O desempenho e a durabilidade de aparelhos eletroeletrônicos na visão do consumidor

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electronicsPesquisa sobre ciclo de vida de aparelhos eletrônicos realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e pelo Instituto de Pesquisa Market Analysis demonstrou que a satisfação sobre o desempenho e durabilidade dos produtos eletroeletrônicos é menor com relação aos celulares, que também está, junto com o computador, entre os aparelhos que têm maior frequência de problemas de funcionamento.

Apresentaram defeito ao menos uma vez, num tempo médio de uso

Percentual de aparelhos que apresentaram defeito

Tempo de uso dos aparelhos

32% dos computadores

2,6 anos

22% dos celulares

3,1 anos

21% lavadoras de roupa

4,8 anos

17% impressoras

2,9 anos

13% televisão

4,8 anos

11% DVD ou Blue Ray

3,9 anos

11% geladeira ou freezer

6,0 anos

9% câmara fotográfica

2,9 anos

9% micro-ondas

4,3 anos

8% fogão

5,6 anos

Combinando o tempo de posse dos aparelhos com o número de problemas relatados neste período, o resultado é que, em média, a cada cinco anos, 51,6% de todos os computadores e 42,3% de todos os celulares do país apresentarão algum defeito. Este dado objetiva a obsolescência funcional programada, isto é, a durabilidade planejadamente reduzida dos aparelhos como indutor das vendas.

Os dados corroboram as informações do Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec), que reúne os atendimentos de 279 Procons do país – dos últimos sete anos, período no qual ambos os produtos lideraram as reclamações. Mesmo assim, 70% dos brasileiros dizem que estão satisfeitos com aparelhos eletroeletrônicos que possuem. A elevada satisfação com os aparelhos eletrônicos está relacionada à ocorrência de um problema de funcionamento com o aparelho. É mais comum encontrar consumidores satisfeitos enquanto esses não vivenciaram problemas com os aparelhos eletrônicos que possuem. Havendo um único problema com os aparelhos, a satisfação já apresenta queda.

“Existe o que poderíamos qualificar como uma assimilação conformada do consumidor frente às estratégias da indústria e da propaganda, já que ele percebe em abstrato que os aparelhos deveriam durar mais, mas está satisfeito com a durabilidade e desempenho de seu aparelho”, considera João Paulo Amaral pesquisador do Idec. “Os consumidores conciliam suas aspirações a um aparelho menos descartável com sua realidade de troca do mesmo ajustando suas expectativas de durabilidade e expressando uma satisfação com o aparelho que a troca parece desmentir”, comenta o diretor do Instituto de Pesquisa Market Analysis, Fabián Echegaray.

Os segmentos com menor renda disponível para o consumo descartável – os jovens e os de classe mais baixa – valorizam mais a durabilidade dos produtos e, portanto, expressam mais intensamente a sua frustração quando se defrontam com problemas de obsolescência funcional. A pesquisa também tem como objetivo identificar as expectativas do consumidor em relação à duração dos aparelhos, dado inédito até agora no Brasil. De forma geral, os consumidores esperam que os aparelhos tenham uma vida útil de 2 a 3 anos a mais do que de fato têm hoje.

Nos aparelhos celulares, por exemplo, a duração ideal é 77% maior do que a duração vivenciada (3 anos e 5,3 anos, respectivamente). “O consumidor anseia a combinação de vida útil substantiva com experiência de uso satisfatória e, a maneira como ele encontra de resolver esse frágil equilíbrio é naturalizando a troca”, comenta Echegaray.

A pesquisa buscou entender as percepções e hábitos dos consumidores brasileiros, na perspectiva dos desafios e obstáculos para o cumprimento da Lei nº 12.305 de 2010, que institui Política Nacional de Resíduos Sólidos, a qual prevê a redução na geração de resíduos, propondo a prática de hábitos de consumo sustentável e um conjunto de instrumentos para propiciar a reciclagem e reutilização dos resíduos sólidos, e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos. “A Política Nacional de Resíduos Sólidos prevê antes de qualquer coisa que os fabricantes pensem na não geração de resíduos, ou seja, reduzir o impacto dos produtos por meio do design dos produtos e pela obsolescência psicológica, que induz os consumidores a descartarem mais rapidamente seus aparelhos”, explica João Paulo Amaral.

Por isso, a pesquisa também abordou o tempo que o consumidor planeja trocar de produto, independente de defeitos apresentados. Embora o consumidor entenda que os aparelhos devessem durar mais, sua expectativa de trocar os atuais aparelhos é elevadíssima: cerca de quatro em cada dez consumidores afirma que é provável que substituam o celular ao longo de um ano. Para outros aparelhos, as chances são de que dois em cada dez façam a troca no mesmo período.

Os percentuais sugerem uma elevada naturalização da obsolescência, seja ela psicológica (percepção de “atraso” tecnológico) ou funcional (vivência de problemas de funcionamento).Os dados mostram o valor simbólico de modernidade e de status social associado a alguns produtos, notadamente os celulares, valores capazes de suplantar as limitações econômicas das classes mais baixas, ao menos no nível da expectativa. E podem indicar, também, certo receio das novidades tecnológicas entre os que têm menos anos de estudo.

Mesmo entre perfis mais críticos com relação à obsolescência programada como os jovens e a população de baixa renda, ocorre uma grande naturalização da troca de produtos. Apesar de valorizarem a durabilidade, se deixam levar pela rápida atualização dos equipamentos, independentemente do estado de funcionamento. Essa contradição é especialmente percebida no caso dos celulares.

A durabilidade é considerada um fator muito importante (78%) ou parcialmente importante (7%) no momento de compra por uma grande maioria de consumidores. É pequena a fatia (8%) dos que afirmam que não têm a preocupação com a durabilidade entre os fatores de escolha. É na Região Sul que a durabilidade é mais valorizada (95% dos entrevistados), e 99% dos consumidores de maior poder aquisitivo afirmam dar importância a esse aspecto.

Quando comparada a outros fatores como, por exemplo, o fato de ser o último modelo lançado, o design mais moderno e a diversidade de funções do aparelho, a durabilidade permanece como atributo mais importante de um produto eletrônico. Os perfis que mantêm mais fortemente a posição de preferência à durabilidade, mesmo diante de outros fatores, passam a ser as mulheres e os consumidores mais pobres e menos escolarizados.

O acesso a fontes de informação sobre a durabilidade dos produtos varia de acordo com a escolaridade, renda e idade dos consumidores, sendo que as fontes impessoais (internet, sites de fabricantes) são mais buscadas por jovens, homens, pessoas com alta escolaridade e renda mais elevada, enquanto que os mais pobres e menos instruídos tendem a recorrer aos vendedores. “O dado surpreende porque, por razões óbvias, o vendedor não deveria ser considerada uma fonte isenta para esta informação. De toda forma, é interessante ver como sites e fóruns especializados no assunto também são fontes relevantes aos consumidores”, avalia João Paulo.

Para fazer a pesquisa, foram entrevistados, por telefone, 806 homens e mulheres, de 18 a 69 anos, de diferentes classes sociais das seguintes cidades: Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Curitiba (PR), Goiânia (GO), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP). O número de entrevistados em cada capital foi proporcional à população de cada capital. O levantamento foi feito entre agosto e outubro de 2013. A margem de erro é de 3,5% para mais ou para menos.

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Eduardo Daher

Potências mundiais, como os Estados Unidos, auferem bilhões de dólares exportando produtos oriundos de sua agropecuária – artigos sem conteúdo tecnológico, segundo certa corrente teórica. O próprio Brasil saiu-se bem nas últimas crises mundiais e formou um nada desprezível colchão de reservas cambiais na última década em razão dos embarques de commodities agrícolas e minerais.

