A importância cultural, histórica, social e econômica do futebol

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Jamil Albuquerque

Entre as coisas menos importantes do mundo, o futebol é a mais importante. É mais do que um esporte, é um dos maiores fenômenos sociais do planeta. Trata-se de um amálgama pancultural, social e econômico. A paixão pelos clubes frequentemente supera, em alguns casos, até mesmo a devoção religiosa, e a adoração do público em relação a alguns jogadores pode até mesmo parar guerras.

Foi o que aconteceu em 1969, ano em que o homem foi à Lua. O Santos, time do “Rei” Pelé, tinha ido à República Democrática do Congo para disputar quatro amistosos locais. Mas, logo no desembarque, uma surpresa: as ruas do país estavam tomadas por tanques e rebeldes e conflito armado. Os jogos foram imediatamente suspensos. Aí vem a parte, no mínimo, curiosa: o governo e a população, chateados por não poderem mais ver o “Rei” em campo, acabaram entrando em um acordo, e os conflitos foram suspensos para que se realizassem as partidas.

Mesmo numa época em que ainda não havia informação circulando em velocidade, como hoje, Pelé já era um mito, e em toda parte do mundo, as pessoas paravam para ver seu futebol mágico. Por alguns dias não se ouviram tiros, e os únicos gritos foram de comemoração aos gols de Pelé, Zito, Pepe e outros craques santistas. Assim que o avião partiu de volta para o Brasil, o clima de guerra voltou ao Congo. Os conflitos permaneceram por mais de três anos, até o final de 1972, quando assumiu um governo democrático provisório.

O futebol também está imensamente inserido na vida cultural do mundo, como se vê pela frequência com que é usado em propaganda na televisão. Há inclusive uma propaganda brasileira de 2012 que foi muito comentada na época. Nela, um torcedor aparece fazendo uma tatuagem como se fosse a camisa de seu time. Na cena seguinte, aparece outro torcedor em seu casamento na igreja, ao lado de sua linda noiva vestida de branco, com a camisa de seu time por cima do terno. Já na outra cena, aparece um torcedor abraçando e beijando uma TV depois de um gol de seu time. E tudo isso com a trilha sonora da música Balada do louco, dos Mutantes, cuja letra diz: “dizem que sou louco por pensar assim […], mas louco é quem me diz que não é feliz. Eu sou feliz!”.

Isso demonstra claramente a paixão que o futebol desperta nas pessoas no mundo inteiro, em especial no Brasil. Mas de onde surgiu essa paixão?

Tudo começou na Inglaterra, por volta do século 18. Nessa época, havia um ditado que dizia: “o sol nunca se põe sobre o Reino Unido”. Quando lá era noite, era dia em algum outro país do planeta em que o Reino Unido mandava. Tamanha era a força, a pujança e o vigor desse grande império.

No início da era industrial, já no século 19, a Inglaterra começava a desenvolver seu sistema de produção, e precisava de mecanismos que desenvolvessem naturalmente a disciplina naqueles que deixavam de ser artesãos autônomos e agricultores e tornavam-se operários com contratos de trabalho.

O futebol foi perfeito para aquele momento. Era divertido, tinha regras e metas claramente definidas, tempo determinado, limitação de espaços, forçava os jogadores a produzir dentro de um quadrado, estabelecia a competição que estimulava o crescimento e era orientado para resultados.

A Inglaterra se beneficiou tremendamente do futebol como esporte para construir-se como a primeira potência industrial do planeta. Praticamente todas as empresas inglesas tinham um “campinho” nos fundos de suas fábricas para que as pessoas, durante os intervalos, fossem se divertir. Era lazer e treinamento, permitia que todos extravasassem as tensões e, ao mesmo tempo, treinava a mente para o trabalho em equipe, para saber ganhar, perder e vibrar com as conquistas do grupo.

Em suma, os governantes ingleses usaram o futebol para fazer treinamento em massa, de grandes contingentes, de sua mão de obra nacional. Ou seja, o futebol ajudou a construir uma das maiores potências do planeta e consolidar a maior casa de pólvora do mundo, que é a casa dos Windsor, ou Dinastia Windsor.

Com o tempo, o futebol foi “exportado” a muitos outros países, em especial ao Brasil, como sabemos, e começou a agradar as pessoas do mundo todo. Por que o futebol agrada tanto? Porque é o mundo dos adultos com a marca do mundo das crianças. É uma ótima parte dos dois mundos. Tiramos “sarro” dos amigos, xingamos, extravasamos, voltamos a ser crianças. Descontamos nossas frustrações no futebol. E isso é muito bom! São guerras controladas.

Os gregos foram os primeiros a sacar que o esporte é como uma praça de guerra controlada. Talvez por isso o futebol seja tão estimulante para os seres humanos, liberando nosso lado mais primata, mais instintivo e mais competitivo.

Jamil Albuquerque nasceu em Monte Carlo, em Santa Catarina. É economista e instrutor MASTER MIND, escreveu também os livros “A Arte de Lidar com Pessoas”, co-autor de “A Lei do Triunfo para o Século 21”, “Líder com Mente de Mestre” e “Vivendo e aprendendo a jogar”.

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