Atmosferas explosivas: usando equipamentos elétricos de forma segura

A presença de equipamentos elétricos em áreas com atmosferas explosivas constituem uma das principais fontes de ignição dessas atmosferas, quer pelo centelhamento normal como na abertura e fechamento de contatos, como devido a temperatura elevada atingida pelo mesmo em operação normal ou em falhas. As áreas perigosas são locais onde existe ou pode existir uma atmosfera potencialmente explosiva ou inflamável devido à presença de gases, vapor, poeiras ou fibras. A classificação das áreas perigosas é feita usando-se o conceito de:

Zonas – usadas para definir a probabilidade da presença de materiais inflamáveis;

Tipos de poteção – que denota o nível de segurança para um dispositivo e;

Grupos – que caracterizam a natureza inflamável do material.

As classificações por zona:

Zona 0 – Local onde a ocorrência de mistura inflamável/explosiva é contínua, ou existe por longos períodos.

Zona 1 – Local onde a ocorrência de mistura inflamável/explosiva é provável de acontecer em condições normais de operação do equipamento de processo.

Zona 2 – Local onde a ocorrência de mistura inflamável/explosiva é pouco provável de acontecer e se acontecer é por curtos períodos, estando associado à operação anormal do equipamento de processo.

figura 1

figura 2

Enfim, uma atmosfera é explosiva quando a proporção de gás, vapor ou pó no ar é tal que uma faísca proveniente de um circuito elétrico ou do aquecimento de um aparelho provoca a explosão. Quais condições é preciso reunir para que se produza uma explosão? Para produzir uma explosão, três elementos são necessários: combustível + oxigênio do ar + faísca= explosão. Deve-se observar que o oxigênio do ar estando sempre presente, falta reunir dois elementos para que se produza uma explosão. É preciso saber que uma faísca ou chama não é indispensável para que se produza uma explosão. Um aparelho pode, por elevação de temperatura em sua superfície, atingir o ponto de inflamação do gás e provocar a explosão.

A NBR IEC 60079-0 de 06/2013 – Atmosferas explosivas – Parte 0: Equipamentos – Requisitos gerais especifica os requisitos gerais para construção, ensaios e marcação de equipamentos elétricos e componentes Ex destinados a utilização em atmosferas explosivas. As condições atmosféricas padronizadas (relativas às características de explosão de uma atmosfera) sob as quais pode ser assumido que os equipamentos elétricos podem ser operados são: temperatura de – 20 °C a + 60 °C; pressão de 80 kPa (0,8 bar) a 110 kPa (1,1 bar); e ar com concentração normal de oxigênio, tipicamente 21 % v/v.

A aplicação de equipamentos elétricos em condições atmosféricas fora desta faixa requer considerações especiais e pode requerer avaliação e ensaios adicionais. Embora as condições atmosféricas normais acima indicadas apresentem uma faixa de temperatura para a atmosfera de – 20 °C a + 60 °C, a faixa normal de temperatura ambiente para o equipamento é de – 20 ·°C a + 40 °C, a menos que de outra forma especificada e marcada. No projeto de equipamentos para operação em atmosferas explosivas sob condições atmosféricas outras que as acima indicadas, essa norma pode ser utilizada como orientação. Entretanto, ensaios adicionais referentes especificamente às condições pretendidas de utilização são recomendados. Isto é particularmente importante onde os tipos de proteção por invólucros à prova de explosão “d” (ABNT NBR IEC 60079-1) e segurança intrínseca “i” (IEC 60079-11 ou IEC 61241-11) são aplicados.

Os requisitos apresentados nessa norma resultam de uma avaliação de risco de ignição realizada nos equipamentos elétricos. As fontes de ignição levadas em consideração são aquelas encontradas associadas com este tipo de equipamento, tais como superfícies quentes, centelhas geradas mecanicamente, reações térmicas, arcos elétricos e descarga elétrica estática em ambientes industriais normais. É de conhecimento que, com o desenvolvimento da tecnologia, pode ser possível atingir os objetivos da série NBR IEC 60079 com respeito à prevenção de explosão por métodos que não são ainda totalmente definidos. Quando um fabricante deseja obter vantagem de tais desenvolvimentos, esta norma brasileira, bem como outras normas da série NBR IEC 60079, pode ser aplicada em parte. É pretendido que o fabricante elabore uma documentação que claramente defina como a série de normas NBR IEC 60079 tem sido aplicada, em conjunto com uma explanação completa das técnicas adicionais utilizadas. A designação “Ex s” tem sido reservada para indicar um tipo de proteção que não é definido pela série de normas NBR IEC 60079, mas podem ser referenciadas nos requisitos nacionais.

