A apreciação dos riscos em empresas de manufatura (parte 2 – final)

maquinas2Importante na norma NBR 14009 é a descrição dos métodos para a análise de perigos e estimativa de riscos. Há muitos métodos de análise de perigos e estimativa de riscos e apenas alguns deles são citados no anexo B. Também estão inclusas as técnicas de análise de risco que combinam a análise de perigos com a estimativa de risco. Cada método foi desenvolvido para aplicações particulares.

Dessa forma, pode ser necessário modificá-los em alguns detalhes, em aplicação para máquinas. Há dois tipos básicos de análise de riscos; um é chamado de método dedutivo e o outro de método indutivo. No método dedutivo, o evento final é admitido e os fatos que podem causar esse evento final são, então, determinados. No método indutivo, a falha de um componente é admitida. As análises subsequentes identificam os eventos que essa falha pode causar.

Análise preliminar de perigos (APP)

A APP é um método indutivo cujo objetivo é identificar, para um sistema/subsistema/componente especificado, e para todas as suas fases, os perigos, situações e eventos perigosos que podem causar danos, levando a um possível acidente. O método é completado com a identificação das possibilidades da ocorrência do acidente e a avaliação qualitativa da gravidade do possível ferimento ou dano à saúde e, posteriormente, com as propostas de medidas de segurança e os resultados de sua aplicação. A APP deve ser atualizada durante as fases do projeto, construção e testes, para detectar novos perigos e para fazer as correções, se necessário. A descrição dos resultados obtidos pode ser expressa em diferentes formas (por exemplo, tabelas, árvore, etc.).

Estudo do perigo e operabilidade (HAZOP)

Um estudo HAZOP é uma técnica sistemática para a identificação de perigos e problemas de operabilidade de toda a instalação. Cada seção de um processo é examinada e todos os possíveis desvios das condições normais de operação, e de como podem ocorrer, são listados. As consequências sobre o processo são avaliadas e as medidas para detectar desvios “prováveis”, que podem levar a eventos perigosos ou problemas de operabilidade, são identificadas.

Método “O QUE – SE”

Para aplicações relativamente simples, o processo é revisado da matéria prima ao produto. A cada passo de manuseio ou processamento, perguntas “o que – se” são formuladas e respondidas, para avaliar os efeitos de falhas de componentes ou de procedimentos, no processo. Para aplicações mais complexas, o método “o que – se” pode ser melhor aplicado, através de um check list e pela divisão do trabalho, com o objetivo de associar certos aspectos do processo às pessoas que têm maior experiência ou habilidade na avaliação desses aspectos. A prática do operador e conhecimento do trabalho são auditados no campo, a adequação de equipamentos e de seus materiais constituintes é estudada, a química do processo e os sistemas de controle são revisados, e os registros de operação e manutenção são auditados. Geralmente uma avaliação por check list de um processo precede o uso de métodos mais sofisticados, abaixo descritos, a menos que o processo tenha sido operado, seguramente, por muitos anos e tenha sido sujeito a inspeções e auditorias de segurança periódicas.

Modo de falhas e análise de efeitos (FMEA, ver IEC 812)

O FMEA é um método indutivo onde a principal finalidade é a avaliação da frequência e consequências da falha de componentes. Em razão disso, pode ser inadequado, quando procedimentos de operação ou erros de operadores são significantes. O FMEA pode ser um processo mais demorado que, por exemplo, uma árvore de falhas, pois, para cada componente, todo modo de falha deve ser considerado. Entretanto, as falhas que têm uma probabilidade muito baixa de ocorrência não precisam ser analisadas com profundidade, porém essa decisão deve ser registrada na documentação.

Método DEFI

O DEFI é um método que usa a injeção de falhas em um sistema computadorizado, para estimar a razão da falha ao perigo, em um determinado sistema.

Método organizado para uma análise de risco sistemática (MOSAR)

O MOSAR é uma aproximação completa em dez etapas que, considerando o sistema para análise (máquina, processo, instalação, etc.) como feito de subsistemas em interação, identifica o perigo, a situação perigosa e os eventos que podem causar danos com o uso de uma primeira tabela. A adequação dos meios de prevenção é estudada com uma segunda e uma terceira tabelas, levando-se em conta sua interdependência. O estudo da segurança de operação, usando ferramentas conhecidas (FMEA, HAZOP, etc.), salienta as possíveis falhas perigosas. Isso leva à elaboração de roteiros, representados como árvores lógicas. Os roteiros são classificados em uma tabela de gravidade, elaborada com o consenso de pessoas envolvidas. Uma tabela, definida por consenso, relaciona a severidade com os objetivos a serem alcançados pelas medidas preventivas e indica o número de barreiras tecnológicas (sem a intervenção humana) e barreiras de utilização (com intervenção humana).As barreiras de prevenção são, então, incorporadas em árvores lógicas e o risco residual é analisado, por via de uma tabela de aceitabilidade, definida por consenso.

Árvore de análise de falhas (FTA)

A FTA é, primariamente, um meio de análise (não identificação) de perigos. Eventos perigosos ou os principais deles são inicialmente identificados por outras técnicas, tais como HAZOP. Então, todas as combinações de falhas individuais que podem levar ao evento perigoso, são mostradas no formato lógico de uma árvore de falhas. Pela estimativa da probabilidade de falha individual, e então usando as expressões aritméticas apropriadas, a frequência do evento principal pode ser calculada. O impacto da mudança do processo na frequência do evento principal pode ser prontamente avaliado e, dessa forma, a FTA torna fácil a investigação do impacto de medidas preventivas alternativas. Esse método tem sido considerado também útil na determinação da causa de acidentes.

Técnica DELPHI

Um grande círculo de especialistas é questionado, em vários etapas, onde o resultado da etapa anterior, juntamente com a informação adicional, é comunicado a todos os participantes. Durante a terceira ou quarta etapa, o questionador anônimo concentra-se naqueles aspectos para os quais não se conseguiu, até então, concordância. Basicamente, a DELPHI é um método de prognósticos que também é usado na geração de ideias. O método é particularmente eficiente, em razão de sua limitação a especialistas.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: