Fabricantes de chupetas precisam cumprir a norma técnica

chupetasAs chupetas fabricadas com matéria-prima que contenha bisfenol podem fazer mal à saúde. Soma-se a isso a discussão sobre os danos que as chupetas podem causar à arcada dentária das crianças, determinando mais tarde a busca por tratamento com ortodontistas. Dessa forma, esses produtos fabricados ou importados e comercializados no Brasil devem passar por ensaios, para que se verifique o atendimento aos requisitos mínimos de segurança. Só podem ser colocados no mercado se estiverem certificados conforme a norma técnica. Os fabricantes têm que cumprir obrigatoriamente a norma técnica sobre segurança de chupeta, que estabelece os requisitos exigíveis para sua fabricação, incluindo formas de embalagem e recomendações de uso, em função da segurança, com exceção das chupetas para uso terapêutico, tais como as que contêm termômetros, as que se destinam a aplicar medicamentos, entre outras. Enfim, toda a chupeta comercializada no país, de fabricação nacional ou importada, deve possuir um adequado grau de confiança, sendo um produto livre de substâncias impróprias e não deve ter a presença de nitrosamina na sua composição.

Mauricio Ferraz de Paiva

Definida como um artigo para as crianças sugarem, sem a finalidade de administrar alimentos, medicamentos ou líquidos, composta de bico ou bulbo, escudo, pino ou botão e argola ou anel, atualmente, o uso da chupeta é bastante comum entre os bebês, mas existem muitas dúvidas em relação ao seu uso contínuo que pode ser prejudicial para as crianças futuramente. A sucção da chupeta deixa os músculos das bochechas, lábios e língua flácidos, sem força. Isso trará prejuízos na mastigação e deglutição. Talvez a criança não conseguirá mastigar os alimentos mais consistentes com facilidade, tendo que se amassar bem os alimentos ou bater tudo no liquidificador, e isso não é nada bom.

O desenvolvimento da fala também pode ser afetado já que a criança não terá força na musculatura para executar alguns sons. Outra consequência que a chupeta traz é a alteração da arcada dentária como a mordida aberta e a mordida cruzada assim também para as crianças que chupam o dedo. A criança também pode ficar com os dentes tortos e com a face desarmônica, isto é, um lado do rosto diferente do outro, contribuindo ainda mais para a dificuldade de mastigar, deglutir e falar.

O simples uso da chupeta pode trazer mais problemas à criança futuramente. A respiração pode ser afetada e o seu uso faz com que a criança respire pela boca. A respiração oral pode ocasionar alteração de postura, sono agitado, com ronco, deixando a criança cansada, sem vontade de brincar, desatenta, contribuindo assim para dificuldades escolares. Quem oferece a chupeta para o filho, com certeza sabe dos problemas que ela oferece, mas uma coisa é certa o uso da chupeta acalma o bebê, pois ele sente a necessidade de sempre estar sugando, e não dá para deixar o bebê o dia inteiro no peito, muitas vezes o bebê só quer ficar no peito e nem mama.

A NBR 10334 de 11/2003 – Segurança de chupetas fixa os requisitos exigíveis para a fabricação de chupetas, incluindo formas de embalagem e recomendações de uso, em função da segurança, com exceção das chupetas para uso terapêutico, tais como as que contêm termômetros, as que se destinam a aplicar medicamentos, entre outras. Os materiais empregados na fabricação de chupetas devem ser de elastômero, plástico ou combinação destes.

As chupetas não devem ter plásticos, elastômeros, película de tinta, verniz, ou acabamentos similares que contenham antimônio, arsênio, bário, cádmio, chumbo, cromo. Mercúrio e selênio ou os seus compostos solúveis em proporções excedentes aos máximos expostos na tabela 1 disponível na norma. Os ensaios devem ser realizados de acordo com o anexo C. As chupetas não devem ter migração total superior a 50 mg/kg por peça, para cada parte, quando ensaiadas de acordo com o anexo B.

A quantidade de ditiocarbamatos, tiouramas e xantogenatos em partes feitas de compostos de elastômero, exceto silicone, migrável no líquido de cessão, é expressa em sulfeto de carbono e não deve ser superior a 1 ppm, quando ensaiada de acordo com o anexo B. A quantidade de peróxidos em partes feitas de silicone, não em partes de borracha ou de látex natural, migrável do líquido de cessão, é expressa em oxigênio ativo. A quantidade de oxigênio ativo presente não deve ser superior a 3 ppm, quando ensaiada de acordo com o anexo B.

As chupetas, bicos, mamadeiras ou protetor de mamilo feitas de elastômeros não podem conter mais de 10 ppb (partes por bilhão) de nenhum tipo de N-nitrosaminas. Adicionalmente, o total de N-nitrosaminas não deve exceder 20 ppb (partes por bilhão) e o teor de N-nitrosáveis não deve exceder 100 ppb (partes por bilhão). Ensaiar de acordo com ASTM F 1313 ou EN 12868.

As partes de chupetas confeccionadas em PVC não devem apresentar monômeros com teores superiores a 1 mg/kg. Ensaiar de acordo com a Resolução nº 105 de 19/05/1999, anexo XI, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. As partes de chupetas confeccionadas em PVC plastificado não devem apresentar plastificantes ftálicos. A tolerância máxima, como presença acidental, deve ser 0,1% (m/m) no material. Ensaiar de acordo com o anexo B da NBR 13883:1997.

A chupeta deve permanecer intacta, sem sinais visíveis de fratura ou rachadura no escudo, anel, botão e bico, quando ensaiada de acordo com o item 6.2. A chupeta não deve mostrar sinais visíveis de fratura ou rachadura no escudo, anel e pino, e não deve existir dano permanente no bico que possa tornar a chupeta imprópria para o uso, quando ensaiada de acordo com 6.3.

A chupeta deve permanecer perfeita e sem distorção permanente que impeça seu uso, e não deve apresentar qualquer sinal de dano visível no bico, quando ensaiada de acordo com 6.4; esta condição é complementada pela resistência à tração vertical. Deve permanecer intacta e sem distorção permanente que impeça seu uso, nem apresentar qualquer sinal de dano no bico ou separação de suas partes, quando ensaiada de acordo com 6.5. Não deve mostrar sinal visível de quebra ou rachadura no escudo, anel ou pino, ou sinal de dano no bico, quando ensaiada de acordo com 6.6. A chupeta deve permanecer perfeita e sem distorção permanente que impeça seu uso, e não deve apresentar qualquer sinal de dano visível no bico, quando ensaiada de acordo com 6.7.

O bulbo deve ser feito de elastômero ou plástico e pode ser oco ou sólido. Quando montado, ou após se apresentar como peça única, seu comprimento à frente do escudo deve ser de 25 mm ± 2 mm para o tamanho 1 (0 – 6 meses) e 29 mm ± 2 mm para o tamanho 2 (maiores de 6 meses), e 33 mm ± 2 mm para o tamanho 3 (não recomendado para menores de 18 meses) quando medido no gabarito mostrado na figura A.2. A superfície externa deve ser lisa, sem falhas, fendas ou orifícios. Um bico oco não deve conter qualquer objeto solto internamente.

O escudo pode ser de material flexível ou rígido. O escudo redondo deve ter no mínimo 40,0 mm de diâmetro externo para os materiais rígidos. Os escudos para os demais casos devem atender ao requisito de não atravessar o gabarito de medida, quando posicionados na direção de sua maior dimensão coincidindo com o eixo maior do gabarito. O escudo deve ter a superfície lisa, com bordas arredondadas, satisfazendo o requisito de não ter borda cortante ou ponta aguda, quando ensaiado de acordo com 4.2.9 e 4.2.8 respectivamente da NBR 13793:2003.

Além disso, o Inmetro definiu na Portaria 35:2009 aprovar o Regulamento de Avaliação de Conformidade para chupetas, ou seja, a obrigatoriedade de um selo de certificação e todos os produtos devem ser submetidos a testes toxicológicos que mostrem que os itens atendem a requisitos de segurança. O objetivo da certificação é mostrar que os produtos são livres de substâncias impróprias e também controlar a presença de nitrosamina, um composto químico usado em borrachas que traz risco de câncer.

Somente o contato das pessoas com a nitrosamina não significa que elas desenvolverão a doença, mas, por ser um fator de risco, as autoridades lançam medidas preventivas por meio de normas como essa. Na hora das compras, é preciso evitar o comércio informal e observar se os rótulos trazem informações do fabricante para ele ser acionado em caso de problemas.

Assim, recomenda-se às mães que as chupetas não sejam amarradas em fraldas, pois o peso delas impede e dificulta a sucção, o que pode comprometer a formação dos dentes e até a fala. O consumidor deve ficar atento, procurando a marca do Inmetro e, se encontrar produtos irregulares, deve denunciar. Toda embalagem deve conter, para permitir contato do consumidor com o fornecedor, os dados do fabricante, importador ou distribuidor, bem como os eventuais riscos que possam afetar a saúde e a segurança do consumidor, além das características, qualidades, quantidade, composição, garantia, prazos de validade e origem do produto, de acordo com o artigo 31, Lei nº 8078 – Código de Defesa do Consumidor.

Mauricio Ferraz de Paiva é engenheiro eletricista, especialista em desenvolvimento em sistemas, presidente do Instituto Tecnológico de Estudos para a Normalização e Avaliação de Conformidade (Itenac) e presidente da Target Engenharia e Consultoria – mauricio.paiva@target.com.br

Inteligência artificial: a sociedade da internet das coisas

Curtos-Circuitos e Seletividade em Instalações Elétricas Industriais – Conheça as Técnicas e Corretas Especificações

de 17/03/2014 a 18/03/2014

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Engenheiros e Projetistas têm a constante preocupação de saber especificar adequadamente os equipamentos elétricos que são submetidos à corrente de curto-circuito, pois um sistema elétrico está sujeito a eventuais falhas que podem envolver elevadas correntes de curtos-circuitos, e que fatalmente irão submeter os equipamentos a esforços térmicos e dinâmicos. Este curso é dividido em dois tópicos: curto-circuito e coordenação da proteção (seletividade).

Dane Avanzi

No início de 2006, ao ler “2015, como viveremos”, de autoria de Ethevaldo Siqueira, pensei: como essa realidade ainda está longe… Hoje quase uma década depois, arrumando minha biblioteca me deparei com o mesmo livro e me pus a folheá-lo. Fiquei espantado em ver como os prognósticos de oito anos atrás – um tanto quanto visionários – se converteram de ficção científica em realidade.

Senão vejamos. Nossos smartphones possuem maior capacidade de armazenamento e processamentos de dados que os melhores computadores da época da publicação do livro. As casas em que vivemos possuem um nível de informatização e automação capazes de ligar banheiras, luzes e uma infinidade de eletrodomésticos, por controle de voz. Poderosas redes de comunicações garantem que estudemos e trabalhemos em qualquer parte e a qualquer hora.

Muitos são os desafios da internet das coisas, desde os mais básicos, como matriz energética e espectro radioelétrico, como os mais complexos que implica integrar as várias camadas de sistemas de comunicação, interação e coordenação entre dispositivos. Para tanto, penso que é indispensável a criação de um fórum mundial onde todos os players envolvidos no assunto se conversem e troquem informações.

Hoje a mobilidade é suportada por empresas operadoras de telecomunicações, que tem como principal parceiros as empresas fabricantes de telefones celulares e de infraestrutura. Num futuro próximo outras indústrias devem se integrar ao processo. Considerando que o conceito principal da internet das coisas é a introdução de softwares e integração com rede wi-fi em qualquer tipo de eletrodoméstico a veículos sem motorista, a revolução que está por vir é sem precedentes.

De todas as indústrias, a de veículos automotores é a mais avançada. O Google Driverless Car, o carro sem condutor, já é realidade. A companhia tem instalado o seu equipamento em carros já existentes como o Toyota Prius e o Audi TT com resultados notáveis em termos de segurança. Para se ter uma ideia, as autoridades do estado de Nevada, nos EUA, aprovaram ano passado uma lei que permite que os carros sem motoristas possam circular por vias públicas.

Outros projetos interessantes como o Google Glass, virão com aplicativos peculiares integrados, que permitirão desde caminhar num jardim e ver os nomes das plantas até usar este novo dispositivo para saber o preço dos carros estacionados na rua. Tudo que foi mencionado acima, no entanto, trata-se de um mero prenúncio daquilo que ainda está por vir.

A internet das coisas, combinada com a nanotecnologia e o avanço da neurociência, construirão uma nova sociedade. Vejamos a área da biologia com o projeto genoma, que pretende mapear toda a estrutura de DNA do ser humano e a partir daí curar doenças em sua raiz. As impressoras 3D capazes de imprimir órgãos, dentre tantas outras maravilhas. Em breve teremos robôs capazes de perceber e até sentir, como o Hal 9000, personagem do filme “2001 uma odisséia no espaço”, da obra de Arthur C. Clarck, que costumava dizer: “qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da mágica”. Quem viver, verá…

Dane Avanzi é advogado, empresário do setor de engenharia civil, elétrica e de telecomunicações. É diretor superintendente do Instituto Avanzi e vice-presidente da Aerbras – Associação das Empresas de Radiocomunicação do Brasil.