Captação da água da chuva

A captação da água de chuva é uma maneira rápida de se obter um grande volume de água em um período de tempo bastante reduzido, e de razoável qualidade. Existem duas maneiras conhecidas de se captar: a primeira é aproveitando o teto da casa, e o segundo é revestindo o subsolo de uma área de encosta com plástico e canalizando a água , pré-filtrada pelo solo, até uma caixa ou reservatório. A sua armazenagem poderá ser feita em uma caixa separada ou diretamente na cisterna , caixa central do seu estabelecimento (Lares na cidade, fazenda, sítios, chácaras etc.) ou ainda em cisternas secas e abandonadas, reaproveitando-as.

O dimensionamento da caixa de captação, vai depender de sua utilização. Se o objetivo for o abastecimento em água potável durante, por exemplo, o período de seca, o volume da caixa a ser construída deverá ser determinada em função de alguns fatores: o consumo necessário de água para abastecer uma família durante o ano ou num período curto (dias, semanas ou meses), na medida que podem existir no local, outras fontes de água (cisterna, mina ou nascente, etc.); a quantidade de água de chuva que a cisterna pode captar e armazenar, durante este mesmo período. A quantidade de água de chuva captada vai depender: da quantidade de chuva da região (regime pluviométrico); da área disponível para a captação, que por sua vez dependerá do tipo de material, se é telha ou plástico; e da superfície em que é captada, que pode ocorrer perdas. Pode-se usar este volume de água em potencial que se tem na região como fator limitante do dimensionamento da caixa de captação, ou não, tudo dependerá de seu objetivo em captar este tipo de água, e das condições financeiras disponíveis para realiza-lo.

Esquema geral da caixa ou reservatório para água de chuva com escada de acesso para limpeza em vergalhões , chumbada na parede interna. Detalhe do “suporte” para o balde, evitando o seu contato com o chão

A escolha do local para a construção da caixa ou reservatório de captação deverá atender aos alguns requisitos. A caixa deve ser montada no lugar mais baixo, podendo receber por gravidade á água escoada de todos os lados do telhado. No caso de se usar o plástico enterrado, a água que escorrera por toda a extensão do mesmo , também deverá estar acima da caixa; procure solos de preferência arenosos ou sem pedras grandes. O tipo do terreno estabelece a profundidade possível para a escavação, que pode levar a caixa a ter um volume reduzido. Por outro lado, a presença de material duro no fundo da caixa a ser construída, torna-a mais segura.

Deve-se procurar um local afastado de árvores ou arbustos cujas raízes possam provocar rachaduras e consequente vazamento na parede da caixa. Para prevenir o perigo de contaminação da água armazenada, a caixa deve ser implantada a  pelo menos, 10 a 15 metros de distância de fossas, latrinas, currais e depósitos de lixo. A caixa de captação ou armazenamento quando for usada como uma cisterna, ou seja  usando balde para retirar a água, ela poderá ser construída próxima da cozinha para facilitar o acesso à água pela dona de casa.

A água armazenada na caixa pode sofrer contaminação de duas maneiras: muito tempo armazenada sem cloração; a que entra no reservatório já com contaminação, proveniente da sua passagem pelo telhado da casa. É fato que o telhado recebe vários tipos de depósitos trazidos pelo vento, como folhas, papel, lixo etc, além da poeira. É também o lugar de passagem de animais como ratos, pássaros e insetos.

Assim sendo, para se conservar a água de boa qualidade, deve-se realizar uma limpeza , pelo menos, uma vez por ano dentro da caixa, nas tubulações ou bicas de condução, além de manter o balde sempre limpo e longe de chão. Uma inspeção interna e externa na caixa é sempre bom para verificar da existência de trincas ou rachaduras evitando a perda de água ou a infiltração de impurezas .

Para evitar a contaminação que vem do telhado é aconselhado evitar a entrada das primeiras águas escoadas do telhado na caixa, desviando a(s) bica(s) ou tubos de condução para fora do orifício de entrada do reservatório. O tempo de “lavagem” do telhado vai depender da intensidade da chuva; pode ser de 1 hora no caso de chuva forte, ou até um ou dois dias no caso de uma chuva fina e constante.

Mesmo realizando a “lavagem” antes de captar a água, os ventos costumam trazer folhas e sujeiras mais grossas para dentro da caixa, assim para se resolver este problema coloca-se um filtro ou coador na boca de entrada do reservatório, ou seja, entre a bica de condução da água e o reservatório. Um coador feito em chapa galvanizada com furos feitos com prego ou broca para ferro de 1/8”  funciona satisfatoriamente. O seu tamanho e a quantidade de furos ideais vão depender da vazão de entrada e do volume de impurezas retidas. É bom dimensionar o coador para receber a água de uma chuva forte e impurezas menores que 2 mm, considerando-se que tenha feito a pré-lavagem do telhado citado.

O tanque de decantação permite a separação daquelas impurezas residuais que tenham ficado no telhado mesmo depois da pré-lavagem, da água de entrada. Pode ser construído dentro do próprio reservatório ou fora deste, em volume ou capacidade de 50 a 200 litros, onde a água ficará um certo tempo, durante a qual os resíduos vegetais mais grossos poderão ser depositados. Esta caixa deverá ser limpa regularmente. Funciona bem, sobretudo quando as chuvas não são muito fortes, caso contrário, uma vazão alta na chegada da água dificultara a decantação.

Um outro dispositivo para purificação é o filtro de areia, que é composto por sucessivas camadas de brita, areia grossa, areia fina e carvão, dispostas em uma caixa simples de fibrocimento ou de alvenaria isolado, instalado numa posição acima da tampa de entrada da caixa de captação. Este sistema apresenta limitações, devido aos problemas frequentes de entupimento que reduzem bastante a eficiência desse tratamento, além de tornar difícil e complicado a sua manutenção. Para garantir uma água de qualidade para o consumo humano, evitando a contaminação pelo armazenamento é aconselhado a colocação de um clorador por difusão.

Na verdade, aproximadamente 35% da população mundial não têm acesso à água tratada e 43% da população mundial não contam com serviços adequados de saneamento básico. Diante desses dados, constata-se que mais de dez milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência de doenças intestinais transmitidas pela água. Numa economia mundial cada vez mais integrada, a escassez de água cruza fronteiras, podendo ser citado com exemplo o comércio internacional de grãos, onde são necessárias 1.000 toneladas de água para produzir 1 tonelada de grãos, sendo a importação de grãos a maneira mais eficiente para os países com déficit hídrico importarem água. Enfim, além do crescimento populacional, a urbanização e a industrialização também ampliam a demanda pelo produto.

Já a população rural, tradicionalmente dependente do poço da aldeia, muda-se para prédios residenciais urbanos com água encanada, o consumo de água residencial pode facilmente triplicar. Além disso, a industrialização consome ainda mais água que a urbanização. A afluência (concentração populacional), também gera demanda adicional, à medida que as pessoas ascendem na cadeia alimentícia e passam a consumir mais carne bovina, suína, aves, ovos, laticínios e consomem mais grãos.

A NBR15527 – Água de chuva – Aproveitamento de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis – Requisitos fornece os requisitos para o aproveitamento de água de chuva de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis, porém não se aplica a usos não potáveis em que as águas de chuva podem ser utilizadas após tratamento adequado como, por exemplo, descargas em bacias sanitárias, irrigação de gramados e plantas ornamentais, lavagem de veículos, limpeza de calçadas e ruas, limpeza de pátios, espelhos d’água e usos industriais. A concepção do projeto do sistema de coleta de água de chuva deve atender as NBR 5626 e NBR 10844. No caso da NBR 10844, não deve ser utilizada caixa de areia e sim caixa de inspeção. No estudo devem constar o alcance do projeto, a população vai utilizar a água de chuva e a determinação da demanda a ser definida pelo projetista do sistema.

Somam-se a isso que no projeto deve ser incluídos estudos das séries históricas e sintéticas das precipitações da região onde ele estará localizado e as calhas e condutores horizontais e verticais devem atender a NBR 10844, devendo ser observados o período de retorno escolhido, a vazão de projeto e a intensidade pluviométrica. Devem ser instalados dispositivos para remoção de detritos, que podem ser, por exemplo, grades e telas que atendam a NBR 1221 3. Também pode ser instalado no sistema de aproveitamento de água de chuva um dispositivo para o descarte da água de escoamento inicial, sendo recomendado que tal dispositivo seja automático. Por fim, devem ser considerados no projeto: extravasor, dispositivo de esgotamento, cobertura, inspeção, ventilação e segurança.

A norma descreve que o volume de água de chuva aproveitável depende do coeficiente de escoamento superficial da cobertura, bem como da eficiência do sistema de descarte do escoamento inicial, sendo calculado pela seguinte equação: V = P X A x C x qfator de captação, onde: V é o volume anual, mensal ou diário de água de chuva aproveitável; P é a precipitação media anual, mensal ou diária; A e a área de coleta; C é o coeficiente de escoamento superficial da cobertura; e qfator de captação é a eficiência do sistema de captação, levando em conta o dispositivo de descarte de sólidos e desvio de escoamento inicial, caso este último seja utilizado. No Anexo A (informativo), estão descritos os métodos de cálculos para dimensionamento dos reservatórios.

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Cinco motivos para sua empresa aderir à neutralização de CO2

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Cecília Vick

Praticar atos sustentáveis é um dever de todos, sejam consumidores, fornecedores, donos de lojas físicas e, acredite, até mesmo de sites. Isso porque, uma pesquisa do Greenpeace aponta que existe mais de 30 milhões de data centers no mundo e o consumo de energia elétrica gerada para manter sites em funcionamento na nuvem já soma quase 700 bilhões de kWh. Nesse ritmo, em 2020 o número deve ultrapassar os índices da França, Alemanha, Canadá e Brasil juntos.

A preocupação por um mundo mais limpo e sustentável se faz necessária e norteia a criação de muitas iniciativas que buscam inibir ou até combater danos ambientais. Esse é o objetivo do Selo de Certificação GreenClick: abraçar uma tendência que cresce em todo o mundo e viabiliza-la de forma simples e efetiva.

O propósito do Selo é neutralizar o CO2 emitido pelos servidores que hospedam o site através do plantio de árvores. Diante disso, veja cinco motivos para sua empresa aderir ao projeto:

– Benefícios ambientais – a vantagem de plantar árvores vai além da diminuição do dióxido de carbono. A ação traz outros benefícios para o ambiente. Elas são, por exemplo, agentes importantes no controle de inundações. As mais altas conseguem reter até 70% da água da chuva na sua copa e as próprias folhas absorvem parte da chuva.

– Responsabilidade social – um estudo mundial da CDP Brasil 100, Programa Mudanças Climáticas 2013, mostra que as empresas ainda não se adequaram para reduzir a emissão de gás carbônico. O cenário nacional segue preocupante: segundo a WayCom, consultoria ambiental responsável pelo estudo no país, 76% das empresas aumentaram suas emissões diretas e indiretas de CO2, mesmo em uma época em que a sustentabilidade ganhou importância e reconhecimento.

– Engajamento – participar de ações pró meio ambiente mostra que a empresa se preocupa com demandas sociais. A situação permite atrair clientes e parceiros que estejam engajados na defesa ambiental. Mais do que analisar lucros, muitos consumidores valorizam empresas que reconhecem e praticam atos sustentáveis.

– Fortalecimento da marca – Além dos clientes tradicionais dentro do seu segmento, a empresa passa a ficar conhecida por outras pessoas que, no futuro, podem vir a tornar-se consumidores. Segundo pesquisa do Sebrae, 79% das empresas brasileiras com práticas sustentáveis atraem mais clientes.

– Retorno financeiro – adotar um modelo sustentável também garante retorno financeiro. Segundo estudo da Universidade de Harvard, EUA, em 18 anos uma empresa sustentável deu mais lucro do que uma não sustentável. Outro dado do mesmo estudo aponta que o patrimônio das empresas que investiram em sustentabilidade valorizou 33 vezes e o ROI (Return of Investiment) foi de sete vezes o valor investido, dentro deste período. O Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BM&F Bovespa apresenta valorização em relação ao Ibovespa, principal índice da Bolsa.

São vários os motivos para assumir um compromisso com a sustentabilidade, seja para reverter problemas ou para ser gratificado por isso. O importante é fazer parte de um movimento que pode, de alguma forma, transformar o mundo.

Cecília Vick é CEO da GreenClick

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