Quando uma atmosfera explosiva de gás e uma atmosfera combustível de poeira estão, ou podem estar presentes ao mesmo tempo, a presença simultânea de ambos deve ser considerada e pode requerer medidas adicionais de proteção. Essa norma não especifica requisitos para a segurança, além daquela diretamente relacionada com o risco de explosão. Fontes de risco, tais como compressão adiabática, ondas de choque, reações químicas exotérmicas, autoignição de poeiras, chamas expostas e gases líquidos aquecidos, não são abordadas por essa norma.

Recomenda-se que tais equipamentos sejam submetidos a uma avaliação de risco que identifique e relacione todas as fontes potenciais de ignição pelo equipamento elétrico e as medidas a serem aplicadas para evitar que os riscos e as fontes de ignição se tornem efetivas. Os equipamentos elétricos para atmosferas explosivas são divididos em grupos. O Grupo I inclui o equipamento elétrico destinado para utilização em minas de carvão suscetíveis ao gás metano (grisu).

Os tipos de proteção para o Grupo I levam em consideração a ignição do grisu e da poeira de carvão, juntamente com proteção física aumentada para equipamentos de utilização subterrânea. Os equipamentos elétricos destinados a minas, onde a atmosfera, além de grisu, pode conter proporções significantes de outros gases inflamáveis (isto é, outros que não o metano), devem ser construídos e ensaiados de acordo com os requisitos referentes ao Grupo I e também da subdivisão do Grupo II, correspondente aos outros gases inflamáveis significantes. Estes equipamentos elétricos devem então ser marcados apropriadamente (por exemplo, “Ex d I/IIB T3” ou “Ex d I/II (NH3)”.

O Grupo II inclui o equipamento elétrico destinado para utilização em locais com uma atmosfera explosiva de gás que não minas suscetíveis ao grisu. O equipamento elétrico do Grupo II é subdividido de acordo com a natureza da atmosfera explosiva de gás para o qual é destinado. As subdivisões do Grupo II: lIA, um gás típico é o propano; IIB, um gás típico é o etileno; e IIC, um gás típico é o hidrogênio.

O Grupo III inclui o equipamento elétrico destinado para utilização em locais com uma atmosfera explosiva de poeiras que não minas suscetíveis a grisu. É subdividido de acordo com a natureza da atmosfera explosiva de poeira para o qual ele é destinado. As subdivisões do Grupo III: IIIA: fibras combustíveis; IIIB: poeiras não condutoras; e IIIC: poeiras condutoras.

O equipamento elétrico projetado para utilização em uma faixa de temperatura ambiente normal entre – 20 °C a + 40 °C não requer marcação da faixa de temperatura ambiente. Entretanto, o equipamento elétrico projetado para utilização em outra faixa de temperatura que não a normal é considerado especial. A marcação deve então incluir o símbolo Ta ou Tamb junto com ambas as temperaturas ambiente mais alta e mais baixa ou, se isto for impraticável, o símbolo “X” deve ser utilizado para indicar condições específicas de utilização que incluam as temperaturas ambientes mais alta e mais baixa. Ver alínea e) de 29.2 e Tabela 1, disponível na norma.

Sustentabilidade: as ações nas pequenas e médias empresas

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Henrique Mendes

As empresas brasileiras de diferentes tamanhos e segmentos estão começando a ter mais contato com questões relacionadas à sustentabilidade. Seja por estímulo voluntário ou pressão externa, estão buscando compreender melhor o significado deste termo e como atuar nesta direção, promovendo importantes mudanças ao incorporar a sustentabilidade em suas estratégias de negócio.

De acordo com a pesquisa realizada pela UniEthos, intitulada “Estratégias Empresariais para a Sustentabilidade no Brasil”, 69% das empresas brasileiras reconhecem que a inserção da sustentabilidade no planejamento estratégico é uma necessidade. Vale ressaltar que a pesquisa foi feita com empresas de todos os portes, deixando claro que esta é uma questão que realmente já faz parte da realidade do empresariado brasileiro.

O resultado é extremamente positivo, pois quebra o mito de que atuar e investir em projetos de sustentabilidade é exclusividade de grandes empresas. É fato que o pioneirismo vem das líderes de mercado, e não era de se esperar o oposto, pois justamente por terem a importância que tem, devem promover as mudanças positivas e servir de benchmark para as demais. Um movimento que está surgindo com grande força em diversos setores da indústria é a demanda destas grandes empresas por ações sustentáveis de seus fornecedores. Este estímulo à adoção de práticas mais responsáveis exigidos pelas líderes de mercado é algo que trará ótimos resultados, tanto para as demais empresas quanto para o planeta.

Existem hoje diversos modelos de relatórios para se comunicar as iniciativas e políticas de sustentabilidade empresarial, mas isto deve ser a etapa final de um projeto focado na gestão sustentável. Para os pequenos e médios negócios a hora é de dar o primeiro passo e definir seu plano de ação inicial. É importante destacar que a sustentabilidade exige a atuação em diferentes frentes, tratando vários assuntos importantes relacionados com as operações e atividades de uma empresa, por isso faz-se necessário definir critérios que façam sentido para a empresa, buscando objetivos concretos e alcançáveis, que motivem todos os colaboradores e a alta direção a buscar o desenvolvimento sustentável de seu negócio.

Como ponto de partida, é importante definir o que a empresa entende por sustentabilidade e como suas ações impactam direta e/ou indiretamente o meio ambiente e a comunidade em seu entorno. Desta forma, pode-se enxergar como aplicar os conceitos e definir metas de modo mais objetivo e diretamente relacionado com a realidade de cada empresa. É fundamental que a sustentabilidade faça parte da estratégia da empresa e não seja caracterizada por ações pontuais visando apenas o marketing e divulgação de iniciativas isoladas da instituição.

Ao incorporar os conceitos e inserir de vez o tema na gestão da empresa é hora de colocar em prática o que foi definido – e para isso existem diversas ferramentas que podem apoiar o gestor. Caso a empresa seja de pequeno porte e não disponha de verba para investir, é possível iniciar suas ações simplesmente estimulando a conscientização e mudanças dos hábitos e comportamento de seus funcionários. É possível incentivar a otimização do uso dos recursos e redução dos desperdícios, como controle do uso de papel, uso de energia, gerenciamento dos resíduos e apoio a projetos de reciclagem, estímulo ao uso colaborativo dos veículos entre os funcionários, dentre outras iniciativas simples. O importante é realmente começar!

Com o passar do tempo a empresa pode evoluir seu sistema de gestão sustentável e incorporar projetos e controles mais sofisticados, como criar uma política de compra sustentável, apoiar ONGs e entidades representativas da sociedade que estejam relacionadas com suas atividades. Começar a monitorar as emissões de carbono de seus processos e definir estratégias para reduzir e neutralizar estas emissões, capacitar seus funcionários e delegar responsabilidades para disseminar a cultura de sustentabilidade para todos os colaboradores, abrir um canal de diálogo e ideias, além de convidar seus fornecedores e demais stakeholders a fazer parte do projeto sugerindo melhorias e novos projetos nesta área.

Como dito antes, o desafio é grande e envolve diversas áreas, justamente por isso são várias as opções para começar a trabalhar este conceito e aderir a um sistema de gestão mais responsável. As empresas que investem em sustentabilidade como estratégias de negócios adotam processos sistêmicos, envolvendo a empresa como um todo e com isso conseguem obter resultados melhores. Mais ainda, estas empresas focam no cliente, trabalham em função de seus públicos de interesse, se adaptando de forma rápida às novas exigências.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo MIT Sloan Management Review e do Boston Consulting Group, uma barreira ainda existe referente a este modelo de gestão ao analisar que 46% dos participantes responderam que é difícil valorizar os resultados intangíveis da sustentabilidade, no entanto isto não vem sendo um impedimento para estas empresas, pois na mesma pesquisa 37% dos entrevistados indicaram aumento nos lucros devido a seus esforços neste sentido.

Considerando os padrões de desenvolvimento que seguimos, estudos já nos mostram hoje cenários possíveis e macrotendências que irão ditar as mudanças em nosso estilo de vida, não só referente às questões climáticas que estão mais em evidência, mas também principalmente relacionando o aumento da população e o crescimento da classe média, que tende a consumir mais produtos e exigir melhor qualidade de vida.

Estes são fatores fundamentais que irão ditar os modelos de negócios do futuro e determinar a sobrevivência das empresas, as quais deverão ser capazes de atender às necessidades das gerações futuras considerando a escassez de recursos naturais e a ineficiência do nosso sistema de produção. Em resumo, as empresas do futuro deverão encontrar o equilíbrio entre os valores criados para seus acionistas e as contrapartidas oferecidas à população, tudo isso claro, sem descuidar do ambiente em que produzem.

Henrique Mendes é bioquímico pela UFJF com MBA em gestão ambiental pela FIT, gerente de negócios da Neutralize Carbono (www.neutralizecarbono.com.br) e consultor na Green Domus (www.greendomus.com.br).