Os deficientes também precisam se divertir!

SOLUÇÕES PARA A GESTÃO DE ACERVOS

Controlar e manter o seu acervo de normas técnicas e de documentos internos e externos sempre atualizados e disponíveis para compartilhamento entre todos os usuários é hoje um grande desafio em diversas organizações por envolver a dedicação e o esforço de vários profissionais. As Normas de Sistemas da Qualidade – série ISO 9000, são rigorosas quanto aos critérios de controle, atualização e disponibilização de documentos corporativos aos seus usuários. Tanto os documentos de origem interna como externa, devem ser controlados para evitar a utilização de informações não-válidas e/ou obsoletas, cujo uso pode trazer sérios problemas aos sistemas, produtos e negócios da empresa. É por isso que a Target Engenharia e Consultoria desenvolveu Sistemas que gerenciam e controlam estes documentos de forma rápida, ágil e segura, facilitando o acesso à informação e ajudando os seus clientes a garantirem suas certificações.

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O Target GEDWeb – Gerenciador Eletrônico de Documentos via Web da Target – é o único Portal Corporativo no mercado que possibilita o gerenciamento de grandes acervos…

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Dolores Affonso

Muito se fala na empregabilidade da pessoa com deficiência, na educação inclusiva, na sexualidade, na acessibilidade e mobilidade urbana, no acesso à saúde e até nas adaptações veiculares. Vemos a todo momento, notícias sobre o desrespeito aos direitos das pessoas com deficiência mas, muitas vezes, nos esquecemos de que são seres humanos e possuem desejos, necessidades, medos e alegrias como qualquer outra pessoa. Somos assunto, tema de debates, passeatas e de tratados internacionais, mas queremos ser mais do que isso!

Já diziam os Titãs: “Você tem fome de quê? A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte!”. Sim, queremos acesso também ao esporte, à cultura, ao turismo e ao lazer. Os deficientes também precisam se divertir! Para se ter uma vida plena, é fundamental que isso aconteça.

Ainda há muito o que se fazer quando falamos em esporte adaptado. Não me refiro aqui somente ao esporte na escola ou nos centros e clubes esportivos. Sabemos que precisam ser revistos e investimentos devem ser feitos para que ofereçam a prática real do esporte e possam receber e promover a inclusão pelo esporte. Também não estou me referindo ao esporte profissional ou olímpico, pois é notória a capacidade dos deficientes; basta observarmos as paraolimpíadas e os grandes esportistas que temos no Brasil e no mundo. Na última olimpíada vimos, inclusive, deficientes competindo com pessoas sem deficiência como o sul-coreano Dong Hyun Im, de 26 anos, deficiente visual (baixa visão), que competiu no tiro com arco.

De uma forma geral, é preciso reconhecer a importância do esporte não somente como caminho para a reabilitação, mas como fonte de prazer, diversão. Isso inclui todos os tipos de atividades, artes marciais, esportes radicais etc. Muitas pessoas acham que, por sermos deficientes, não podemos praticar tais esportes. Bom, eu mesma já fiz arvorismo e mergulho e conheço vários deficientes que praticam surf, canoagem, escalada etc.

Outro ponto importante se refere ao turismo. É fundamental que haja rotas turísticas com adaptações, empresas especializadas e cidades preparadas para receber e atender, com qualidade, pessoas com deficiência, tanto nos hotéis e restaurantes, como nos passeios e demais eventos. Como, por exemplo, a cidade de Socorro, em São Paulo, premiada até por órgãos internacionais. Não é perfeita, é verdade, mas está no caminho certo!

Governantes, empresários e a sociedade em geral precisam se dar conta de que as pessoas com deficiência são cidadãos, contribuintes, consumidores e clientes como qualquer um. Viajam, apreciam a gastronomia, o teatro, o cinema, a música e a dança como qualquer pessoa.

Neste contexto, devemos ter atenção aos diversos tipos e opções de lazer, desde o cultural, ou seja, oferecer salas de cinema, peças teatrais, espetáculos, exposições etc. acessíveis, até os mais comuns, como passeios pela natureza e pela noite, como bares, boates, etc. Todos os espaços precisam ser acessíveis. Isso é bem difícil de se ver por aqui. No Brasil, é raro encontrar um museu onde haja possibilidades de um deficiente visual tocar as peças para conhecê-las ou ter audiodescrição das obras expostas, além da falta de acessibilidade física já conhecida nos espaços culturais. No Congresso de Acessibilidade, evento gratuito e online com mais de 30 palestras e entrevistas que ocorre de 21 a 27 de setembro, discutiremos estes temas como forma de promover a qualidade de vida e a inclusão da pessoa com deficiência na sociedade. Participe! Dê sua opinião!

Dolores Affonso é coach, palestrante, consultora, designer instrucional, professora e idealizadora do Congresso de Acessibilidade – www.congressodeacessibilidade.com

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Depressão sem censura

CURSO TÉCNICO DISPONÍVEL PELA INTERNET

A Manutenção Autônoma – Disponível pela Internet – Ministrado em 11/10/2013

Como conscientizar e habilitar o operador a cuidar adequadamente do equipamento.

Eunice Mendes

Durante muito tempo, para mim esse foi um “peso” que não teve forma, cor, cheiro e sequer nome. Era difícil identificar, apreender o que de fato sentia e não ia bem. Era um não sei quê, que nascia não sei de onde, vinha não sei como e doía não sei por que, mas não era amor, como nos versos de Camões. Pelo contrário. Tinha a ver com aquilo que a psicanálise identifica como seu oposto: a morte.

Hoje, os cientistas reconhecem o problema como uma doença, caracterizada por um conjunto de sintomas devidamente catalogados e à qual chamam de depressão, uma palavra que também caiu no léxico popular e está na boca de todo mundo. O mal do século, o terror da vida produtiva, a suspeita constante que alimentamos a cada vez que um parente ou alguém conhecido, sem maiores explicações ou por algum trauma sofrido repentinamente, é tomado por uma tristeza tão profunda que o transforma em uma sombra de si mesmo. Sim, eu tenho depressão…

Considerada o mal do século XXI, a depressão é uma das doenças que mais desafia a compreensão humana nos dias atuais. Seus sintomas são diversos e, apesar das diferenças de prevalência, atingem todos os grupos sociais, independentemente de cor, raça, idade, sexo, renda e nível de escolaridade, o que a torna um problema de saúde pública de proporções globais.

Dados da Organização Mundial da Saúde – OMS indicam que há mais de 350 milhões de casos de depressão no mundo, 13 milhões deles no Brasil, que já apareceu no topo do ranking mundial de registros da doença entre os países em desenvolvimento. O número de pessoas deprimidas é bem superior, por exemplo, ao dos portadores de HIV, e essa situação já figura entre as principais causas de incapacidade no trabalho – atualmente em quarto lugar e deverá subir para a segunda posição até o início da década de 2020. Contudo, a grande maioria dos doentes, cerca de 75%, sequer recebe tratamento adequado.

Pelos cálculos da OMS, 12% dos períodos improdutivos da vida das pessoas em todo o mundo são consequência direta da depressão, e até 2020 ela será responsável por cerca de 30% da chamada Carga Global de Doenças – CGD. Segundo a OMS, a depressão é responsável por cerca de 850 mil casos de suicídio todos os anos[3], o que equivale a mais de 2. 300 mortes por dia e 38 a cada hora.

No meu caso, acredito que tive depressão a vida inteira, mas ela apareceu com toda força aos 27 anos, logo após a morte de meu pai, vítima de um acidente de carro. A dificuldade de lidar com o ocorrido colocou-me como mais um dígito nas estatísticas que referem ser a perda de entes queridos uma das principais causas da doença. Mas vivenciar esse momento com toda a carga de sofrimento que ele impõe não foi tão simples e asséptico assim. Que me perdoem os matemáticos, mas ainda não foi inventado um número capaz de traduzir a equação da vida. Alguém já disse que essa é uma conta que não fecha.

