Teste vocacional para que?

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Maurício Sampaio

Os testes vocacionais parecem ser unanimidade entre pais e alunos que estão na busca de uma solução para uma fase tão complicada: a escolha de uma futura profissão. Porém, também são comuns as dúvidas relativas à sua aplicação. Esta confusão não acontece só em nível familiar, mas também no âmbito acadêmico e profissional. Como em todo ponto de vista, ou em todo desenvolvimento científico, temos argumentos e contra-argumentos, o que, em minha concepção, é muito salutar.

Algumas correntes são contra a utilização de testes, alegam serem estes limitados e vazios. Podem contribuir muito pouco no processo de escolha de uma profissão e no desenho de um projeto de vida. Por outro lado, encontramos os profissionais adeptos aos testes e, que por sua vez, são presos aos mesmos como se encontrassem nestes o desenho ideal entre vocação e área de atuação, uma espécie de quebra-cabeça, encaixando a personalidade, a vocação, a uma profissão específica.

Só para tentar elucidar um pouquinho, vale aqui voltar na história da orientação vocacional. Inicialmente, a ideia era obter um encaixe entre mensurações de certas características de grupos de indivíduos com mensurações de grupos ocupacionais na indústria e no comércio. Assim, o orientador poderia determinar qual a melhor profissão para cada indivíduo. A preocupação nessa fase era direcionada para a questão da colocação no mercado de trabalho e não para um prognóstico de carreira educacional-profissional no futuro.

Depois, passou-se a uma fase caracterizada por criação de novos instrumentos de medida (testes, questionários, inventários) de aptidões, interesses, inteligência, raciocínio, atributos pessoais – intensa disseminação de informações sobre as diversas profissões e ocupações existentes no mercado de trabalho. Além da apresentação em forma diretiva, pelo orientador, de prognóstico sobre as profissões em que o orientando teria mais probabilidade de sucesso, baseado nos resultados dos instrumentos de medida aplicados ao cliente.

Mais recentemente, entrou-se em um período de crescente aperfeiçoamento da psicometria, dos instrumentos de medida de características individuais (testes, etc.) no que diz respeito a: a sua maior fidedignidade (reliability), padronização e validação, com maior capacidade de diferenciação e discriminação, aumentando assim suas qualidades diagnósticas e prognósticas; o surgimento de “baterias” de instrumentos psicométricos mais diferenciados, apoiados em estudos de análise fatorial, técnicas de correlação, métodos estatísticos, cálculo de probabilidades; muito maior atenção a outras variáveis causais ou intervenientes (além de inteligência, aptidões e interesses) tais como: aspirações, valores, motivação, critérios de- sucesso e/ou satisfação, estereótipos, autoconceito (self-concept) .

Por fim, o que se pretende hoje com a orientação vocacional e profissional é auxiliar o cliente, através de um processo sistêmico, com encontros periódicos, a conhecer sua realidade interior: autoconhecimento, valores, perfil de personalidade. E também seu exterior: interferências sociais e familiares, contexto sociocultural, mercados potenciais, ofertas educacionais. Com tudo isso, é possível analisar esses dados, avaliá-los e consequentemente escolher rumos profissionais com a maior probabilidade de adequação, buscando satisfação pessoal e profissional, e o sucesso em seu projeto de vida.

Maurício Sampaio tem mais de 30 anos de experiência na área pedagógica, é educador, palestrante, escritor, coach e fundador do InstitutoMS de Coaching.

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Uma resposta

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