O que aconteceu depois de 125 anos do fim da abolição da escravatura no Brasil

correntes125 anos após a extinção da escravatura, o Brasil possui 97 milhões de negros e pardos e 91 milhões de brancos. No entanto, os brancos recebem quase o dobro do salário dos negros e pardos. O rendimento médio mensal dos brancos é de R$ 1.538,00, o dos negros R$ 834,00 e dos pardos R$ 845,00. No que diz respeito ao grau de instrução, a proporção de analfabetos na população negra e parda é de 13,3% e 13,4%, respectivamente. No caso dos brancos, o índice é de 5,9%. Todos esses dados – apresentados no Censo 2010 do IBGE – mostram que há muita disparidade racial no Brasil. No entanto, é lugar comum dizer que este é o país da mestiçagem e aqui não há preconceitos relacionados à cor da pele. Nada mais mentiroso, segundo a pesquisadora Nilda Jock.

“A liberdade dos negros foi construída passo a passo tendo como agentes principais os próprios negros, que pagaram caro por isso. Cada conquista custou capacidade de luta e um conjunto de argumentos sólidos”, explica. De acordo com a escritora, socióloga e psicanalista ainda há um enorme passivo de preconceito racial no país. “Toda questão que tem base na tradição que se estende pelo tempo, precisa de muito tempo para ser modificada. Os séculos que nos separam da abolição não são suficientes”, diz. Nilda Jock tem propriedade para falar do tema. Escreveu “Séculos de Espera”, romance que aborda o percurso de uma família negra na época da abolição da escravatura.

Tendo como fio condutor da narrativa a escrava recém liberta Jacinta, a autora discorre sobre como foi o dia a dia da abolição do ponto de vista daqueles que foram alforriados pelo estado em condições muito difíceis, jogados à própria sorte. “Poucos brasileiros conhecem passo a passo o processo que concedeu liberdade aos negros, e seus impactos no cotidiano das famílias”, diz. Assim, a partir de uma historia humana, com personagens comuns, vivendo na sociedade carioca pós-escravidão, o leitor toma contato desde o início com o período de transição para a igualdade que até hoje não se completou. A socióloga, confirma.

“A percepção da diferença está mudando de forma perceptível em vários lugares do mundo e no Brasil dos últimos anos. As políticas anti-segregação vão ganhando status institucional, incluindo punições para aqueles que reagem a uma sociedade igual”, explica. Nilda ressalta, no entanto, que ainda há muita relutância em aceitar essa diferenciação. “Embora o negro esteja em uma condição melhor, nós ainda encontramos resistência das elites e da população, em geral”, conta. A escritora afirma que não há como mensurar a inserção do negro na sociedade, mas que políticas afirmativas, como as cotas, são importantes formas de melhorar a condição desse contingente da população. “Tudo o que for uma tentativa de tornar mais equânime as oportunidades da sociedade é louvável”, avalia.

A Lei das Cotas, instituída em 2012, estabelece que instituições de ensino superior vinculadas ao Ministério da Educação e as instituições federais de ensino técnico de nível médio devem reservar 50% de suas vagas para as cotas. A lei não atinge instituições estaduais e privadas. A medida pode ser implantada pelas instituições no prazo de 4 anos. Após dez anos de implantação da lei, haverá avaliação para decidir a sua continuidade. A discussão sobre a efetividade das cotas vai longe, mas a pesquisadora alerta que é necessário que a sociedade adquira experiências para julgar a validade ou não dessas ações. “Elas já estão produzindo uma diferença na sociedade atual, isso já é perceptível, mas ainda levarão muitos anos para produzir resultado, como ocorreu nos países onde vigoram políticas semelhantes.”, afirma Nilda.

De acordo com levantamento divulgado pelo IBGE, em 2010, 62,6% dos estudantes brancos entre 18 e 24 anos estavam na universidade, contra 28,2% dos negros e 31,8% dos pardos. Na faixa etária das pessoas com mais de 25 anos, 4,7% dos negros e 5,3% dos pardos tinham diploma de ensino superior, contra 15% dos brancos.

Cotas à parte, Nilda Jock resgata conceitos de Gilberto Freire para demonstrar a importância do negro na construção da identidade nacional. “Na abertura do meu livro cito o autor. Justamente para mostrar o quanto o negro contribuiu para criar esse brasileiro afável, amoroso, aberto”. Segundo ela, essa faceta do negro explica um pouco da relação mais próxima e mais afetiva que existe no Brasil, em comparação ao jeito europeu de ser. “É uma das contribuições, ao lado da capacidade de trabalho, da alegria, da criatividade e toda a cultura que veio da África. O Brasil deve muito do que é por ser um país com contingente significativo de negros”, finaliza a autora, socióloga e psicanalista.

CAPA_M~1O livro

Esta é uma história que trata das esperanças não realizadas do brasileiro. Que fala da singularidade nacional, dessa nossa personalidade social constituída pela miscigenação, especialmente de negros e brancos. É a criação de um enredo que, além de buscar no passado as nossas origens, nossas influências, fala de histórias particulares, porque em última instância todos nós somos fruto de alguma. De como essa mistura biológica, religiosa e cultural criou e vem criando uma identidade nacional, que longe de ser democrática e orgulhosa de si mesma, vem ao longo do tempo sendo negada, escamoteada pelas nossas elites.

Trata-se de um romance, a saga de uma família que no desenvolver da história possibilita falar de relação entre classes, de preconceito racial, de exclusão social, da situação do negro dentro da sociedade. Fala também do catolicismo popular, milagreiro, da influência do Candomblé, do politeísmo africano se identificando com o culto aos santos católicos, das crendices, promessas, simpatias, feitiçarias, tabus, enfim, da simplicidade, da ingenuidade e malícia do povo brasileiro.

Como o consumidor pode tentar fugir da inflação

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Ione Amorim, do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec)

A inflação acumulada nos últimos 12 meses atingiu o patamar de 6,59% no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acima do teto da meta estabelecida pelo governo que é de 6,5%. O índice que mede a variação dos preços dos alimentos e serviços aos consumidores foi impulsionado principalmente pelo aumento de preço dos alimentos, com destaque ao tomate, que acumula variação superior a 140% no preço no ultimo ano. Além dos alimentos, outros serviços também contribuíram para que o aumento da inflação, como o reajuste dos planos de saúde, medicamentos, serviços pessoais, produtos para casa, restaurantes e moradia.

Diante de tantos reajustes o consumidor, em muitos casos, não tem como fugir dos aumentos que acabam corroendo a sua renda. A maioria dos produtos não é regulada pelo governo, os preços são estabelecidos pelo mercado de acordo com a oferta e procura. Entre as muitas variáveis que interferem na produção, a questão climática tem alto impacto na oferta, sobretudo de alimentos, sempre que ocorre uma quebra de safra provocada pelo excesso ou falta de chuvas e geadas.

Até entre os produtos que são regulados pelo governo, como medicamentos e planos de saúde, ocorrem reajustes que superam a inflação. O exemplo mais recente é o caso dos medicamentos, no dia 01/04/2013 o governo autorizou um reajuste máximo de 6,31%. O aumento atinge diretamente o preço teto (PMC – preço máximo ao consumidor) e não o preço praticado nas farmácias.

Pesquisas do Idec apontam que muitos medicamentos possuem o preço teto muito acima do preço da farmácia, gerando uma margem muito ampla entre os dois preços. Essa ocorrência permite que os reajustes nos pontos de vendas possam ocorrer em índice superior ao autorizado pelo governo desde que não ultrapasse o preço teto. Conclusão: o consumidor paga muitas vezes preços corrigidos acima da reposição da inflação, contribuindo para a elevação geral dos preços.

De maneira geral o consumidor deve ficar atento. Sempre que a demanda for maior que a oferta a tendência dos preços dos produtos e serviços será de alta com reflexo no cálculo da inflação e perda do poder aquisitivo. Para driblar uma parte considerável desses aumentos os consumidores devem pesquisar os preços em mais de um estabelecimento, nos sites de supermercados e drogarias, programar-se antes de ir às compras e conferir as promoções previamente para não ser enganado pela publicidade.

Outras dicas são: dedicar um tempo para observar a variação dos preços entre marcas e embalagens durante as compras e sempre que o preço estiver fora da média, substituir produtos, marcas, reduzir quantidades, trocar de supermercados, ficar de olho nas promoções. Este não é o momento de estocar, apenas planejar bem os gastos.

O consumidor pode avaliar onde estão disponíveis os preços mais vantajosos na soma dos produtos que irá comprar. As promoções não costumam ser feitas em todos os produtos nos supermercados, algumas promoções são realizadas para atrair o cliente e são compensadas em outros produtos, então é preciso avaliar no conjunto a melhor opção.

Além dos preços, é importante adequar as compras de acordo com os hábitos de consumo da família para evitar também o desperdício e reduzir as visitas aos supermercados. Os alimentos frescos ou in natura (exemplo: carnes, frutas, legumes e verduras) que se estragariam se não forem consumidos ou preparados rapidamente, podem ter a validade ampliada por algumas semanas se forem preparados e congelados na residência. Exemplos: sopas, panquecas, tortas, quiches, ensopados, polpa de frutas para sucos, sorvetes etc.

Para os produtos processados e de limpeza, as compras podem ser planejadas de acordo com a embalagem de menor preço por unidade de medida {link da matéria da revista}, respeitando as condições de preservação dos produtos, como prazo de validade superior a 60 dias e características depois de abertos. Ex. Material de limpeza, cereais, azeite, achocolatados, entre outros. Acompanhe as informações sobre os produtos mais afetados pelo aumento de preço e inflação e substitua por similares. Altere o cardápio de acordo com os produtos de maior disponibilidade na época.

Para comprar medicamentos é importante pesquisar o preço em várias farmácias antes de finalizar a compra. Entre as redes de farmácias os consumidores encontrarão preços muitos diferentes inclusive entre os produtos genéricos e de referência. Em pesquisa recente do Idec, vários medicamentos genéricos já apresentam preços superiores aos medicamentos de marca. Programe-se previamente, se os gastos com serviços de viagem, salão de beleza, academia, esteticistas, médicos particulares, entre outros apresentarem reajustes expressivos, avalie a possiblidade de troca ou reduza a frequência, pelo menos temporariamente para não se afundar em dívidas.

Se o orçamento ficou fora de controle e pressionado pelos aumentos dos preços com alugueis, condomínio, entre serviços com menor flexibilidade de mudança ou redução de preços, procure fazer reduções onde possui alternativas, como alimentação fora de casa e lazer, entre os restaurantes, bares e pizzarias. Porém, não transforme o seu combate à inflação em um processo de isolamento e flagelo, aproveite o momento e explore a sua criatividade, descubra sua habilidade na cozinha, convide os amigos e familiares e promova encontros e reuniões em casa e reduza as despesas onde a pressão de alta dos preços estiver em destaque.

No grupo dos alimentos sempre existiram os vilões da inflação, como atualmente o reajuste do tomate está no centro da questão, no passado outros produtos como o chuchu, que já viveu seus dias de glória. Há 36 anos, o então ministro da Fazenda Mario Henrique Simonsen apontou o chuchu como responsável pelo aumento da inflação, em 2011 novamente ocupou o mesmo posto, já em 2008 o vilão foi o feijão carioca.

A cada ano um alimento se destaca como vilão da inflação em função dos aumentos de preços que ocorrem anualmente impactados por problemas climáticos que interferem na oferta de produtos. O consumidor possui um papel decisivo para não acelerar a alta de preços, através da substituição de produtos, um caminho para desacelerar a procura e evitar elevação dos preços e reduzindo o risco de uma espiral inflacionária.