Trabalho infantil

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childrenO trabalho infantil no Brasil ainda é um grande problema social. Milhares de crianças deixam de ir à escola e têm os direitos negados, para trabalharem desde cedo na lavoura, campo, fábrica ou casas de família, em regime de exploração, já que muitos deles não chegam a receber remuneração alguma. Hoje, cerca de 1,6 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos ainda trabalham no Brasil, segundo  o estudo “Medir o Progresso na Luta contra o Trabalho Infantil: Estimativas e Tendências” da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2013.

O combate ao trabalho infantil se transformou em uma das maiores bandeiras das entidades sociais nos últimos anos e os resultados em todo o mundo começam a aparecer. Em pouco mais de dez anos, o número de crianças ao redor do globo que trabalham caiu em um terço e apesar dos avanços inéditos, os governos não atingirão a meta de eliminar o trabalho de crianças até 2016, como prometido.

Atualmente, apesar da queda de um terço, 168 milhões de menores de 18 anos trabalham no mundo, desses, 40 milhões têm menos de 14 anos. Em 2000, esse número era de 245 milhões de crianças (16%) e hoje essa taxa é de 11%, de acordo com a OIT.

“A violência contra crianças não pode ser justificada de forma alguma, impedi-la e enfrentá-la é uma tarefa de toda sociedade. Os Estados têm a responsabilidade, mas as Organizações da Sociedade Civil e as famílias também possuem um papel determinante para assegurar o direito à proteção das crianças”, pontua o gerente de desenvolvimento social do ChildFund Brasil, Dov Rosenmann.

Em pesquisa realizada pelo ChildFund Brasil e Fundação Telefônica Vivo em 2012 no Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais, das 3.340 crianças e adolescentes (6 a 14 anos) entrevistados, 90% responderam que trabalham nas próprias casas, em casas de familiares ou vizinhos com afazeres domésticos como: arrumar a casa, lavar louças, cuidar de crianças e bebês e ajudar os pais na roça. Formas de trabalho essas compreendidas como sendo apropriadas para as crianças.

Diante desse cenário, o ChildFund Brasil contou com o apoio da Fundação Telefônica Vivo na execução de ações concretas para combater e prevenir o trabalho infantil por meio do Projeto Melhor de Mim. A iniciativa tem o objetivo de conscientizar, através do diálogo, as partes diretamente envolvidas com esse tipo de situação para erradicar a exploração quando existir e assim, vem beneficiando 500 crianças/adolescentes em situação de trabalho ou risco de trabalho infantil, entre 6 e 14 anos de idade.

Para alcançar o objetivo proposto, o Melhor de Mim atua, essencialmente, com metodologias sociais amplamente difundidas nacional e internacionalmente. Com a metodologia Aflatoun, por meio da educação social financeira, é possível desenvolver uma nova percepção com relação ao trabalho e cultivar o hábito de reaproveitar e poupar.

Este que vai além da economia financeira e se aproxima mais de formas de sustentabilidade e melhores práticas de utilização daquilo que se tem no momento. Desde abril deste ano, as 500 crianças e adolescentes cadastrados no projeto participam de oficinas semanais da Aflatoun, como atividades de desenvolvimento pessoal para ampliar a compreensão sobre si mesmo e o mundo. Eles jogam, brincam e desenham, enquanto os pais frequentam encontros periódicos para sensibilização e envolvimentos das famílias, por meio da metodologia Ecoar. Direcionada aos pais, ela discute temas ligados ao trabalho infantil no âmbito escolar e familiar.

A metodologia de economia solidária Gol.d também faz parte do conjunto de iniciativas do Melhor de Mim e terá início no 2º ano do projeto. O Gol.d permite a criação de grupos de poupança solidária formado por pais, responsáveis e cuidadores de crianças e adolescentes atendidos, para tratar os mais diversos aspectos do desenvolvimento comunitário, como economia solidária, saúde, educação, resgate dos direitos individuais e coletivos e melhoria da renda e da qualidade de vida. Também utiliza técnicas de mobilização, organização de grupos, desenvolvimento do há­bito da poupança e empreendedorismo.

De acordo com a estudante e assistida pelo Melhor de Mim, Clara Silva, de dez anos, no projeto ela aprende com brincadeiras como ajudar os pais guardando dinheiro e executando atitudes sustentáveis. E, segundo o pai da jovem, Edson Alves, 33 anos, a vida da família está começando a mudar. “Aqui nós aprendemos como é importante a Clara estudar para ser alguém na vida. Queremos usar o conhecimento que está sendo adquirido para oferecer a única coisa que podemos dar a ela, os estudos”, diz.

O Sudeste, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), é a região brasileira com menor índice de trabalho infantil, mas uma das áreas mais vulneráveis para trabalho infantil da região é no Vale do Jequitinhonha, onde está sendo desenvolvido o projeto Melhor de Mim. Ele em breve também será executado no Nordeste, a segunda maior região brasileira onde se há esse tipo de exploração.

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O que uma criança tem a ensinar a um empreendedor?

Orlando Oda

Relembre, traga de volta a criança que perdemos quando crescemos. A criatividade, o interesse em ouvir, prestar atenção em tudo, a paciência, nunca desistir, chorar e continuar acreditando que vai conseguir são as habilidades indispensáveis para ser bem sucedido como empreendedor. Já desenvolvemos estas habilidades quando crianças. Por que esquecemos?

Certamente o dia das crianças nos remete ao passado e lembranças de quando éramos crianças. Quais as lições importantes que podemos tirar deste passado ou das experiências um pouco mais recentes que vivemos como pai de família? Afinal, ser empreendedor é ser pai de uma empresa e a diferença é que provavelmente temos muito mais filhos para cuidar.

Como pai de família passamos por noites pouco dormidas, poucas horas de sono, muitas preocupações com a saúde, com o futuros dos filhos, com a alimentação, com a educação,  com o desenvolvimento pessoal. Cuidar para que as crianças cresçam, ganhem estatura, fiquem fortes, etc.

Faz parte do currículo do empreendedor dormir pouco, passar por poucas horas de sono, preocupar com o dia de amanhã, preocupar com a saúde financeira, com os funcionários. Cuidar para que a empresa cresça, ganhe volume, tenha mais participação no mercado, etc.

O primeiro grande desafio da vida do homem é aprender a andar. Usamos a criatividade para levantar, segurando na perna da nossa mãe. Creio que ninguém ensina isso a uma criança. Depois tentamos andar soltando a mão da perna da mãe. Caímos, levantamos, caímos, choramos porque a batida na cabeça doeu muito, mas cinco minutos depois, levantamos e tentamos andar novamente. Por que fizemos isso? Por que nunca desistimos de andar?

O primeiro grande desafio do empreendedor é fazer a empresa sair do chão, fazer crescer. Não há onde agarrar, dependemos só da nossa força de vontade. O aprendizado de levantar, cair, levantar, cair, chorar, levantar até aprender a caminhar por si faz parte da rotina empreendedor. Mas muitas vezes desanimamos e desistimos. Se fossemos bebês desistiríamos? Com certeza a resposta é não. Por que o bebê nunca desiste?

Simplesmente porque não existe na cabeça da criança o pensamento “não conseguir andar”. Não me lembro o que eu pensava quando tinha 10 meses, mas penso que nunca tive nenhuma dúvida do tipo “será que vou conseguir andar?” ou “quando vou conseguir?” ou “quanto tempo vou levar?”.

Por que nos esquecemos desta valiosa lição quando crescemos? Se já superamos um obstáculo tão difícil que era levantar e caminhar livremente com as nossas duas pernas quando ainda pequeninos com pouca força nos pés, por que desistimos diante da primeira queda como empreendedor? Simplesmente é questão de crença: não acreditamos tanto quanto acreditávamos quando bebês. Na criança só existe o pensamento “vou conseguir!”.

O segundo grande desafio da criança é aprender a falar. Mais uma vez a crença e a paciência vencem a batalha. É verdade que contamos com a ajuda dos nossos pais para vencer esta batalha. Como aprendemos a falar? Ouvindo, ouvindo, ouvindo, tentando falar, repetir, repetir até dominar a arte de falar.

Aprendemos que o que fala, as palavras que usamos fazem as coisas acontecerem. Antes precisava chorar para chamar a atenção dos pais. Agora podemos falar para conseguir o que queremos. Basta falar para aparecer o objeto que deseja. Incrível: a palavra cria as coisas que desejamos. Basta usar a palavra correta para conseguir o que deseja.

O segundo desafio que o empreendedor precisa aprender também é falar. Falar aos seus clientes o que eles querem ouvir: algo que satisfaça as suas necessidades. Como conseguir entender os clientes? Ouvindo, ouvindo, ouvindo, tentando entender o que eles estão falando, necessitando. Repetir, repetir, repetir até conseguir produzir produto ou serviços que atendam às expectativas dos nossos clientes.

O empreendedor precisa falar para os funcionários para que eles produzam e hajam de acordo com o seu pensamento, seu desejo. Mas muitas vezes esquecemos da lição de quando éramos criança e não falamos, transmitimos corretamente o que desejamos aos funcionários, fornecedores e clientes. Utilizamos palavras não apropriadas e até erradas que acabam criando situações confusas, conflitantes e desconfortáveis.

O terceiro desafio da criança é aprender a compartilhar. A família aumentou e chegaram novas companhias: seus irmãos, suas irmãs. Compartilhar espaço, compartilhar brinquedo, compartilhar a atenção dos pais, dos tios e das tias. Além de compartilhar precisou aprender a brincar com outras crianças e viu que era mais divertido.

O terceiro desafio do empreendedor é aprender a compartilhar a empresa. A empresa cresceu, tem mais funcionários, mais fornecedores. O espaço ficou pequeno, tem mais departamentos. Tem que dar atenção a todos, precisa aprender a trabalhar com várias pessoas. Precisa descobrir que é divertido e desafiador gerenciar um grande número de pessoas.

Podemos enumerar várias outras experiências já vividas como criança que poderiam ser muito úteis no dia a dia do empreendedor. Não foi em vão que Jesus disse: “sejam como crianças para entrarem no Reino dos céus”. Evidentemente, ser criança não quer dizer ser infantil. É ser criança mentalmente, forte, alegre e feliz. É ouvir a voz da criança interior, confiar, ouvir mais, persistir, ser flexível, estar aberto a novas informações, querer aprender novas formas. Viva o dia das crianças!

Orlando Oda é administrador de empresas, mestrado em administração financeira pela FGV e presidente do Grupo AfixCode.