Os riscos dos aparelhos aquecedores a gás dentro dos banheiros

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gásMais uma tragédia: a menina Maria Candida Portinari de 16 anos foi encontrada submersa na banheira, após um vazamento de gás do aquecedor do apartamento de sua família em um condomínio na zona sul do Rio de Janeiro. Ela estava desacordada quando o pai, João Cândido Portinari, a encontrou. O Corpo de Bombeiros foi chamado, mas a adolescente teve uma parada cardíaca e morreu antes de ser socorrida. Para Agostinho Guerreiro, presidente do Crea-RJ, o uso de aquecedores dentro dos banheiros deve ser evitado e quem não tem condições de retirar o equipamento deve tomar cuidado redobrado com a ventilação, deixando uma janela constantemente aberta e uma porta que não vede completamente o banheiro.

Nos prédios mais antigos, os aquecedores de passagem a gás eram colocados dentro dos banheiros, depois foram banidos para o lado de fora para evitar acidentes decorrentes de vazamentos de gás. O funcionamento hidráulico é igual aos aquecedores centrais elétricos, ou seja, existe uma tubulação de água quente que distribui a água quente a partir do aquecedor até cada ponto de consumo. Os aquecedores de acumulação podem ser elétricos, a gás ou solares. Nestes, um tanque isolado termicamente mantém a água a uma determinada temperatura, de onde é direcionada aos pontos de consumo. Note que mesmo os aquecedores solares contêm um aquecedor elétrico para os dias nublados.

Mas como se comporta cada um destes sistemas? Quais são suas vantagens e desvantagens? Para fazer uma análise mais precisa, veja como eles se comportam em relação à: construção do banheiro e instalação do sistema, consumo de energia elétrica, consumo de água e manutenção. O melhor momento para começar a pensar na escolha do sistema de água quente para os banheiros é durante o projeto da obra. Isto porque envolve confecção de encanamentos, localização da caixa d’água e do evento aquecedor central (boiler), escolha das torneiras e misturadores, sem falar do chuveiro e demais acessórios que entrarão em contato com a água.

As adaptações feitas em reformas, seja em prédio velho, ou mesmo em uma obra nova onde se alterou o projeto inicial, ficam bem mais caras do que uma instalação feita do zero, a partir do projeto e, claro, contratando-se um bom projetista para fazer os dimensionamentos necessários. Esqueça aquele encanador intrometido que dimensiona na prática, pois esse tipo de profissional certamente tem seu lugar na obra, mas nada melhor do que um arquiteto competente trabalhando em conjunto com um projetista de hidráulica para chegar à melhor relação custo-benefício em uma instalação que, no final das contas, ficará funcionando no mínimo por mais uns 30 anos.

Justamente por este longo prazo de utilização, evite usar material de segunda linha, projete tudo como tem que ser, compre material de boa qualidade, que atenda às normas técnicas e que você tenha esperança de conseguir peças de reposição daqui a alguns anos. Uma instalação com estes cuidados parece ficar mais cara do que uma feita no olho, mas é um grande engano pensar assim. Em obra, o planejamento é a melhor economia que se pode fazer. Um bom projeto permite que se saiba onde se pode economizar sem comprometer o desempenho, conforto e durabilidade, enquanto que de nada adianta comprar material de marca renomada (e cara) sem um bom planejamento e projeto.

De tudo isso, o melhor seria o cumprimento da norma NBR 16057 de 04/2012 – Sistema de aquecimento de água a gás (SAAG) – Projeto e instalação que estabelece os requisitos para o projeto (contemplando concepção, dimensionamento, arranjo hidráulico e especificação de componentes, entre outros) e a instalação (contemplando montagem, ensaios, entre outros) de Sistema de Aquecimento de Água a Gás (SAAG) para sistemas prediais e uso humano. Essa norma aplica-se aos seguintes gases combustíveis: gás natural (GN), gases liquefeitos de petróleo (GLP, propano, butano) em fase vapor e mistura ar GLP. Essa norma não é aplicável na geração de vapor e ao aquecimento de água para processos industriais.

Assim, recomenda-se que a documentação do projeto do SAAG contemple os seguintes elementos: premissas de cálculo; dimensionamento; memorial descritivo; volume de armazenamento; pressão de trabalho; fontes de abastecimento de água; fontes de abastecimento de gás; previsão de dispositivos de segurança; massa dos principais componentes; considerações a respeito de propriedades físico-químicas da água; planta, corte, isométrico, vista, detalhe e diagrama esquemático, necessários para a perfeita compreensão das interligações hidráulicas e interfaces dos principais componentes; planta, corte, isométrico, vista, detalhe e diagrama esquemático, necessários para a perfeita compreensão da interligação da tubulação de gás e interfaces dos principais componentes; planta, corte, isométrico, vista, detalhe e diagrama esquemático, necessários para a perfeita compreensão da interligação dos componentes da exaustão dos gases de combustão e interfaces dos principais componentes; esquema, detalhes e especificação para operação e controle de componentes elétricos; especificação do sistema de armazenamento; especificação de tubos, conexões, isolamento térmico, válvulas e bombas.

Além disso, o manual de operação do SAAG deve conter os seguintes elementos: modelo e características dos equipamentos contidos no sistema; descrição do funcionamento e seus componentes; procedimentos para operação; programa de manutenção e garantias. Igualmente, a descrição do funcionamento do SAAG deve incluir: diagrama geral, mostrando seus componentes e suas inter-relações; diagrama da rede de gás combustível; diagrama do sistema elétrico; diagrama do sistema hidráulico e de fluxo. Para os procedimentos de operação há a necessidade de descrição dos procedimentos para sua partida; as rotinas de operação; os procedimentos de desligamento, situações de emergência e segurança; o quadro sintomático com os problemas mais comuns, seus sintomas e soluções.

Uma outra norma, a NBR 13103: Instalação de aparelhos a gás para uso residencial – Requisitos, estabelece os requisitos mínimos exigíveis para a instalação de aparelhos a gás para uso residencial, cujo somatório de potências nominais não exceda 80,0 kW (1.146,67 kcal/min) em um mesmo local de instalação. Trata da instalação de aparelhos a gás para cocção, aquecimento de água, aquecimento de ambiente, refrigeração, lavagem, secagem, iluminação, decoração e demais utilizações de gás combustível em ambientes residenciais. Os requisitos constantes não se aplicam às instalações existentes de aparelhos a gás, a não ser que seja determinado por regulamentações legais aplicáveis. As condições para instalação dos aparelhos a gás devem considerar os seguintes aspectos: tipo do aparelho a gás a ser instalado; volume e ventilação do local de instalação; e exaustão dos gases da combustão. Recomenda-se que sejam providenciados, bem como mantidos no local da instalação, os seguintes documentos: lista de verificação de instalação e teste de funcionamento do aparelho a gás; anotação de responsabilidade técnica (ART) de instalação do aparelho a gás; certificado de instalação do aparelho a gás. Recomenda-se que tais documentos estejam disponíveis no local da instalação.

A verificação, ou eventual adequação, dos locais de instalação de aparelhos a gás deve ser realizada por profissional qualificado, sob supervisão de profissional habilitado. A execução da instalação e o teste de funcionamento de aparelhos a gás devem ser realizados por profissional qualificado, sob supervisão de profissional habilitado. As regulamentações legais (leis, decretos, portarias no âmbito federal, estadual ou municipal) aplicáveis à instalação de aparelhos a gás e as condições do local em que estes encontram-se instalados devem ser observadas. Recomenda-se que os aparelhos a gás possuam sua conformidade atestada com relação aos requisitos de suas respectivas normas de especificação. Recomenda-se que a qualificação da pessoa física ou jurídica prestadora de serviço de instalação possua a sua conformidade atestada no tocante aos requisitos de qualidade, segurança e meio ambiente, bem como da mão de obra empregada na realização de cada tipo de serviço executado. Recomenda-se que sejam realizadas inspeções periódicas conforme a NBR 15923.

A inspeção periódica tem como objetivo verificar o funcionamento dos aparelhos a gás, as condições do local de instalação, os dispositivos de exaustão e as interligações com a rede de distribuição interna. A norma define, ainda o local de instalação dos aparelhos a gás, que devem atender aos requisitos de volume bruto mínimo e área total útil das aberturas de ventilação, definidos em função do tipo e potência do(s) aparelho(s) a gás instalados. Os requisitos para o local de instalação dos aparelhos a gás encontram-se descritos em 7.1 a 7.3. A consolidação dos requisitos é apresentada no Anexo G.

Os banheiros e dormitórios não podem receber aparelhos de utilização a gás em seu interior. Já os aparelhos de circuito aberto com ou sem chaminé e exaustão natural (Tipos 1 e 2) deve ter um local de instalação com um volume bruto mínimo de 6m³. O local de instalação deve possuir abertura superior e inferior para ventilação permanente, conforme Seção 6, com área total útil em centímetros quadrados (cm2), na proporção mínima de 1,5 vez a potência nominal total dos aparelhos a gás instalados, em quilocalorias por minuto (kcal/min), constituído por duas aberturas com área total útil de no mínimo 600 cm².

2 Respostas

  1. como fica o direito do cidadao , escrevo como vizinho que sofre a consequencia do excesso de combustão do gas que entram pelas minhas janelas… qual e o meu direito… como reclamar….???

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