Os riscos de desmatamento na Amazônia

desmatamentoO governo se quisesse agir para diminuir o desmatamento na Amazônia teria como fazer. O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) publicou um estudo fazendo previsões sobre isso. Assim, já está disponível o estudo sobre o risco de desmatamento em Municípios, Áreas Protegidas, Assentamentos e áreas privadas, devolutas ou sob conflitos por posse, para o período de agosto de 2012 a julho de 2013, estimado pelo modelo de risco de desmatamento desenvolvido pelo Imazon.

Como nas outras edições do boletim, o resultado do modelo é um mapa de probabilidade de desmatamento na Amazônia em um grid de um quilômetro quadrado (1000m x 1000m). O modelo estimou uma taxa de desmatamento total de 5.055 quilômetros quadrados para o período, para oito Estados da Amazô- nia (AC, AM, AP, MT, PA, RO, RR, e TO) e alocou espacialmente uma área de floresta de pelo menos 1.074 quilômetros quadrados com desmatamento esperado acima de um hectare (ou 1% da área do pixel). Nessas regiões há maior chance de ocorrer desmatamento com base no grau de acessibilidade e o padrão espacial do desmatamento dos anos anteriores. A maior parte das áreas apontoadas como de risco concentra-se nos Estados do Pará (66%), Mato Grosso (12%) e Rondônia (12%). Áreas privadas, devolutas ou em conflitos por posse concentraram 60% dessas áreas, enquanto que outros 30% estão dentro de assentamentos de reforma agrária. As Terras Indígenas e Unidades de Conservação concentram 2% e 8% das áreas sob risco de desmatamento, respectivamente.

As áreas com maior probabilidade de desmatamento concentram-se ao longo da BR-230 (Rodovia Transamazônica), na região da Terra do Meio (PA) e ao longo da BR-163 (Rodovia Cuiabá- Santarém). Outras regiões de concentração estão ao leste do Acre e a ao norte de Rondônia.

gráfico 1

Área total sob risco de desmatamento (em quilômetros quadrados) em oito Estados da Amazônia Legal, para o período de agosto de 2012 a julho de 2013.

Com relação à categoria fundiária, o risco de desmatamento foi maior em áreas privadas ou em alguma situação de ocupação, concentrando 60% da área total sob risco de desmatamento. Os assentamentos de reforma agrária concentraram 30% da área total sob risco, enquanto que Unidades de Conservação federais e estaduais contém cerca de 8%, e Terras indígenas, 2% (Figura abaixo) da área total sob risco de desmatamento estimada pelo modelo.

gráfico 2

Área total sob risco de desmatamento (em quilômetros quadrados) por categoria fundiária em oito Estados da Amazônia Legal, para o período de agosto de 2012 a julho de 2013

A Figura abaixo mostra a distribuição espacial dos municípios de acordo com suas áreas sob risco de desmatamento estimadas pelo modelo. Os três municípios com maior área sob risco de desmatamento no período são Novo Repartimento, Pacajá e São Félix do Xingu, todos no Estado do Pará (Tabela 1). Os 10 Municípios com maior área sob risco concentram cerca de 40% da área total sob risco de desmatamento apontadas pelo modelo.

gráfico 3

Área sob risco de desmatamento por município em oito estados da Amazônia Legal, para o período de agosto de 2012 e julho de 2013.

gráfico 4

Pesquisa mostra o impacto da madeira extraída da Amazônia

A derrubada de árvores na floresta amazônica por exploração convencional, legal ou ilegal, e sua transformação em tábuas, vigas, pranchas e outros formatos de madeiras serradas utilizadas na construção civil é responsável por algo entre 6,5 e 24,9 toneladas de dióxido de carbono (CO2) por metro cúbico de madeira serrada. Essa estimativa é uma das conclusões da dissertação de mestrado Emissão de CO2 da madeira serrada da Amazônia: o caso da exploração convencional, que foi realizada pela arquiteta Érica Ferraz de Campos na Escola Politécnica (Poli) da USP, sob orientação do professor Vanderley John. O estudo supera os levantamentos do gênero feitos até agora, uma vez que espelha a emissão de CO2 ao longo de todo o processo de produção da madeira serrada, do corte de toras até o seu transporte para o mercado consumidor.

O CO2 é um dos gases de efeito estufa e tem papel importante nas mudanças climáticas. Daí a relevância desta pesquisa, que foi baseada em dados de literatura e levantamentos feitos com empresas madeireiras, estes obtidos por meio de uma pesquisa de doutorado da arquiteta Katia Punhagui, que vem sendo desenvolvida no mesmo grupo de pesquisas da Poli. Para chegar a essa conclusão, a pesquisadora analisou o processo produtivo da madeira serrada na Amazônia, isto é, a transformação das toras em tábuas, por exemplo. “Ele é constituído por quatro etapas: extração das árvores, deslocamento delas entre a floresta e a serraria, processamento das toras em produtos serrados e transporte delas ao mercado consumidor, com diferentes graus de impacto ambiental em cada uma”, explica. “Ao longo dessas etapas, o carbono é liberado principalmente como CO2, a partir da degradação de resíduos de biomassa, gerados na extração e no processamento, e da queima de energia fóssil.”

Segundo Érica, em cada hectare da floresta amazônica há entre 200 e 425 (média de 300) toneladas de biomassa seca (madeira livre de água, seca em estufa), que estocam de 98 a 208 (média de 147) toneladas de carbono. “Na exploração convencional, sem manejo, são extraídas de 3 a 9 árvores por hectare, o que representa entre 4% e 14% da biomassa dessa área”, conta. “Durante essa primeira etapa do processo, pode ser danificada de 7% a 33% da biomassa florestal para abertura de trilhas, derrubada e retirada da madeira comercial. Essa variação está principalmente relacionada à densidade da vegetação na floresta e procedimentos adotados pelo madeireiro. São resíduos como árvores destruídas, troncos quebrados ou ocos, pedaços de madeira sem aproveitamento comercial, galhos de pequeno diâmetro e folhas, por exemplo, que são abandonados na floresta, onde se decompõe, liberando CO2 para a atmosfera.”

Na segunda etapa do processo, que ocorre nas serrarias, devido ao baixo aproveitamento delas, pelo menos 54% da biomassa das toras são transformados em resíduos, como pedaços de madeira, cascas, aparas e pó de serragem, que são queimados ou se degradam, transformando-se em outra fonte de CO2. Além disso, em toda a cadeia produtiva, é consumida energia fóssil, principalmente óleo diesel, para funcionamento de equipamentos, como motosserras, tratores, maquinário de processamento das toras e veículos de transporte, que levam as toras da floresta até as serrarias. É a terceira etapa, na qual também é liberado CO2, resultante da demanda energética. Somando tudo, Érica estimou que, no total, esse processo produtivo libera entre 7,5 e 28,4 toneladas de dióxido de carbono por tonelada seca de madeira serrada. A esse valor, deve-se acrescentar o que é liberado na quarta etapa, que é transporte do produto entre a serraria e o mercado consumidor. Considerando-se a distância média percorrida legalmente com a madeira amazônica no Brasil, que foi estimada em 1.956 km, essa etapa libera mais algo entre 0,03 e 0,12 tonelada de CO2 por tonelada de tora processada.

Diante desses dados, Érica diz que o impacto da madeira amazônica serrada não pode ser desprezado, mesmo em casos de exploração legal. Extrapolando os dados de emissão unitária de CO2 para a quantidade de madeira consumida, estimamos que essa atividade pode ter representado entre 3,5% e 13,1% do total das emissões brasileiras de dióxido carbono (CO2) em 2005. Para ela, o modelo convencional de exploração tem que ser revisto. “Políticas públicas, incentivos de mercado e iniciativas de mitigação precisam ser criadas com urgência, tanto para minimizar a liberação de CO2, como para promover a conservação da floresta”, defende. “Mas para isso são necessários mais estudos, principalmente que levantem dados da exploração manejada da floresta Amazônica, com o objetivo de medir e detalhar a contribuição de cada etapa do processo produtivo com maior exatidão, além de caracterizar a madeira de áreas com diferentes composições de vegetação e para diferentes modelos de exploração.” Na sua avaliação, informações sobre o impacto dos diversos materiais de construção são fundamentais para profissionais e consumidores gerenciarem a sustentabilidade no setor. “No caso do CO2, os dados podem ser incorporados em inventários de carbono de edifícios”, finaliza.

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3.6 Cadastro.

COP 18: depois do fim, o que vem?

Um guia para facilitar a gestão da informação

A BS 8587:2012 – Guide to facility information management é uma norma do BSI e ela fornece aos proprietários, operadores, lojistas, gerentes e administradores as orientações e recomendações no que diz respeito à gestão de informações e dados sobre as instalações de sua propriedade e/ou onde atuam. A norma é aplicável a organizações de gestão de uma instalação existente, bem como para aquelas planejadas como uma nova instalação. Enquanto destinado principalmente para as organizações do setor privado, o padrão pode trazer também benefícios para organismos públicos. Essa norma não abrange as informações e dados necessários para entregar o ativo operacional, mas inclui ações recomendadas para ajudar na operação segura, correta, eficiente e eficaz do ativo.

Felipe Bottini

Participei das últimas quatro COPs. A prorrogação de Quioto deveria ter sido definida justamente na 4ª COP vista em retrospectiva, lá em Copenhagen, em 2009, mas só aconteceu agora. Isso revela que a prorrogação de Quioto é tanto difícil diplomaticamente quanto tecnicamente e por isso tardou tanto em acontecer. Assim, se acabamos de prorrogar algo difícil diplomática e tecnicamente, o KP2 (Kyoto Protocol) para os íntimos, representa um enorme avanço. E por que? Pois é o único tratado legalmente vinculante pelo qual Nações Desenvolvidas se obrigam a reduzir emissões através de uma ferramenta de mercado, ou seja, de forma a alocar eficientemente os recursos. A não prorrogação de Quioto implicaria em um período de pelo menos oito anos sem qualquer compromisso objetivo do mundo com a redução das emissões, fragilizando as bases de negociação para o próximo acordo que virá em 2015 para definir como será organizado o sistema global de combate às emissões a partir de 2020, quando se encerra Quioto em definitivo. É verdade que em termos de mecanismos de financiamento não houve avanços de texto, mas o abismo entre as posições na negociação são, por si, um avanço. Avançamos no entendimento de como as partes discordam em relação ao tema e isso não é pra se desprezar, pois dessa conclusão devem sair novas diretrizes de colaboração multilateral em torno do tema.

O principal problema debatido e não resolvido trata dos achados recentes dos relatórios científicos que apontam para um aumento da distância entre os objetivos de emissões máximas e as emissões reais, que vem aumentando significativamente.  O desejado pela ciência para 2020 é 44GT de CO2e, o caminho que seguimos é para 58GT de CO2e nesse mesmo ano. Nesse quesito o Protocolo de Quioto não pode ser indicado como exitoso totalmente, mas sem a base de compromisso legal, pior ficaria. Nesse contexto, ouviu-se muito a expressão: aumentar a ambição, que trata justamente de tentar diminuir o hiato e isso levou a importante emenda no Protocolo de Quioto, que permite, para 2014, a revisão das metas de redução de emissões das Nações Desenvolvidas dentro do período de vigência de Quioto, diferente do período que se encerra nesse ano que assistiu passivamente a falta de esforço em reduzir emissões já que a crise econômica o fez espontaneamente.

Então, o que esperar para o futuro? Um acirrado debate sobre o que significam dentro da Convenção Climática as “responsabilidades comuns, porém diferenciadas” e qual o papel das Nações como os EUA, China, Brasil, Índia, e Africa do Sul. Qual fatia de esforços e contribuição cada Nação vai dar para atacar o problema? Esse debate que começou na última semana vai se estender pelos próximos três anos e, esperamos, traga uma solução à partir de 2020. Parece muito tempo, mas a verdade é que obter consenso entre 194 Nações sobre qualquer tema requer muitas interações. Com a Convenção do Clima não é diferente. Não há mais espaço ou tempo para omissão! Estamos de olho e acompanhando de perto.

Felipe Bottini é economista pela USP com especialização em Sustentabilidade por Harvard – Consultor Senior e cofundador da Green Domus Desenvolvimento Sustentável, Neutralize Carbono e Consultor especial do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Sustentabilidade e responsabilidade social nas empresas brasileiras

Sergio Lucchesi

As organizações que demonstram compromisso com aspectos de responsabilidade social obtém vantagens competitivas, ganhando a confiança do mercado, clientes, investidores, consumidores e da comunidade local. Este tipo de ação desencadeia no mercado uma onda de responsabilidade corporativa social, que empresas espalhadas pelo mundo, de todos os tamanhos e setores, estão adotando e promovendo. Compreender essa onda de mudança no cenário empresarial é vital para a competitividade, pois o mercado está cada vez mais transparente e competitivo, se tornando uma oportunidade para que as empresas programem práticas sustentáveis de gerenciamento, não apenas como uma postura para atender às exigências legais, mas também com a intenção de melhor se colocar no mercado.

É um erro entender que a sustentabilidade seja apenas  restrito a aspectos do meio ambiente, da mesma forma, não deve-se assumir que  responsabilidade social se limite a ações ou investimentos em  projetos sociais, sendo os dois conceitos estão intimamente ligados. O administrador que pretenda que seu negócio seja mantido indefinidamente deverá gerar valor nas dimensões econômicas, ambientais e sociais. As empresas são cobradas por uma atitude correspondente ao conceito da “Cidadania Corporativa Global”, que envolve, ao mesmo tempo, a sustentabilidade e a responsabilidade social, dois conceitos que caminham juntos. As empresas de hoje tornaram-se agentes transformadores que exercem uma influência muito grande sobre os recursos humanos, a sociedade e o meio ambiente em que estão inseridas. Os empresários, neste novo papel, tornam-se cada vez mais aptos a compreender e participar das mudanças estruturais na relação de forças nas áreas ambiental, econômica e social.

Dois exemplos ilustram o assunto: o mercado parou de aceitar o descaso no tratamento dos recursos naturais e os consumidores estão interessados em produtos “limpos”; e da mesma forma, a sociedade está muito mais atenta à inclusão de portadores de necessidades especiais no mercado de trabalho. O resultado é óbvio: a legislação tornou-se mais rígida, obrigando as empresas a encarar com muita seriedade a questão ambiental e a responsabilidade social em sua estratégia operacional. Com essa nova postura empresarial vem a necessidade de adaptação e consequente direcionamento para novos caminhos. As empresas devem mudar seus paradigmas, mudando sua visão empresarial, objetivos, estratégias de investimentos e de marketing, tudo voltado para o aprimoramento de seu produto.

Empresas socialmente responsáveis e preocupadas com sustentabilidade conquistam resultados melhores e geram valor aos que estão próximos. A responsabilidade social e sustentabilidade deixaram de ser uma opção politicamente correta. É uma questão de visão estratégica e, muitas vezes, de sobrevivência. A empresa é socialmente responsável e sustentável quando vai além da obrigação de respeitar as leis, pagar impostos e observar as condições adequadas de segurança e saúde para os trabalhadores ou preservar o meio ambiente. É preciso adotar nova postura: A empresa que não adequar suas atividades a esses novos conceitos está destinada a perder competitividade em médio prazo.

Sergio Lucchesi é sócio-diretor da Moore Stephens Auditores e Consultores, uma das maiores redes de auditoria, consultoria, outsourcing contábil e corporate finance do mundo – http://www.msbrasil.com.br