Nutrição esportiva

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Marcelo Bella

O mercado brasileiro de nutrição esportiva é um dos que mais crescem no mundo, acumulando incríveis 28% ao ano, nos últimos cinco anos, enquanto os EUA, principal mercado, crescem apenas 5%. Porém, no segundo semestre de 2013, a indústria brasileira de nutrição esportiva foi alvo de denncias que mudou a atitude dos consumidores brasileiros. A Anvisa e o Inmetro testaram marcas de suplementos alimentares e constataram irregularidades envolvendo tradicionais empresas do mercado brasileiro de nutrição esportiva.

Devido a velocidade de circulação de informação no mundo atual com as pessoas conectadas online o tempo todo, instantaneamente as empresas e seus produtos envolvidos foram compartilhados entre os consumidores. Como resultado, as vendas destes produtos estagnaram-se e os lojistas rapidamente estão substituindo os produtos com problemas, por outros, dando ênfase aos produtos importados.

Antes de analisarmos mais profundamente o que realmente aconteceu, temos que responder perguntas importantes como: Qual a origem destas denúncia? Ha quem interessou estas denúncias? Quais os problemas encontrados? Quais as conseqüências das denuncias para o mercado brasileiro de nutrição esportiva?

A origem das denuncias que supostamente foram deflagradas por lojistas e consumidores da região sul do pais, na realidade baseou-se em uma estratégia de um pequeno grupo de empresas de nutrição esportiva que visava prejudicar outras empresas do setor, que vinham até então ganhando espaço no mercado. Porém o que este grupo não imaginava é que estas denúncias ganhariam destaque na mídia e nos órgãos do governo, provocando uma análise mais criteriosa e abrangendo um número maior de marcas, incluindo as marcas do próprio grupo denunciante, que também apresentaram irregularidades em suas formulações de seus produtos.

As principais irregularidades cometidas por estas empresas, segundo os resultados de testes, foram declarar quantidades de proteínas maiores em seus rótulos, do que na realidade apresentavam em seus produtos. Como consequência, muitos consumidores passaram a descredibilizar os suplementos alimentares de origem brasileira e buscaram alternativas em produtos de origem norte americana.

Para entendermos melhor este panorama e o mercado de nutrição esportiva, devemos primeiro enxergar o tamanho deste e o compararmos entre o Brasil e os EUA. No Brasil, este mercado fatura cerca de U$ 320 mi por ano, entre as mais de 250 marcas presentes no Brasil, sendo revendidas através de cinco mil pontos de vendas entre lojas especializadas e farmácias, e sendo adquiridas por três milhões de consumidores. Atualmente consumimos 60% de produtos nacionais e 40% de origem internacional.

Nos EUA, este mercado fatura cerca de U$ 4 bi por ano, entre mais de 2.000 marcas e seus produtos revendidos dentre mais de 100 mil pontos de vendas, sendo adquiridos por 50 milhões de consumidores. Alem da diferença de consumo abissal entre os mercados brasileiro e norte americano, nos EUA apenas 20% das marcas possuem indústrias próprias e as demais empresas terceirizam estes serviços industriais para fabricação de seus suplementos alimentares.

Nos EUA é comum encontrarmos 20, 30 ate 40 diferentes marcas de nutrição esportiva, sendo fabricadas em uma única indústria de terceirização, o que garante um maior padrão de controle de qualidade por parte do mercado. No Brasil, a grande maioria das marcas é produzida em fábricas próprias, conferindo uma customização por parte de cada uma delas.

Por que existem fraudes de formulação e como evitá-las? A principal matéria prima para a fabricação de Wim protege é a proteína do soro de leite, de onde se extrai as proteínas concentradas e isoladas. Estas proteínas do leite apresentam coloração, odor e sabor similar ao leite desnatado em pó e levemente salgado e não são produzidas no Brasil.

O soro de leite concentrado tem diferentes níveis protéicos, podendo ser variados entre 35% de concentração protéica ate 80%. Os de concentração abaixo de 80% são utilizadas para enriquecer alimentos como iogurtes e massas para pães, bolos e macarrão, sendo menos adequados para dietas de nutrição esportiva e conseqüentemente mais baratos. Empresas mal intencionada fazem um mix entre estas proteínas mais pobres e vendem aos consumidores como proteínas puras. Assim conseguem custos menores de produção e margens maiores de lucros.

No Brasil, a legislação de controle para pesos e medidas permite variações de até 20%, o que facilitam as fraudes por parte destas empresas. O que estas empresas esquecem é que os consumidores não compram produtos apenas, mas sim buscam resultados.

Independente da marca e da origem de seu produto, quando for consumir Wim, fique atento aos seguintes pontos. Inicie o consumo fazendo um pequeno teste, misturando o produto com uma colher e pouca água e tente perceber se há pequenas manchas de gordura na superfície. As Wheys instantâneas utilizam lecitina de soja para o processo de solubilização, que em demasia diminui o teor protéico do produto e aumenta o seu teor calórico. Wheys com muita oferta de sabor, muitas vezes podem ser produtos produzidos com soro de leite de baixa concentração protéica, por exemplo, 35% de proteína e 65% de carboidrato, o que confere um sabor mais agradável ao produto, porém um teor protéico pobre. Produtos com alto teor de carboidrato, quando misturados em pequenas quantidades de água, tornam-se mais cremosos, tipo massa de bolo.

Evite consumir sua Wim com outros alimentos e tente perceber se até 3 horas após o seu consumo, você sente uma formação de gases, inchaço do baixo ventre, flatulência e até mesmo um pouco de diarréia. Produtos produzidos com proteínas mais pobres tipo soro de leite de 35% de concentração proteica, ou misturados com gorduras, causam estes inconvenientes, alem de engordar. Evite consumir Wheys que custem no mercado brasileiro abaixo de R$ 100,00 por quilo, pois apenas se considerarmos o preço da matéria prima importada, adicionado de custos de impostos de importação, frete, mão de obra e margem de lucro das empresas produtoras e revendedoras, este produto deveria custar sempre acima dos R$ 200,00 ao consumidor.

Por fim, fique atento e saiba que consumir suplementos alimentares é um forte aliado para quem pratica atividades físicas na busca do corpo ideal. Quanto ao mercado e lembrando os ensinamentos do mestre do marketing, Philip Kotler, nós os consumidores somos os reis e as empresas, que não ofertarem as melhores alternativas em qualidade e relação custo x beneficio, não se estabelecerão e darão lugares para outras melhores.

Marcelo Bella é profissional de educação física e nutrição esportiva, especializado em marketing esportivo e graduado em strategic marketing pela La Verne University, California, USA, executivo com experiência de 32 anos no setor fitness e de nutrição esportiva em 34 países, CEO da Grow Dietary Supplements USA Labs. e ex-atleta de musculação, finalista no Mundial de Duplas Mistas de Musculação 1989.

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