Os requisitos para a acreditação na NBR ISO 10012:2004 (Parte 3 – final)

metrologia37.2.3 Realização do processo de medição

O processo de medição deve ser realizado sob condições controladas projetadas para atender aos requisitos metrológicos. As condições a serem controladas devem incluir: a) o uso de equipamento comprovado, b) aplicação de procedimentos de medição validados, c) a disponibilidade das fontes de informações requeridas, d) manutenção das condições ambientais requeridas, e) o uso de pessoal competente, f) o relato adequado dos resultados, g) a implementação de monitoramento como especificado.

7.2.4 Registros de processos de medição

A função metrológica deve manter registros para demonstrar conformidade com os requisitos do processo de medição, incluindo: a) uma descrição completa dos processos de medição implementados, incluindo todos os elementos (por exemplo, operadores, qualquer equipamento de medição ou padrões de verificação) usados e as condições de operação pertinentes; b) os dados pertinentes obtidos dos controles do processo de medição, incluindo qualquer informação pertinente à incerteza de medição; c) quaisquer ações tomadas como um resultado de dados do controle do processo de medição; d) a (s) data(s) na(s) qual(is) foi conduzida cada atividade de controle do processo de medição; e) a identificação de quaisquer documentos de verificação pertinente; f) a identificação da pessoa responsável por prover a informação para os registros; g) as habilidades (requeridas e alcançadas) do pessoal.

Orientação

Para os propósitos de registro, identificações por lote podem ser adequadas para itens de consumo usados em controle de processo de medição. A função metrológica deve assegurar que somente a pessoas autorizadas é permitido gerar, emendar, emitir ou apagar registros.

7.3 Incerteza de medição e rastreabilidade

7.3.1 Incerteza de medição

A incerteza de medição deve ser estimada para cada processo de medição abrangido pelo sistema de gestão de medição (ver 5.1).

Estimativas da incerteza devem ser registradas. A análise das incertezas de medição deve ser completada antes da comprovação metrológica do equipamento de medição e da validação do processo de medição. Todas as fontes conhecidas da variabilidade de medição devem ser documentadas.

Orientação

Os conceitos envolvidos e os métodos que podem ser usados na combinação dos componentes de incerteza e a apresentação dos resultados são apresentados no “Guia para a expressão de incerteza em medição” (GUM). Outros métodos documentados e aceitos podem ser usados. É possível que alguns componentes de incerteza sejam pequenos comparados com outros componentes, o que poderia tornar injustificável sua determinação detalhada sob aspectos técnicos ou econômicos. Desta forma, recomenda-se que a decisão e a justificativa sejam registradas. Em todos os casos, recomenda-se que o esforço dedicado na determinação e registro de incerteza de medições seja compatível com a importância dos resultados de medição para a qualidade do produto da organização. O registro de determinações de incerteza pode tomar a forma de “declarações genéricas” para tipos similares de equipamento de medição, com contribuições sendo adicionadas para processos de medição individuais. Recomenda-se que a incerteza de um resultado de medição leve em conta, entre outras contribuições, a incerteza da calibração do equipamento de medição. O uso apropriado de técnicas estatísticas para análise dos resultados de calibrações prévias e para a avaliação dos resultados de calibrações de vários itens similares de equipamento de medição pode auxiliar na estimativa de incertezas.

7.3.2 Rastreabilidade

A gestão da função metrológica deve assegurar que todos resultados de medição sejam rastreáveis às unidades padrões do Sistema Internacional (SI). Rastreabilidade de medições às unidades do SI deve ser alcançada por referência a um padrão primário apropriado ou por referência a uma constante natural, cujo valor em termos de unidades SI pertinentes é conhecido e recomendado pela Conferência Geral de Pesos e Medidas e pelo Comitê Internacional de Pesos e Medidas. Onde acordado, padrões de consenso usados em situações contratuais devem ser somente usados quando não existem unidades do SI ou constantes naturais reconhecidas.

Orientação

Rastreabilidade é usualmente alcançada através de laboratórios de calibração confiáveis tendo sua própria rastreabilidade aos padrões nacionais de medição. Por exemplo, um laboratório que atenda aos requisitos da NBR ISO IEC 17025 poderia ser considerado confiável. Institutos Nacionais de Metrologia são responsáveis por padrões nacionais de medição e sua rastreabilidade, incluindo aqueles casos onde o padrão nacional de medição é mantido por Instituições outras que não sejam os Institutos Nacionais de Metrologia. Resultados de medição podem ser rastreáveis através de um Instituto Nacional de Metrologia externo ao país onde a medição é feita. Materiais de referência certificados podem ser considerados como padrões de referência. Os registros de rastreabilidade de resultados de medições devem ser mantidos por tanto tempo quanto requerido pelo sistema de gestão de medição, pelo cliente ou por requisitos estatutários e regulamentares.

8 – Análise e melhoria do sistema de gestão de medição

8.1 Generalidades

A função metrológica deve planejar e implementar o monitoramento, análise e melhorias necessários para:

a) assegurar conformidade do sistema de gestão de medição com esta Norma, e b) melhorar continuamente o sistema de gestão de medição.

8.2 Auditoria e monitoramento

8.2.1 Generalidades

A função metrológica deve usar auditoria, monitoramento e outras técnicas, como apropriado, para determinar a adequação e a eficácia do sistema de gestão de medição.

8.2.2 Satisfação do cliente

A função metrológica deve monitorar informações relativas à satisfação do cliente para verificar se as necessidades metrológicas do cliente foram satisfeitas. Os métodos para obter e usar esta informação devem ser especificados.

8.2.3 Auditoria do sistema de gestão de medição

A função metrológica deve planejar e conduzir auditorias do sistema de gestão de medição para assegurar sua implementação eficaz contínua e atendimento aos requisitos especificados. Resultados das auditorias devem ser relatados para as partes envolvidas na gestão da organização. Os resultados de todas as auditorias do sistema de gestão de medição e todas as mudanças do sistema devem ser registrados. A organização deve assegurar que ações são tomadas sem atrasos indevidos para eliminar não-conformidades detectadas e suas causas.

Orientação

Auditorias do sistema de gestão de medição podem ser conduzidas como uma parte das auditorias do sistema de gestão da organização. A NBR ISO 19011 fornece orientações sobre sistemas de auditoria. Auditorias do sistema de gestão de medição podem ser conduzidas pela função metrológica da organização, ou por pessoal contratado ou de terceira parte. Recomenda-se que auditores não auditem suas próprias áreas de responsabilidade.

8.2.4 Monitoramento do sistema de gestão de medição

Nos processos contidos no sistema de gestão de medição, devem ser monitorados a comprovação metrológica e os processos de medição. O monitoramento deve ser realizado de acordo com procedimentos documentados e a intervalos estabelecidos. Ele deve incluir a determinação de métodos aplicáveis, incluindo técnicas estatísticas, e a extensão do seu uso. O monitoramento do sistema de gestão de medição deve prevenir desvios dos requisitos, assegurando a pronta detecção de deficiências e tomando, em tempo oportuno, ações para sua correção. Este monitoramento deve ser na proporção correta ao risco de falha para atender os requisitos especificados. Os resultados do monitoramento dos processos de medição e comprovação e quaisquer ações corretivas resultantes devem ser documentados para demonstrar que a medição e os processos de comprovação vêm atendendo continuamente com os requisitos documentados.

8.3 Controle de não conformidades

8.3.1 Sistemas de gestão de medição não conformes

A função metrológica deve assegurar a detecção de quaisquer não conformidades e adotar ação imediata.

Orientação

Convém que elementos não-conformes sejam identificados para prevenir uso inadvertido. Neste interim, ações (por exemplo, planos imediatos) podem ser tomadas até que as ações corretivas sejam implementadas.

8.3.2 Processos de medição não conformes

Qualquer processo de medição conhecido que produza, ou seja, suspeito de produzir, resultados de medição incorretos, deve ser adequadamente identificado e não deve ser usado até que ações apropriadas tenham sido tomadas. Se um processo de medição não conforme for identificado, o usuário do processo deve determinar as conseqüências potenciais, fazer as correções necessárias e tomar as ações corretivas necessárias. Um processo de medição, modificado devido a uma não-conformidade, deve ser validado antes do seu uso. A falha de um processo de medição devida, por exemplo, à deterioração de um padrão de verificação ou mudanças na competência do operador, pode ser revelada pelos indicadores pós-processo tais como: análise de gráficos de controle, análise de gráficos de tendência, inspeções subseqüentes, comparações interlaboratoriais, auditorias internas e retroalimentação de cliente.

8.3.3 Equipamentos de medição não conformes

Qualquer equipamento de medição comprovado que é suspeito ou conhecido: a) ter sido danificado, b) ter sido sobrecarregado, c) ter mau funcionamento de forma que possa invalidar seu uso pretendido, d) produzir resultados de medição incorretos, e) estar além do seu intervalo de comprovação metroló, gica especificado, f) ter sido manuseado erroneamente, g) ter um selo ou proteção danificado ou quebrado, h) ter sido exposto à influência de grandezas que possam afetar adversamente seu uso pretendido (campo eletromagnético e poeira, por exemplo).

Deve ser removido do serviço por segregação ou identificado por marcação ou etiquetagem facilmente visível, a não-conformidade deve ser verificada e um relatório de não conformidade deve ser preparado. Tal equipamento não deve retornar ao serviço até que as razões para sua não conformidade tenham sido eliminadas e ele seja comprovado novamente. O equipamento de medição não conforme, que não retornou às suas características metrológicas pretendidas, deve ser claramente marcado ou identificado de outra maneira. A comprovação metrológica de tal equipamento para outros usos deve assegurar que a situação de alteração está claramente aparente e inclui identificação de qualquer limitação de uso.

Orientação

Se for impraticável ajustar, reparar ou revisar com o propósito de ser reparado o equipamento considerado não adequado para seu uso pretendido, uma opção é rebaixamento de função ou uma mudança em seu uso pretendido. Convém que reclassificação seja somente usada com muito cuidado, pois pode causar confusão entre os usos permitidos de partes de equipamentos aparentemente idênticas. Isto inclui comprovações metrológicas limitadas de somente algumas faixas ou funções de equipamentos multifaixas. Se o resultado de uma verificação metrológica antes de qualquer ajuste ou reparo indicar que o equipamento de medição não atendeu aos requisitos metrológicos de tal forma que a correção dos resultados de medição pode ter sido comprometido, o usuário do equipamento deve determinar as conseqüências potenciais e tomar qualquer ação necessária. Isto pode envolver reexame do produto produzido, usando medições realizadas com o equipamento de medição não conforme.

8.4 Melhoria

8.4.1 Generalidades

A função metrológica deve planejar e gerenciar a melhoria contínua do sistema de gestão de medição com base nos resultados das auditorias, análise crítica pela administração e outros fatores pertinentes, tais como, retroalimentação dos clientes. A função metrológica deve analisar criticamente e identificar oportunidades potenciais para a melhoria do sistema de gestão de medição e modificá-lo se necessário.

8.4.2 Ação corretiva

Quando um elemento importante do sistema de gestão de medição não atende aos requisitos especificados, ou quando dados pertinentes mostram um comportamento inaceitável, ações devem ser tomadas para identificar a causa e eliminar a discrepância. Correções e soluções de ação corretiva devem ser verificadas antes de retornar o processo de medição ao uso. O critério para a adoção de ação corretiva deve ser documentado.

8.4.3 Ação preventiva

A função metrológica deve determinar ação (ões) para eliminar as causas potenciais de não-conformidade de medição ou comprovação, no sentido de prevenir suas ocorrências. Ações preventivas devem ser apropriadas para o efeito do problema potencial. Um procedimento documentado deve ser estabelecido para definir requisitos para: a) determinação de não-conformidades potenciais e suas causas, b) avaliação da necessidade de ações para prevenir ocorrência de não-conformidades, c) determinação e implementação de ações necessárias, d) registro de resultados de ação tomada, e e) análise crítica de ação preventiva adotada.

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Qualidade de vida com autocrítica

NORMAS COMENTADAS

NBR 14039 – COMENTADA
de 05/2005

Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. Possui 140 páginas de comentários…

Nr. de Páginas: 87

NBR 5410 – COMENTADA
de 09/2004

Instalações elétricas de baixa tensão – Versão comentada.

Nr. de Páginas: 209

NBR ISO 9001 – COMENTADA
de 11/2008

Sistemas de gestão da qualidade – Requisitos. Versão comentada.

Nr. de Páginas: 28

Ernesto Haberkorn

Qualidade de vida e autocrítica são assuntos em discussão pela sociedade, principalmente, no mundo corporativo. A cobrança da sociedade para que as pessoas sejam bem-sucedidas, ricas e, se possível, donas do próprio negócio, é constante. Claro que, na vida, todos nós queremos ser bem sucedidos, está aí uma questão cultural, pois a maioria das pessoas está sempre em busca da perfeição. Mas com tanta exigência, onde entra a qualidade de vida? É possível fazer da autocrítica uma aliada no cotidiano de cada um?

Se pudéssemos, seríamos donos do nosso destino, autônomos e independentes nas nossas escolhas e decisões, possuiríamos poder e tornaríamos real tudo aquilo que desejamos atingir. Mas, infelizmente, isso nem sempre é possível. Para isso, a autocrítica pode ser utilizada de forma saudável e positiva. O indivíduo, de tempos em tempos, deve fazer uma autoavaliação e analisar as próprias atitudes, a reação das pessoas, conforme o relacionamento social, as opiniões e a própria satisfação em relação ao trabalho.

Acredito que, para conquistar qualidade de vida, se o indivíduo estiver em equilíbrio, a autocrítica, na medida certa, pode tornar a pessoa mais produtiva, competente e melhor. Mas sabemos que por conta do cotidiano tão estressante e da constante pressão em busca de bons resultados, problemas de autoestima, insatisfação pessoal e baixa produtividade fazem com que esse sentimento, para muitas pessoas, se torne prejudicial e nocivo à saúde.

Sabemos que cada pessoa tem capacidade de avaliar seu comportamento e, de certa forma, estabelecer limites. Mas, a partir do momento em que o resultado dessas autoavaliações se tornam sempre negativo e se voltam contra nós mesmos, sabotando e flagelando nossos sonhos e vontade de viver, é hora de ficar alerta e estabelecer limites de até onde a autocrítica deve chegar.

A autocrítica, quando excessivamente negativa, pode estar relacionada a problemas emocionais e de autoestima que, em excesso, podem gerar uma situação de conflito interno. Em muitos casos, o profissional se cobra mesmo sem possuir experiência suficiente para desempenhar alguns papeis. Na maioria das vezes, quem é muito crítico está sempre se comparando com pessoas que desempenham cargos mais altos ou que são bem sucedidos. Precisamos entender e administrar que, na vida, tudo tem seu tempo e hora para acontecer e que existem “degraus” a serem escalado, um de cada vez.

Por isso, vale ressaltar os cuidados que devemos ter com nossa qualidade de vida. O indivíduo que vive em um processo contínuo de autocrítica deixa de acreditar em si mesmo e entender do que é capaz, além de passar uma imagem negativa e se tornar menos produtivo. É preciso saber qual a sua exigência, seu potencial, sua capacidade e características para entender quais resultados pode atingir e até onde você pode chegar. Cada ser humano possui uma maneira de raciocinar e querer, cada mente reflete uma determinada forma de pensar.

Colocar o senso crítico em prática e estabelecer prioridades também auxilia na busca por melhores relações no trabalho e na vida. Quando o profissional busca por oportunidades melhores, um pouco de autocrítica, para entender onde ele está errando em determinada situação, ajuda a torná-lo mais qualificado e preparado para alcançar determinados objetivos e metas. Vale ressaltar que é necessário estar atento às metas. Não adianta deixar o foco muito aberto e ver tudo que as outras pessoas fazem bem para obterem sucesso, senão o individuo vai acreditar que não consegue fazer nada.

Se o trabalho de um profissional pede algo em que ele não seja tão bom, é preciso buscar uma maneira de se aperfeiçoar, mas sem se torturar por isso. Às vezes, se a autocrítica é muito dura e pesada, o indivíduo diminui sua capacidade de se desenvolver e crescer na vida profissional e pessoal, pois perde a autoconfiança.

Saber colocar na balança e dosar esse sentimento pode fazer do ser humano, uma pessoa mais completa, melhor e feliz. É possível ter uma carreira bem sucedida atrelada a qualidade de vida e desfrutar de uma carreira promissora e se tornar um ser humano pró-ativo e saudável. Estas são atitudes fáceis de entender, mas difíceis de serem colocadas em prática. O mais importante é que a pessoa dê foco aos seus objetivos e não exceda em nenhum dos campos, caso contrário, a balança vai pender sempre para um lado apenas.

Ernesto Haberkorn criou o Circuito NETAS (acrônimo de Natureza, Esporte, Trabalho, Amor e saúde), treinamento diferenciado, criado com o intuito de apresentar uma rotina mais saudável e com qualidade de vida aos executivos; e diretor da TI Educacional.

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