Foi um golpe muito duro deixar de conviver com a pessoa que me deu a vida. Não me refiro à biológica, mas aquela que construí guiada por sua doce regência. Esse era meu pai. Um verdadeiro maestro do bem viver. Durante os seis meses que se seguiram a essa perda, andava pelas ruas sem rumo, com vontade de me atirar na frente dos carros, sofrendo pela ausência de meu pai. Como é a morte? Terá ele sofrido? Encontrou-se com Deus?

Nada fazia sentido, e isso provocava em mim uma ansiedade constante. Repassava obsessivamente tudo o que vivera e me transformei numa caçadora impiedosa dos meus erros. Não demorou e comecei a ter insônia. Quando dormia, tinha pesadelos horríveis.

Minha mente era o maior dos algozes, como se precisasse ser punida a qualquer preço. Um profundo sentimento de culpa começou a tomar conta de mim, acompanhado de pensamentos recorrentes, obsessivos, exagerados. Parecia uma gravação defeituosa que voltava sempre ao mesmo lugar: “Por que não salvei meu pai?”. Eu me sentia devedora de uma dívida impagável.

A depressão estava comigo, viva, mostrando seus dentes de chumbo. E eu paralisada, morrendo de medo, sem ânimo para fazer absolutamente nada. Nunca me senti tão só na vida, insegura, fragilizada… A minha vida parecia menos que nada; o vazio me abraçava sem dó. Eu só queria dormir e morrer. Acordar era uma violência.

Com o tempo, meus dias foram tomados pela sensação extrema de impotência e profunda apatia. Queria ficar isolada do mundo e só tinha olhos para minha dor. Era como se minha alma tivesse me abandonado. Não queria dar explicações a ninguém, pois sentia que não seria compreendida. Quando o melhor lugar para se viver é em cima de uma cama durante as 24 horas do dia, algo está muito errado.

Na verdade, meus sentimentos eram antagônicos. Eu me isolei, não queria que ninguém me procurasse, mas, ao mesmo tempo, sentia falta da atenção dos amigos e, principalmente, da certeza de que alguém se preocupava comigo. Não precisavam dizer nada, apenas ficar perto de mim. Quem sabe trazer uma sopa quentinha, chocolates, conversar sobre banalidades… Bastava estarem ali, como anjos-da-guarda.

Por sorte, tenho amigos e familiares amorosos e atentos. Foi o amor e a compaixão deles que me salvaram da morte. Principalmente à noite, nos intermináveis fins de semana, eles chegavam e cumpriam um ritual: abriam as janelas, limpavam a casa, trocavam os lençóis, acendiam incensos, cozinhavam, traziam frutas frescas, cantavam, faziam massagem em mim e me contavam as novidades. Eram relatos descontraídos que abrangiam desde o tradicional papo de elevador, como a situação do tempo lá fora, até planos e projetos pessoais. Isso tornava meu dia mais leve.

Havia, porém, aquelas pessoas que queriam dar conselhos fora de hora, sem observar que eu estava doente e não tinha condições de ouvir nada, muito menos reprimendas. Desfiavam um rosário de frases feitas sem a menor cerimônia: “Você precisa ter força de vontade”; “Isso é frescura”; “Isso é falta do que fazer”; “Saia mais de casa”; “Isso é só carência afetiva”; “Você não tem motivos para se sentir assim”; “Cadê aquela mulher guerreira?”.

Não sabia nem mesmo quem eu era, quanto mais onde estava minha porção guerreira! Sentia como se minha vontade de viver tivesse mudado de casa e não houvesse nada para pôr em seu lugar. Não sabia o que tinha nem o que fazer, mas percebia nitidamente e sentia na pele a ignorância, a falta de empatia e o preconceito social dirigidos a quem, por algum motivo, não responde às demandas do mundo à sua volta.

Em alguns momentos isso é tão revoltante que até dá vontade de sair na rua portando um cartaz imenso com a frase: Depressão é doença. Ela existe e é uma ameaça à vida!

Pacientes com transtorno mental necessitam de paciência, empatia e compreensão das pessoas próximas, caso contrário, além da doença, precisarão carregar a frustração de não conseguir satisfazer as expectativas de quem acha que é tudo uma questão de boa vontade. E não é. O deprimido não é covarde; ele está doente.

Foram três anos de suplício sem nenhum tipo de ajuda psiquiátrica. Eu acreditava que poderia dar conta do problema sozinha, o que é um grande equívoco. Meu diagnóstico foi preciso: depressão unipolar severa, ou seja, o último grau da doença e, além de tudo, crônica. Isso significa que terei de lutar contra a depressão e tomar remédio pelo resto da vida. Quando recebi a confirmação, foi como ter a pele marcada com ferro em brasa e passar a lidar com algo que não pode ser apagado, uma espécie de sina ou sentença perpétua.

Encontrar a medicação correta, por sua vez, foi uma verdadeira Via Crucis. Entrava e saía de consultas, mas os remédios me faziam muito mal. Provocavam efeitos colaterais desagradáveis, como sonolência, boca seca, tonturas, obesidade e um desânimo atroz. Alguns acentuavam os sintomas da depressão e pensamentos suicidas. Não obstante, minha vontade de extinguir aquele incêndio era tão forte que prometi a mim mesma não desistir. Foi essa promessa que me deu forças para não desabar e seguir em frente.

É muito importante deixar claro que a culpa não é dos especialistas. Em geral leva-se algum tempo até definir o tratamento correto. Daí a importância de persistir na busca de uma solução.

Passei por vários estágios em relação à doença. O primeiro sentimento foi de incredulidade e espanto. O segundo a emergir foi a negação: “Não tenho nada”. Depois, a agressividade e a raiva: “Por que eu?”, “O que fiz para merecer isso?”, “Por que estou sendo punida?”. Nessa fase de revolta, o olhar fica todo voltado para dentro, regido por sentimento profundamente egoico.

Após mais algum tempo, iniciou-se o processo de aceitação, resultando em mudança no ponto de vista da pergunta desoladora: “Por que não eu?”, “O que isso que está acontecendo quer me mostrar?”, “Qual o sentido da depressão em minha vida?”, “O que necessito aprender?”, “Que lastro de humanidade preciso resgatar?”.

Então, manifestou-se o desejo de continuar viva: “Vou mais é procurar me tratar, mesmo que isso demande muito tempo”, “Só eu posso fazer isso por mim”, “Essa vontade é a única chance que tenho de sobreviver”.

Prossegui com minhas buscas até que uma psiquiatra me receitou um antidepressivo de última geração. Em pouco mais de vinte dias, tudo mudou. Foi como tirar a depressão com a mão! A apatia, a angústia e a falta de apetite simplesmente desapareceram. O olhar ganhou força, a voz readquiriu expressividade, os pensamentos atormentados não eram mais tão intensos.

Além do tratamento psiquiátrico a médica estimulou-me a fazer terapia, iniciando assim um tratamento casado que fortaleceu meu processo de recuperação. É preciso muito esforço para retomar a alegria e a vontade de viver que a depressão leva embora. Todo tsunami causa estragos, mas existe aquele momento em que os escombros são removidos e nos damos conta de que estamos vivos.

Vivemos em um mundo que persegue a felicidade a qualquer preço, mas não nascemos com um manual de sobrevivência na barriga. Precisamos confiar em nossa capacidade de superar angústias, dores, acalmando-as por meio dos tratamentos adequados, e, sobretudo, não desistir nunca. Coragem e esperança são requisitos fundamentais para viver e sobreviver.

Eunice Mendes é atriz, pedagoga e especialista em comunicação empresarial há mais de 30 anos com três livros publicados – www.eunicemendes.com.br