A qualidade nos projetos de estruturas de concreto

A maior parte dos defeitos verificados nas construções decorre de erros de projeto, sendo essencial que sejam direcionados maiores esforços no sentido de melhorar a qualidade dos projetos, em especial, o projeto estrutural, dada a sua significativa importância. Quem contrata projetos, muitas vezes, parte do enfoque custo ou preço, deixando a qualidade em segundo plano. Outras vezes, o fator condicionante é o prazo, que acaba sendo o objetivo primordial, resultando em sérios prejuízos para a eficiência das estruturas, pois impossibilita os projetistas de buscarem a melhor solução.

Uma das formas encontradas para conseguir a melhoria da qualidade dos projetos estruturais é através da implantação de um sistema de garantia da qualidade, atuando paralelamente ao desenvolvimento dos projetos, sempre cumprindo a norma técnica específica e suas correlatas. Na verdade, para ser eficiente, o sistema de garantia da qualidade deve atuar em todas as fases do processo construtivo − planejamento, projeto, produção de materiais e componentes, execução, utilização e manutenção.

Dessa forma, um projeto bem elaborado deve conferir segurança às estruturas e garantir um desempenho satisfatório em serviço, além de aparência aceitável. Assim, devem ser observadas as exigências com relação à capacidade resistente, bem como às condições em uso normal e, principalmente, às especificações referentes à durabilidade.

Muitas vezes, os requisitos de segurança são satisfatoriamente atendidos, ao passo que as exigências de bom desempenho em serviço e durabilidade são deixadas em segundo plano. Em relação à durabilidade, essa questão está intimamente relacionada à qualidade das estruturas, ressaltando-se a necessidade de adotar critérios apropriados ainda na fase de projeto, de modo a garantir, com grau apropriado de confiabilidade, que as estruturas apresentem desempenho satisfatório em serviço e resistam adequadamente aos agentes externos sem mostrar sinais precoces de deterioração.

Percebe-se que há uma nítida relação entre os seguintes aspectos: agressividade ambiental, durabilidade e qualidade das estruturas. O estudo da agressividade ambiental visa conhecer o comportamento das estruturas e dos seus materiais componentes (concreto e aço) em face dos ataques por agentes externos agressivos presentes no meio ambiente, de modo que possam ser tomadas as respectivas medidas preventivas de proteção, com o intuito de assegurar que as estruturas apresentem durabilidade. A garantia da durabilidade, por sua vez, contribui de forma considerável para garantir a qualidade das estruturas, visto que ambos os parâmetros estão intimamente relacionados.

Durante muito tempo, o concreto foi considerado um material extremamente durável, opinião esta baseada em obras muito antigas ainda em bom estado de conservação. Entretanto, a deterioração relativamente precoce de estruturas recentes remete aos porquês das patologias do concreto, resultantes de uma somatória de fatores, dentre os quais, citam-se: erros de projeto e de execução, inadequação dos materiais, má utilização da obra, agressividade do meio ambiente, falta de manutenção e ineficiência ou ausência de controle da qualidade na construção civil.

A NBR 6118 de 04/2014 – Projeto de estruturas de concreto – Procedimento estabelece os requisitos básicos exigíveis para o projeto de estruturas de concreto simples, armado e protendido, excluídas aquelas em que se empregam concreto leve, pesado ou outros especiais. Para a elaboração desta norma, foi mantida a filosofia da edição anterior da NBR 6118 (historicamente conhecida como NB-1) e das ABNT NBR 7197, ABNT NBR 6119 e NB-49, de modo que a esta norma cabe definir os critérios gerais que regem o projeto das estruturas de concreto, sejam elas de edifícios, pontes, obras hidráulicas, portos ou aeroportos etc. Assim, ela deve ser complementada por outras normas que estabeleçam critérios para estruturas específicas.

Esta norma aplica-se às estruturas de concretos normais, identificados por massa específica seca maior do que 2 000 kg/m³, não excedendo 2 800 kg/m³, do grupo I de resistência (C20 a C50) e do grupo II de resistência (C55 a C90), conforme classificação da NBR 8953. Entre os concretos especiais excluídos desta Norma estão o concreto massa e o concreto sem finos.

Ela estabelece os requisitos gerais a serem atendidos pelo projeto como um todo, bem como os requisitos específicos relativos a cada uma de suas etapas. Não inclui requisitos exigíveis para evitar os estados limites gerados por certos tipos de ação, como sismos, impactos, explosões e fogo. Para ações sísmicas, consultar a NBR 15421; para ações em situação de incêndio, consultar a NBR 15200.

No caso de estruturas especiais, como de elementos pré-moldados, pontes e viadutos, obras hidráulicas, arcos, silos, chaminés, torres, estruturas off-shore, ou estruturas que utilizam técnicas construtivas não convencionais, como formas deslizantes, balanços sucessivos, lançamentos progressivos e concreto projetado, as condições desta norma ainda são aplicáveis, devendo, no entanto, ser complementadas e eventualmente ajustadas em pontos localizados por Normas Brasileiras específicas.

A simbologia adotada nesta norma, no que se refere às estruturas de concreto, é constituída por símbolos base (mesmo tamanho e no mesmo nível do texto corrente) e símbolos subscritos. Os símbolos base, utilizados com mais frequência nesta norma, encontram-se estabelecidos em 4.2 e os símbolos subscritos, em 4.3. A simbologia geral encontra-se estabelecida nesta seção e a simbologia mais específica de algumas partes desta norma é apresentada nas seções pertinentes, de forma a simplificar a compreensão e, portanto, a aplicação dos conceitos estabelecidos. As grandezas representadas pelos símbolos constantes desta norma devem sempre ser expressas em unidades do Sistema Internacional (SI).

As estruturas de concreto devem atender aos requisitos mínimos de qualidade classificados em 5.1.2, durante sua construção e serviço, e aos requisitos adicionais estabelecidos em conjunto entre o autor do projeto estrutural e o contratante. Os requisitos de qualidade de uma estrutura de concreto são classificados, para os efeitos desta norma, em três grupos distintos, relacionados em 5.1.2.1 a 5.1.2.3. A capacidade resistente consiste basicamente na segurança à ruptura. O desempenho em serviço consiste na capacidade da estrutura manter-se em condições plenas de utilização durante sua vida útil, não podendo apresentar danos que comprometam em parte ou totalmente o uso para o qual foi projetada.

A durabilidade consiste na capacidade de a estrutura resistir às influências ambientais previstas e definidas em conjunto pelo autor do projeto estrutural e pelo contratante, no início dos trabalhos de elaboração do projeto. A solução estrutural adotada em projeto deve atender aos requisitos de qualidade estabelecidos nas normas técnicas, relativos à capacidade resistente, ao desempenho em serviço e à durabilidade da estrutura.

A qualidade da solução adotada deve ainda considerar as condições arquitetônicas, funcionais, construtivas (ver NBR 14931), estruturais e de integração com os demais projetos (elétrico, hidráulico, ar-condicionado e outros), explicitadas pelos responsáveis técnicos de cada especialidade, com a anuência do contratante. Todas as condições impostas ao projeto, descritas em 5.2.2.2 a 5.2.2.6, devem ser estabelecidas previamente e em comum acordo entre o autor do projeto estrutural e o contratante.

Para atender aos requisitos de qualidade impostos às estruturas de concreto, o projeto deve atender a todos os requisitos estabelecidos nesta norma e em outras complementares e específicas, conforme o caso. As exigências relativas à capacidade resistente e ao desempenho em serviço deixam de ser satisfeitas, quando são ultrapassados os respectivos estados limites (ver Seções 3 e 10).

As exigências de durabilidade deixam de ser atendidas quando não são observados os critérios de projeto definidos na Seção 7. Para tipos especiais de estruturas, devem ser atendidas as exigências particulares estabelecidas em normas brasileiras específicas.

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A Copa dos russos

REGULAMENTOS TÉCNICOS

Os Regulamentos Técnicos, estabelecidos por órgãos oficiais nos níveis federal, estadual ou municipal, de acordo com as suas competências específicas, estabelecidas legalmente e que contém regras de observância obrigatórias às quais estabelecem requisitos técnicos, seja diretamente, seja pela referência a uma Norma Brasileira ou por incorporação do seu conteúdo, no todo ou em parte, também estão disponíveis aqui no Portal Target. Estes regulamentos, em geral, visam assegurar aspectos relativos à saúde, à segurança, ao meio ambiente, ou à proteção do consumidor e da concorrência justa, além de, por vezes, estabelecer os requisitos técnicos para um produto, processo ou serviço, podendo assim também estabelecer procedimentos para a avaliação da conformidade ao regulamento, inclusive a certificação compulsória. Você pode realizar pesquisas selecionando o produto “Regulamentos Técnicos” e informando a(s) palavra(s) desejada(s). Acesse o link https://www.target.com.br/produtossolucoes/regulamentos/regulamentos.aspx

Outra vez? Essa foi a reação de um amigo quando eu disse que pretendia, em maio passado, voltar à Rússia, pois estivera no país do presidente Putin no ano passado. Desta vez fui para assistir à chamada Parada da Vitória, que ocorre todo dia 9 de maio, em comemoração à vitória do Exército Vermelho contra os nazistas. Aliás, se Hitler não ganhou a guerra, isso se deveu aos russos que liquidaram e detiveram o avanço das tropas do exército alemão já em território russo. Soube que morreram por volta de oito milhões de russos.

O Dia da Vitória é comemorado com desfiles militares e povo nas ruas levando flores, numa grande festa, como se a guerra tivesse terminado ontem. Para mim foi uma experiência fascinante ver as pessoas bradarem o nacionalismo histórico, muitas delas com os olhos cheios de lágrimas, pois quase todos perderam parentes nesse conflito. Já de volta ao Brasil após 20 dias de Rússia, encontro um clima estranho no nosso país, sinto certa quietude, um silêncio incomum (afinal, estamos em época de Copa do Mundo), uma espécie de desânimo, alguns protestos, inconformismo com os gastos públicos, muito embora a imprensa tente, desesperadamente e de todas as formas, estimular uma alegria que vem aos pingos. Parece que pouco surte efeito, longe do contágio alegre das Copas de outrora.

Interessante que, por falar em Copa, ainda em Moscou, estive na casa de amigos russos, onde, por costume, a cozinha ou a “copa” são o lugar onde se celebram as grandes discussões políticas, familiares e diárias, muitas vezes simultaneamente ao preparo do jantar e sempre aos goles de vodca. Foi exatamente durante um desses jantares que pensei – talvez por influência da vodca e não da imprensa – sobre o Brasil nesta Copa, que não é russa nem de aspecto culinário, mas que provavelmente poderá nos levar a uma grande festa como a de comemoração ao Dia da Vitória russa, como também poderá nos conduzir a uma grande depressão, pois as obras foram objeto de muitas discussões sobre o esbanjamento do dinheiro público de forma irresponsável. Teremos assim uma bebedeira de tristeza ao depararmos com uma derrota brasileira e nos darmos conta da imensidão do que é perder dinheiro irresponsável e nos atordoar de humilhação perante nós mesmos ao calor da indignação.

O Brasil é um país pobre, a grande massa trabalhadora pouco tempo tem para discutir, ler jornal, ouvir críticas sobre o governo, a percepção é apenas o dinheiro que sobra no bolso, mas saberá celebrar uma vitória anestésica esportiva. Já uma derrota será perigosa do ponto de vista social, pois a conta dos gastos e dos atos pródigos arrebatará no bolso eleitoral e servirá de combustível oposicionista, em que os articuladores dessa oposição destilarão seu furor nesse momento de perda da Copa do Mundo.

É o Brasil, da corrupção, do pouco sentido da cidadania, que irá esbravejar se o script traçado por Lula não der certo. Poderemos assim voltar à moda russa e nos embebedar de vodca por não termos momentos históricos a celebrar, mas momentos históricos a lamentar, como a Copa de 1950. Ou como a parte do país sem cultura que se expande em estádios imensos onde o silêncio do destino com certeza se arrependerá, em meio a tanto que deveríamos ter feito com o erário público – em vez disso, sobrará somente a lembrança de um mero jogo político eleitoral. Portanto, vamos sentar na Copa ou na sala, ligar a televisão, e nos controlar para não beber para esquecer…. e, sim, torcer para não sofrer….

Fernando Rizzolo é advogado, jornalista, mestre em Direito Cosntitucional, ex articulista colaborador da Agência Estado – rizzolot@gmail.com