Os riscos do trabalho do enfermeiro de pronto socorro

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Assédio moralAssédio moral e sofrimento psíquico foram as principais queixas dos trabalhadores

Uma pesquisa conduzida pela psicóloga da Fundacentro, Tereza Luiza Ferreira dos Santos, alertou para uma doença silenciosa e subjetiva: o sofrimento psíquico no exercício da profissão. Em 2008, o Sindicato dos Enfermeiros do estado de SP firmou com a entidade, Protocolo de Intenções de Cooperação Técnica para levantar quais os problemas de saúde que afetavam enfermeiros de pronto socorro da rede pública e privada. Um dos principais pontos destacados pelo Sindicato eram as queixas constantes de seus associados, de assédio moral por parte de seus superiores e outras formas de violência ocupacional no desenvolvimento da atividade, além do assédio sexual de pacientes.

A metodologia utilizada por Tereza para avaliar esses trabalhadores foi uma abordagem qualitativa, caracterizada pela diversidade de técnicas que tinham como função proporcionar especialmente a compreensão de afetos, sentimentos, vivências, emoções no ambiente de trabalho, identificadas a partir da realização de entrevistas individuais e em grupo, e observação do enfermeiro durante o exercício da atividade realizada em unidades de pronto socorro da cidade de São Paulo. A pesquisa, finalizada em 2012, aponta que o ambiente de trabalho dos enfermeiros se caracteriza pela necessidade de rapidez, normalmente exercida sob pressão e ainda agilidade na tomada de decisões que muitas vezes requer raciocínio rápido.

Trabalhadores desse ramo de atividade também estão expostos a acidentes com instrumentos perfurocortantes, luxações, contaminação biológica, problemas de pele, respiratório, nervoso, neurológico, entre outros. Além da responsabilidade em lidar com o cotidiano agitado dos pronto-socorros, os trabalhadores da enfermagem enfrentam diferentes demandas associadas aos horários de pico que podem variar de acordo com os meses do ano. A checagem dos equipamentos e materiais usados por esses profissionais também faz parte da responsabilidade e necessitam de orientação e supervisão do enfermeiro.

O ritmo acelerado, a falta de gestão, humilhações, perseguições, agressões verbais e em muitas vezes até físicas, levam o profissional ao isolamento e ao sofrimento mental e físico, que por sua vez se desdobram em sintomas e distúrbios característicos da violência laboral. Para Tereza Ferreira falta na literatura estudos com este profissional – enfermeiros de pronto socorro – e sua relação com o tema burnout, termo que define o esgotamento físico e mental no trabalho. A psicóloga defende a implementação de políticas publicas para a atividade do enfermeiro, tais como, estrutura física adequada do pronto socorro, atentar para escalas de plantão, jornada e divisão de trabalho, entre outras.

Segundo o estudo, os profissionais de enfermagem representam 49% da mão de obra da saúde no país, sendo que, no Brasil, existem 104.484 enfermeiros e na Região Sudeste encontra-se a grande concentração de 56.610, seguida pelas regiões Nordeste – 20.609, Sul – 16.343, Norte – 5.564 e Centro Oeste – 5.358. De acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), em 2005, havia 35.074 enfermeiros, sendo que 89,39% eram do sexo feminino e apenas 10,61% do sexo masculino.

Na elaboração do índice de adequação dos enfermeiros por 1.000 habitantes, ou seja, o quantitativo da população que teoricamente deveria ser mantido por um enfermeiro, amédia do Brasil é de 1,8 (mil) habitantes por enfermeiro e o índice para São Paulo é de 1,2 e quando comparado aos índices das outras regiões do Brasil, o de São Paulo é o menor, ou seja, o estado com maior contingente populacional do país, dotado do maior quadro de profissionais de enfermeiros do Brasil, tem, no entanto, o menor índice de adequação de enfermeiros diante dessa população.

Há altos índices de afastamentos por acidentes de trabalho do pessoal de enfermagem, sendo as maiores freqüências observadas com trabalhadores do sexo feminino, jovens, com menos de cinco anos de experiência e atendentes de enfermagem. Segundos alguns estudos, os acidentes mais freqüentes são com instrumentos perfurocortantes, além de luxações, cervicodorsolombalgia, contaminação biológica entre os auxiliares de enfermagem, grande exposição dos trabalhadores de enfermagem aos riscos biológicos e às doenças graves como AIDS e a hepatite B.

O sangue é uma importante fonte de risco para ocorrência de acidentes de trabalho com perfuro cortantes e as mãos são as partes do corpo mais atingidas, resistência ao uso de EPI, o descarte incorreto de materiais contaminados e os números inadequados de profissionais foram apontados como os principais motivos para ocorrência de acidentes. Problemas de pele, respiratório, nervoso, órgãos do sentido, circulatório, digestivo, imunológico, neoplasias, reprodutor e urinário foram detectados e associados à exposição a riscos químicos e sub-notificação das ocorrências de acidentes do trabalho por julgarem pequenas as lesões.

Há uma queixa geral, acerca das inúmeras tarefas e responsabilidades reais realizadas pelo enfermeiro, o que o leva a um distanciamento das suas atividades relacionadas mais a assistência do paciente. Assim, o “fazer de tudo”, denuncia uma falta de delimitação das ações da enfermagem, levando a se confundir com o assistente social, o administrador de conflitos, etc. Assume assim tarefas que poderiam ser delegadas ao pessoal administrativo ou às lideranças e chefias.

Estudos realizados apontam que este distanciamento do enfermeiro de suas tarefas para cumprir tarefas mais administrativas, ou o fazer de tudo, é uma maneira de se distanciar dos enfermos, e talvez da dor, do sofrimento de ter de lidar com a morte, com a impotência diante dela e com toda a tensão característica deste ambiente de trabalho. Contrariamente, o espaço físico do enfermeiro ou é pequeno demais ou não existe, levando a sentimentos de humilhação, baixa autoestima. É muito comum serem confundidos com os auxiliares e técnicos de enfermagem pelo público usuário. Com estes dividem o seu local de descanso, o posto de enfermagem, os locais de refeição sem condições higiênicas e de conforto satisfatórias.

Além disso, dormem ou almoçam ou ainda dividem a sua hora de lazer entre as duas alternativas. O ritmo acelerado, a falta de recursos humanos, a grande demanda leva-os por vezes a não se alimentar para não terem de sentir sonolência após a refeição. A questão dos riscos biológicos necessita de uma atenção maior, bem como o tema da produção e descarte de resíduos de serviços de saúde. A falta de informação e o não saber como lidar transforma o risco biológico em um fantasma que assusta a todos, levando a posturas tais como, “todos que trabalham no Pronto Socorro (PS) estão sujeitos à contaminação por agentes biológicos e todo o lixo deveria ser incinerado”.

Enfim, diversos aspectos devem ser levados em consideração se se pretende formular políticas públicas voltada para a atividade do enfermeiro: as questões da estrutura física do pronto socorro, as escalas de plantão e jornada de trabalho, a divisão de trabalho, etc. Outras questões devem ser refletidas para que seja realçada a nobreza dessa atividade, bem como seu objetivo. Deve haver uma discussão ampla sobre a formação do enfermeiro (o curso de enfermagem), sobre o seu papel nos espaços de trabalho, valorizando-o, dando visibilidade para que se confirme o que todos sabem: sem enfermagem não se faz saúde. Para ler o estudo completo, acesse o link http://www.fundacentro.gov.br/arquivos/link/noticias/Rel.técnicoCTN-Tereza-trabalho_enfermeiro_20130919140810.pdf

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O garçom, o celular e as eleições

NORMAS COMENTADAS

NBR 14039 – COMENTADA
de 05/2005

Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. Possui 140 páginas de comentários…

Nr. de Páginas: 87

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NBR 5410 – COMENTADA
de 09/2004

Instalações elétricas de baixa tensão – Versão comentada.

Nr. de Páginas: 209

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NBR ISO 9001 – COMENTADA (EM VÍDEO)
de 11/2008

Sistemas de gestão da qualidade – Requisitos. Versão comentada.

Nr. de Páginas: 28

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Fernando Rizzolo

Essa história de morar em cidade grande acaba sempre nos levando a frequentar os mesmos lugares; na hora do almoço, então, já passei por vários restaurantes durante esses últimos dez anos, desde os vegetarianos até os mais gordurosos. Mas os melhores são aquelas padarias que deixaram de produzir apenas o pãozinho de cada dia e montaram um imenso buffet, com direito a nutricionista e tudo o mais.

Atualmente tenho sido fiel a uma dessas, aqui no bairro de Moema, em São Paulo. Todos os dias o mesmo atendente, rapaz simples e simpático que veio do Nordeste, me recepciona com um largo sorriso. Ao me ver já grita para o pessoal da cozinha preparar o meu sagrado suco de melancia.

Na semana passada, quando ele caminhava em direção à minha mesa trazendo-me o suco, segurando meio trêmulo o copo com o refresco avermelhado, avistou, na mesa, meu celular. É um modelo já antigo, daqueles que nem acesso à internet tem.

O garçom me olhou com curiosidade e perguntou, atencioso: “E aí doutor? O senhor não gosta de estar conectado?”. Sem me dar tempo de responder, ele tirou do bolso um aparelho completo, com o símbolo de uma maçã, para eu não falar a marca, e disse: “Este ano vai sair um mais moderno, não vejo a hora de trocar”. Balancei a cabeça em sinal de aprovação e: “É isso aí!! O negócio é tecnologia”, e dei início a minha refeição.

Como almoço sempre sozinho e não tenho internet no celular, para alternar entre garfadas e cliques, mergulhei numa reflexão que passava pelo rapaz, atendente de uma padaria, vindo do Nordeste à procura de uma vida melhor em São Paulo, esbanjando conhecimento tecnológico com um celular de última geração – e ansioso para comprar outro ainda mais moderno. Ora, alguma coisa mudou neste país. Do celular então, passei a ponderar por que no Brasil, por mais que a oposição grite, a presidenta Dilma – segundo pesquisa CNT/MDA – obteria 43,7% das intenções de voto se a eleição fosse hoje. Ou seja, ela venceria as eleições. E mais… segundo a Serasa Experian e o Instituto Data Popular, se a classe média brasileira formasse um país, seria o 12º do mundo em população e a 18ª nação em consumo, podendo pertencer ao G20.

A grande verdade é que a classe média e a classe C, que gastaram mais de R$ 1,17 trilhão em 2013 e movimentaram 58% do crédito no Brasil, nunca viveram um consumo digno como este e não querem se aventurar em tímidas propostas da oposição. Certo, isso pode até não ser bom, pois numa democracia a alternância do poder é saudável, mas havemos de concordar que o celular no bolso e os eletrodomésticos novos em casa vão falar mais alto para essas pessoas.

Enfim, apesar de perceber, ao chegar no caixa, que os valores da refeição sobem lentamente (ainda que eu esteja comendo menos e de maneira mais lenta; os especialistas dizem que faz bem para a saúde), o avermelhado suco de melancia me parece combinar com o país de Dilma. A mim, parece sugerir que, da forma em que as coisas na política andam, não há mensaleiro que abale os milhões de atendentes e trabalhadores humildes que hoje estão mais conectados na melhoria de sua vida do que nas notícias vindas da pobre oposição, que até agora não encontrou um discurso bom e doce como meu suco diário de melancia… E assim vamos…

Fernando Rizzolo é advogado, jornalista, mestre em Direito Constitucional,  ex-articulista colaborador da Agência Estado – rizzolot@gmail.com

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