Mas além da contribuição à balança comercial, é preciso questionar o argumento de que nossos produtos básicos não se incluem em nenhuma cadeia tecnológica sofisticada. Tome-se como exemplo a celulose, um dos produtos “carimbados” como básico. Sol e terra abundantes, somadas ao clima tropical, favorecem vantagens comparativas em relação aos concorrentes internacionais – mas não apenas isso. Nas nações nórdicas, o eucalipto atinge ponto de corte cerca de 21 anos; porém no Brasil, além dos insumos naturais, os laboratórios instalados para aperfeiçoar espécies desenvolveram variedades que atingem ponto de corte em menos de sete anos.

O país obtém, igualmente, resultados promissores na aplicação de tecnologias no cultivo de frutas e hortaliças destinadas à exportação. Pesquisas realizadas pela Embrapa Instrumentação, em São Carlos (SP), por exemplo, desenvolveram películas invisíveis e comestíveis – à base de amido de milho ou proteínas da soja – que protegem os alimentos e substituem os plásticos utilizados para envolvê-los antes de serem vendidos. Com essa técnica, os alimentos poderão ser colhidos maduros, e não retirados do pé ainda verdes, quando enfrentam processos de amadurecimento forçado por agentes catalisadores, com o objetivo de aumentar seu tempo de consumo.

Segundo os pesquisadores, o revestimento poderá diminuir em até 40% o desperdício de alimentos no período que vai da pós-colheita até o transporte e a distribuição. Os alimentos poderão levar até vinte dias para começar a se degradar após a colheita – sem proteção, levam, em média, quatro dias para iniciar o processo de apodrecimento. A maçã, por exemplo, pode ser armazenada, em temperatura ambiente, de cinco a oito dias. Se estiver revestida, esse prazo aumenta para até dezessete dias.

A pesquisa já foi testada em manga, pera, banana, castanhas e hortaliças. A Embrapa desenvolve outro estudo para a produção de etanol de segunda geração. As matérias primas alternativas, usadas nessa pesquisa, estão em fase de teste e consistem em bagaço da cana-de-açúcar, capim, resíduos florestais e sorgo, encontrados em grandes quantidades na natureza e aproveitados na fabricação desse novo tipo de etanol.

O Brasil também vai transferir tecnologia de cultivo do algodão. A Embrapa e a Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa), criaram um programa de assistência técnica e capacitação em cotonicultura. Um acordo de 20 milhões de dólares assinado entre o governo brasileiro e as Nações Unidas vai ajudar a incrementar o plantio de pequenos produtores de países em desenvolvimento por quatro anos. Entre os interessados em participar do programa, estão Paraguai, Peru e Bolívia.

O Brasil é o quinto maior produtor de algodão, atrás de China, Índia, Estados Unidos e Paquistão. Técnicas avançadas de plantio, aliadas à utilização de cultivares mais bem adaptadas ao tipo de solo e clima das regiões produtoras, contribuíram para o avanço da produção.

O avanço da tecnologia e o aumento da produtividade permitiram ao Brasil passar de maior importador mundial de algodão para o terceiro maior exportador do produto em 12 anos. Mas para atender às exigências das indústrias nacionais e dos clientes externos, a principal preocupação é com a qualidade da fibra. E, depois de treze anos de pesquisas, o Brasil inovou também na produção de variedades comerciais do algodão colorido. A fibra vale o dobro da convencional, aumentando a renda de pequenos produtores do sertão nordestino, cuja produção é cobiçada no Exterior.

Portanto, mostra-se equivocado um lugar-comum nas análises econômicas que colocam o Brasil como um país exportador de produtos básicos e comprador de manufaturados, como se ainda estivesse preso a seu período colonial. Como o País comprava, ser vendedor de produtos básicos não é, necessariamente, sinônimo de atraso nem de maus negócios. Muito ao contrário: o campo brasileiro vem proporcionando vários alguns bons motivos para não sermos complexados tecnologicamente.

Eduardo Daher é economista, pós-graduado em administração de empresas pela FGV-SP e diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef)