Acesso por corda

cordaEsta técnica é aplicada em atividades que se encontram em locais elevados ou ambientes confinados, por exemplo, nos serviços de inspeção, montagem, fabricação, manutenção e operação de estruturas metálicas, pontes, navios, plataformas de petróleo, vasos de pressão, fornos, caldeiras, chaminés, geradores de energia eólica, flares, termoelétricas, hidrelétricas, torres (energia, telefônica, rádio, televisão), limpeza de fachadas de prédios, colocação de banner, levantamento geotécnico, poda e tratamento de árvores, entre outros. No Brasil, a técnica de acesso por corda é uma atividade nova e até pouco utilizada, e a busca por uma qualificação já está normalizada, explicando os procedimentos para aplicação do método. Países europeus como Inglaterra e França têm tradição em atividades em altura com acessos por corda e as operações desse tipo são comuns e seguem um padrão operativo determinado por normas.

A NBR 15475 de 08/2013 – Acesso por corda — Qualificação e certificação de pessoas estabelece uma sistemática para a qualificação e certificação de profissionais de acesso por corda por um organismo de certificação. A certificação dá ao profissional um atestado de competência geral em acesso por corda. Ela não representa uma autorização para realizar a atividade, uma vez que a responsabilidade continua sendo do empregador. A norma não se aplica às atividades de esporte de montanha, turismo de aventura e serviços de emergência destinados a salvamento e resgate.

Assim, segundo a norma, visto que a eficácia para a utilização de qualquer acesso por corda depende da capacidade das pessoas que realizam ou são responsáveis pelo acesso, desenvolveu-se um procedimento para assegurar uma forma de avaliação e de documentação da competência do pessoal, cujas tarefas exigem um conhecimento teórico e prático apropriado sobre o acesso por corda que os profissionais realizam, especificam, supervisionam, monitoram ou avaliam. Uma vantagem adicional advém do fato de haver uma comparabilidade mundial, de uma ampla gama de aplicações, que requerem abordagens similares do acesso por corda.

Quando a certificação de pessoal em acesso por corda estiver definida nas normas, regulamentações, códigos ou especificações de produtos, ela precisa ser feita de acordo com essa norma. Quando houver lacunas nos critérios dessa norma, o órgão de certificação tem a decisão final na determinação das exigências específicas.

A atividade de certificação deve ser administrada por um organismo de certificação e engloba todos os procedimentos adotados para demonstrar a qualifi cação de um profissional para executar atividades específicas à certificação de sua competência. O organismo de certificação deve ser acreditado pelo Organismo Acreditador Nacional conforme os requisitos da NBR ISO/IEC 17024.

Ele deve ser respaldado por um comitê técnico composto por representantes das partes interessadas; por exemplo, comitês, usuários, fornecedores e órgãos governamentais, quando apropriado. Esse comitê deve ser responsável pelo estabelecimento e manutenção das normas técnicas do exame. Seus membros devem ser qualificados para as atribuições, através da combinação adequada de certifi cação e/ou experiência.

Fundamentalmente, o organismo de certificação deve: implementar, manter e promover a atividade de certifi cação como especifi cada nessa norma; administrar os procedimentos e operações para certifi cação, de acordo com um procedimento documentado, e deve atender aos requisitos mínimos desta Norma e a um código de ética rígido, incluindo sanções aplicáveis a membros do comitê e a profissionais certificados; assumir a responsabilidade total pelo Sistema de Certificação, incluindo os requisitos técnicos e administrativos; aprovar centros de exames e equipamentos adequados, os quais devem ser monitorados periodicamente; conservar todos os registros e emitir, ou delegar, a emissão dos certifi cados; manter um banco de questões atualizadas para os exames.

Para cada questão de múltipla escolha, este banco de dados deve indicar a resposta correta. Para as outras questões, o banco de dados deve ter um modelo de resposta (gabarito). É desejável que as respostas contenham uma referência que as valide. O organismo de certificação pode delegar, sob sua direta responsabilidade, a administração detalhada do procedimento de certificação a outras organizações que atuam como organismos de qualificação.

A norma especifica que um centro de exame deve: trabalhar sob o controle do organismo de certificação; aplicar um sistema de gestão de qualidade documentado e aprovado pelo organismo de certificação; possuir os recursos necessários para ministrar os exames, incluindo o controle do equipamento; preparar e conduzir os exames sob a responsabilidade de um examinador autorizado pelo organismo de certificação; possuir pessoal qualificado, instalações e equipamentos adequados para garantir exames de qualificação satisfatórios para os níveis em questão; usar apenas os documentos e questionários de exames estabelecidos ou aprovados pelo organismo de certificação; manter corretamente os registros de acordo com as exigências do organismo de certificação.

O centro de exame pode se situar dentro das instalações do empregador. Entretanto, nesse caso, o organismo de certificação deve exigir controles adicionais para preservar a imparcialidade e os exames devem ser ministrados apenas na presença, ou sob o controle, de um representante autorizado do organismo de certificação.

O empregador deve confirmar ao organismo de certificação a validade das informações pessoais prestadas pelo candidato. A documentação deve conter declarações de treinamento e experiência necessárias para estabelecer a elegibilidade do candidato. O empregador não pode estar diretamente envolvido com o processo de certificação.

O empregador deve assumir a responsabilidade total pelos trâmites que envolvem a autorização para trabalhar. Deve assegurar que os empregados, anualmente, atendam aos requisitos de aptidão física e mental descritos no item 6.4 da norma. Se o profissional for seu próprio empregador, ou se apresentar sozinho, deve assumir todas as responsabilidades que foram especificadas para o empregador.

Para Agostinho Robalinho, gerente da área de processos e medição da Bacia de Campos da Petrobras, está havendo no país uma mobilização das pessoas em relação ao acesso por corda porque, até então, a gente fazia uso de outras referências. Na medida em que passou a ser requisito de qualificação de mão de obra, especificado em contrato, acaba sendo um instrumento indutor do comportamento do mercado, pois as pessoas reagem conforme os indicativos da companhia. Uma vez que a Petrobras coloca em contrato que, doravante, para se trabalhar em acesso por corda é necessária a certificação, isso obriga as empresas a buscar o sistema nacional e impõe aos trabalhadores que, por conta própria, buscam se qualificar, a também procurar entidades que estejam atendendo aos requisitos do Sistema Nacional de Certificação.

“Na verdade, o processo é de evolução. A Petrobras passou a fazer uso de trabalhadores em acesso por corda numa época em que não tinha uma referência brasileira, portanto, ela se obrigou a buscar referenciais de fora. Isso sempre gera um desconforto na medida em que você está desenvolvendo uma atividade empresarial fazendo uso de trabalhadores sem ter um acervo normativo que te ampare conforme a legislação brasileira. Na medida em que você tem, agora, normas técnicas brasileiras (NBRs) e normas do Ministério do Trabalho falando a mesma coisa, a companhia fica totalmente alinhada com o acervo legal do país. E mais: ela passa a ser amparada pelo próprio conceito das normas que têm, por enfoque, fazer a preservação da segurança e da saúde do trabalhador. Daí vem a importância, pois você não só está cumprindo a lei, uma obrigatoriedade básica, mas é o espírito da lei que está sendo exercido. Por trás dessa legislação há todo um conceito de preservar a qualidade do trabalhador, a segurança do exercício desse tipo de trabalho e das demais pessoas que estão em torno dessa atividade. Vai além do cumprimento da lei, porque a lei tem esse espírito e o Sistema de Certificação também. Há um alinhamento perfeito entre a preocupação da companhia com a integridade das pessoas e das instalações, o que o sistema nacional montou através das normas técnicas brasileiras e do que o Ministério  do Trabalho vem fazendo, agora, através das NR”, explica ele.

Acrescenta que a Petrobras está agora passando a estabelecer que, para utilizar o acesso por corda, os trabalhadores têm que ter a certificação conforme a NBR 15475, a norma técnica brasileira que regula essa atividade. Portanto, a empresa que vai desenvolver um contrato com a Petrobras, e nesse contrato vai fazer uso de pessoas com técnicas de acesso por cordas, no currículo desse profissional tem que constar a certificação de acordo com a NBR 15475.

“Isso garante que a pessoa é capacitada e comprova que uma série de outras instituições do Brasil ajudou a Petrobras a ter esse cuidado com a mão de obra como o Inmetro, a Abendi, o próprio Ministério do Trabalho, a ABNT. Há todo um alinhamento social no sentido de qualificar adequadamente as pessoas e aumentar a garantia de segurança dessa atividade”, aduz.

No Brasil, é muito comum ver trabalhadores se arriscando em serviços em altura, utilizando EPI inadequado (quando utilizam) e sem treinamento para atividades em planos elevados e a consequência disso é o grande número de acidentes. O acesso por corda traz economia e agilidade ao serviço, porém, para que a operação seja segura e com sucesso é necessário emprego de profissionais qualificados e experientes. Não é qualquer pessoa que poderá trabalhar em altura, sendo preciso habilidade técnica, condicionamento físico e preparo mental.

Vacilos em altura causam acidentes muito sérios. Somente profissionais com experiência comprovada em operações reais podem executar trabalhos em altura com segurança e precisão. As empresas interessadas em treinar funcionários ou contratar trabalhadores para atividades em altura, devem se consultar apenas com profissionais da área. Devem solicitar referências e até mesmo registro operacional. Estes são cuidados básicos e fazem a diferença na hora da escolha do operador.

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Controlar e manter o seu acervo de normas técnicas e de documentos internos e externos sempre atualizados e disponíveis para compartilhamento entre todos os usuários é hoje um grande desafio em diversas organizações por envolver a dedicação e o esforço de vários profissionais.

As Normas de Sistemas da Qualidade – série ISO 9000, são rigorosas quanto aos critérios de controle, atualização e disponibilização de documentos corporativos aos seus usuários. Tanto os documentos de origem interna como externa, devem ser controlados para evitar a utilização de informações não-válidas e/ou obsoletas, cujo uso pode trazer sérios problemas aos sistemas, produtos e negócios da empresa.

É por isso que a Target Engenharia e Consultoria desenvolveu Sistemas que gerenciam e controlam estes documentos de forma rápida, ágil e segura, facilitando o acesso à informação e ajudando os seus clientes a garantirem suas certificações.


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Vagner Miranda

São muitas as histórias de empreendedores que contam como tudo aconteceu e revelam se o negócio foi iniciado por oportunidade ou necessidade. O fato em comum é que o sucesso foi alcançado independentemente do motivo pelo qual foi iniciado. Muitos desses casos acabam contradizendo quem entende que para dar certo, um negócio deve nascer de forma estruturada, pensada, planejada, projetada, que é essencial gostar do que se faz e tantas outras coisas.

Independentemente do motivo pelo qual as empresas foram iniciadas, é recomendável definir o quanto antes se seus proprietários visam apenas suprir suas necessidades pessoais através da empresa ou se há um objetivo maior que considera a busca da perpetuação do negócio. Essa definição com certeza é uma das mais importantes que uma pessoa deve fazer durante sua trajetória como empresário. E quanto antes, melhor.

A partir dela várias decisões de caráter estratégico poderão ser tomadas levando-a em consideração. E quanto mais cedo ocorrer melhor, pois criará as condições ideais para que os planos e ações da empresa sejam executados dentro dos parâmetros criados a partir da definição.

Pesquisas revelam que em média a duração das empresas brasileiras é de 37 anos. Este número é baixo por tratar-se exatamente de entidades que por natureza nascem sem prazo para terminar. O dado em si não permite saber quais foram encerradas conforme os planos do dono ou pelas dificuldades de se manter no mercado.

Mesmo com a limitação da informação, muitas das que tinham planos para durar não alcançaram o objetivo pela dificuldade e demora do proprietário na definição sobre a finalidade da empresa sob seu comando, o que impediu que algumas decisões sobre assuntos vitais para a empresa fossem tomadas na hora certa ou levou a erros irreversíveis devido às decisões não terem aderência com o real objetivo da empresa.

Nas organizações em que há uma clara definição e compreensão do motivo da existência dela, mesmo que fique restrita ao dono, o ambiente fica mais favorável ao funcionamento de um processo de tomada de decisão e até de um modelo de gestão que elimina naturalmente alternativas conflitantes com os objetivos, o que otimiza o tempo necessário nas decisões, possibilita o uso da transparência em todos os níveis operacionais e minimiza o risco de escolhas erradas.

Em algum momento a empresa vai ter que lidar com questões de natureza estratégica comuns a todas as outras empresas. As que lidam melhor com elas são as que os proprietários já definiram o que espera dela. Veja algumas dessas questões cruciais:

Natureza Jurídica (S/A aberta, S/A fechada, Ltda, Individual, outras) – O tipo vigente determina as possíveis fontes de financiamento, a divisão do poder dentro da empresa, a quem a responsabilidade sobre as obrigações contraídas em nome da empresa deve ser atribuída e quem pode ser remunerado através da distribuição de resultados.

Composição do quadro societário – Acrescentar outras pessoas no quadro societário da empresa pode significar uma mudança na relação com colaboradores-chave, buscando obter um novo tipo de envolvimento e comprometimento deles em troca de uma remuneração mais justa.

Fontes de financiamento – Além do próprio caixa da empresa, o número de possibilidade de fontes de financiamento pode ser ampliado pela adequação da natureza jurídica e composição do quadro societário, criando a possibilidade de obtenção de recursos a um custo financeiro menor que os das linhas de créditos oferecidas pelos bancos.

Distribuição de resultados – Isso pode significar uma injeção de ânimo nos colaboradores-chave com um custo tributário muito inferior que o decorrente do pagamento de autos salários. A decisão de reter os talentos e também atrair novos passa pela implantação de um sistema em que todos confiam e consideram justo  deve estar alinhada com o planejamento estratégico da empresa que se estende no longo prazo.

Política de recursos humanos – A implantação de mecanismos que visam melhorar a relação da empresa com seus colaboradores é um investimento que traz retorno e faz sentido se estiver atrelado com o planejamento estratégico da empresa que se estende no longo prazo. A decisão de atrair para a empresa profissionais experientes do mercado visando aumentar o nível de competitividade decorre da expectativa dela ficar durante muito tempo no mercado.

Decisão de investimentos voltados para o crescimento – O investimento em pesquisa e desenvolvimento, recursos humanos, ampliação das instalações, máquinas novas e tecnologia de ponta só faz sentido quando o negócio justifica a realização e se busca a perpetuação da empresa.

Essas questões não estão relacionadas diretamente ao negócio explorado pela empresa, mas se não forem devidamente tratadas no momento certo e não guardarem relação com os anseios dos proprietários podem interferir diretamente no alcance do sucesso. Em suma, uma empresa pode ter data para terminar e existir para atender primeiramente as necessidades pessoais do seu proprietário, mas é preciso que exista transparência, que esses parâmetros direcionem os planos e decisões para que todos os outros interessados saibam que estão diante de um empresa que não foi feita para durar.

Vagner Miranda Rocha é administrador de empresas e sócio da VSW Soluções Empresariais.

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