nunca consegui entender a abrangência do verbete “devassar” com conotação demasiadamente pejorativa para um tipo penal.

A boa notícia é que o projeto foi de fato melhorado no Senado. Substituíram a expressão “devassar” por “invadir”, trazendo maior clareza na conduta, bem como foram realizadas algumas correções textuais e outras adequações jurídicas, como tirar do dispositivo a previsão de obter vantagem ilícita para não prejudicar outros tipos penais, como o estelionato e o furto. Ainda, fora adequado o artigo 266 do Código Penal, colocando a tipificação no próprio caput e não em parágrafo, ficando agora prevista a punição a quem interrompe ou perturba serviço telemático ou dificulta seu restabelecimento.

O projeto ainda corre o risco de parar para análise conjunta ao projeto de reforma de todo o Código Penal, mas, se não for interrompido, teremos em nosso ordenamento a definição do crime de invasão de dispositivo informático, punível com detenção, de três meses a um ano, e multa, pena aplicada também a quem produz, oferece, distribui, vende ou difunde programas de computador capazes de permitir a invasão de dispositivo. Havendo prejuízo econômico, a pena é aumentada de um sexto a um terço e ainda, se da invasão forem obtidas informações sigilosas, comunicações eletrônicas privadas, segredos comerciais ou industriais, a pena será de reclusão de seis meses a dois anos, e multa. Neste caso, poderá haver acréscimo à pena se tais informações forem transmitidas a terceiros, a qualquer título. Embora apelidado de “Lei Carolina Dieckman”, vejo dificuldades em se aplicar ao caso concreto da atriz, porquanto pela proposta é preciso haver: ausência de consentimento do proprietário, ainda que tácito e com a finalidade de se obter os dados. De qualquer modo, muitas outras invasões de sistemas poderão ser punidas sob a luz de tais dispositivos, tais como aquelas em que ativistas digitais retiram sites de serviço público ou governamentais do ar.

Feita essa análise do trâmite e do mérito, resta-nos refletir: o Brasil realmente precisa de uma lei que tipifique tais crimes cibernéticos? É apenas isso que nos falta? Sendo o Brasil um país de tradições positivistas e sendo vedada a aplicação de analogia para criar tipos penais, não nos resta dúvida em responder afirmativamente a essa indagação. Especialmente para algumas condutas como a invasão de sistemas, tão específica e sem previsão semelhante no atual ordenamento. Muitos outros crimes já estão previstos e não é preciso se definir em lei que há a conduta criminosa se cometido por meio eletrônico. Talvez com a previsão dessas condutas específicas, passaremos a obter melhores resultados punitivos. Talvez (e somente talvez) em razão de que não é esse o único problema na persecução de crimes cibernéticos.

A falta de estrutura nas delegacias civis (excluo a Polícia Federal, porquanto reconhecida mundialmente pela sua competência na apuração de delitos digitais e algumas poucas delegacias especializadas em grandes centros) e a ausência de previsão legal que estabeleça a obrigatoriedade na guarda de logs acabam por inviabilizar a investigação cibernética, em muitos casos. O Marco Civil da Internet (PL 2126/11), embora tenha conotação civil, poderia sanar esse problema ao prever o armazenamento de tais registros, sem dar margem para violação à privacidade, evidentemente. No entanto, no último parecer de julho próximo, o relator deputado Alessandro Molon retirou a obrigatoriedade do armazenamento dos dados pelos provedores de aplicações à internet, vulgos provedores de conteúdo, deixando essa previsão apenas aos provedores de conexão. Fato é que os registros de conexão nem sempre são suficientes para uma boa colheita de provas. O certo seria obrigar também os provedores de conteúdo a fazer esse registro, permitindo, assim, não só investigar e punir os crimes previstos pelo PLC 35/12 como também outros, tais como os de difamação, calúnia e injúria, tão comuns nas redes sociais.

Muita água irá rolar. Vamos acompanhar e torcer para que as legislações de nosso país não sejam feitas no calor das emoções e sejam refletidas em todos seus aspectos e consequências. E em conjunto com projetos e políticas públicas de estruturação das polícias técnico-científicas e também no tocante à produção de provas digitais. Crime tecnológico se combate com investimento em tecnologia. Não serão leis que tornarão o meio digital mais seguro e sim políticas públicas, desde a educação digital até o investimento em aparato investigatório.

Rafael Fernandes Maciel é advogado, sócio do escritório Murilo Maciel & Rafael Maciel Advogados Associados S/S (www.murilomaciel.com.br) e especialista em direito empresarial e direito eletrônico/direito digital.

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