Tonelada – unidade de medida padrão na mineração

NORMAS INTERNACIONAIS

Assessoria em normas internacionais e estrangeiras: a Target oferece a consultoria definitiva que sua empresa precisa em normalização internacional e estrangeira: a melhor maneira de assegurar a confiabilidade de suas informações e de manter-se atualizado com relação aos padrões de qualidade de produtos e serviços do mundo.

Pesquisas: entendemos sua necessidade e localizamos, com rapidez e eficiência, diversos tipos de normas em entidades de normalização de qualquer parte do mundo.

Gerenciamento: informamos sobre o status das normas de seu acervo, e sobre qualquer alteração, revisão ou publicação de novas normas de seu interesse. A partir daí, você decide se vai ou não atualizar suas normas.

Tradução: uma equipe de profissionais, especializados em normalização e traduções técnicas, está apta a fornecer o melhor serviço de tradução de normas internacionais e estrangeiras. Os serviços de tradução também oferecem a formatação e adequação da norma dentro dos padrões das Normas Brasileiras.

Para solicitações ou mais informações, clique aqui.

Enquanto a medição é a ferramenta chave para o gerenciamento capaz de proporcionar o controle de perdas ambientais, a uniformização das unidades permite o emprego da mesma linguagem

Luiz Fernando Mirault Pinto

As diversas tentativas de se estabelecer uma uniformização ainda não acabaram e a dificuldade de se padronizar as unidades de medidas continua. Cabe aos organismos responsáveis pela padronização das unidades em todo mundo, organizar e estabelecer a mesma linguagem globalizada quanto às medidas mesmo sabendo que os segmentos sociais sempre encontrarão uma maneira de utilizar padrões de medida de interesse mútuo a que venham substituir suas necessidades ou manter seus costumes. Esse é o caso da padronização das unidades de medidas na União Europeia, que apesar de adotar o Sistema Internacional de Unidades (S.I), ainda admite diversas outras medidas práticas em operações metrológicas regionais.

A preocupação com uniformização [1] das unidades de medida no mundo se iniciou com os governantes e cientistas (1875) na França. Padronizar as medidas na indústria naval e nos armamentos pela necessidade de se obter medidas confiáveis era de extrema importância para hegemonia do poderio bélico. Em outros segmentos da atividade econômica como na agricultura e no comércio, onde os diversos padrões empregados dificultavam o efetivo controle administrativo e fiscal, como por exemplo, a maneira de medir o trabalho (colheita, salários, horários) a quantificação de impostos, a demarcação das terras, acarretando consequências danosas à vida social e aos tesouros centrais preocupavam a estabilidade do Estado.

Hoje as negociações internacionais voltaram suas atenções para o meio ambiente e considerações de ordem ambiental nos processos de decisão política e econômica com vistas ao desenvolvimento, passando a privilegiar o uso racional dos recursos naturais com vistas a preservar o capital ecológico.

Enquanto a medição é a ferramenta chave para o gerenciamento capaz de proporcionar o controle de perdas ambientais, a uniformização das unidades permite o emprego da mesma linguagem, esta necessária a comercialização, assim como a padronização dos diversos métodos de produção.

Quando o assunto diz respeito a unidades de medida a primeira e últimas palavras cabem ao Conmetro que por Lei [2] deve assegurar a uniformidade e a racionalização das mesmas quando utilizadas no Brasil. E de modo a garantir essa uniformidade quanto à expressão quantitativa e metrológica das grandezas, matéria essa exclusiva da União, ele adota o Quadro Geral de Unidades de Medida com um anexo constando os nomes, as definições, os símbolos das unidades e os prefixos SI, além de estabelecer e admitir o emprego de certas unidades fora do SI [3], de grandeza e coeficientes sem dimensões físicas, desde que ainda sejam julgados indispensáveis para determinadas medições.

Além disso, designa ao Inmetro a responsabilidade pelas modificações que se tornarem necessárias ao Quadro de Unidades, de modo a resolver casos omissos, de mantê-lo atualizado, esclarecer dúvidas que possam surgir na interpretação e na aplicação das unidades legais, bem como a verificação e a fiscalização [4] sobre o uso adequado das normas técnicas quanto às unidades de medida, métodos de medição, medidas materializadas, instrumentos de medição e produtos pré-medidos.

Nada de novo surgiu desde a adoção do Quadro de Unidade de Medidas, exceção feita a partir da constatação da inexistência de uma unidade de medida padrão [5] para uso nos documentos exigíveis legalmente para determinadas substâncias na área de mineração. Tal observação levou Departamento Nacional de Propriedade Mineral a estabelecer a unidade de medida padrão, a tonelada, de modo a uniformizar uma unidade de medida harmonizada ao padrão internacional e já empregada nas operações e extração de minerais. O objetivo dessa definição visou também evitar erros e discrepâncias nos documentos oficiais sobre as reservas minerais, se estendendo para produção e a comercialização de bens minerais considerados de “emprego imediato” na construção civil ou para a correção de solos.

Para o DNPM os erros por conta do uso das unidades volumétricas na relação metro cúbico (m3) na quantificação da reserva e o minério desagregado devido às discrepâncias entre os percentuais característicos do volume inicial (aparente) e efetivo (real) das substancias extraídas do solo (empolamento) seriam minimizados em função da adoção de uma unidade de massa.

A tonelada é uma das unidades que apesar de estar ainda em uso com o SI não faz parte dele como descrito nos itens 4.1.1 4 do quadro Geral de Unidades de Medida, sendo caracterizada como grandeza de massa designada como tonelada (t) cuja correspondência é 1 t = 1000 kg.

A tonelada e seu símbolo t foram adotados pelo CIPM em 1879 (PV, 1879, 41). Nos países de língua inglesa, essa unidade é designada pelo nome de tonelada métrica – “metric ton”, sendo equivalente a 103 kg, e pelo costume, algumas outras unidades fora do SI continuarão ainda em uso por alguns anos, sendo utilizadas em publicações científicas, técnicas e comerciais, pois também ocupam seus lugares de importância do ponto de vista histórico.

Da mesma maneira encontraremos termos como a tonelada curta, cujo símbolo é ton, que representa a unidade de massa ainda empregada nos países anglo-saxões sendoequivalente a 2000 libras, ou seja, 1 ton = 907,1853 kg.

Grandeza

Nome da unidade

Símbolo da unidade

Observações

massa

kilograma ou quilograma

kg

Unidade de base do SI

tonelada

t

Unidade fora do SI em uso; 1 t = 1 000 kg

A METROLOGIA

Ao se adotar essa unidade de medida padrão na exploração mineral todo processo de medição e comercialização teve de ser modificado com a implantação da venda a peso, isto é por uma unidade de massa – a tonelada. O comercio de produtos de extração de minérios (pedras britadas, pó de pedra, e areia) deixaria de ser realizado com base na venda por volume representado por metros cúbicos.

Até esse momento as mineradoras seguiam os ditames da legislação metrológica sobre a venda e o transporte rodoviário ou ferroviário de produtos caracterizados como carga sólida [6] e quantificadas em volume.

A caçamba do veículo transportador era aferida em metros cúbicos, assim como a régua afixada em seu interior permitindo a medição de volumes parciais. Quando carregada e o produto nivelado em relação às paredes laterais ou a indicação da régua, o volume determinado dava ao usuário e relação de compra e venda a certeza de uma quantidade aferida. Alguns erros poderiam ser admitidos desde que no intervalo permitido pela tolerância determinada legalmente de acordo com o processo de medição. Toda e qualquer dúvida quanto à entrega e o recebimento de mercadorias poderia ser solucionado pela presença do comprador e a verificação do certificado de aferição que acompanhava o veículo.

Com a nova unidade padrão entra em cena a balança disposta na mineradora e em todas as empresas de comercialização dos referidos produtos, instrumento esse que exige a verificação periódica pelo Inmetro no estabelecimento. O processo considera a pesagem do veículo transportador vazio e carregado, cuja diferença indicará a quantidade de massa do produto medido.

Quanto à fiscalização rodoviária esta também se baseará na quantidade de massa (peso) por meio de suas balanças já empregadas para efeito da cobrança das taxas, conservação das estradas e a segurança dos veículos em função do excesso de peso transportado. A diferença entre a nota fiscal transportada e o peso verificado, indica o peso do produto. Qualquer dúvida quanto à capacidade volumétrica, agora o peso líquido, as quantidades medidas os valores poderão ser convertidos nas grandezas consideradas por meio de tabelas [7] desde que se tenha o conhecimento da densidade média dos produtos transportados que a princípio deverão estar indicados nas notas fiscais.

Existem leis específicas ditadas pelos órgãos controladores de transito e trafego rodoviário tratando dos pesos brutos totais dos veículos transportadores de carga, a identificação da tara, o peso por eixo, e as devidas tolerâncias a serem observadas.

As mudanças nos processos de medição mudam a prática da compra e venda dos produtos, mas não influenciam sobremaneira os resultados de medição visto que as tolerâncias admitidas legalmente para a quantidade medida, independente das grandezas, cobrem para as operações comerciais os erros característicos de cada operação.

Estudos desenvolvidos pelos setores de mineradoras apontam uma diferença entre o sistema de pesagem e a medição volumétrica para o total do carregamento de um produto de 6% a 8%%, ou seja, houve uma redução de perdas com o uso da balança, valor esse significativo considerando o valor e a quantidade transportada.

É possível que algumas dúvidas se restrinjam a campos específicos, por exemplo, na construção civil onde a aquisição dos materiais empregados será em massa e as operações que envolvem emboço, reboco, com base na proporção volumétrica entre os elementos que compõem a argamassa, incluindo a água, ou seja, entre os diversos tipos de aglomerados, denominada de traço. Dessa maneira os manuais, normas e instruções deverão ser adaptadas de acordo com as necessidades. O mesmo ocorre ao se considerar a contração (m3 real/m3 aparente) do material empregado e a prática usual de cálculo, assim como o traço relativo à fabricação e utilização do concreto usinado.

Diferenças das características próprias das rochas, como a porosidade, e as dimensões, formas, área superficial obtidas de acordo com processo produtivo, o teor de umidade, a composição e a granulometria, a compactação da carga são fatores que influem na relação massa e volume, determinando a densidade, empregada como fator médio de conversão descritos numa Tabela de Referência de Índices Médios de Conversão (ton/m3) [8] a ser utilizada pelo mercado, cuja tolerância admitida é de ±5% para os valores medidos, cobrindo quaisquer desvios resultantes dos fatores enunciados.

Outras dúvidas ficarão por conta dos vários usos do termo, e as diversas nomenclaturas, pois ainda existe a dita Tonelada de Arqueação Bruta que é a medida de volume até então utilizada na marinha mercante correspondente a 100 pés cúbicos ingleses, igual a 2,83 m3, ou ainda para representar grandes quantidades de energia liberada ao se estabelecer a equivalência entre a queima de um combustível fóssil com energia elétrica produzida.

Poderão advir ainda dúvidas em relação ao nome da própria unidade adotada visto que inicialmente fora confundida na legislação [9] inicial com o termo tonelagem, posteriormente corrigido e alterado [10] para tonelada, embora em diversas literaturas ainda citem o termo erroneamente, visto que se tratava de termo já abolido em 1994, em um sistema de medida, quando tonelagem era relacionada historicamente a tonelagem de arqueação que representava o volume interior total de uma embarcação, embora expresso em toneladas de arqueação, correspondente a um peso de 2800 kg de água. Hoje a arqueação bruta ou líquida é medida do volume interno de uma embarcação.

O que importa é que foi adotada uma unidade padrão de medida já de uso internacional na área da exploração e produção mineral. Isto significa que as operações doravante seguirão um padrão de medida, a tonelada, unidade essa que permite as operações comerciais com diversos produtos em relação a uma mesma base de cálculo. Assim dizia nosso professor em algum momento da escola “podemos somar banana com laranja, só numa salada de frutas”, já exemplificando que é possível somar objetos pertencentes a uma mesma classe. De outro modo sempre poderemos empregar as conversões e transformações de unidades dentro do SI, como as relações de massa, densidade, e volume, e quantificar todas as etapas no processo de mineração.

Referências

[1] PINTO, L.F.M. “Metro Linear – Unidade de Medida ou Vício de Linguagem”, Acervo, Digital do Inmetro. Disponível em: http://repositorios.inmetro.gov.br/

[2] LEI FEDERAL nº 5.966, de 11 de dezembro de 1973 – Institui o Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, e dá outras providências.

[3] Portaria nº 590, de 02 de dezembro de 2013, Art. 1o. que aprovar a atualização do Quadro Geral de Unidades de Medida adotado pelo Brasil, na forma do Anexo a esta Resolução, disponibilizado no sitio http://www.inmetro.gov.br, que substitui o Anexo da Resolução Conmetro no 12, de 12 de outubro de 1988.

[4] PORTARIA MDIC Nº 82, DE 1º DE ABRIL DE 2008, Art. 1º, http://www.inmetro.gov.br

[5] Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Portaria nº 456, de 26 de novembro de 2007, no Diário Oficial da União (DOU)

[6] Ministério da Indústria e Comércio, Instituto Nacional de Pesos e Medidas – INPM, Portaria INPM nº. 48, de 16 de agosto de 1967.

[7] http://www.sindibrita.org.br/destaque/svp.htm::

[8] http://www.cpti.com.br/principais_projetos. php

[9] Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Portaria nº 456, de 26 de novembro de 2007, no Diário Oficial da União (DOU)

[10] Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Portaria nº13, de 7 de janeiro de 2008 – Altera a Portaria nº 456, de 26 de novembro de 2007.

Luiz Fernando Mirault Pinto é pesquisador de Metrologia e Qualidade do Inmetro – lufer.mirault@gmail.com

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: