Restrição e melhoria

TRAGÉDIAS, CRIMES E PRÁTICAS INFRATIVAS DECORRENTES DA NÃO OBSERVÂNCIA DE NORMAS TÉCNICAS BRASILEIRAS – NBR

R$ 63,90

Capa da publicação E1324

Essa publicação aborda, através da apresentação de casos reais, como o cumprimento de normas técnicas NBR – ABNT está diretamente ligado à segurança, à saúde e à qualidade de vida em nosso dia a dia. O autor explica de forma prática, e infelizmente mostrando tragédias, como as normas técnicas estão presentes no nosso cotidiano. Elas devem ser levadas a sério quanto à sua observância obrigatória e o poder público precisa fazer gestão para fomentar esse cumprimento por parte da sociedade produtiva e de serviço. Mais informações e compra, acesse o link https://www.target.com.br/livros/target/livro_2013.aspx

Eduardo C. Moura

“Somente a partir da identificação de imperfeições é que poderemos conceber formas de melhorar.” (Eli Goldratt)

Todos queremos melhorar. Jamais encontrei alguém que fosse contra a melhoria (embora possa haver forte discordância quanto à forma de fazê-lo). Portanto, é muito comum que as empresas se envolvam na implementação de sugestões de melhoria, nas mais diversas atividades: alguém tem uma idéia de como melhorar um processo, desenvolver um novo produto, disparar um projeto estratégico, etc. E a partir da idéia proposta, mobilizam-se recursos e dedica-se tempo à execução da idéia.

Mas, na maioria dos casos o resultado final deixa a desejar, e não raras vezes gera conseqüências negativas que chegam a superar os eventuais benefícios. Apesar desta formulação ser bem genérica, acredito que você possa dar algum exemplo específico que tenha vivido na prática. Como diz o ditado, o inferno está cheio de boas intenções…

Sempre há dificuldades quando buscamos melhorias. É natural que o fracasso às vezes ocorra e, quando ocorre, pode ter um importante efeito didático. Mas se as dificuldades e fracassos tornam-se a regra, em vez da exceção, é hora de perguntar “por que?”. Por que é que isto ocorre com tanta freqüência? Vejamos algumas justificativas típicas, normalmente oferecidas após o fato, sobre o leite derramado: “é que não usamos um método estruturado”; “não foi identificada a causa raiz”, “faltou liderança”, “faltou um controle mais rigoroso”, “não contamos com os recursos necessários”, “não tivemos tempo suficiente”… Mas já vi vários casos em que foi usada uma metodologia, foi feita uma boa análise de causas, houve todo o apoio e controle necessário, e mesmo assim o fracasso veio.

Por que? Talvez a resposta esteja na história da caneta espacial: dizem que a NASA investiu uma soma considerável de dinheiro para desenvolver uma caneta que pudesse escrever no espaço, na ausência de gravidade. Porém os russos já haviam resolvido o problema muito tempo antes: eles usavam lápis! Quer dizer: o verdadeiro problema não era “desenvolver a caneta espacial” e sim “escrever no espaço”… Moral da história: desde o início, assegure-se de haver escolhido o problema correto a ser resolvido.

Mas qual critério devemos utilizar para escolher o problema correto? É aí que a frase de Goldratt mostrada no início pode nos ajudar. Aparentemente, a frase transmite uma atitude reativa. Alguém poderia contra-argumentar: “Devemos olhar o lado positivo das coisas. Partir das imperfeições somente nos levará a remediar a situação. Sejamos proativos!”.

Há porém alguns pontos que devemos esclarecer para entender bem o que Mr. Eli disse. Em primeiro lugar, a verdadeira melhoria é aquela que melhora o desempenho global (a meta do sistema) em algum aspecto relevante. Se consideramos as “melhorias” de maneira isolada e pontual, o mais provável é que sejam contraproducentes e, portanto, “não-melhorias”.

Logo, para definir o tema correto a ser atacado, é indispensável partir da visão sistêmica, considerando a empresa como um todo. Em segundo lugar, quando olhamos globalmente o sistema complexo que é a empresa, devemos reconhecer que nem tudo é igualmente importante. Necessariamente, num dado momento, o cumprimento da meta do sistema estará limitado por alguns poucos fatores críticos, talvez apenas um: a restrição do sistema (o elo mais fraco da cadeia). E aí está o problema correto a ser resolvido: a imperfeição ou limitação sistêmica que nos impede de obter mais da meta que buscamos para a empresa.

Se partimos do problema equivocado, ainda que realizemos uma implementação perfeita, seguramente o resultado será irrelevante ou até prejudicial. Mas quando identificamos o problema correto, ainda que a solução seja implementada com certas deficiências ou lacunas, o resultado será expressivo.

Portanto, a próxima vez que lhe ocorrer uma ideia ou alguém lhe propuser uma melhoria, considere antes de mais nada a seguinte pergunta: OK. Esta é a solução, mas… qual é o problema? E tratem de identificar o problema central.

Eduardo Moura é diretor da Qualiplus Excelência Empresarial – emoura@qualiplus.com.br

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Saúde, educação e família

ACERVO DE NORMAS TÉCNICAS

Controlar e manter o seu acervo de normas técnicas e de documentos internos e externos sempre atualizados e disponíveis para compartilhamento entre todos os usuários é hoje um grande desafio em diversas organizações por envolver a dedicação e o esforço de vários profissionais. As Normas de Sistemas da Qualidade – série ISO 9000, são rigorosas quanto aos critérios de controle, atualização e disponibilização de documentos corporativos aos seus usuários. Tanto os documentos de origem interna como externa, devem ser controlados para evitar a utilização de informações não-válidas e/ou obsoletas, cujo uso pode trazer sérios problemas aos sistemas, produtos e negócios da empresa. É por isso que a Target Engenharia e Consultoria desenvolveu Sistemas que gerenciam e controlam estes documentos de forma rápida, ágil e segura, facilitando o acesso à informação e ajudando os seus clientes a garantirem suas certificações.

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Ruy Martins Altenfelder Silva

Já há algum tempo especialistas vêm apontando a saúde dos adolescentes como um dos desafios para a realidade deste novo milênio. Trata-se do grupo etário de 1,2 milhão de pessoas (um em cada seis habitantes do mundo) talvez mais vulnerável à mudança global de valores que acompanha os novos cenários econômicos e sociais, que se sucedem cada vez mais velozmente. Desemprego, exigências mais rigorosas para acesso ao mercado de trabalho, urbanização, migrações, acelerada evolução tecnológica e choques culturais estão entre os fatores que provocam forte impacto na formação das novas gerações, num processo de difícil acompanhamento e mesmo percepção por parte de pais, professores e outros adultos que com elas convivem.

Em época nenhuma foi muito tranquila a transição da infância para a idade adulta, sempre uma fase complexa de desenvolvimento fisiológico e psicológico. Mas, atualmente e em especial nos países emergentes, os adolescentes enfrentam cargas adicionais. No Brasil, por exemplo, boa parcela deles vivenciam transformações profundas na vida pessoal e familiar, decorrentes da ascensão social, maior acesso à educação e maior poder de consumo.

Até aqui pouco estudado, o novo cenário vem despertando a atenção de especialistas e motivou, pela primeira vez, um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) que colheu dados de 109 países para identificar as principais causas de doenças e mortes de pessoas entre 10 e 19 anos em todo o mundo. O suicídio aparece como terceira causa das 1,3 milhão dos óbitos. À frente estão: acidentes de trânsito, com 330 mortes por dia, e a Aids, que após alguns anos de queda volta a crescer, atingindo mais de 2 milhões de adolescentes – uma elevação creditada ao aumento dos casos nos países africanos, enquanto Europa e Américas registram queda.

O mesmo relatório aponta a depressão como a grande causa de doenças e inaptidão nessa faixa etária. Entre os principais fatores desse cenário, estão as mudanças na expectativa de vida, a falta de perspectiva de futuro, o aumento no uso de drogas e a violência. “Os dados são realmente preocupantes, mas não surpreendem quem está, na prática, atendendo a essa população, pois a depressão, muitas vezes, está associada a outros problemas mentais mais graves – como dependência química ou transtorno de conduta –, casos em que aspectos emocionais ou alterações próprias da depressão não são investigados”, afirma o psiquiatra Miguel Boarati, coordenador do Ambulatório do Programa de Transtornos do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, em reportagem no Correio Braziliense.

Muitas vezes o próprio adolescente não tem percepção ou consciência de que as mudanças comportamentais podem estar ligadas a quadros depressivos e que estes podem ser tratados. E, pior, pais e professores também padecem dessa falta de percepção e de conhecimento, confundindo tais problemas com a natural crise existencial do jovem.  Mas, como alerta Boarati, não há melhora espontânea do quadro depressivo, cujo tratamento chega a envolver várias especialidades, incluindo terapia de família, o que pode encarecer seus custos e tornar-se um obstáculo à sua realização.

Embora não seja solução para reduzir o alto número de mortes no trânsito, o aumento dos casos de Aids e a elevada incidência de suicídios, a educação pode prestar significativa contribuição para atenuar tais ameaças à vida e à saúde dos adolescentes. Sem falar numa forte política pública a ser lançada nesse sentido, as ações preventivas devem fazer parte da programação, regular ou extracurricular, das escolas, envolvendo familiares e educadores.

Também as empresas e entidades sociais voltadas à juventude devem incluir esse tema em seus programas de qualidade de vida para colaboradores e nas ações externas de responsabilidade social que promovem. O Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) – que há décadas realiza programas de prevenção ao uso de drogas nas escolas, palestras sobre saúde (prevenção de aids, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez na adolescência, etc.) entre estudantes do ensino médio e superior – é testemunha de que tais ações encontram grande receptividade entre jovens, pais, educadores e comunidades carentes. Isso além de atuar como agente que facilita a preparação e o acesso dos jovens ao mercado de trabalho, por meio do estágio e da aprendizagem profissional.

Essa é a contribuição que o CIEE já presta – e pretende continuar intensificando –, ao se antecipar à recomendação de  Flávia Bustreo, subdiretora geral para a saúde das mulheres e das crianças da OMS: “Esperamos que esse documento consiga provocar mais atenção à saúde das pessoas que têm entre 10 e 19 anos e que sirva para desencadear uma ação acelerada sobre seus problemas”.

Ruy Martins Altenfelder Silva é presidente do Conselho de Administração do CIEE e da Academia Paulista de Letras Jurídicas.

Meio ambiente e empresas sustentáveis

COLETÂNEA DE NORMAS TÉCNICAS AMBIENTAIS

Coletânea Série Sistema de Gestão Ambiental

Coletânea Digital Target com as Normas Técnicas, Regulamentos, etc, relacionadas à Sistema de Gestão Ambiental!
Saiba mais

Cada vez mais as empresas precisam ter consciência de seu papel no processo de preservação do planeta. Práticas simples podem ser adotadas diariamente para que um futuro melhor seja possível.

Medidas como redução do consumo de energia e água já podem ser um bom começo para as organizações que querem adotar esses princípios sustentáveis. “Existe a possibilidade de adequar produtos e processos que sejam ambientalmente sustentáveis sem perder competitividade. O desenvolvimento econômico é fundamental, mas é possível realizar um bom trabalho respeitando a natureza”, afirma Rafael Goelzer, diretor da Quinta da Estância.

Para Goelzer, a gestão ambiental faz parte da cultura da instituição desde as atitudes mais simples até os deveres mais complexos. “Acreditamos na mudança de consciência que nos leva a pensar e aceitar outras formas de viver o presente pensando no futuro. Na semana do meio ambiente, nada mais justo que colocar em prática os nossos planos”, diz.

Para as empresas, cuidados básicos podem fazer toda a diferença e ainda diminuir efetivamente gastos mensais. “A impressão de papeis é um grande problema, pois se faz necessário que eles estejam fisicamente na mesa. O ideal é evitar utilizar folhas que não sejam ecológicas e tintas à base de soja. Procurar reutilizar, sempre imprimindo dos dois lados ao invés de colocar no lixo, também é uma solução”, conta. Outra dica importante é usar equipamentos de forma consciente e eficiente, sempre lembrando de não deixar os aparelhos eletrônicos em stand-by, pois gastam energia mesmo quando es tão aparentemente desligados.

As empresas precisam separar o lixo que pode ser reciclado do lixo orgânico.  Como o maior causador da degradação do meio ambiente, ele demanda tempo e paciência para se tornar sustentável. No entanto, os benefícios são muitos e vale a pena o pequeno esforço. “Essa é uma das melhores formas de economizar dinheiro e ainda reduzir o volume que chega todos os dias nos aterros. Sobre a decoração no ambiente, caso a troca de móveis seja necessária, vale investir em materiais reciclados, madeiras certificadas ou artigos que causem baixo impacto”, conclui.

Para as empresas que já praticam essas ações, avançar nos processos ecológicos pode demonstrar um engajamento extra e aumentar seu comprometimento com o futuro do planeta. Um grande exemplo disso está no esforço em buscar alternativas para reduzir os impactos.

Para começar, Goelzer indica que os empresários procurem se informar sobre quanto a empresa emite durante suas atividades diárias e quantas árvores seriam necessárias para neutralizar todo o carbono lançado na atmosfera. “Existem formas possíveis de amenizar isso e que são de grande valia para o futuro do meio ambiente”, afirma.

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A esterilização de produtos para a saúde

esterilização2A esterilização pode ser definida  como um processo validado utilizado para obter um produto livre de micro-organismos viáveis. Ou seja, é o processo que promove completa eliminação ou destruição de todas as formas de micro-organismos presentes: vírus, bactérias, fungos, protozoários, esporos, para um aceitável nível de segurança. O número, tipo e localização dos micro-organismos influenciam os processos de esterilização, bem como a presença de matéria orgânica, concentração, tempo de exposição e fatores físicos, como temperatura e umidade relativa.

A NBR ISO 14937:2014 – Esterilização de produtos de atenção à saúde — Requisitos gerais para caracterização de um agente esterilizante e desenvolvimento, validação e controle de rotina de um processo de esterilização de produtos para saúde especifica os requisitos gerais para a caracterização de um agente esterilizante e para o desenvolvimento, validação e rotina de monitoramento e controle de um processo de esterilização de produtos para saúde. Um produto para saúde estéril é um artigo que está livre de micro-organismos. Quando é necessário fornecer um produto para saúde estéril, normas que especificam requisitos para validação e controle de rotina dos processos de esterilização requerem que eventuais contaminações microbiológicas de produtos para saúde anteriores à esterilização sejam minimizadas.

Mesmo assim, produtos para saúde produzidos sob condições de fabricação padronizadas de acordo com os requisitos para sistemas de gestão da qualidade (ver, por exemplo, NBR ISO 13485) poderiam ter micro-organismos antes da esterilização, embora em baixos números. Esses produtos para saúde não estão estéreis.

O propósito da esterilização é inativar os contaminantes microbiológicos e assim transformar os produtos para saúde não estéreis em estéreis. A cinética de inativação de uma cultura pura de micro-organismos por agentes físicos e/ou químicos, utilizados geralmente para esterilizar produtos para saúde, pode ser melhor descrita por uma relação exponencial entre números de micro-organismos sobreviventes e a extensão de tratamento com o agente esterilizante; inevitavelmente, isso significa que sempre existe uma probabilidade finita que um micro-organismo possa sobreviver independentemente da duração do tratamento aplicado.

Para um determinado tratamento, a probabilidade de sobrevivência é determinada pelo número e resistência dos micro-organismos e pelo ambiente em que os organismos existem durante o tratamento. A esterilidade de qualquer produto para saúde com uma população submetida ao processo de esterilização não pode ser garantida e a esterilidade de uma população processada é definida em termos da probabilidade de ter micro-organismos viáveis presentes no produto para saúde.

Esta norma descreve requisitos que, se atendidos, fornecerão um processo de esterilização com atividade microbicida adequada destinado a esterilizar produtos para saúde. Além disso, a conformidade com os requisitos garante que o processo de esterilização seja confiável e reprodutível, de forma que predições possam ser feitas, com certeza razoável de que exista uma probabilidade de baixo nível de haver um micro-organismo viável presente, em um produto para saúde após a esterilização.

A especificação dessa probabilidade é uma questão para autoridades regulatórias e pode variar de país para país (ver, por exemplo, EN 556-1 e ANSI/AAMI ST67). Os requisitos genéricos do sistema de gestão da qualidade para projeto e desenvolvimento, produção, instalação e serviços são dados na NBR ISO 9001 e requisitos especiais para sistema de gestão da qualidade para produção de produtos para saúde são dados na NBR ISO 13485.

Os padrões para sistemas de gestão da qualidade reconhecem que, para certos processos utilizados na fabricação, a eficiência do processo não pode ser totalmente verificada por inspeções subsequentes e ensaios do produto. A esterilização é um exemplo de tal processo. Por essa razão, os processos de esterilização são validados para seu uso, o desempenho do processo de esterilização é monitorado rotineiramente e o equipamento é conservado.

A exposição para uma validação correta, precisamente controlada pelo processo de esterilização não é o único fator associado à entrega de uma garantia confiável, que um produto para saúde processado é estéril, a este respeito, adequado para seu uso pretendido. Atenção é dada para um número de fatores, incluindo: a condição microbiológica da entrada de matérias primas e/ou componentes; a validação e controle de rotina dos procedimentos de limpeza e desinfecção utilizados no produto para saúde; o controle do ambiente no qual o produto para saúde é fabricado, montado e embalado; o controle de equipamentos e processos; o controle de pessoas e sua higiene; a forma e materiais nos quais os produtos para saúde são embalados; as condições sob as quais o produto para saúde é armazenado.

O tipo de contaminação em um produto para saúde a ser esterilizado varia e isso influencia a eficácia de um processo de esterilização. Produtos para saúde que foram utilizados em um estabelecimento de assistência à saúde e que estão sendo apresentados para reesterilização em conformidade com as instruções do fabricante (ver ISO 17664) devem ser considerados casos especiais.

Existe um potencial de cada produto para saúde possuir uma ampla gama de micro-organismos contaminantes e contaminação residual inorgânica e/ou orgânica, a despeito da aplicação de um processo de limpeza. Portanto, especial atenção é dada para a validação e controle do processo de limpeza e desinfecção usado durante o processamento. Os requisitos são as partes normativas desta norma com as quais cada conformidade é requerida.

A orientação dada no Anexo E não é normativa e não é fornecida como uma lista de verificação para os auditores. O guia fornece explicações e métodos que são considerados como sendo um meio adequado para o cumprimento dos requisitos. Outros métodos daqueles dados neste guia podem ser utilizados se eles forem eficazes para alcançar a conformidade com os requisitos desta norma.

O desenvolvimento, validação e controle de rotina dos processos de esterilização compreendem um número de distintas, mas inter-relacionadas, atividades, por exemplo, calibração, manutenção, definição de produto, definição de processo, qualificação de instalação, qualificação operacional e qualificação de desempenho. Enquanto as atividades requeridas por esta norma estão sendo agrupadas e apresentadas em uma ordem particular, esta norma não requer que as atividades sejam executadas na ordem em que são apresentadas.

As atividades requeridas não são necessariamente sequenciais, como o programa de desenvolvimento e validação, que pode ser interativo. A responsabilidade para executar as atividades requeridas por esta norma pode variar de caso a caso. Essa norma requer que as responsabilidades das várias partes sejam definidas (ver 4.2), mas não especifica a quem estão atribuídas as responsabilidades. O Anexo E fornece orientação sobre atribuição de responsabilidade.

Esta norma tem três aplicações distintas: para fabricantes de produtos de atenção à saúde que desejam aplicar os seus produtos a um processo de esterilização para o qual não existe uma norma específica; para fabricantes e usuários dos processos de esterilização em estabelecimentos de assistência à saúde para os quais não exista uma norma; como uma estrutura para a preparação ou revisão das normas para processos de esterilização específicos. Devem ser especificados procedimentos para caracterização de um agente esterilizante, desenvolvimento, validação e controle de rotina de um processo de esterilização e liberação de produto esterilizado.

Documentos e registros requeridos por esta norma devem ser revistos e aprovados por pessoal designado (ver 4.2.1). Documentos e registros devem ser controlados de acordo com as Seções aplicáveis da NBR ISO 13485. A responsabilidade e autoridade para a implementação e cumprimento dos requisitos descritos nesta norma devem ser especificadas. A responsabilidade deve ser atribuída a pessoas competentes, em conformidade com as Seções aplicáveis da NBR ISO 13485.

Se os requisitos desta Norma forem realizados por organizações com sistemas de gestão de qualidade independentes, as responsabilidades e autoridade de cada parte devem ser especificadas. Devem ser especificados procedimentos para a aquisição. Estes procedimentos devem estar em conformidade com as Seções aplicáveis da NBR ISO 13485.

Devem ser especificados procedimentos para identificação e rastreabilidade do produto. Estes procedimentos devem estar em conformidade com as Seções aplicáveis da NBR ISO 13485. Deve ser especificado um sistema de cumprimento da seção aplicável(is) da NBR ISO 13485 ou NBR ISO 10012 para a calibração de todo o equipamento, incluindo instrumento para fins de ensaio proposto, utilizado para satisfazer os requisitos desta norma. Devem ser especificados procedimentos para controle de produto designado como não conforme e para sua correção, ação corretiva e ação preventiva. Estes procedimentos devem estar em conformidade com as seções aplicáveis da NBR ISO 13485.

Igualmente, devem ser  considerada uma seleção de micro-organismos utilizados na demonstração da eficácia microbicida de um agente esterilizante. A tabela abaixo fornece exemplos de micro-organismos que podem ser incluídos em cada estudo. Ela não é exaustiva e, para um novo processo de esterilização, não convém considerar que os micro-organismos listados sejam os mais resistentes.

Os dados obtidos na demonstração da eficácia microbicida devem identificar um micro-organismo de referência adequado para ser utilizado como modelo representativo de alta resistência durante a caracterização do agente esterilizante e, se aplicável, aos estudos de definição de processo. Geralmente, é selecionado um esporo bacteriano.

Na seleção de micro-organismos para serem utilizados na demonstração da eficácia microbicida do agente esterilizante, deve ser considerado o seguinte: micro-organismo com alta resistência conhecida para o agente esterilizante ou uma expectativa de uma alta resistência a partir de informação na literatura científi ca ou um conhecimento do modo de ação do agente esterilizante; micro-organismos com conhecida resistência para processo de esterilização bem caracterizados; tipos de micro-organismos (aeróbicos e anaeróbicos, bactérias Gram positivas e Gram negativas, esporos bacterianos, micobactéria, fungos incluindo formas esporuladas, leveduras, parasitas e vírus); micro-organismos presentes nos materiais de construção de um produto e no ambiente no qual o produto é fabricado; micro-organismos que tenham sido isolados durante determinações de carga microbiana realizadas em produto típico a ser processado e, se aplicável, micro-organismos que possam estar presentes em um produto para saúde reutilizável como um resultado antes do uso em um paciente.
Os micro-organismos selecionados e a razão de suas escolhas devem ser registrados (ver o item 4.1.2). Estes micro-organismos podem ser designados por uma coleção de cultura de referência reconhecida ou outro identificador que permita a rastreabilidade da fonte. A informação com respeito aos micro-organismos indicados é para fornecer uma comparação com outros processos de esterilização e para assegurar que micro-organismos bem caracterizados estão incluídos nos estudos. A inativação de vírus e/ou parasitas é uma consideração particular em processos utilizados para esterilizar produtos contendo materiais de origem animal (ver também ISO 22442-3), bem como em processamento de produto para saúde em estabelecimentos de assistência à saúde. Considerando a informação obtida com respeito aos micro-organismos, convém notar que a resistência dos micro-organismos isolados do produto pode ser modificada por recultivo.

Exemplos de potenciais micro-organismos de ensaios

esterilização

O paradoxo da previsibilidade

NORMAS TÉCNICAS INTERNACIONAIS

Assessoria em normas internacionais e estrangeiras: a Target oferece a consultoria definitiva que sua empresa precisa em normalização internacional e estrangeira: a melhor maneira de assegurar a confiabilidade de suas informações e de manter-se atualizado com relação aos padrões de qualidade de produtos e serviços do mundo.

Pesquisas: entendemos sua necessidade e localizamos, com rapidez e eficiência, diversos tipos de normas em entidades de normalização de qualquer parte do mundo.

Gerenciamento: informamos sobre o status das normas de seu acervo, e sobre qualquer alteração, revisão ou publicação de novas normas de seu interesse. A partir daí, você decide se vai ou não atualizar suas normas.

Tradução: uma equipe de profissionais, especializados em normalização e traduções técnicas, está apta a fornecer o melhor serviço de tradução de normas internacionais e estrangeiras. Os serviços de tradução também oferecem a formatação e adequação da norma dentro dos padrões das Normas Brasileiras.

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Eduardo C. Moura

“O planejamento é uma coisa muito boa. Os planos é que, via de regra, são inúteis. Portanto, faça o planejamento, mas joque fora os planos! … Muito esforço para gerar previsibilidade acaba produzindo o efeito oposto.” (Mary Poppendieck)

Embora o trabalho desta brilhante autora (www.poppendieck.com) esteja focado no desenvolvimento de software, suas constatações podem ser estendidas muito mais além. Antecipando a reação de espanto de seus leitores com relação às afirmações acima, em um de seus interessantes artigos (disponíveis no website) ela afirma: “Peraí! (bem, estou dando um toque latino à tradução, além de abstrair o texto para além do contexto de desenvolvimento de software) O que é que há de errado em planejar o trabalho e em seguida trabalhar sobre o plano?

Duas coisas estão erradas: em primeiro lugar, se você não sabe tudo o que é possível saber antes de planejar, então você está criando um plano a partir de especulação. Portanto, os resultados serão igualmente baseados em especulação. E em segundo lugar, as coisas mudam. Se você não tiver ciclos de retroalimentação rápidos e frequentes durante a execução do plano (destaque meu), você o estará realizando para a situação que existia no início do plano, mas que já não corresponde à situação atual.”

O que é que há de comum entre um plano de desenvolvimento de software, ou desenvolvimento de qualquer outro produto, um plano de construção civil, um plano estratégico ou qualquer outro tipo de plano complexo? O ponto comum é: atraso na data prometida, estouro do orçamento e/ou modificação das condições especificadas. Ou seja: prazo, custo e qualidade geralmente vão pro beleléu (putz, essa faz tempo que não usava!). E aí está o paradoxo da previsibilidade: todas as horas minuciosamente calculadas para a execução das atividades, cada centavo cuidadosamente justificado no orçamento, e todos os detalhes técnicos rigorosamente especificados no início do plano, tudo isto, nunca se cumpre à risca; sempre há modificações! (e Murphy trata de orientá-las para o lado ruim…)

Mas na verdade o paradoxo da previsibilidade vai muito mais além da questão do planejamento. Abrange, na verdade, a questão do controle gerencial, presente não apenas no planejamento tradicional, mas também em várias outras situações, por exemplo: o controle que exerce uma corporação sobre o cumprimento das metas especificadas para uma infinidade de indicadores de desempenho de suas unidades de negócio espalhadas pelo mundo afora; o controle que exerce um departamento de produção sobre cada minuto trabalhado pelos operários; o controle feito por um setor de contabilidade sobre cada gasto de cada departamento da empresa etc.

A esta altura, cabe perguntar: por que isto ocorre em tantas atividades distintas, em qualquer tipo de empresa, em qualquer país? Qual é o “furo” fundamental que pode explicar a crônica imprevisibilidade no cumprimento de metas cuidadosamente estabelecidas e rigorosamente controladas? Aqui caímos em um ponto já apontado em um dos artigos anteriores: a falácia da fragmentação, cuja linha de raciocínio é a seguinte: “Veja bem… a situação (do plano, das metas corporativas, do orçamento etc.) é muito complexa. Então vamos dividir o todo nas pequenas partes que o compõem (cada pequena tarefa do plano, cada departamento, cada conta do orçamento etc.) e tratemos de controlar cada parte de modo preciso e rigoroso. Porque se assegurarmos que cada parte cumpra o que lhe cabe, então o resultado final será o esperado.” Podemos chamar isto de “premissa aditiva”.

Soa lógico, mas é totalmente falso! Porque o mundo em que vivemos é essencialmente interativo ou multiplicativo, e não simplesmente aditivo. Reza um dos axiomas da teoria de sistemas: “a soma dos pontos ótimos das partes não resulta no ponto ótimo do sistema” (axioma, aliás, muito “rezado”, mas pouco entendido). Por exemplo: vamos construir o rosto feminino mais bonito do planeta: juntemos os lábios mais bonitos, os olhos mais fascinantes, o nariz mais charmoso, a bochecha mais fofinha, o par de orelhas mais delicado, os cabelos mais lindos … e o resultado seria certamente um conjunto tosco, carente da harmonia que caracteriza a verdadeira beleza.

Voltando ao rude ambiente empresarial: afinal, o que é que invalida a premissa aditiva? Podemos resumir a resposta em duas palavras: fluxo e variação. As partes do sistema interagem, e cada uma está sujeita aos efeitos da variação, não apenas interna mas também (e principalmente) externa. E o resultado final é determinado não pela soma isolada do trabalho de cada parte, mas sim pelo fluxo do trabalho entre as partes interdependentes. E acima de tudo, em qualquer organização humana, não se trata de interação entre partes mecânicas. Trata-se do fluxo de trabalho entre pessoas, que reagem às práticas gerenciais segundo padrões não exatamente enquadrados nas leis da Física… Tudo isto faz com a que sonhada “previsibilidade aditiva” vá pro vinagre (recuperando outra expressão lá do fundo baú).

E o problema não é a falta de controle, mas sim a própria filosofia tradicional de controle, que está mais do que falida. Simplesmente não funciona. Para sair do paradoxo da previsibilidade, é preciso mudar o paradigma do controle (isto não significa eliminar o controle, o que resultaria em baderna). Como? Há soluções prontas por aí, algumas mais desenvolvidas e testadas do que outras, mas com resultados claramente superiores em relação ao controle tradicional.

Já passei do tamanho normal do texto, e abusei do seu tempo e paciência, mas deixo algumas dicas finais: para gerenciamento de projetos complexos ou críticos, há o método da Corrente Crítica, da Teoria das Restrições; para o dilema da medição e controle financeiro há o método de Contabilidade de Throughput, também da Teoria das Restrições. E para desenvolvimento de produtos, há o exemplo do Sistema Toyota de Desenvolvimento, ou Lean Product Development (não confundir com Lean Production ou Sistema Toyota de Produção).

É difícil de acreditar, mas a Toyota nunca atrasa o lançamento de um produto. E já faz alguns anos, eles comemoraram o lançamento de um veículo com zero alterações de projeto! Esclarece Mary Poppendieck: “Vejamos o mecanismo da Toyota para programação do desenvolvimento de um produto. O engenheiro-chefe de um novo veículo define as datas dos marcos ou ‘milestones’ do programa: esboços do veículo, modelo em argila, projeto estrutural, primeiro protótipo, segundo protótipo, produção piloto, início da produção. Não existe ‘master schedule’, rede PERT, diagrama de Gannt e nem acompanhamento do porcentual de tarefas realizadas.

As pessoas em cada função sabem o que se espera delas em cada ‘milestone’, e cumprem o esperado. É tão simples quanto isto. Se um engenheiro precisa de informação ou peças para cumprir o ‘milestone’, ele vai atrás do que precisa. Não há desculpas; todos encontram por si mesmos uma solução para cumprir o prazo… (nota minha: a gerência não “empurra” as pessoas por meio de controle detalhado de suas atividades; apenas as apóia e monitora o sistema globalmente, ou seja, o sistema é “puxado”: os profissionais “puxam” informação e materiais que requerem, “just-in-time”).

Uma programação ágil e dinâmica é melhor implementada por gente inteligente, não por um planejamento centralizado. O desafio da gerência é organizar o trabalho de modo que as pessoas tenham o treinamento, ferramentas, habilidade e motivação para entregar resultados confiáveis consistentemente. Quando você puder fazer isto, terá uma organização madura.” Mas tudo começa por reconhecer humildemente o alto grau de ineficácia do controle gerencial tradicional. O que é um exercício no mínimo incômodo, no início.

Eduardo C. Moura é diretor da Qualiplus Excelência Empresarial – emoura@qualiplus.com.br

A dinâmica da Metrologia: atualização, confusão, enriquecimento e reflexão

Interpretação e Aplicações da Norma Regulamentadora Nº 13 com base na última revisão da NR 13 aprovada pela Portaria 594 de 28 de Abril de 2014 do M.T.E. – A partir de 3 x R$ 257,81 (56% de desconto)

NR 10 – Atendendo às exigências do Ministério do Trabalho – Reciclagem Obrigatória – A partir de 3 x R$ 264,00 (56% de desconto)

Entendimento da Norma BRC Food – A partir de 3 x R$ 110,00 (56% de desconto)

Controle de pragas – A partir de 3 x R$ 91,67 (56% de desconto)

Elcio Cruz de Oliveira

Atualização

Os termos metrológicos estão definidos e unificados na língua portuguesa (Brasil e Portugal), disponíveis no Vocabulário Internacional de Metrologia – Conceitos fundamentais e gerais e termos associados [1].

Calibração nada mais é do que comparação dos valores entre instrumento padrão e objeto a ser calibrado. O termo Aferição não faz parte da Metrologia Científica e sim da Metrologia Legal; já o termo verificação pode ser considerado como uma comparação simplificada, uma boa prática aconselhável entre calibrações. Validação é uma verificação na qual os requisitos especificados são adequados para um uso pretendido. Toda validação é uma verificação; entretanto, nem toda verificação é uma validação.

Nas versões anteriores do VIM, se falava no termo VVC, valor verdadeiro convencional, o qual caiu em desuso. Atualmente, tem-se o valor verdadeiro como o valor de uma grandeza sendo considerado único e, na prática, impossível de ser conhecido. Já o valor convencional é estabelecido por um acordo, como por exemplo, a aceleração da gravidade.

Precisão pode ser quantificada numericamente e especificada sob de condições de repetibilidade, precisão intermediária e reprodutibilidade. A repetibilidade (a primeira versão do VIM, no Brasil, falava em repetibilidade, sendo que desde 1995 passou a ser repetitividade, voltando em 2012 para repetibilidade) é quando não se tem variação de parâmetros (tempo, operador, máquina e laboratório). A reprodutibilidade é quando se tem variação de todos os parâmetros, somente ocorrendo entre laboratórios diferentes, como por exemplo, em um plano interlaboratorial. Quando se varia um ou mais parâmetros, dentro do mesmo laboratório, tem-se a precisão intermediária.

Curva analítica é o nome sugerido pela IUPAC para substituir o termo curva de calibração, dentro de um laboratório que não está acreditado para calibrações.

Material de referência certificado (MRC) deve ser utilizado para calibrações, avaliações de incerteza e etapas da validação que requeiram medições exatas; já material de referência (MR) pode ser utilizado para ensaios de precisão. Entretanto, é uma boa prática metrológica, que se avalie o equilíbrio entre custos, riscos e possibilidades técnicas no momento de se escolher entre um MRC ou MR.

Partes por milhão (ppm) é uma notação adimensional e, portanto, só pode ser utilizada como unidade de medida de concentração, equivalente a mg/L, em solução aquosa de baixa concentração, com densidade igual a da água (1000 kg/m3), pois neste caso um litro de solução tem massa igual a 1000 gramas, podendo-se considerar 1 mg/L = 1 mg/1000 g = 1 g/1000000 g = 1 ppm.

Incerteza de medição é um parâmetro não negativo que caracteriza a dispersão dos valores atribuídos a um mensurando, com base nas informações utilizadas. Com isto, a incerteza de medição, quando não acompanhada pela grandeza é dada em módulo. Exemplo: Resultado da medição = 100 ± 1, cuja incerteza é 1.

Confusão

Normas são documentos aprovados por uma instituição reconhecida, que preveem, para um uso comum e repetitivo, regras, diretrizes ou características para os produtos ou processos e métodos de produção conexos, e cuja observância não é obrigatória e sim voluntária; ao contrário dos regulamentos que são compulsórios.

Dentro da Metrologia, o escopo normativo da certificação/acreditação, às vezes, pode criar confusões. Na Figura 1, apresentam-se quatro normas dentro deste cenário.

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figura1

Todo Ensaio de Proficiência é uma Comparação Interlaboratorial; entretanto, nem toda Comparação Interlaboratorial é um Ensaio de Proficiência. Pode-se dizer que quando uma Comparação Interlaboratorial tem a finalidade de avaliar o desempenho de um laboratório, recebe o nome específico de Ensaio de Proficiência.

Exatidão de medição não é uma grandeza, não lhe é atribuído um valor numérico e sim qualitativo. Em Química Analítica, a característica de desempenho Recuperação é muito utilizada para expressar de forma quantitativa a exatidão [2]. Para grandezas físicas, tendência é a estimativa numérica do erro sistemático.

Analistas químicos normalmente utilizam o branco analítico em suas análises, mas raramente esta fonte de incerteza é avaliada. Embora o valor numérico deste branco, em algumas situações, seja desprezível, a contribuição de incerteza nem sempre é [3].

Enriquecimento

São poucos casos em Química Analítica, que as correlações entre grandezas de entrada são consideradas. Os exemplos clássicos estão na construção de curvas analíticas. Na construção destas curvas com padrão externo, os coeficientes de uma regressão linear a e b são correlacionados. Na padronização interna, além desta correlação citada, ainda se tem outra numericamente negativa, entre a área do analito e a área do padrão interno, o que minimiza a incerteza de medição, aumentando a confiabilidade do resultado [4].

Curvas analíticas são normalmente obtidas, a partir de dados discretos, por regressão, utilizando-se o método dos mínimos quadrados ordinários. Entretanto, quando se tem um erro considerável em ambos os valores de x (concentração) e y (sinal), esta técnica deve ser cuidadosamente avaliada. O uso de regressão ortogonal (ODR) é uma boa alternativa, a qual leva em consideração erros que são significantes no eixo x; ou seja, quando uma curva analítica não é construída por um MRC (erros desprezíveis perante o sinal) [5].

A literatura descreve vários procedimentos baseados em princípios estatísticos para validar se o grau de concordância entre os resultados produzidos por analisadores em linha e de bancada são satisfatórios. Entretanto, todos estes procedimentos consideram que os dados têm distribuição normal, o que nem sempre é verdadeiro. A Tabela 1 descreve a correspondência entre estes testes.

tabela1

Reflexão

formula1

Em uma regressão linear não ponderada , a partir de pontos de dados da curva de calibração e para números de medições para determinar , a incerteza padrão em , onde , é geralmente calculada a partir da equação (1), sendo é o desvio padrão residual do ajuste linear.

formula2

(1)

Esta equação parece mágica; entretanto, a incerteza padrão apresenta exatamente o mesmo valor do que quando calculada pela expansão da série de Taylor, levando em consideração que os coeficientes angular e linear da regressão são correlacionados, equação (2).

formula3

(2)

Assim sendo, discordo da Referência [7], ao dizer que a Equação (1) e suas variações são apenas formas simplificadas de estimar a incerteza, pois não consideram os efeitos de correlação entre os coeficientes da reta a e b.

Outra questão para reflexão são os requisitos de um profissional para trabalhar na área de Metrologia, que está longe de alguma padronização:

  • Team Leasing Brasil – Itupeva – SP: Irá atuar com medidas e demais atividades pertinentes ao cargo. Formação Acadêmica: Necessário curso técnico em Desenho Mecânico.
  • Curitiba – PR: Anúncio nº: 1002677. Para trabalhar na empresa: PH RECURSOS HUMANOS LTDA Escolaridade mínima: Superior Incompleto.
  • Eusébio – CE: Efetuar ensaios e leituras nos laboratórios de metrologia com massa, volume, temperatura e ensaios especiais. Experiência: Conhecimentos da norma 17.025 e ISO 9000. Salário: A combinar.
  • Engenheiro Metrologista. Rio de Janeiro – RJ.

Concurso para o Inmetro:

  • Analista Executivo em Metrologia e Qualidade & Pesquisador – Tecnologista em Metrologia e Qualidade: Requisitos: diploma, devidamente registrado, ou certificado de conclusão de curso de graduação plena de nível superior.
  • Assistente Executivo em Metrologia e Qualidade & Técnico em Metrologia e Qualidade: Requisitos: diploma, devidamente registrado, ou certificado de conclusão de curso de graduação de nível médio completo / educação profissional técnica de nível médio.

Esta última reflexão permeia a formação acadêmica. Acredito que uma das principais razões para reprovação e desinteresse, principalmente na graduação, em Matemática (cálculo e álgebra) e Estatística, ferramentas essenciais na confiabilidade metrológica, é a dicotomia entre a disciplina e aplicação prática, apenas com exemplos teóricos. Através da Tabela 2, é possível se ver tais associações.

tabela2

Como é possível se observar, os conceitos e práticas metrológicas são bastante dinâmicos, gerando dúvidas entre os stakeholders da Metrologia. O caráter trans e multidisciplinar desta área dificulta a consolidação desta expertise. Assim sendo, acredito que urge a necessidade de se regulamentar o profissional de Metrologia no país, (r)estabelecendo requisitos mínimos para a sua capacitação, com ênfase em áreas específicas.

Referências

[1] Vocabulário Internacional de Metrologia – Conceitos fundamentais e gerais e termos associados (VIM 2012). 1a edição luso-brasileira do VIM 2012 (JCGM 200:2012).

[2] Oliveira, EC. Critical Metrological Evaluation of Fuel Analyses by Measurement Uncertainty. Metrol. Meas. Syst., 2011, Vol. XVIII, No. 2, pp. 235–248.

[3] Oliveira, EC et al. Impact of the Analytical Blank in the Uncertainty Evaluation of the Copper Content in Waters by Flame Atomic Absorption Spectrometry. Journal of AOAC International, 2012, Vol. 95, No. 2, pp. 560–566.

[4] Oliveira, EC et al. Internal Standard versus External Standard Calibration: an Uncertainty case of a Liquid Chromatography Analysis. Quim. Nova, 2010, Vol. 33, No. 4, 984–987.

[5] Oliveira, EC; Aguiar, PF. Least Squares Regression with Errors in Both Variables: Case Studies. Quim. Nova, 2013, Vol. 36, No. 6, pp. 885–889.

[6] Oliveira, EC et al. Validação de Analisadores de Processo – Implantação de Novos Procedimentos na PETROBRAS, VII Congresso Rio Automação, 2013.

[7] RM 68 – Incerteza de Medição: Guia Prático do Avaliador de Laboratórios. Rede Metrológica RS Revisão: 05 abr/2013.

Elcio Cruz de Oliveira é consultor técnico da Petrobras Transporte S.A., do Departamento de Pós-Graduação em Metrologia para Qualidade e Inovação, PUC-Rio.

Autoconhecimento faz a diferença até em entrevistas de emprego

TRAGÉDIAS, CRIMES E PRÁTICAS INFRATIVAS DECORRENTES DA NÃO OBSERVÂNCIA DE NORMAS TÉCNICAS BRASILEIRAS – NBR

R$ 63,90

Capa da publicação E1324

Essa publicação aborda, através da apresentação de casos reais, como o cumprimento de normas técnicas NBR – ABNT está diretamente ligada à segurança, à saúde e à qualidade de vida em nosso dia a dia. O autor explica de forma prática, e infelizmente mostrando tragédias, como as normas técnicas estão presentes no nosso cotidiano. Elas devem ser levadas a sério quanto à sua observância obrigatória e o poder público precisa fazer gestão para fomentar esse cumprimento por parte da sociedade produtiva e de serviço. Mais informações: https://www.target.com.br/livros/target/livro_2013.aspx

A dificuldade em responder a simples pergunta “quem sou eu?” aponta em muitas pessoas a falta de autoconhecimento. E o bloqueio em falar de si, de suas competências e da própria existência traz transtornos até para a carreira, de acordo com o especialista em orientação profissional Maurício Sampaio. “Hoje, nas entrevistas de emprego, possuir autoconhecimento é igual ou mais valioso do que ter um bom diploma universitário”, diz.

Sampaio acredita que a explicação está no fato de, na nossa cultura, não sermos incentivados a essa “exposição”. “Se na escola falamos sobre nós somos mesmos, somos tachados de exibidos. E, na empresa, de metidos.” O especialista afirma que descobrir o que possuímos de bom e que possa ser valioso para outras pessoas é o caminho para sucesso.

“Quantas pessoas você conhece que são ótimas, competentes, mas não emplacam, não vão para frente? E por que será que alguns se destacam dentre tantos com a mesma formação? Certamente o autoconhecimento é uma das explicações. Mas se autoconhecer não é só dizer que se acha bom nisso ou naquilo, e sim também saber seus limites pessoais.”

Técnica para se autoconhecer

A ferramenta SWOT – significado de Strengths (Forças), Weaknesses (Fraquezas), Opportunities (Oportunidades) e Threats (Ameaças) –  é muito utilizada por empresas e, de acordo com Sampaio, pode te ajudar na busca pelo autoconhecimento.

Confira as dicas de Maurício Sampaio para fazer essa atividade:

– Pegue uma folha e dobre em quatro partes. Na primeira, escreva “Forças”, e, ao lado, “Fraquezas”. Abaixo de “Forças”, coloque “Oportunidades”, e, na última parte, “Ameaças”.

– Preencha as partes fazendo as seguintes perguntas:

. “Quais são as minhas forças?” (ou seja, o que você faz muito bem?)

. “Quais são as minhas fraquezas?” (aspectos que precisam ser melhorados)

. “Quais são as minhas oportunidades?” (aonde suas forças podem ser úteis)

. “Quais são as ameaças?” (no que você precisa prestar atenção)

“Esse exercício é poderoso e pode ajudar muito as pessoas na construção de seu posicionamento e marca pessoal. Muitas com as quais realizei essa atividade se sentiram mais seguras na hora de uma entrevista de emprego, ao fazer um CV e ao prospectar nas redes sociais, por exemplo”, afirma Sampaio.

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