Cabeamento estruturado residencial

cabeamentoA demanda por serviços de comunicação, tais como voz, imagem, dados e controles prediais vem tendo um crescimento constante, ainda que, no período entre os anos de 1999 a 2001, a oferta tenha sido muito maior, acarretando complicações financeiras particularmente para as empresas de telecomunicação. Esta demanda é verdadeira tanto em empresas como em residências, com a instalação de mais de uma linha telefônica, ou a instalação de telefones em vários cômodos e pontos de interligação de computadores (rede de computadores) em vários cômodos e entre residências num mesmo condomínio.

Para as empresas, a comunicação é vital para a operação dos negócios, seja voz, seja dados, e principalmente dados. Os novos prédios comerciais têm frequentemente adotado métodos de controle predial (edifícios inteligentes), como forma de otimizar e melhorar segurança e uso de eletricidade, bem como o conforto.

Assim sendo, o sistema de cabeamento estruturado surge como opção óbvia para o projeto de edificações, em lugar do cabeamento convencional, onde cada sistema ou tecnologia exige seu cabeamento próprio. O cabeamento estruturado é flexível, pois permite a agregação de várias tecnologias sobre uma mesma plataforma (ou cabo); é de fácil administração, pois qualquer mudança não passa pela troca dos cabos, e sim por configuração em painéis próprios; tem relação investimento/benefício excelente, pois prevê longa vida útil, com suporte a tecnologias futuras com pouca ou nenhuma modificação, e permite modificações de layout ou de serviços providos com a simples alteração de conexões no painel.

O cabeamento estruturado é um cabeamento de baixa corrente e tensão para uso integrado em comunicações de voz, dados, controles prediais e imagem, preparado de tal maneira que atende aos mais diversos tipos e layouts de instalação, por um longo período de tempo, sem exigir modificações físicas da infra-estrutura. A idéia é que o este cabeamento proporcione ao usuário uma tomada universal, onde ele possa conectar diferentes aplicações como computador, telefone, fax, rede local, TV a cabo, sensores, alarme, etc. Isto contrapõe-se ao conceito de cabeamento dedicado, onde cada aplicação tem seu tipo de cabo e instalação.

Assim, sinal de tv requer cabos coaxiais de 75 ohms e conectores e painéis específicos; o sistema de telefonia requer fios apropriados, tomadas e painéis de blocos específicos; redes de computadores usam ainda cabos multivias dedicados. Isso resulta em diversos padrões proprietários ou não de cabos, topologias, conectores, padrões de ligações, etc. O conceito de cabeamento estruturado surge como resposta com o intuito de padronizar o cabeamento instalado em edifícios comerciais ou residenciais, independente das aplicações a serem usadas nos mesmos.

O cabeamento estruturado provavelmente originou-se de sistemas telefônicos comerciais, onde o usuário constantemente mudava sua posição física no interior de uma edificação. Projetou-se um cabeamento de modo a existir uma rede horizontal fixa, ligada a uma central de distribuição, onde cada ponto podia ser ativado ou desativado facilmente. Um ponto de tomada podia ser rapidamente alternado ou deslocado por meio de uma troca de ligações. O sistema evoluiu para que diversos tipos de redes pudessem ser interligados, mantendo o cabeamento horizontal e tornando as tomadas de uso múltiplo.

A NBR 16264:2014 – Cabeamento estruturado residencial especifica um sistema de cabeamento estruturado para uso nas dependências de uma residência ou um conjunto de edificações residenciais e especifica uma infraestrutura de cabeamento para três grupos de aplicações: tecnologias da informação e telecomunicações (ICT); tecnologias de broadcast (BCT); e automação residencial (AR). Ela considera os seguintes meios físicos: cabo balanceado; cabo coaxial; e cabo óptico.

Essa norma especifica os requisitos mínimos para: a) topologia; b) configuração mínima; c) desempenho de enlace permanente e canal; d) densidade e localização dos pontos de conexão; e) interfaces para equipamentos de aplicação específica e rede externa; f) coexistência com outros serviços da edificação. Os requisitos de segurança (elétrica, incêndio, etc.) e compatibilidade eletromagnética estão fora do escopo dessa norma.

Para uma instalação de cabeamento estar em conformidade com esta norma, aplicam-se os seguintes critérios: a) deve suportar aplicações ICT; b) aplicações ICT e BCT devem estar em conformidade com os requisitos da Seção 5; c) aplicações CCCB devem estar em conformidade com os requisitos da Seção 6; d) as interfaces com o cabeamento na TO, BO e CO devem estar em conformidade com os requisitos da Seção 9; e) todos os canais e enlaces devem atender aos níveis de desempenho especificados na NBR 14565.

Os elementos funcionais de um cabeamento estruturado são: distribuidor de campus (CD); backbone de campus; distribuidor de edificação (BD); backbone de edificação; distribuidor de piso (FD); cabeamento horizontal; tomada de aplicação (TO/BO). Os elementos funcionais utilizados dependem dos ambientes atendidos e das aplicações servidas. É possível combinar um CD, BD e FD em um único distribuidor.

Os elementos funcionais utilizados em uma implementação de um sistema de cabeamento estruturado são interligados para formar subsistemas de cabeamento. A conexão dos equipamentos às tomadas de aplicação e aos distribuidores deve atender às aplicações. Os esquemas de cabeamento estruturado para atender às aplicações ICT e/ou BCT contêm no máximo dois subsistemas de cabeamento: subsistemas de backbone e de cabeamento horizontal, conforme mostrado nas Figuras 1 e 2 (disponíveis na norma), respectivamente.

Os distribuidores e as tomadas de aplicação fornecem os recursos para configurar o cabeamento a fim de suportar outras topologias, em complemento àqueles implementados pelos cabos instalados. A interligação dos subsistemas de cabeamento no HD pode ser feita por meio de uma interconexão (entre um ativo e um passivo, ver Figura 3a – disponível na norma) ou conexão cruzada (entre passivos, ver Figura 3b – disponível na norma). As conexões passivas entre o subsistema de backbone e o cabeamento de acesso à rede no BD geralmente utilizam conexões cruzadas. Importante saber a quantidade e a distribuição das tomadas de aplicação, que dependem da função do ambiente a ser atendido, bem como dos equipamentos a serem instalados, observadas as recomendações da tabela abaixo.

CLIQUE NAS FIGURAS PARA UMA MELHOR VISUALIZAÇÃO

cabeamento1

Recomenda-se considerar no mínimo uma tomada elétrica para cada local onde houver uma tomada de aplicação (ICT ou BCT), adotando como referência a distribuição de tomadas elétricas de acordo com a NBR 5410. O cabeamento para tomadas ICT, como especifi cado na Seção 7, deve considerar pelo menos um cabo balanceado de quatro pares capaz de suportar canais ICT de acordo com 7.2. Os canais devem atender as especificações de comprimento máximo especifi cado na Tabela 2, utilizando um cabo ICT conforme 7.2.

Para suporte a canais BCT, conforme especifi cado na Seção 7, o cabeamento deve atender aos seguintes requisitos: a) pelo menos um par balanceado em pelo menos um cabo BCT balanceado capaz de suportar canais BCT e os canais devem atender às especifi cações de comprimento máximo especificado na Tabela 2, utilizando um cabo balanceado conforme 7.3, ou; b) pelo menos um cabo BCT coaxial capaz de suportar canais BCT. Os canais devem atender às especifi cações de comprimento máximo especificado na Tabela 2, utilizando um cabo coaxial conforme 7.3. Todos os elementos de um cabo devem ser terminados em uma única tomada de aplicação. Dispositivos como baluns, splitters (adaptadores Y) e casadores de impedância, se usados, devem ser externos ao hardware de conexão e não fazem parte do escopo desta norma.

Na referência de aplicação desta seção, os componentes usados em cada canal de cabeamento devem estar dentro das seguintes especificações requeridas: a) um canal de cabeamento específico de cobre balanceado deve usar todos os componentes de mesma impedância nominal; b) os canais ICT em fi bra óptica na entrada primária de um subsistema residencial devem estar em conformidade com a NBR 14565; c) o canal de cabeamento coaxial deve usar componentes que satisfaçam as condições especifi cadas em 7.3, sendo reconhecidos os cabos série 11 (cabeamento de backbone), série 6 (cabeamento horizontal) e série 59 (cordões de manobra).

O cabeamento estruturado proporciona os caminhos de transmissão do FD para os TO, os BO e os CO. O desempenho mínimo requerido para cabos sólidos e cabos de manobra está especificado na ABNT NBR 14565, admitem-se canais de comprimento até 100 m para todos os ICT e coaxiais BCT. Para canais BCT balanceados, usando estes componentes, admite-se comprimento de até 50 m. Para CCCB, o comprimento combinado do canal do alimentador de área e o comprimento máximo total do cabo instalado na área de cobertura devem ser de 140 m. A Tabela abaixo apresenta uma visão geral do comprimento máximo para diferentes canais quando os elementos usados atendem somente ao desempenho mínimo especificado na Seção 7.

cabeamento2

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: