A qualificação das empresas de transportes para a segurança da sociedade

COLETÂNEAS DE NORMAS TÉCNICAS

Coletânea Série Transportes

Coletânea Digital Target com as Normas Técnicas, Regulamentos, etc, relacionadas à Transportes!
Saiba Mais…

Qualidade

Acesse já as normas da Qualidade
Saiba Mais…

cargaO serviço de transporte, além de ser considerado como o responsável por uma parcela bem grande dos custos logísticos totais, tem papel importante como o o de facilitar o movimento de mercadorias. Lida de perto com vários integrantes da cadeia de suprimentos (produtores, distribuidores, varejistas e consumidores) e, satisfaz, também, as necessidades de seus participantes. Desta forma, a atividade de transporte possui diversos atributos de desempenho passíveis de quantificação (frequências, distâncias percorridas, número de transferências), e sujeitos a alterações em face da percepção dos usuários (tempo de viagem e tempo de espera).

A fim de gerenciar efetivamente suas operações, a empresa de transporte precisa entender as interações entre os elementos essenciais do sistema de distribuição e ter em mente as exigências do mercado, para que possa desempenhar seu papel de forma competitiva. A gestão de transportes é parte essencial de um sistema logístico, sendo a atividade responsável pelos fluxos de matéria prima e produto acabado entre todos os elos da cadeia logística. Utiliza grande número de ativos, que se encontram dispersos geograficamente, o que torna a gestão de transportes ainda mais complexa.

Uma abordagem sistêmica tem por objetivo melhor compreender a complexidade organizada. Resulta na interação de várias disciplinas, não devendo ser considerada uma ciência ou teoria, mas uma nova metodologia. Permite reunir e organizar os conhecimentos com vistas a uma melhor eficácia da ação. Dessa forma, é possível concluir que a abordagem sistêmica considera o sistema em sua complexidade, totalidade e dinâmica própria. Um sistema de transporte pode ser visto como um sistema complexo, que compreende o conjunto de subsistemas. O objetivo do sistema é bem determinado e sujeito a interações capazes de assegurar o alcance do objetivo geral do sistema como um todo: o aumento da competitividade da organização, através de melhoria na qualidade dos seus serviços.

O transportador planeja a realização do transporte.Para tal, leva em conta a melhor rota e tenta otimizar o transporte de ida e retorno, para então selecionar o caminhoneiro. Levanta os custos previstos para o serviço. O caminhoneiro, então, recebe a autorização para a retirada da carga juntamente com a documentação exigida. Já de posse da carga, realiza seu transporte e a entrega no destino. Finalmente, obtém-se os dados para efeito de avaliação da qualidade do serviço realizado. Durante o transporte, o caminhoneiro é objeto de fiscalização por parte das autoridades do trânsito e fiscais, podendo receber multas por infração. Cabe ao caminhoneiro, o pagamento das despesas de operação e manutenção do equipamento, alimentação, hospedagem, pedágios entre outras. O governo é o responsável pelo estabelecimento das políticas fiscais e de desenvolvimento, regulamentando-as e fiscalizando sua aplicação.

Existe uma norma, a NBR 15518 de 08/2007 – Transporte rodoviário de carga – Sistema de qualificação para empresas de transporte de produtos com potencial de risco à saúde, à segurança e ao meio ambiente, que estabelece os requisitos referentes à responsabilidade da empresa de transporte ao transportar e movimentar (manuseio e distribuição) produtos com potencial de risco à saúde, à segurança e ao meio ambiente, englobando uma variedade de requisitos. Esses produtos, normalmente, oferecem riscos para a saúde das pessoas, para a segurança pública ou para o meio ambiente. São os produtos classificados pelas Nações Unidas (ONU) e publicados no Modelo de Regulamento – Recomendações para o Transporte de Produtos Perigosos conhecido como Orange Book. No Brasil a ANTT pela Resolução Nº 420/04 estabeleceu instruções complementares ao Regulamento do Transporte Terrestre de Produtos Perigosos, que teve como base para as rodovias, a 11ª e a 12ª edições do Orange Book da ONU e para as ferrovias a versão ferroviária do Acordo Europeu do Regulamento Internacional de transporte terrestre de Produtos Perigosos. A Resolução 420, além de publicar as informações gerais dos produtos esclarece seus números ONU e de risco, a classe de risco e o risco subsidiário.

São produtos perigosos os agrotóxicos (classificados pela Anvisa), os inflamáveis (classificados pelo Ministério do Trabalho e Emprego na NR 16) e os resíduos (classificados de acordo com a NBR 10004). Alguns exemplos: combustíveis e lubrificantes; defensivos agrícolas; cloro para uso industrial – fabricação de plásticos de engenharia, produtos de limpeza e tratamento de água; tintas, vernizes e resinas; e ácido sulfúrico – insumo industrial para diversos produtos. Estima-se que existam hoje cerca de 20 milhões de formulações químicas, sendo que destas apenas um milhão delas representam substâncias ou produtos perigosos. Dos produtos classificados pela ONU, somente alguns possuem estudos sobre seus efeitos na saúde ocupacional do homem. São cerca de 3.200 produtos, muitos deles transportados por via rodoviária, em veículos de carga e veículos-tanque graneleiros ou em diversos tipos de embalagem.

A norma estabelece os requisitos referentes a responsabilidade da empresa de transporte ao transportar e movimentar (manuseio e distribuição) produtos com potencial de risco a saúde, a segurança e ao meio ambiente, englobando uma variedade de requisitos que objetivam principalmente: qualificar a empresa de transporte, enfocando a saúde, segurança e meio ambiente, demonstrando a capacidade da empresa para fornecer de forma consistente serviços que atendam aos requisitos de saúde, segurança e meio ambiente; minimizar os riscos potenciais para os trabalhadores das empresas de transporte, contratados e comunidade em geral, no exercício de atividades ligadas ao transporte, reduzindo continuamente incidentes/acidentes que poderiam ameaçar a saúde humana, segurança e meio ambiente; melhorar os procedimentos operacionais das empresas de transporte, voltados para o foco de saúde, segurança e meio ambiente; promover, em todos os níveis hierárquicos, o senso de responsabilidade individual com relação ao meio ambiente, a segurança e a saúde ocupacional, e o senso de prevenção de todas as fontes potenciais de risco associadas as suas operações e locais de trabalho, gerando melhorias no desempenho operacional; qualificar empresas de transporte por meio da avaliação do seu sistema com foco de saúde, segurança e meio ambiente. Para um correto sistema de qualificação e escopo, a empresa precisa atender as diretrizes de 4.2 da NBR 14884:2006, complementadas pelas seguintes medidas: uma política de saúde, segurança elou meio ambiente; e ter indicadores de desempenho, incluindo os indicadores citados nessa norma.

Além de atender as diretrizes de 4.2.1 da NBR 14884:2006, a empresa de transporte deve apresentar um plano documentado prevendo a garantia de um transporte seguro para todas as filiais e sites no prazo de um ano. O transporte seguro deve atender no mínimo a: qualificação do motorista para o transporte; garantia das boas condições do veículo (ver item 6.3 da NBR 14884:2006); estabelecimento de procedimentos de emergência para toda rota utilizada; definição de boas condições de processamento e armazenamento no terminal. A direção da empresa de transporte deve estabelecer e documentar sua política de saúde, segurança e meio ambiente, que deve incluir o compromisso com a melhoria contínua e o atendimento aos requisitos legais aplicáveis. Também, deve assegurar que a política de saúde, segurança e meio ambiente seja compreendida, implementada e mantida por todos os funcionários e terceiros que executam atividades que afetam o serviço.

A política de saúde, segurança e meio ambiente deve: incluir compromisso de que as considerações de saúde, segurança e meio ambiente sejam prioritárias; encorajar o comprometimento e participação de todos; estar disponível a todas as partes interessadas (acionistas, funcionários, terceiros, fornecedores, comunidade, clientes). Importante ´que a direção da empresa de transporte deve indicar um membro da administração como coordenador de saúde, segurança e meio ambiente. Ele, independentemente de outras responsabilidades, deve ter autoridade e responsabilidade definidas que incluam: planejar e gerenciar a implantação do sistema de gestão de transporte; assegurar que os processos do sistema de gestão de transporte estão estabelecidos e mantidos; relatar a direção o desempenho do sistema de gestão de transporte e dos indicadores de desempenho, incluindo necessidades de melhoria. Caso a empresa de transporte decida pela terceirização de seu coordenador, este deve participar do dia a dia da empresa. Esse coordenador pode ser o mesmo coordenador da qualidade ou outro colaborador.

A empresa deve designar formalmente um coordenador de segurança de produtos e bens perigosos, que deve gerar um relatório anual sobre as atividades da empresa no transporte de produtos e bens perigosos. O efetivo gerenciamento de risco em transporte deve ser considerado um processo contínuo para a redução e avaliações de risco. O gerenciamento de risco é a chave para um efetivo programa de segurança no transporte. Os programas de gerenciamento de risco podem ser divididos em dois componentes primários: avaliação de risco: avaliação dos riscos de transporte de produtos químicos; e redução de risco: identificação, desenvolvimento e implementação de medidas de redução de riscos. Esse processo descreve a maneira como as empresas podem realizar uma avaliação de segurança baseada no risco. Inclui: a classificação de risco dos produtos químicos; aclassificação de exposição; a revisão e administração dos riscos; e as medidas preventivas de redução de risco.

Igualmente, a empresa deve relacionar todos os produtos químicos que geralmente transporta. Deve ser usado um processo de classificação de risco para identificar e classificar essas substâncias químicas que podem ter potencial de risco, devido a sua natureza que possa afetar as pessoas e meio ambiente. A execução da classificação de risco químico pode ser efetuada utilizando-se um sistema de classificação já existente. Outros sistemas de classificação podem ser desenvolvidos baseados em múltiplos fatores, tais como: inflamabilidade; explosividade; toxicidade; pressão de vapor; reatividade; e corrosividade. Especial atenção também deve ser dada aos produtos altamente perigosos para a saúde do trabalhador, por contato, inalação, etc.

Anúncios

A estagnação dos avanços


A segurança e a saúde no trabalho em serviços de saúde
A Norma Regulamentadora nº 32 (NR 32) estabelece as diretrizes básicas para a implementação…

Leia mais…

Luiz Gonzaga Bertelli

O resultado do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 2012 foi um banho de água fria para quem esperava melhora expressiva na classificação brasileira. Segundo o ranking apresentado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o país está na 85ª posição, com um índice de 0,730. Com esse resultado, permanece estagnado, ocupando a mesma posição do ano anterior, apesar de uma pequena melhora no índice, ficando atrás de países como Argentina (45°), Cuba (59º), Irã (76º), Venezuela (77°) e Azerbaijão (82°). As nações mais desenvolvidas, de acordo com o relatório, são Noruega, Austrália, Estados Unidos, Holanda e Alemanha. O cálculo feito pelo Pnud tenta medir o nível de desenvolvimento humanos dos países, considerando três quesitos – saúde, educação e renda. Nesses itens, o Brasil tem derrapado há algum tempo.

O governo federal, por meio dos ministros da Educação, Aluízio Mercadante, e do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, contestaram os números. Eles dizem que o órgão mundial não leva em consideração dados novos como a entrada de 4,8 milhões de crianças, entre cinco e seis anos, no sistema da educação. Nem foi levado em conta a ampliação do ensino fundamental de oito para nove anos, o que poderia fazer o Brasil subir várias posições.

O fato é que houve avanços nos últimos anos, nos três setores avaliados. Desde os anos 90, o Brasil apresentou um aumento de 24% do índice, ficando entre os 15 países que mais cresceram na pesquisa. Isso ocorreu pelo salto nas áreas sociais. Os pesquisadores elogiaram a redução das desigualdades entre os cidadãos, graças à criação de um programa de combate à pobreza e ao aumento do salário mínimo. Na educação também houve avanços, com a obrigatoriedade do ensino fundamental e o desenvolvimento da educação infantil, o que elevou o número de alunos à escola.

Agora é mais do que hora de crescer no tocante à qualidade do ensino, ainda muito defasada em relação às nações mais desenvolvidas, e dispensar um olhar mais atento ao ensino médio, que precisa ganhar características mais profissionalizantes e técnicas, que aproxime os jovens do mercado de trabalho. Preparar a juventude nada mais é do que semear o terreno para o desenvolvimento e para um futuro mais próspero.

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp.