Copos plásticos descartáveis necessitam cumprir a norma técnica para evitar riscos aos consumidores

COPOSEm duas oportunidades, em 2004 e em 2007, o Inmetro testou os copos plásticos descartáveis comercializados no país. Em todas as ocasiões, o tendência foi que os fabricantes não vinham cumprindo a norma técnica. Dessa forma, houve uma revisão da norma e, mesmo com o compromisso de os produtores melhorarem os processos de fabricação dos produtos, o que não ocorreu, foi determinada a certificação obrigatória dos copos plásticos descartáveis. Assim, o consumidor precisa ficar atento e só comprar esses produtos com a marca do Inmetro.

Mauricio Ferraz de Paiva

O copo plástico descartável é um produto muito consumido pela população, devido à sua praticidade e ao seu baixo custo para o consumidor. É muito utilizado em escritórios, festas infantis e eventos diversos, tendo ainda a vantagem de ser um produto que não provoca acidentes, como os copos de vidro.

Segundo o Instituto Nacional do Plástico (INP), entidade que congrega as maiores associações representativas do setor de plástico, como a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas, a Associação Brasileira da Indústria do Plástico, a Associação Brasileira da Indústria Química e o Sindicato das Indústrias de Resinas Sintéticas do Estado de São Paulo, a elaboração de uma norma para o setor teve ativa participação do empresariado. No entanto, a despeito desses fatos, o próprio programa de qualidade setorial, coordenado pelo INP, que verificou, nos últimos dois anos, a qualidade dos copos plásticos descartáveis e abrangeu todas as marcas disponíveis no mercado, constatou que o setor produtivo não procurou se adequar aos requisitos normativos.

Isso se refletiu, certamente, no mercado de consumo, pois foram registradas, pelo Inmetro, no mesmo período, muitas reclamações sobre a qualidade dos copos plásticos. As principais reclamações registradas são: falta de resistência do produto: os copos rompem facilmente; paredes finas que causam problemas como a proteção inadequada contra a temperatura dos líquidos no interior dos copos e obriga o consumidor a usar dois copos, um dentro do outro, para alcançar uma resistência mínima; e número de unidades em cada embalagem, muitas vezes diferente do que o declarado no rótulo.

Segundo estimativas do INP, existem 21 fabricantes de copos descartáveis no Brasil, responsáveis pelo consumo de 80 mil toneladas/ano de poliestireno (PS), pouco mais de 22% da demanda total da resina. Aproximadamente 90% da produção concentra-se na região sul de Santa Catarina, conhecido polo de fabricação de descartáveis. O PS, no entanto, não é a única resina empregada. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), 4,8% do consumo de polipropileno (PP) atende a esse segmento.

A NBR 14865 de 06/2012 – Copos plásticos descartáveis especifica os requisitos mínimos exigíveis para copos plásticos descartáveis destinados ao consumo de bebidas e outros usos similares. Não se aplica aos copos fabricados especificamente para festas com a presença de menores de 14 anos, os quais são objeto da NBR 13883. Os copos devem ser fabricados com resinas termoplásticas, com ou sem a incorporação de aditivos e/ou pigmentos, a critério do fabricante, que deve assegurar a obtenção de um produto que atenda aos requisitos dessa norma.

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Todas as formulações de copos plásticos destinados a entrar em contato direto com alimentos devem atender à legislação vigente, quando elaborados ou revestidos com resinas, polímeros e respectivos aditivos. Os copos plásticos devem ser ensaiados sob a condição de contato breve, no uso real de 2 h < t < 4 h, à temperatura máxima de 100°C. Os copos plásticos com incorporação de corantes ou pigmentos devem atender à legislação vigente.

Quanto aos aspectos visuais, os copos devem estar isentos de rachaduras e furos que sejam perceptíveis a olho nu. A amostragem deve atender ao item 5.3.1. Os copos não podem apresentar sujidade, interna ou externamente, que seja perceptível a olho nu. A amostragem deve atender a 5.3.1. Os copos devem estar isentos de bordas afiadas e rebarbas que sejam perceptíveis a olho nu. A amostragem deve atender a 5.3.1.

O critério de aceitação para 4.2.1 e 4.2.2 deve ser de acordo com a NBR 5426, com nível de inspeção I e nível de qualidade aceitável (NQA) igual a 0,4. A massa média mínima dos copos deve respeitar a Tabela 1, disponível na norma. Para o cálculo da massa média mínima de copos com capacidades diferentes das especificadas na Tabela 1, utilizar a fórmula de correlação (ver 3.10), bem como os fatores de correlação apresentados na Tabela 2, também disponível na norma.

Os copos devem ser comercializados em mangas invioláveis, ou ainda a granel, protegidos com sacos plásticos. Na embalagem devem ser identificadas a capacidade total e a quantidade de copos e informação(ões) para rastreabilidade. Em relação à marcação e identificação, os copos devem trazer gravadas em relevo, com caracteres visíveis e de forma indelével, pelo menos o seguinte: marca ou identificação do fabricante; a capacidade do copo; e o símbolo de identificação do material para reciclagem, conforme a NBR 13230.

Segundo a norma, os copos plásticos descartáveis devem ser submetidos a dois ensaios, para determinar sua massa e resistência. É importante destacar que a norma determina que, caso a amostra não tenha a massa mínima exigida, ela seja imediatamente descartada, não sendo necessário submetê-la ao ensaio de resistência, pois significa que o fabricante não usou uma quantidade de matéria-prima suficiente para garantir que o produto atenda aos critérios de resistência.

As verificações e os ensaios estão descritos nos seguintes itens: 6.1. Ensaio de determinação da massa do copo; e 6.2. Ensaio da determinação da resistência do copo. Para a determinação da massa do copo, a matéria-prima necessária para a fabricação de um copo plástico descartável é uma resina termoplástica, com ou sem a incorporação de aditivos e/ou pigmentos, que deve ser usada em quantidade suficiente para garantir um peso mínimo ao produto.

Se for usada uma quantidade insuficiente, o produto não atenderá aos critérios de resistência. A massa mínima exigida para os copos plásticos de 50 ml é de 0,75 g e para o de 200ml, 2,20g. Cada copo é pesado individualmente, sendo que a norma permite que até duas amostras, das 50 selecionadas, estejam abaixo da massa mínima. Neste ensaio, a irregularidade, ou seja, a constatação de que os copos plásticos não possuem a massa mínima exigida torna desnecessária a realização do ensaio de resistência.

Em 2007, o Inmetro testou esses produtos e, de acordo com os resultados, concluiu que a tendência das marcas de copos plásticos descartáveis disponíveis no mercado nacional é a de não atendimento à norma do produto, pois das dez marcas de copos plásticos descartáveis, de volume de 50 ml (copos de café), seis estavam não conformes, ou seja, 60% não atendiam à norma técnica do produto. Com relação aos copos plásticos de volume de 200 ml, a situação se mostrou ainda mais crítica, já que das 13 marcas de copos plásticos descartáveis, nove estavam não conformes, ou seja, 69% não atende à norma técnica do produto.

Além disso, uma pesquisa realizada pelo Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (UFBA), com financiamento da Fapesp e do CNPq, revelou que os copos descartáveis possuem elementos cancerígenos em sua composição. Segundo o estudo, a quantidade de estireno liberada pelos copos descartáveis está acima do recomendado pelo Ministério da Saúde (20 ng/ml-I). O contato com estes copos, por dez minutos, libera cerca de 13,6 e 49,3ng/l-I de estireno.

Os copos plásticos possuem poliestireno (derivado do petróleo) que, submetido ao calor, libera o estireno, monômero tóxico apontado como cancerígeno. O contato com o estireno ocorre no momento em que se bebe um líquido quente, como o café. Outros estudos indicam que a liberação de substâncias cancerígenas se dá, também, quando se utilizam essas embalagens para líquidos frio.

Por tudo isso, o Inmetro editou Portaria Inmetro nº 453 de 01/12/2010 que aprovou os Requisitos de Avaliação da Conformidade (RAC) para copos plásticos descartáveis. Este RAC estabeleceu dois modelos distintos para obtenção e manutenção do certificado de conformidade, cabendo ao solicitante da certificação optar por um deles: Modelo de Certificação 5 – Ensaio de tipo, avaliação e aprovação do Sistema de Gestão da Qualidade do fabricante, acompanhamento através de auditorias no fabricante e ensaio em amostras retiradas no comércio e no fabricante; e Modelo de Certificação 7 – Ensaio de lote.

Enfim, o consumidor necessita ficar atento e só comprar produtos com o Selo de Identificação da Conformidade, que tem por objetivo identificar que o objeto da certificação foi submetido ao processo de avaliação da conformidade e atendeu aos requisitos estabelecidos no RAC. Os modelos de Selo de Identificação da Conformidade especificados devem ser apostos ou impressos nas mangas e nas caixas dos copos plásticos descartáveis certificados. Para os copos personalizados com logomarca de cliente específico o Selo de Identificação da Conformidade deve, no mínimo, ser aposto nas caixas do produto.

Mauricio Ferraz de Paiva é engenheiro eletricista, especialista em desenvolvimento em sistemas, presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac) e presidente da Target Engenharia e Consultoria – mauricio.paiva@target.com.br

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Os mitos da inovação: aquisições e open source


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Marcelo Lombardo

Se eu pedisse para você citar um segmento onde sem nenhuma dúvida, a inovação domina e sempre gera ganhos, qual você diria que é? Acredito que o segmento de software seria citado como um dos primeiros, se não o primeiro, pois em poucas áreas ocorreu tanta inovação nos últimos dez anos. Mas e se eu dissesse que apenas pouco mais da metade das empresas de software no Brasil conseguem obter algum resultado significativo da inovação, seria surpreendente? Na verdade, não. Como sempre digo, a inovação não é apenas inspiração e criatividade. Inovação é uma atividade que depende de um conjunto de processos assim como qualquer outra.

E para comprovar isso, no último dia 03 de agosto saiu do forno uma pesquisa sobre “Inovação aberta na indústria de software”, comandada pelo Professor Dr. Paulo Henrique S. Bermejo, da Universidade Federal de Lavras. O que essa pesquisa com 596 empresas de diversos portes demonstra claramente é que as instituições que mais conseguem obter resultados com a inovação são aquelas que possuem altas taxas de estratégias de inovação organizacional, gestão de pessoas, comunicação, além de práticas e características de processos com foco em inovação. Mas, o que podemos observar de mais interessante é que essa pesquisa confirma que dois grandes mitos foram detonados.

Aquisições: sabe aquele papo de “vamos comprar uma empresa ou tecnologia inovadora para impulsionar o nosso resultado com a inovação”? Pois é. Em geral, isto não funciona. O maior ponto fora da curva que observamos na pesquisa é justamente esse. As empresas de pior performance em termos de inovação são as que mais praticam a transferência de capital intelectual.

Esse efeito é fácil de entender. Frequentemente vemos no mercado empresas pequenas e geniais sendo compradas por empresas maiores. Mas afinal por que a empresa comprada era genial e inovadora? Por que tinha pessoas geniais? Sim, mas eu garanto: pessoas geniais existem em todo o lugar. Porém elas normalmente ficam apagadas por processos e estruturas antiquadas. E assim que o modelo de gestão da empresa compradora é propagado para a empresa genial recém-comprada, a genialidade rapidamente se dissipa no meio de políticas, regras, procedimentos, organogramas e aprovações dos diversos níveis da velha e boa bullshit corporativa.

Open Source: Os sistemas de código livre, ou Open Source, potencializam a inovação. Um detalhe que chamou muito a atenção na pesquisa é que as empresas com melhores níveis de inovação são as que possuem menor nível de uso de tecnologias Open Source, sendo o contrário verdadeiro: quanto menor o nível de resultados com a inovação, mais a empresa utiliza Open Source. Portanto, mais um mito totalmente detonado.

Particularmente nunca achei que o Open Source fosse salvar a humanidade. Sempre vi essa frente apenas como “mais uma opção”, mas nunca como a única ou a principal. Outras pesquisas como a da ABES – Associação Brasileira das Empresas de Software, mostram que apenas 4% do PIB de software no Brasil é impulsionado pelo Open Source. E como sempre, os comunas do governo apostando no cavalo errado.

Se você pretende comprar uma empresa ou tecnologia inovadora para impulsionar sua velha empresa, trate-a como uma unidade à parte dentro da organização, que não está sujeita às mesmas regras do restante. Se quer que a inovação aconteça, estude e implante processos que façam com que as ideias criativas ganhem foco e sejam valorizadas. Nada de errado em adotar soluções Open Source, mas não deposite nelas suas esperanças de conseguir inovação. A maioria consegue, no máximo, criar atalhos para chegar a alguma solução mais sólida.

Marcelo Lombardo é sócio fundador da NWG Tech e criador do Omie.

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