NBR ISO 50001: a certificação da gestão de energia na empresa

Nos últimos dez anos, o consumidor brasileiro desembolsou quase R$ 5 bilhões na conta de luz para bancar projetos de eficiência energética e de soluções para melhorar a operação do sistema elétrico nacional. Até agora, no entanto, os resultados são questionáveis. O país continua desperdiçando cerca de R$ 16 bilhões por ano de energia elétrica, equivalente ao investimento total para a construção da Hidrelétrica de Belo Monte (PA). Além disso, nos últimos anos, a qualidade da energia entregue aos consumidores tem piorado consideravelmente em algumas distribuidoras.

Dos R$ 16 bilhões de eletricidade desperdiçada, R$ 7,3 bilhões referem-se a furtos, fraudes e erros de medição. Só nesse caso, a quantidade de energia perdida, de 23 mil MWh, poderia abastecer por um ano 19 milhões de residências com consumo médio de 100 kWh/mês. Os outros R$ 8,7 bilhões referem-se a perdas ocorridas durante a transmissão da energia, da usina até o consumidor final. A redução desses prejuízos, que também oneram o bolso dos brasileiros, foi um dos principais motivos da lei criada pelo governo federal, em 2000, que tornou obrigatório o investimento de 1% da receita líquida em P&D e eficiência energética. Parte desse dinheiro vai para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), do Ministério de Ciências e Tecnologia. Outra parcela fica no Ministério de Minas e Energia e banca, entre outras coisas, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que produz os estudos de novas usinas para o país. O restante fica nas empresas (distribuidoras, geradoras ou transmissoras), para a elaboração de projetos de pesquisa e inovação. Só em P&D, as companhias desenvolveram 4.521 projetos até o ano passado.

O grande problema é que todo esse volume de projetos não tem se traduzido, na maioria dos casos, em melhoria para a população que usa o serviço público. Segundo especialistas, o dinheiro tem sido mal usado em muitas companhias por falta de uma política adequada. Prova disso é que as empresas não conseguem gastar todo o dinheiro destinado à pesquisa. Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), do total reservado para investimentos em P&D e eficiência energética, entre 2000 e outubro deste ano, R$ 1,92 bilhão (sem correção dos juros) ainda não havia sido gasto pelas empresas. Isso representa 42% do volume total “recolhido” desde 1998.

Em resumo, pode-se dizer que o consumo de energia é a chave para vencer a escassez de energia e o aumento de custos. Para muitos a resposta é um Sistema de Gestão de Energia (SGE), uma estrutura de trabalho para o gerenciamento sistemático do consumo de energia. Assim como a redução de custos e emissões de gases do efeito estufa, uma certificação de terceira parte de um SGE pode aprimorar sua reputação ao demonstrar o comprometimento de seu negócio com a sustentabilidade ambiental. A NBR ISO 50001 representa as melhores práticas atuais de nível internacional em gestão de energia, desenvolvida a partir de normas e iniciativas nacionais / regionais existentes. A norma foi desenvolvida em vários anos com a participação de especialistas em gestão de energia, representantes de mais de 60 países de todo mundo, que contribuíram para sua elaboração. Ela ajudará sua organização a implementar os processos necessários para entender a linha básica de consumo de energia, colocar em prática planos de ação, metas e indicadores de desempenho para reduzir o consumo e identificar, priorizar e registrar oportunidades para melhorar o desempenho energético.

Assim, uma empresa preocupada com a sustentabilidade tem necessariament que gerenciar os seus custos com energia usada em seus processo produtivos. A implementação de um sistema de gestão da energia especificado pela NBR ISO 50001 tem a intenção de obter melhorias de desempenho energético. Portanto, é baseada na premissa de que a organização analisará criticamente e avaliará periodicamente seu sistema de gestão da energia (SGE) para identificar oportunidades de melhoria e a implementação destas. A organização tem flexibilidade sobre como implementar o SGE. Por exemplo, o ritmo, extensão e duração dos processos de melhoria contínua são determinados pela organização.

A organização pode levar em conta considerações econômicas e outras para determinar o ritmo, extensão e cronograma dos processos de melhoria contínua. Os conceitos de escopo e fronteiras permitem flexibilidade à organização para definir o que está incluso no SGE. O conceito de desempenho energético inclui uso e consumo de energia e eficiência energética. Assim, a organização pode escolher dentre uma ampla gama de atividades de desempenho energético. Por exemplo, a organização poderia reduzir demanda de pico, utilizar excedente de energia ou resíduo energético, ou melhorar as operações de seus sistemas, processos ou equipamentos.

A alta direção ou seu representante, ao comunicar àqueles da organização, pode sustentar a importância da gestão da energia através de atividades de envolvimento de funcionários, como delegação de autoridade, motivação, reconhecimento, treinamento, participação e recompensa. As organizações que conduzem planejamento de longo prazo podem incluir considerações de gestão da energia como: fonte de energia, desempenho energético e melhorias de desempenho energético nas atividades de planejamento.

O representante da direção pode ser um funcionário atual, novo ou contratado da organização. As responsabilidades do representante da direção podem abranger a totalidade ou parte de sua descrição de cargo. Habilidades e competências podem ser determinadas em relação ao tamanho da organização, cultura e complexidade, ou a requisitos legais ou outros requisitos. A equipe de gestão da energia assegura a realização das melhorias de desempenho energético. O tamanho da equipe é determinado pela complexidade da organização: para pequenas organizações, pode ser uma pessoa tal como o representante da direção; para organizações maiores, uma equipe multifuncional provê um mecanismo efetivo para engajar diferentes partes da organização no planejamento e implementação do SGE.

A política energética é a direcionadora da implementação e das melhorias do SGE e do desempenho energético da organização no contexto de seu escopo e fronteiras. A política pode ser uma breve declaração que os membros da organização possam compreender prontamente e aplicar às suas atividades de trabalho. A disseminação da política energética pode ser usada como meio de orientar o comportamento organizacional. Onde sistemas de transportes são adquiridos ou utilizados pela organização, o uso e consumo de energia em transporte pode ser incluído no escopo e fronteiras do SGE. Convém que o processo de identificação e avaliação do uso de energia leve a organização a definir áreas de uso significativo de energia e identificar oportunidades de melhoria de desempenho energético. Exemplos de pessoal que trabalha em nome da organização incluem serviços contratados, pessoal em tempo parcial e equipes temporárias.

Fontes potenciais de energia podem incluir fontes convencionais que não foram previamente usadas por uma organização. Fontes alternativas de energia podem incluir combustíveis fósseis ou não fósseis. Atualizar a revisão energética significa atualizar as informações relacionadas à análise, determinação de significância e determinação de oportunidades de melhoria de desempenho energético.

Uma auditoria ou avaliação energética abrange uma análise crítica detalhada do desempenho energético de uma organização, de um processo ou ambos. Baseia-se tipicamente em medição e observação apropriadas de desempenho energético real. Os resultados de auditoria incluem tipicamente informações sobre consumo e desempenho atuais e podem ser acompanhados de uma lista de recomendações priorizadas para melhoria em termos de desempenho energético. As auditorias energéticas são planejadas e conduzidas como partes da identificação e priorização de oportunidades de melhoria do desempenho energético.

Na verdade, a NBR ISO 50001 é aplicável a todos os tipos e tamanhos de organizações, independentemente de condições geográficas, culturais ou sociais. Sua implementação bem sucedida depende do compromisso de todos os níveis e funções da organização, especialmente da alta direção. Essa norma especifica os requisitos de um SGE, sobre os quais uma organização pode desenvolver e implementar uma política energética, estabelecer objetivos, metas e planos de ação que considerem requisitos legais e informações relativas ao uso significativo de energia.

Assim, um SGE habilita uma organização a atender aos comprometimentos de sua política, tomar as devidas ações de melhoria de seu desempenho energético e demonstrar conformidade do sistema aos requisitos dessa norma que se aplica às atividades sob o controle da organização e a sua aplicação pode se ajustar a requisitos específicos da organização – incluindo complexidade do sistema, grau de documentação e recursos. A norma tem uma abordagem PDCA que pode ser descrita como segue:

Plan (Planejar): executar a revisão energética e estabelecer a linha de base, indicadores de desempenho energético (IDEs), objetivos, metas e planos de ação necessários para obter resultados que levarão à melhoria de desempenho energético em conformidade com a política energética da organização.

Do (Fazer): implementar os planos de ação da gestão da energia.

Check (Verificar): monitorar e medir processos e características principais de operações que determinam o desempenho energético em relação à política e objetivos energéticos, e divulgar os resultados.

Act (Agir): tomar ações para melhorar continuamente o desempenho energético e o SGE. A aplicação global dessa norma contribui para o uso mais eficiente das fontes de energia disponíveis, para a melhoria da competitividade e para a redução de emissões de gases de efeito estufa e de outros impactos ambientais relacionados.

Dessa forma, a norma é aplicável independentemente dos tipos de energia utilizados e pode ser utilizada para certificação, registro ou autodeclaração do SGE de uma organização. Ela não estabelece requisitos absolutos para o desempenho energético além daqueles estabelecidos na política energética da organização e de sua obrigação de conformidade a requisitos legais aplicáveis ou outros requisitos. Assim, duas organizações realizando operações semelhantes, mas com desempenhos energéticos distintos, podem ambas estar em conformidade com seus requisitos.

Ela se baseia em elementos comuns às normas NBR ISO de sistemas de gestão, assegurando elevado nível de compatibilidade particularmente com a NBR ISO 9001 e a NBR ISO 14001. O Anexo B apresenta a relação entre as normas. Uma organização pode decidir integrar essa norma a outros sistemas de gestão, incluindo aqueles relacionados à qualidade, ao meio ambiente e à segurança e saúde ocupacional.

O texto adicional fornecido neste Anexo é estritamente informativo e visa impedir falhas de interpretação dos requisitos contidos na sua Seção 4. Embora estas informações abordem e sejam consistentes com os requisitos da Seção 4, elas não têm a intenção de adicionar, subtrair ou de qualquer modo alterar esses requisitos. A implementação de um sistema de gestão da energia especificado por essa norma tem a intenção de obter melhorias de desempenho energético. Portanto, ela é baseada na premissa de que a organização analisará criticamente e avaliará periodicamente seu sistema de gestão da energia para identificar as oportunidades de melhoria e a implementação delas.

A organização tem flexibilidade sobre como implementar o SGE. Por exemplo, o ritmo, extensão e duração dos processos de melhoria contínua são determinados pela organização. Pode levar em conta considerações econômicas e outras para determinar o ritmo, extensão e cronograma dos processos de melhoria contínua.

Os conceitos de escopo e fronteiras permitem flexibilidade à organização para definir o que está incluso no SGE. O conceito de desempenho energético inclui uso e consumo de energia e eficiência energética. Assim, a organização pode escolher dentre uma ampla gama de atividades de desempenho energético. Por exemplo, a organização poderia reduzir demanda de pico, utilizar excedente de energia ou resíduo energético, ou melhorar as operações de seus sistemas, processos ou equipamentos.

Especificamente em seu item 4.3 Política energética: deve declarar o comprometimento da organização para atingir a melhoria do desempenho energético. A alta direção deve definir a política energética e garantir que esta: seja apropriada à natureza e escala do uso e consumo de energia da organização; inclua um comprometimento para melhoria contínua de desempenho energético; inclua um comprometimento para garantir a disponibilidade de informações e de recursos necessários para atingir objetivos e metas; inclua um comprometimento para cumprir com os requisitos legais aplicáveis e outros requisitos aos quais a organização subscreve em relação à eficiência, uso e consumo de energia; forneça uma estrutura para estabelecer e revisar objetivos e metas energéticas; apoie a aquisição de produtos energeticamente eficientes, assim como de serviços e projetos para melhoria do desempenho energético; seja documentada e comunicada em todos os níveis da organização; e seja regularmente revisada e atualizada se necessário.

4.4 Planejamento energético

4.4.1 Geral

A organização deve conduzir e documentar o processo de planejamento energético. O planejamento energético deve ser consistente com a política energética e deve levar a atividades que melhorem continuamente o desempenho energético. O planejamento energético deve envolver uma revisão das atividades da organização que possam afetar o desempenho energético.

4.4.2 Requisitos legais e outros

A organização deve identificar, implementar e ter acesso aos requisitos legais aplicáveis e outros requisitos aos quais a organização subscreve, relacionados ao seu uso e consumo de energia e eficiência energética. A organização deve determinar como estes requisitos se aplicam ao uso e consumo de energia e eficiência energética e deve assegurar que estes requisitos legais e outros requisitos aos quais a organização subscreve são considerados no estabelecimento, implementação e manutenção do SGE. Requisitos legais e outros requisitos devem ser revisados a intervalos definidos.

4.4.3 Revisão energética

A organização deve desenvolver registrar e manter uma revisão energética. A metodologia e os critérios utilizados para desenvolver a revisão energética devem ser documentados. Para desenvolver a revisão energética a organização deve:

a) Analisar uso e consumo de energia com base em medições e outros dados:

1. Identificar fontes de energia atuais;

2. Avaliar o uso e consumo de energia atual e passado.

b) Com base no uso e consumo de energia, identificar as áreas de uso significativo de energia:

4. Identificar as instalações, equipamentos, sistemas, processos e pessoal trabalhando para a organização ou em seu nome que afetam significativamente o uso e consumo de energia;

5. Identificar outras variáveis relevantes que afetam significativamente o uso de energia;

6. Determinar o desempenho energético atual de instalações, equipamentos, sistemas e processos relacionados aos usos significativos de energia identificados; e

7. Estimar o uso e consumo de energia futuros.

c) Identificar, priorizar e registrar oportunidades de melhoria de desempenho energético.

A revisão energética deve ser atualizada a intervalos definidos e em resposta a mudanças expressivas em instalações, equipamentos, sistemas ou processos. Em seu anexo A, a norma detalha que a implementação de um sistema de gestão da energia especificado tem a intenção de obter melhorias de desempenho energético. Portanto, esta Norma é baseada na premissa de que a organização revisará e avaliará periodicamente seu sistema de gestão da energia para identificar oportunidades de melhoria e a implementação. A organização tem flexibilidade sobre como implementar seu SGE. Por exemplo: o ritmo, extensão e duração dos processos de melhoria contínua são determinados pela organização.

Auditoria energética

A ISO disponibilizou a ISO 50002:2014 , que ajuda em uma auditoria energética, ou seja, colabora com a empresa a tomar as decisões sobre como é usada a energia consumida. “As auditorias energéticas são uma ferramenta para reduzir o consumo de energia e encontrar uma solução de longo prazo”, explica Kit Oung, o líder do projeto que desenvolveu a ISO 50002. “Elas ajudam a identificar e priorizar oportunidades de melhoria de desempenho energético, reduzir o desperdício de energia e obter benefícios ambientais”.

As conclusões dessas auditoria incluem informações essenciais sobre o uso de energia atual, o desempenho e as recomendações de melhorias em uma ampla gama de áreas, incluindo os controles operacionais, controles de manutenção, modificações e projetos de capital. Agora, as empresas podem melhorar o seu desempenho energético, bem como a condução de benefícios financeiros. A norma estabelece os princípios e as regras para a realização de auditorias energéticas e harmonizar os processos comuns de auditoria. Além disso, esta abordagem comum permite que as organizações comparem resultados em sites semelhantes.

O objetivo da norma é definir o conjunto mínimo de requisitos que levaram à identificação de oportunidades para a melhoria do desempenho energético. Especifica os requisitos do processo para a realização de uma auditoria energética em relação ao desempenho energético. É aplicável a todos os tipos de estabelecimentos e organizações, e todas as formas de energia e utilização de energia.

Além disso, especifica os princípios da realização de auditorias energéticas, os requisitos para os processos comuns durante auditorias energéticas, e os resultados de auditorias energéticas. Não trata dos requisitos para seleção e avaliação de competência dos organismos que prestam serviços de auditoria energética, e não abrange a auditoria do sistema de gestão de energia de uma organização, uma vez que estes são descritos na norma ISO 50003. Também fornece diretrizes informativas sobre o seu uso (ver Anexo A).

Uma auditoria energética compreende uma análise detalhada do desempenho energético de uma organização, equipamento, sistema (s) ou processo (s). Baseia-se na observação de medição e da utilização de energia, a eficiência e consumo de energia apropriado. As auditorias energéticas são planejadas e realizadas como parte da identificação e priorização de oportunidades de melhoria de desempenho energético, reduzir o desperdício de energia e obter benefícios ambientais relacionados.

Conclusões de auditoria incluem informações sobre o uso e desempenho atual e fornecem recomendações classificados para a melhoria em termos de desempenho energético e benefícios financeiros. Uma auditoria energética pode apoiar uma revisão energia e pode facilitar o monitoramento, medição e análise, como descrito na norma ISO 50001, ou ele pode ser usado de forma independente.

Somada a esta norma, a ISO já estuda projetos para complementar a ISO 50001 , que se concentra no desenvolvimento de um sistema de gestão de energia. Devem ser incluídas a ISO 50003 que estabelece requisitos aplicáveis ​​aos organismos que prestam auditoria e certificação de sistemas de gestão de energia; a ISO 50004 relativa a orientações para a implementação, manutenção e melhoria de um sistema de gestão de energia; a ISO 50006 para a medição do desempenho energético utilizando linhas de base de energia (energy baselines- EnB) e indicadores de desempenho energético (energy performance indicators – EnPI);e a ISO 50015 para a medição e verificação do desempenho energético nas organizações.

Transformações na indústria de TI levam CIOs e empresas a se reinventarem

Inspetor de Conformidade das Instalações Elétricas de Baixa Tensão de acordo com a NBR 5410 – A partir de 3 x R$ 320,57 (56% de desconto)

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Contaminantes químicos e suas medidas de controle – A partir de 3 x R$ 165,00 (56% de desconto)

Paulo Henrique Pichini

Será que já refletimos profundamente sobre as transformações que o mundo da tecnologia de informação vem sofrendo? Vale a pena nos indagarmos, especialmente, sobre os desafios que CIOs e suas empresas têm enfrentado para arquitetar serviços e potencializar o uso de TI nos negócios. Este questionamento tem sido uma constante entre os provedores de tecnologia e as empresas usuárias, independentemente de seu porte.

Tudo começou no exato momento em que os serviços tradicionais de comunicação – voz x dados x imagem – se digitalizaram, possibilitando integração e transporte em meio físico único, com tratamentos diferenciados. De lá (final dos anos 80) para cá, as transformações nas comunicações já são capazes de demonstrar um futuro (próximo) onde a informação digital mudou assustadoramente sua composição estrutural e suas formas de acesso.

Este fato está no cerne das mudanças vividas pela indústria e pelos usuários de TI. Neste quadro, o transportador IP é conhecido e padronizado. Nenhuma informação pega carona na rede se não for empacotada por ele e por suas vertentes. Os dados tradicionais continuam a imperar, mas estão agregados a uma montoeira de informações baseadas em vídeos e imagens. Quando nossos avós diziam que uma imagem vale mais do que mil de palavras, nós entendíamos o significado da frase, mas não sabíamos para que serviam as imagens… Afinal, as fontes de vídeo e imagens eram demasiadamente precárias, prematuras e caras.

O novo mundo chegou e as informações pessoais e corporativas passam a se confundir em um ambiente compartilhado que, se mal implementado, pode ser inseguro. Estes ambientes e aplicações hospedadas em cloud computing, acessados através de dispositivos híbridos e móveis, passam agora a contar com novos geradores de tráfego e informações riquíssimas. A Internet das Coisas (IoT) chegou como uma nova fonte de geração de tráfego que se viabiliza em ambiente onde infraestrutura e cloud computing são mandatórios. Os mais variados equipamentos corporativos e utensílios domésticos oferecem sinalização de seus sensores via IP, que são transportados aos grandes repositórios e bases de dados (big data).

Por um lado, as empresas do mercado corporativo têm convivido com estas mudanças, buscando provedores capazes de arquitetar, manter, operar e garantir níveis de serviços em soluções que considerem todas estas transformações de forma harmoniosa. É muito importante que estas mesmas empresas tenham pilares de soluções em seu portfólio que abranjam ambientes com ferramentas e consultores voltados a visão analitics.

Lembre-se que analitics já mostrou sua força – foi assim que a Alemanha ganhou a Copa do Mundo 2014. Mas, para chegar lá, temos de organizar as fontes de informação, sua qualidade e suas formas de geração. Feito isto, as empresas conseguem analisar e gerar dashboards e dados gerenciais capazes de tornar as decisões de negócios muito mais precisas e eficientes.

Do outro lado desta equação encontramos a indústria de provedores de serviços de ICT. Assistimos, hoje, à felizmente infindável competição deflagrada no inicio do milênio, quando as operadoras de telecomunicações passaram a se interessar pelos serviços de IT. A competição acontece porque o vice-versa também é verdade – integradores de serviços de IT (os tradicionais e seculares provedores de serviços de dados, imagem e impressão, entre outras ofertas) estão avançando para a área de telecomunicações.

Tudo isso faz parte de um quadro maior: lembremos que a informação teve seu perfil transformado, tanto na entrada quanto na saída, especialmente com as impressoras 3D. Nota-se claramente uma movimentação dos provedores de serviços de impressão ampliando seu portfólio e oferecendo serviços de IT. O resultado de toda essa evolução é que a empresa usuária encontra, agora, prestadores de serviços interessados no mesmo filão.

A oferta dos gigantes da indústria de provedores de serviços de ICT tem profunda relevância para as corporações usuárias. Trata-se de empresas que oferecem um menu completo de serviços, considerando  toda a estrutura de billing, gestão e operação do que está sendo apresentado ao mercado. A disputa entre os gigantes de serviços de ICT está cada vez mais acirrada e com número maior de players mundiais.

Os CIOs, figura estratégica neste quadro em mutação, já vêm trabalhando mudanças de seu perfil. Esse profissional está se transformando em um broker de serviços e soluções aderentes e de críticas ao sucesso do negócio final de suas corporações. São pessoas que trabalham de olhos bem abertos, entendendo este novo cenário… ou, pelo menos, deveriam. Seus prestadores de serviços estão mudando de nome e os processos de afunilamento de alternativas estão cada vez mais agressivos.

Paulo Henrique Pichini é CEO & President da Go2neXt Cloud Computing Builder & Integrator.