Gases de Efeito Estufa (GEE)

geeOs GEE, em inglês GreenHouse Gas (GHG), envolvem a Terra e fazem parte da atmosfera. Esses gases absorvem parte da radiação infravermelha refletida pela superfície terrestre, impedindo que a radiação escape para o espaço e aquecendo a superfície do planeta. Para reduzir essas emissões as empresas podem obedecer a uma série de normas técnicas que especificam esses requisitos.

Atualmente são seis os gases considerados como causadores do efeito estufa: dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), clorofluorcarbonetos (CFCs), hidrofluorcarbonetos (HFCs), e hexafluoreto de enxofre (SF6). Segundo os especialistas, o CO2 é o principal culpado pelo aquecimento global, sendo o gás mais emitido (aproximadamente 77%) pelas atividades humanas.

No Brasil, cerca de 75% das emissões de gases do efeito estufa são causadas pelo desmatamento, sendo o principal alvo a ser mitigado pelas políticas públicas. No mundo, as emissões de CO2 provenientes do desmatamento equivalem a 17% do total.

O SF6 é o gás com maior poder de aquecimento global, sendo 23.900 vezes mais ativo no efeito estufa do que o CO2. Este gás é usado na indústria elétrica para aplicações em alta tensão, como em interruptores e disjuntores. Em conjunto, os gases fluoretados são responsáveis por 1,1% das emissões totais de gases do efeito estufa.

No Brasil, já foram publicadas algumas normas para disciplinar o assunto. A NBR ISO 14064-1 de 11/2007 – Gases de efeito estufa – Parte 1: Especificação e orientação a organizações para quantificação e elaboração de relatórios de emissões e remoções de gases de efeito estufa especifica princípios e requisitos no âmbito da organização para a quantificação e para a elaboração de relatórios de emissões e remoções de gases de efeito estufa (GEE). Inclui determinações para o projeto, o desenvolvimento, o gerenciamento, a elaboração de relatórios e a verificação de um inventário de GEE da organização. Se um programa de GEE for aplicável, as exigências desse programa são adicionais às exigências da NBR ISO 14064. Se um dos requisitos da norma impedir uma organização ou proponente de projeto de GEE de cumprir um requisito de programa de GEE, o requisito do programa de GEE tem prioridade.

A NBR ISO 14064-2 de 11/2007 – Gases de efeito estufa – Parte 2: Especificação e orientação a projetos para quantificação, monitoramento e elaboração de relatórios das reduções de emissões ou da melhoria das remoções de gases de efeito estufa especifica princípios e requisitos, e oferece orientação para a elaboração de projetos para quantificação, monitoramento e relato de atividades de redução de emissões ou melhoria da remoção de gases de efeito estufa. Inclui requisitos para o planejamento de um projeto de gases de efeito estufa, identificando e selecionando fontes, sumidouros e reservatórios de gases de efeito estufa relevantes para o projeto e o cenário de referência (linha de base), monitorando, qualificando, documentando e relatando o desempenho de projetos de GEE e administrando a qualidade dos dados. Se um programa de GEE for aplicável, as exigências desse programa são adicionais às exigências da ABNT NBR ISO 14064. Se um dos requisitos da norma impedir uma organização ou proponente de projeto de GEE de cumprir um requisito de programa de GEE, o requisito do programa de GEE tem prioridade.

A NBR ISO 14064-3 de 11/2007 – Gases de efeito estufa – Parte 3: Especificação e orientação para a validação e verificação de declarações relativas a gases de efeito estufa especifica princípios e requisitos e fornece orientação para aqueles que estão conduzindo ou administrando a validação e/ou verificação de declarações de gases de efeito estufa (GEE). Pode ser aplicada na quantificação organizacional ou de projeto de GEE (relatórios de GEE realizados de acordo com a ABNT NBR ISO 14064-1 ou NBR ISO 14064-2). Especifica também requisitos para selecionar validadores/ verificadores de dados, informações, sistemas de informações e controles de GEE. Se um programa de GEE for aplicável, as exigências desse programa são adicionais às exigências da ABNT NBR ISO 14064. Se um dos requisitos da norma impedir uma organização ou proponente de projeto de GEE de cumprir um requisito de programa de GEE, o requisito do programa de GEE tem prioridade.

Já a NBR ISO 14065 de 07/2012 – Gases do efeito estufa – Requisitos para organismos de validação e verificação de gases de efeito estufa para uso em acreditação e outras formas de reconhecimento especifica princípios e requisitos para organismos que realizam validações ou verificações de declarações de gases do efeito estufa (GEE). Ela é neutra a um programa de GEE. Se um programa de GEE for aplicável, os requisitos daquele programa de GEE são adicionais aos requisitos desta norma.

Por fim, a NBR ISO 14066 de 08/2012 – Gases de efeito estufa – Requisitos de competência para equipes de validação e equipes de verificação de gases de efeito estufa especifica os requisitos de competência para as equipes de validação e equipes de verificação. Complementa a implementação da NBR ISO 14065. Não está vinculada a qualquer programa de gases de efeito estufa (GEE) específico. Se um programa de GEE específico for aplicável, requisitos de competência deste programa de GEE são adicionais aos requisitos desta Norma. Os requisitos de competência da direção e pessoal de apoio são especificados na NBR ISO 14065:2012, Seção 6.

Enfim, o setor produtivo terá que buscar as informações de emissões de gases de efeito estufa (GEE) das indústrias nacionais para construção, acompanhamento e avaliação das futuras metas de redução de suas emissões aplicadas aos diversos setores industriais. Apesar da evolução na prática de elaboração e relato voluntário de inventários de emissões de GEE por parte do setor privado brasileiro, não há um banco de inventários de emissão consolidado e disponível para todos os subsetores da indústria nacional, tornando a análise das emissões algo parcial e subjetivo neste momento.

Assim, a elaboração de um Inventário de Emissões de GEE é o primeiro passo para que uma instituição ou empresa possa avaliar como as suas atividades impactam o meio ambiente e identificar estratégias para contribuir para o combate às mudanças climáticas. Conhecendo o perfil das emissões, qualquer organização pode dar o passo seguinte: o de estabelecer estratégias, planos e metas para redução e gestão das emissões de gases de efeito estufa, engajando-se na solução desse enorme desafio para a sustentabilidade global.

O uso da terra, a mudança de uso da terra e florestas é um setor fundamental da mudança climática, ao mesmo tempo responsável por significativo volume liberado de GEE e com papel e potencial importante na mitigação das mudanças climáticas. A agricultura ou o uso da terra é responsável sozinha por cerca de 14% do total de emissões antropogênicas globais de GEE e se espera que tenha grande crescimento nas taxas de emissão, causado principalmente por aumentos de renda e população. O desmatamento é responsável por outros 17%, definindo a contribuição desse setor em aproximadamente um terço das emissões globais totais.

O Brasil é um dos maiores emissores de gases do efeito estufa e é bem sabido que a maior parte das emissões brasileiras de GEE, que contribuem para o aquecimento global, vem de queimadas ligadas ao desmatamento do bioma amazônico, e não de combustíveis fósseis, principal culpado na maioria dos países. O Brasil sofre e ainda costuma sofrer pressões para conter a destruição da floresta equatorial amazônica.

O uso de energias não-renováveis, como as derivadas de combustíveis fósseis, que são responsáveis pelo acréscimo das emissões de gás carbônico na atmosfera, pode ser reduzido caso os indivíduos ajam de forma consciente no ato de consumo. Pequenas ações do dia-a-dia, como se locomover de bicicleta ou de transporte público (que queima menos combustível por pessoa transportada) têm grande efeito a longo prazo, principalmente se realizadas por muitas pessoas. Com o aquecimento global, a sustentabilidade do homem no planeta é que está ameaçada.

Se evitar, quando possível, o transporte movido a combustíveis derivados de petróleo, o consumidor consciente impede que uma grande quantidade de gás carbônico seja liberada para a atmosfera, contribuindo para a suavização do efeito estufa. Se um automóvel fica na garagem um dia por semana, deixa de emitir por ano 440 quilos de gás carbônico na atmosfera (considerando um trajeto de 20 quilômetros), o mesmo que uma árvore de porte grande leva cerca de 20 anos para conseguir absorver. Por isso, é recomendável que as pessoas prefiram a locomoção a pé e de bicicleta. Ou então, utilizem o transporte coletivo para distâncias mais longas, como ônibus e trens.

Inventário de GEE

nbsA NBS Cema, joint venture entra a NBS Consulting Group e a Cema Consultoria Ambiental, acaba de receber o selo ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol, coordenado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces) da Fundação Getúlio Vargas, que tem como objetivo estimular a cultura corporativa para a elaboração e publicação de inventários de emissões de gases do efeito estufa. As empresas qualificadas para o Selo Ouro são aquelas que atenderam todos os requisitos obrigatórios referentes as normas e metodologias de contabilização de gases do efeito estufa internacionalmente aceitas e ainda, tiveram seus Inventários “verificados” por uma empresa de terceira parte independente de acordo com as regras do programa. No caso da NBS Cema, o inventário foi “verificado” pela ABS-QE, entidade certificadora internacional, de origem americana.

De acordo com Alessandro Santiago, diretor comercial do Grupo NBS, desde a primeira publicação dos inventário de 2008, quando o programa contava com apenas 23 empresas, até a publicação neste ano dos relatório de 2013, houve um aumento de mais de 400% no número de participantes, contando agora com 128 empresas. “Os inventários de 2013 representam cerca de 10% do total das emissões nacionais da indústria estimadas pelo governo federal e 18% do total da energia elétrica consumida no país, dados apresentados durante o evento de publicação dos inventário de 2013, pelo GHG, demonstrando serem bastantes significativos, complementou Santiago. O Selo Ouro foi uma conquista para a NBS que com tais iniciativas pretende ampliar seu entendimento do impacto das operações da organização neste processo, criando ações significativas, por exemplo, com uma melhor gestão da logística dos consultores nos projetos, permitindo não somente uma redução das emissões de carbono, mas também reduzindo os custos dos projetos com despesas de deslocamento.

Quando o bom atendimento vai virar obrigação?

Inspetor de Conformidade das Instalações Elétricas de Baixa Tensão de acordo com a NBR 5410 – A partir de 3 x R$ 320,57 (56% de desconto)

NR 10 – Atendendo às exigências do Ministério do Trabalho – Reciclagem Obrigatória – A partir de 3 x R$ 264,00 (56% de desconto)

CEP – Controle Estatístico de Processo – A partir de 3 x R$ 165,00 (56% de desconto)

Entendendo e aplicando os conceitos de PPR e PPRO – A partir de 3 x R$ 165,00 (56% de desconto)

Stella Kochen Susskind

Por força do hábito e do próprio exercício profissional costumo ler as reclamações enviadas por leitores para as editorias Defesa do Consumidor dos principais veículos de comunicação nacionais. Eis que, na semana passada, a pergunta enviada por um leitor de um jornal brasileiro de grande circulação me chamou a atenção. Quando o bom atendimento vai virar obrigação? O consumidor em questão acredita que “ao escolher uma empresa para investir tempo e dinheiro, seja em produtos ou serviços, ela deveria se sentir privilegiada em atender ao consumidor” – coisa que, na percepção dele, não ocorre.

1StellaKochenSusskind_3Em duas décadas avaliando o atendimento ao consumidor no Brasil e na América Latina, por meio de pesquisas conduzidas com clientes secretos, ainda me surpreendo com a demora dos gestores de marcas e produtos em aprimorar o atendimento seja pelo respeito ao cliente, seja pelos 24 anos de vigência do Código de Defesa do Consumidor.

Há algo ainda mais grave nesse cenário. Tenho observado que os principais prejudicados pela ineficiência e desrespeito no atendimento são os consumidores das classes D e E – na prática, 24% da população do Brasil. E acredito que o desrespeito seja resultado da total ignorância, ou seja, os gestores pouco ou nada sabem sobre os hábitos de consumo e sobre o perfil desse consumidor. O poder de compra – cada vez mais crescente – e a posição que estão ocupando na economia merece ser melhor analisada.

Há pesquisas que defendem que o consumo da baixa renda se baseia no menor preço, ou seja, que esse cliente prioriza o preço em detrimento da qualidade. Não é bem assim. As pesquisas da Shopper Experience – sobretudo o estudo As marcas que mais respeitam o consumidor – mostram que o consumo nas classes D e E está associado à noção de custo-benefício, conceito que é mais sofisticado do que parece. Não é o menor preço, mas quanto vale o produto e quanto rende/dura.

Pagar um pouco mais caro por um item com maior durabilidade é um comportamento emergente dessas classes. Embora não esteja 100% conectado – e não tenha aderido plenamente às compras online – o consumidor da classe D, por exemplo, é extremamente comunicativo; a vida em comunidade é real e cotidiana. Ou seja, a opinião de um vizinho, amigo ou familiar tem um grande peso na decisão de compra. Por isso, a compra passa a ser objeto de debate entre familiares e amigos; não simplesmente uma questão de custo.

Quanto ao atendimento, as pesquisas que coordeno mostram que as marcas não se preparam para as particularidades do atendimento à classe D, salvo algumas raras exceções compostas por marcas e lojas que há muito despertaram para o potencial do “fator D”. Com pouco acesso aos canais de crédito tradicionais – uma vez que a maioria dos consumidores das classes D e E não possui comprovação formal de renda nem conta bancária – esse cliente sabe o que significa pagar as contas em dia. Trata-se de um consumidor que valoriza o nome limpo, portanto, honra os seus compromissos.

Um dos entraves está não no atendimento cortês e prestativo, mas no preparo da equipe de vendas em “traduzir” para esse consumidor as entrelinhas dos contratos, os pormenores – sejam eles de crédito, de prestação de serviços de telefonia celular ou de garantia. Nesse aspecto, entramos no terreno minado do respeito ao consumidor de qualquer classe social.

Há estimativas sobre o aumento na venda de computadores para a classe D – além de celulares pré-pagos –, mas não há notícias de investimentos em treinamento para os vendedores. Não há notícias de investimento para tornar mais transparente essa relação com o consumidor. Não é coincidência o fato de operadoras de telefonia celular,  empresas do varejo eletroeletrônico e financeiras constarem no topo das listas do Procon. A falta de um atendimento correto, que explica particularidades de cada produto, certamente permeia essa permanência na lista de desrespeito ao consumidor. Nesse contexto, faço coro com o questionamento de todos os brasileiros: quando o bom atendimento vai virar obrigação?

Stella Kochen Susskind é administradora de empresas graduada pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e pós-graduada em Franchising pela Franchising University (Estados Unidos), pioneira no Brasil na avaliação do atendimento ao consumidor por meio do Cliente Secret e presidente da Shopper Experience.

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