Avaliando a ecoeficiência dos produtos

ecoA avaliação da ecoeficiência é uma ferramenta quantitativa de gestão que permite o estudo de impactos ambientais do ciclo de vida de um sistema de produto em conjunto com o valor do sistema de produto para uma parte interessada. No âmbito da avaliação da ecoeficiência, os impactos ambientais são avaliados com a utilização da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), conduzida em conformidade com outras normas brasileiras (NBR ISO 14040 e NBR ISO 14044).

Consequentemente, a avaliação da ecoeficiência compartilha com a ACV muitos princípios importantes, como perspectiva de ciclo de vida, completeza, abordagem de unidade funcional, natureza iterativa, transparência e prioridade da abordagem científica. O valor do sistema de produto pode ser escolhido para refletir, por exemplo, a eficiência no uso, recursos, na produção, na entrega ou na utilização, ou uma combinação destas. O valor pode ser expresso em termos monetários ou com base em outros aspectos.

Os principais objetivos da NBR ISO 14045 de 05/2014 – Gestão ambiental – Avaliação da ecoeficiência de sistemas de produto – Princípios, requisitos e orientações são: estabelecer uma terminologia clara e uma estrutura metodológica comum para a avaliação da ecoeficiência; permitir o uso prático da avaliação da ecoeficiência para uma vasta gama de sistemas de produto (incluindo serviço); fornecer orientação clara para a interpretação dos resultados da avaliação da ecoeficiência; encorajar a comunicação transparente, precisa e informativa dos resultados da avaliação da ecoeficiência. Além disso, ela descreve os princípios, requisitos e orientações para a avaliação da ecoeficiência de sistemas de produto, incluindo: a definição de objetivo e escopo da avaliação da ecoeficiência; a avaliação ambiental; a avaliação do valor do sistema de produto; a quantificação da ecoeficiência; a interpretação (incluindo garantia da qualidade); a comunicação; e a análise crítica da avaliação da ecoeficiência.

Os requisitos, as recomendações e as orientações para escolhas específicas de categorias de impacto ambiental e de valores não estão incluídos. A aplicação pretendida da avaliação de ecoeficiência é considerada durante a fase da definição de objetivo e escopo, mas a real utilização dos resultados está fora do escopo desta norma.

Os princípios a seguir são fundamentais e servem como orientação para decisões relacionadas tanto ao planejamento quanto à condução de uma avaliação de ecoeficiência.

– Perspectiva de ciclo de vida – Uma avaliação de ecoeficiência considera todo o ciclo de vida, desde a extração e aquisição de matérias primas, através da produção de energia e materiais, manufatura, uso, tratamento de fim de vida, até a disposição final. Com base em tal visão e perspectiva sistemáticas, a transferência de impactos potenciais entre estágios do ciclo de vida ou entre processos individuais pode ser identificada e avaliada dentro de uma perspectiva de ecoeficiência global.

– Abordagem iterativa – A avaliação da ecoeficiência é uma técnica iterativa. As fases individuais de uma avaliação de ecoeficiência utilizam os resultados das outras fases. Essa abordagem iterativa dentro e entre as fases contribui para a completeza e consistência da avaliação da ecoeficiência e dos resultados relatados.

– Transparência – Devido à inerente complexidade da avaliação da ecoeficiência, a transparência é um princípio orientador importante em sua execução, de modo a assegurar uma interpretação adequada dos resultados.

– Completeza – Uma avaliação de ecoeficiência considera todos os atributos e aspectos do meio ambiente e do valor do sistema de produto. Ao se considerarem todos os atributos e aspectos dentro de uma avaliação de ecoeficiência, potenciais compromissos podem ser identificados e avaliados.

– Prioridade da abordagem científica – As decisões dentro de uma avaliação de ecoeficiência são embasadas preferencialmente em dados científicos, de metodologia e outra evidência. Se isso não for possível, podem ser tomadas decisões baseadas em convenções internacionais. Caso não exista uma base científica nem se possa referir a convenções internacionais, as decisões podem então ser embasadas em escolha de valores.

Uma avaliação de ecoeficiência compreende cinco fases: definição de objetivo e escopo (que inclui fronteiras do sistema, interpretação e limitações); avaliação ambiental; avaliação do valor do sistema de produto; quantificação da ecoeficiência; e interpretação (incluindo garantia da qualidade).

ecoeficiência

Uma avaliação de ecoeficiência é uma avaliação do desempenho ambiental de um sistema de produto com relação a seu valor. A ecoeficiência é uma ferramenta prática para a gestão em paralelo dos aspectos ambientais e de valor. O resultado da avaliação da ecoeficiência refere-se ao sistema de produto e não ao produto em si.

Um produto não pode ser ecoeficiente; a ecoeficiência só pode ser definida para o correspondente sistema de produto, que inclui a produção, uso e disposição final, isto é, o ciclo de vida completo. A ecoeficiência é também um conceito relativo e um sistema de produto pode ser apenas classificado como mais ou menos ecoeficiente em relação a outro sistema de produto.

Diferentes partes interessadas podem atribuir valores diferentes para o mesmo sistema de produto. Por exemplo, o valor do sistema de produto para o consumidor pode ser diferente do valor do mesmo sistema de produto para o produtor, que, por sua vez, pode ser diferente do valor do sistema de produto para o investidor. Deve(m) ser descrito(s) qual(is) valor(es) para a parte interessada, tipo(s) de valor(es) e métodos para determinar o(s) valor(es) do sistema de produto será(ão) usado(s) na avaliação. O(s) valor(es) deve(m) ser quantificável(veis) com referência à unidade funcional de acordo com o objetivo e escopo da avaliação da ecoeficiência. Os tipos de valores do sistema de produto podem ser os seguintes: valor funcional; valor monetário; e outros valores.

Há diversos tipos de indicadores de ecoeficiência que podem ser escolhidos para expressar uma declaração quantitativa em ecoeficiência. O(s) indicador(es) de ecoeficiência a ser(em) utilizado(s) na avaliação deve(m) ser descrito(s). O(s) método(s) de avaliação e o formato de apresentação da avaliação da ecoeficiência devem ser definidos.

Os seguintes requisitos se aplicam à escolha dos indicadores de ecoeficiência: o aumento da eficiência para um mesmo valor do sistema de produto deve representar uma melhoria ambiental; o aumento da eficiência para um mesmo impacto ambiental deve representar um acréscimo do valor do sistema de produto. A necessidade dos seguintes aspectos da interpretação deve ser claramente definida: uma identificação das questões significativas com base nos resultados das fases de avaliação ambiental e do valor do sistema de produto; uma avaliação que considere aspectos de completeza, sensibilidade, incerteza e consistência; a formulação de conclusões, limitações e recomendações; uma comparação dos resultados da avaliação da ecoeficiência.

A avaliação do valor do sistema de produto deve considerar o ciclo de vida completo do sistema de produto. Há muitas maneiras de se avaliar o valor do sistema de produto, uma vez que o sistema de produto pode abranger diferentes aspectos de valor, incluindo aspectos funcionais, monetários e estéticos.

Em economia, os valores criados pelos negócios correspondem ao lucro, calculado como receita menos custos. Para os clientes, pode ser a disposição de pagar menos os custos, diferença frequentemente chamada valor agregado. Os custos podem incluir preço, tarifa de aluguel, taxa operacional etc. Tais valores são difíceis de determinar em uma perspectiva de ciclo de vida, porque alguns atores na cadeia de suprimento são pouco propensos a divulgar seus custos e lucros. Pode-se, contudo, estimar mudanças em tais valores, seja por meio do desempenho funcional (valor funcional) ou dos custos financeiros (valor monetário).

No Anexo A (informativo) há exemplos de valor funcional, valor monetário, outros valores e indicadores de valor. No Anexo B (informativo) há exemplos de avaliação de ecoeficiência. Estes exemplos ilustram o procedimento de avaliação de ecoeficiência. As escolhas feitas e os métodos utilizados não são prescritos pela norma; em vez disso, ela trata da maneira pela qual tais escolhas e métodos são executados e apresentados. Os exemplos dados não são destinados à utilização em declarações comparativas de ecoeficiência.

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