A sustentabilidade na produção de couros conforme as normas técnicas

Comunicação interna e externa

A sua empresa tem uma assessoria de imprensa que está gerando conteúdo para a sociedade? O marketing de conteúdo (content marketing) tem o objetivo de atrair e reter clientes de forma consistente, por meio da criação e a manutenção de conteúdo relevante e valioso. Isso muda e melhora o comportamento dos consumidores e dos clientes . É um processo contínuo que está melhor integrado na estratégia global de marketing, e centra-se em possuir meios e não alugá-los. Basicamente, o marketing de conteúdo é a arte de se comunicar com seus clientes e prospects sem vender. É o marketing da não interrupção. Em vez de lançar seus produtos ou serviços, você entrega informação jornalística que faz com que o comprador fique mais inteligente. A essência dessa estratégia de conteúdo é a crença de que, se as empresas fornecem informações valiosas e consistentes para os compradores, eles vão devolver ao negócio fidelidade e lealdade. Faça um diagnóstico da sua comunicação interna e externa: hayrton@uol.com.br ou 11 9910-55304.

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De acordo com dados da Food and Agriculture Organization (FAO), o Brasil é o quinto maior produtor de couro de bovinos, atrás dos Estados Unidos, Rússia, Índia e Argentina, e possui o segundo maior rebanho do mundo. Sua participação no rebanho mundial é de 11,2% e na produção total de couros,10,8%, e a produção de couros bovinos, do total de couro produzido, representa 66%.

O Brasil vem exportando uma média de 44.400.000 peles e 796 milhões de pares de calçados. Somando, o faturamento ultrapassou a marca de 4 bilhões de dólares sendo que os principais produtos fabricados foram, em relação a indústria de calçados: cabedal de couro (49%), plásticos montados (41%), cabedal têxtil (7%), injetados (2%) e outros (1%). E pela indústria de couros: Wet blue (58,19%), acabado (31,21%) , crust (9,89%) , salgado (0,72%).

A produção brasileira de couro se concentra na região Sul-Sudeste, que registra o maior número de curtumes e é responsável por cerca de 72% da produção total. Nos últimos anos, muitas indústrias migraram principalmente para a região Centro-Oeste atraídas pelos rebanhos e frigoríficos, incentivos fiscais, mão-de-obra mais barata e exigências menores de controle ambiental, o que resultou em um crescimento de 95% do rebanho entre 1990 e 1999, enquanto o Sudeste e o Sul registraram queda de 38% e 23%, respectivamente.

A produção de couros tem um impacto significativo no meio ambiente. Os principais aspectos ambientais a ser considerados são:

Consumo de Água: o volume utilizado pode variar mas em média, o consumo do setor brasileiro está estimado, segundo o Centro Tecnológico de Couro, SENAI – Rio Grande do Sul, em 25 – 30 m3 de água / t pele salgada.

Energia: os consumos mais significativos ocorrem na secagem dos couros, no aquecimento de água/banhos e equipamentos da estação de tratamento de efluentes, notadamente onde há processos aeróbios, com agitação vigorosa e nos fulões.

Utilização de produtos químicos: solventes, agentes branqueadores, cromo, alguns produtos já proibidos em países desenvolvidos devido sua alta toxicidade (DDT, hexaclorobenzeno, dieldrin), são exemplos de produtos químicos utilizados nas diferentes etapas do processo produtivo.

Efluentes líquidos: 65 a 70 % do volume dos despejos líquidos são provenientes das operações ribeira até a etapa de purga e possuem as seguintes características: são fortemente alcalinos e esbranquiçados (cal em excesso) e contém sebo, peles, tecido muscular, gordura e sangue em suspensão. Em solução, sais, proteínas e aminoácidos; e em menor quantidade, detergentes, aminas e alguns conservantes ou biocidas e inseticidas. Já o restante do volume dos despejos podem apresentar pH na faixa ácida, sólidos em suspensão, proteínas dissolvidas, cloreto de sódio, ácidos minerais (sulfúrico e clorídrico), orgânicos (láctico e fórmico), cromo e/ou taninos (orgânicos polifenólicos) e eventualmente alguns fungicidas em pequenas quantidades.

Emissões Atmosféricas: normalmente as emissões dos curtumes são compostos voláteis que geram odores as vezes perceptíveis fora dos limites da indústria e geram também problemas de saúde ocupacional.

Resídos sólidos: No estado de São Paulo, os maiores problemas ambientais apresentados pelos curtumes no que diz respeito aos resíduos sólidos são os resíduos curtidos e lodos de estações de tratamento, que podem conter teores significativos do cromo e outros poluentes, podendo contaminar o solo, as águas superficiais e subterrâneas. O quadro abaixo demonstra os principais aspectos e impactos ambientais do processo produtivo de curtumes.

Etapa Básica do Processo Poluição Aspecto Ambiental Emissão Impacto Ambiental Potencial Enquadramento Legal Principal (Estado de São Paulo)
Conservação e Armazenamento das Peles – “barraca” 1.Ar 2.Hídrica 3.Solo / Resíduos Sólidos 1. NH3 e COVs (1) 2. Eventuais líquidos eliminados pelas peles 3. Alguns pedaços / apêndices de peles e sal com matéria orgânica 1. Odor – incômodo ao bem estar público 2. Prejuízo à qualidade dos corpos d’água 3. Eventual contaminação do solo e de águas subterrâneas Poluição do ar: – Art. 2° e 3°, Inciso V do Decreto 8486/76 com redação dada pelo Decreto 15425/80. – Art. 33° do Decreto 8486/76 com redação dada pelo Decreto 15425/80. Poluição hídrica: – Art. 18° ou 19-A do Decreto 8486/76 com redação dada pelo Decreto 15425/80. – Art. 34° da Resolução CONAMA 357/05, alterada pela Resolução CONAMA 397/08. – Atendimento aos padrões de qualidade do corpo receptor, de acordo com sua classe, constantes nas legislações estadual e federal vigentes. – Observação: para lançamento de efluentes em corpos de água de classes 2 e 3 há necessidade de atendimento à Resolução SMA nº 3 de 22/02/2000. Poluição do solo / Resíduos sólidos industriais: – Art. 51° a 55° do Decreto 8486/76 com redação dada pelo Decreto 15425/80.
Ribeira 1.Ar 2.Hídrica 3.Solo / Resíduos Sólidos 1. H2S (1), NH3 e COVs 2. Banhos residuais de tratamento das peles e águas de lavagens intermediárias – carga orgânica e produtos químicos (sulfeto, sais diversos e outros). 3. Carnaça, pêlos, aparas / recortes e raspas de peles, sem e com produtos químicos 1. Odor – incômodo ao bem estar público 2. Prejuízo à qualidade dos corpos d’água 3. Eventual contaminação do solo e de águas subterrâneas
Curtimento 1.Hídrica 1. Banho residual de curtimento das peles – carga orgãnica e produtos químicos (cromo, taninos, sais diversos e outros). 1. Prejuízo à qualidade dos corpos d’água.
Acabamento 1.Ar 2.Hídrica 3.Solo / Resíduos Sólidos 1. COVs – dos solventes dos produtos aplicados 2. Banhos residuais de tratamento dos couros – carga orgânica e produtos químicos (cromo, taninos, corantes, óleos e outros). 3. Pó / farelo /serragem de rebaixadeira, recortes de couros curtidos, semi-acabados e acabados, pó de lixa, resíduos de produtos de acabamento (tintas resinas e outros). 1. Odor – incômodo ao bem estar público 2. Prejuízo à qualidade dos corpos d’água 3. Eventual contaminação do solo e de águas subterrâneas
(1) NH3 = gás amônia / COVs = Compostos Orgânicos Voláteis / H2S = gás sulfídrico
Fonte: Guia CETESB Produção Mais Limpa – Curtumes, ano 2005.

Dessa forma, os resíduos liberados ao longo da cadeia produtiva do couro, além de promover a destruição do ecossistema, e a degradação das terras, também causam danos à saúde humana, tais como: rinite e sinusite crônica, atrofia da mucosa nasal, alterações na pele, danos ao estômago, fígado e rins, choque cardiovascular e câncer. Existem vários exemplos de estudos em andamento que buscam soluções mais eficientes, e ambientalmente mais corretas para a indústria do couro. Apesar dos vários resultados promissores, quase sempre eles não são economicamente viáveis, ou então encontram obstáculos em questões como a logística, espaços para instalação dos tanques de armazenamento de água, entre outros.

Foram publicadas duas normas para a produção sustentável de couros: a NBR 16297 de 05/2014 – Couro – Diretrizes para implementação da NBR 16296 e a NBR 16296 de 05/2014 – Couro – Princípios, critérios e indicadores para produção sustentável. Os princípios estabelecidos na base normativa e aplicados a este sistema constituem a referência para a produção sustentável de couros, em cada uma das suas dimensões: econômica, ambiental e social.

Além disso, tem-se uma seção específica para tratar da gestão da sustentabilidade pela empresa. Os princípios de cada dimensão são desdobrados em critérios, que são a expressão dos requisitos que descrevem as práticas sustentáveis para a produção de couros e sistemas associados.

A verificação do cumprimento de cada critério é estabelecida mediante a avaliação do atendimento de um conjunto de indicadores específicos, que podem ser quantitativos ou qualitativos. Dependendo do tipo de processamento realizado na unidade produtiva (de pele crua a couro curtido, de couro curtido a couro acabado, pele crua a couro acabado, etc.), nem todos os indicadores serão aplicáveis ou estarão presentes. Contudo, será sempre necessário considerar todos aqueles pertinentes à situação local.

Assim, é definida uma estrutura hierárquica dos princípios, critérios e indicadores para cada uma das dimensões, que tem a função de estabelecer o monitoramento e a demonstração da produção sustentável de couros. A implementação de um critério é considerada atendida quando se demonstra que os seus respectivos indicadores são apropriadamente atendidos.

Por sua vez, um princípio é considerado implementado quando se confirma que os respectivos critérios são cumpridos. Finalmente, considera-se que a produção sustentável de couros de acordo com esta norma está implementada quando se evidencia que os princípios são cumpridos em todas as dimensões. A organização deve gerir de forma eficaz as questões de caráter econômico, ambiental e social, quer seja por um sistema de gestão próprio ou, preferencialmente, por um sistema certificado conforme as NBR ISO 9001, NBR ISO 14001 e NBR 16001.

A alta administração deve definir a política de sustentabilidade da organização e assegurar que a política seja apropriada à natureza, escala e impactos de suas atividades e que inclua: o comprometimento com o desenvolvimento sustentável, com a melhoria contínua e com a prevenção dos seus impactos negativos; com o atendimento aos requisitos legais aplicáveis e outros requisitos definidos pela organização; com o estabelecimento e revisão de seus objetivos e metas econômicas, ambientais e sociais; e que seja documentada, implementada, mantida, comunicada e disponível a todos os funcionários e partes interessadas.

Alguns indicadores importantes: existência de uma política de sustentabilidade documentada que atenda ao critério estabelecido; evidência da forma como a política é comunicada a todos que trabalhem na organização ou que atuem em seu nome, e as formas de disponibilizá-la para as partes interessadas. A organização deve planejar as suas atividades de forma a estabelecer e manter procedimentos para identificar os aspectos econômicos, ambientais e sociais de suas atividades, produtos ou serviços que tenham impactos significativos, bem como estabelecer e manter objetivos e metas documentados com enfoque na sustentabilidade, em cada nível ou função pertinentes à organização.

Indicadores importantes: evidência de que a organização assegura que os aspectos econômicos, ambientais e sociais significativos são levados em consideração no estabelecimento, implementação e manutenção de seu sistema de gestão; evidência do estabelecimento de objetivos econômicos, ambientais e sociais com metas quantificadas e com atribuição de responsabilidade para atingir os objetivos e metas em cada função e nível pertinentes da organização. A organização deve garantir a implementação e a operação de procedimentos para a condução adequada do seu sistema de gestão, incluindo os recursos e a definição de funções, responsabilidades e autoridades; a competência, treinamento e conscientização dos colaboradores; a comunicação com o público interno e externo; o controle de documentos e registros do sistema; o controle eficiente dos processos; a preparação e resposta a emergências.

Mais indicadores importantes: evidência de que a administração assegura a disponibilidade de recursos essenciais para estabelecer, implementar, manter e melhorar o sistema de gestão; evidência de que as funções, responsabilidades e autoridades estão definidas, documentadas e comunicadas visando facilitar uma gestão eficiente e eficaz; evidência de que são identificadas e providas as necessidades de treinamento associadas aos aspectos da gestão da sustentabilidade, incluindo a conscientização dos colaboradores quanto a: conformidade com a política de sustentabilidade e com os requisitos, aspectos econômicos, ambientais e sociais significativos e respectivos impactos reais ou potenciais, os benefícios provenientes da melhoria do desempenho pessoal, as funções e responsabilidades em atingir a conformidade com os requisitos estabelecidos e as potenciais consequências da inobservância de procedimento(s) especificado(s); evidência dos procedimentos para a comunicação interna entre os vários níveis e funções da organização, bem como com as partes externas interessadas; evidência do controle dos documentos requeridos pelo sistema de gestão, incluindo os procedimentos de aprovação, análise, atualização e reprovação de documentos, bem como do controle dos registros pertinentes; evidência de que as operações associadas aos aspectos econômicos, ambientais e sociais significativos são realizadas por meio de procedimentos documentados e com critérios operacionais estabelecidos; evidência da implementação de procedimentos para identificar potenciais situações de emergência e acidentes que possam ter impacto sobre a saúde e segurança do trabalhador e do meio ambiente, e como responder a estes.

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