Em São Paulo, postos de gasolina lideram ranking de áreas contaminadas

Um posto de abastecimento é uma instalação que possui equipamentos e sistemas para o armazenamento de combustível automotivo, com registrador de volume apropriado para o abastecimento de equipamentos móveis, veículos automotores terrestres, aeronaves, embarcações ou locomotivas, e cujos produtos são destinados exclusivamente ao uso do detentor das instalações ou de grupos fechados de pessoas físicas ou jurídicas, previamente identificadas e associadas em forma de empresas, cooperativas, condomínios, clubes ou assemelhados. Segundo a Cetesb, o aumento constante do número de áreas contaminadas registradas é consequência também da ação rotineira de fiscalização e do licenciamento dos postos de combustíveis , das fontes industriais, comerciais, de tratamento e disposição de resíduos, além do atendimento a acidentes.

Nesse contexto, mais uma vez, o setor de postos de combustíveis, com 3.597 casos (75% do total), é destaque na lista de áreas contaminadas. A atividade industrial vem em segundo lugar, com 768 registros (16%), seguida da comercial, com 232 (5%), de resíduos, com 136 (3%), e de “Acidentes/Desconhecida/Agricultura”, com 38 (1%). A despeito dessa liderança no ranking das atividades que resultaram em áreas contaminadas, o relatório mostra, por outro lado, que o setor também se destaca no que se relaciona às providências para o saneamento desses locais. Referente só aos postos de combustíveis, 300 áreas (8% do total de 3.597) são classificadas como “Reabilitadas para uso declarado” (área anteriormente contaminada que, depois de submetida às medidas de intervenções, tem restabelecido o nível de risco aceitável à saúde humana, ao meio ambiente e a outros bens a proteger) e 806 (23% do total) se encontram em “Processo de monitoramento para encerramento”. Ou seja, 1.106 áreas (ou 31% do total, somando-se os dois percentuais) estão com suas providências – visando a reabilitação – finalizadas ou praticamente concluídas.

Somando-se a isso o intenso programa de licenciamento iniciado pela Cetesb em 2001, objetivando a regularização dos postos de combustíveis, devido à obrigatoriedade de licença ambiental desses estabelecimentos – exigida por resolução federal publicada em 2000 – , a própria agência ambiental paulista, e por conseguinte o estado de São Paulo, tem colhido os frutos desses trabalhos, como lembra o diretor de Controle e Licenciamento Ambiental, Aruntho Savastano Neto. Ele se baseia em estatística do Setor de Atendimento a Emergências da companhia, para embasar sua afirmação.

De acordo com ele, em 1999 a Cetesb atendeu a 76 acidentes emergenciais envolvendo postos e sistemas retalhistas de combustíveis. Desde então, esses números vêm despencando, tendo chegado a somente sete atendimentos emergenciais no ano passado e dois este ano – até abril último – , comprovando a eficácia dos trabalhos desenvolvidos pela Cetesb com relação ao setor, estigmatizado pelos problemas diversos que o cercavam, tanto por falta de prevenção a acidentes ambientais e vazamentos (o que é sanado pelas exigências envolvidas no licenciamento), como pela responsabilização por milhares de áreas contaminadas no estado (o que está sendo gradativamente reduzida com as exigências que a companhia faz visando a reabilitação dos locais cadastrados).

Com relação ao quadro geral – incluindo todas as atividades (não só postos de combustíveis), o gerente do Departamento de Áreas Contaminadas destaca, ainda, o fato de que a soma do número de áreas reabilitadas para uso declarado (425) e de áreas em processo de monitoramento para encerramento (987), ou seja, áreas já ou praticamente saneadas, representa 30% do total das áreas registradas nessa última lista. Outra constatação interessante é a de esse número de áreas classificadas como reabilitadas para uso declarado teve um aumento de 24% em relação ao registrado em dezembro de 2012 (342).

Os principais grupos de contaminantes encontrados nas áreas registradas também refletem o grande número de solos contaminados pela atividade de revenda de combustíveis, destacando-se: os solventes aromáticos (basicamente representados pelo benzeno, tolueno, etilbenzeno e xileno, presentes na gasolina vazada nos postos de combustível), combustíveis líquidos, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (PAHs), metais e solventes halogenados. Existe uma norma, a NBR 15428 de 05/2014 – Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis – Critérios e procedimentos para serviços de manutenção de unidade abastecedora, que estabelece os procedimentos de segurança, qualidade e critérios para manutenção de unidade abastecedora em posto revendedor e posto de abastecimento, conforme definidos na Resolução Conama 273.

Algumas modalidades de manutenção que devem ser realizadas incluem a manutenção preventiva, atividade programada com periodicidade definida, objetivando a execução de rotinas de verificação/intervenção técnica em unidade abastecedora instalada em postos revendedores e postos de abastecimentos, de forma a assegurar o funcionamento dos postos e a garantir suas condições de originalidade e certificação; e a manutenção corretiva, atendimento mediante solicitação específica do posto revendedor ou posto de abastecimento, visando a restabelecer o funcionamento da unidade abastecedora, objetivando assegurar o funcionamento dos postos e a garantir suas condições de originalidade e certificação.

As atribuições da permissionária incluem: substituir ou reparar componentes da unidade abastecedora, quando necessário, dentro dos seguintes critérios: os componentes substituídos ou reparados devem estar em total conformidade com os requisitos técnicos dos fabricantes das unidades abastecedores, regulamentações e normas vigentes; os componentes reparados devem ser fornecidos pelos fabricantes das unidades abastecedoras ou agentes autorizados e credenciados pelos fabricantes, os quais devem prover garantia das peças reparadas; os componentes reparados devem possuir código de identificação que possibilite sua rastreabilidade; os componentes reparados e utilizados nos serviços de manutenção devem ser listados na ordem de serviço, que deve ser numerada, e conter os respectivos códigos de cada componente utilizado.

Igualmente, deve-se informar ao operador a necessidade de substituir componentes que não façam parte do escopo de serviços contratados com a mantenedora e manter cópias dos relatórios de manutenções efetuadas e ordens de serviços emitidas arquivadas por dois anos. A permissionária também é responsável pela verificação do fiel cumprimento das exigências dos fabricantes, no que diz respeito às condições mínimas necessárias para a instalação dos equipamentos (aterramento, distribuição/separação elétrica motor/placas etc.).

Em caso de não conformidade, documentar a irregularidade ao proprietário da unidade abastecedora, ao operador e respectivo fabricante. A cada intervenção a permissionária deve emitir uma ordem de serviços (os), em no mínimo três vias, sendo a primeira entregue ao operador do posto, a segunda arquivada pela permissionária e a terceira entregue ao fabricante do equipamento, para fins de futuras consultas e/ou auditorias.

A OS deve conter no mínimo as seguintes informações: data, horário de início e término dos serviços de manutenção; razão social e CNPJ do posto revendedor ou do posto de abastecimento; endereço completo do estabelecimento; nome completo e assinatura do operador; identificação da(s) unidade(s) abastecedora(s) objeto dos serviços: fabricante, modelo e número de série do equipamento; tipo de combustível e quantidade movimentada durante a execução da manutenção; totalizadores de volume (eletrônico, eletromecânico ou mecânico) da(s) unidade(s) abastecedora(s) reparada(s) ou vistoriada(s); identificação dos componentes e peças utilizadas nos serviços, quer sejam novos ou reparados: nome do componente, código do componente, data de fabricação ou reparo.

Os principais componentes a serem identificados são: placas eletrônicas: CPU, interface hidráulica, displays, teclados; bloco medido; válvula solenoide; pulser eletrônico, eletromecânico e mecânico; unidade bombeadora (compacta); motor elétrico, e demais itens devem seguir os parâmetros da normalização vigente de atmosfera explosiva, zona classificada etc., como: prensa cabo, tubulação hidráulica e elétrica, tubo metálico flexível, caixa de ligação antiexplosiva, unidade seladora etc.; discriminação completa e detalhada dos serviços efetuados; identificação do(s) técnico(s) responsável(s) pelos serviços: nome completo legível (em letra de forma), documento de identidade (RG/CPF), documento de habilitação técnica dentro da validade (CREA), número de registro no Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia/Instituto de Pesos e Medidas (Inmetro/Ipem) e assinatura do engenheiro ou técnico da permissionária responsável pelos serviços; identificação da permissionária.

A OS deve ser emitida em papel timbrado contendo dados completos da permissionária: nome, endereço, telefone, CNPJ e identificação do responsável técnico pela permissionária, com registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) e Anotação de responsabilidade Técnica (ART); informações e codificações requeridas pelos órgãos fiscalizadores competentes, conforme Portaria Inmetro nº 04 de 03/01/2013.

Como motivar colaboradores

TRAGÉDIAS, CRIMES E PRÁTICAS INFRATIVAS DECORRENTES DA NÃO OBSERVÂNCIA DE NORMAS TÉCNICAS BRASILEIRAS – NBR

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Capa da publicação E1324

Essa publicação aborda, através da apresentação de casos reais, como o cumprimento das normas técnicas NBR – ABNT está diretamente ligada à segurança, à saúde e à qualidade de vida em nosso dia a dia.  O autor explica de forma prática, e infelizmente mostrando tragédias, como as normas técnicas estão presentes no nosso cotidiano. Elas devem ser levadas a sério quanto à sua observância obrigatória e o poder público precisa fazer gestão para fomentar esse cumprimento por parte da sociedade produtiva e de serviço.

Eduardo Moura

Permitam-me discorrer brevemente sobre um fator crítico de sucesso para qualquer tipo de organização humana: a motivação das pessoas.  Podemos investir na mais avançada tecnologia, definir processos de trabalho altamente eficazes, contratar os profissionais mais competentes do mercado, mas se essa gente não estiver motivada, o que acontece? Acontece o cenário típico: um desempenho geral nada além de ordinário, muito longe do que se poderia qualificar como excelente.

Reconhecendo que motivar as pessoas é vital, muitas empresas investem pesado em pesquisas de clima laboral, técnicas de avaliação do desempenho individual, plano de carreira, sofisticados esquemas de participação nos resultados, bônus para cumprimento de metas, prêmios para os “funcionários do mês” etc. Algumas dessas práticas são válidas, mas a maioria é perniciosa. Hein? Perniciosas?! Sim, por dois motivos. Primeiro, porque estão fundamentadas na premissa inválida (mais detalhes adiante) de que “as pessoas são, por natureza, apáticas em relação ao trabalho, e precisam de um estímulo externo”. Segundo, porque a medio e longo prazo aquelas práticas tendem a formar um bando de mercenários que só se mobilizam pelo vil metal que possam receber. E tem mais: mesmo as práticas que são válidas, ainda assim são insuficientes.

Onde, então, está o elemento faltante para motivar colaboradores? Na verdade não há elemento faltante! Há, sim, elementos já existentes, porém não reconhecidos, e portanto não explorados. Esta frase do Dr. Deming traz à tona dois elementos vitais para a motivação humana: “As pessoas nascem com uma inclinação natural para aprender e inovar. Existe um direito inato de sentir prazer pelo trabalho. Existe uma necessidade inata de auto-estima e respeito. Os administradores que negam a seus funcionários dignidade e auto-estima, abafarão a motivação intrínseca.”

Aí está: o primeiro elemento vital se chama motivação intrínseca. Se tão somente “descobrirmos” (ou aceitarmos como válido) que as pessoas já nascem com a motivação dentro de si, a questão de motivá-las deixa de ser “que mais devemos dar aos colaboradores?” e passa a ser “que barreiras hoje estão impedindo que a motivação intrínseca das pessoas possa aflorar?”.

O segundo elemento vital é o próprio trabalho. E os dois se complementam belissimamente bem! De fato, o trabalho é o canal ideal para que a motivação intrínseca se manifeste, pois ele traz dentro de si três fatores que, se bem entendidos e trabalhados, podem “turbinar” a motivação intrínseca: a criatividade (a alegria de pensar), a atividade (a alegria de agir) e a sociabilidade (a alegria de compartilhar), conforme concluiu Nishibori em 1971. Além disso, todo trabalho deveria incluir um quarto fator importantíssimo: um sentido de “propósito mais elevado”, pois em sua essência universal, “trabalhar é produzir algo de valor para outras pessoas” (O’Toole, 1973). Não há (e nem deveria haver) nada que possa pagar o sentimento de orgulho e satisfação pessoal pelo trabalho bem realizado. E quando o trabalho é realizado em equipe, todas estas coisas acontecem naturalmente! Basta que a empresa crie estruturas para explorar este verdadeiro tesouro.

Quando líderes empresariais despertam para tais fatos e agem de maneira sábia e coerente, algo maravilhoso acontece! Pessoas que considerávamos “irrecuperáveis” passam a contribuir, os que tínhamos como “rebeldes” passam a ser companheiros de batalha, os “passivos” e “apagados” passam a brilhar, os que pensávamos não ter imaginação de repente nos surpreendem com idéias brilhantes. É claro que pode haver um 0,1% de renitentes que por fenômenos psicológicos raros se recusam a colaborar, mas estes a própria equipe acaba “expurgando” como se fosse um corpo estranho. Sei que tudo isto soa poético e utópico, mas tenho constatado tais verdades em inúmeras ocasiões. E desafio o leitor a fazer o mesmo com sua equipe.

Está tudo aí. Não é preciso inventar nada mais; não é preciso complicar. Há porém, um grande inconveniente: para que o exposto acima funcione, é necessário mudar nossa maneira de pensar sobre as pessoas, nossa forma de encarar a natureza humana. É preciso ver em cada trabalhador a chama quase extinta da dignidade, o diamante bruto da semelhança divina. E isto é difícil e doloroso, quase herético, para quem está acostumado a ver as pessoas como insumos de produção, como “mão-de-obra” que deve responder passivamente ao que foi ordenado, como vassalos que devem ser controlados pelo medo.

Para finalizar, um fato tragicômico: o que salva muitas empresas da extinção é que seus competidores também não sabem lidar com a motivação intrínseca! Mas aqueles que sabem mobilizá-la em direção aos objetivos estratégicos do negócio passam a contar com um poderoso exército de pessoas altamente dedicadas.

Eduardo Moura é diretor da Qualiplus Excelência Empresarial – emoura@qualiplus.com.br