Uma nova era geólogica: Antropoceno

Curso Básico de 5S – Disponível pela Internet – Ministrado em 27/09/2013

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Mas os humildes herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz. (Salmos 37:11)

Bem-aventurados os humildes, porque eles herdarão a terra; (Mateus 5:5)

antropocenoJá existe a ideia de uma nova era geológica, pois está havendo uma mudança radical no Planeta em um curto espaço de tempo, acelerada pela ação humana. Uma enorme pressão sobre a Terra. Assim, o termo Antropoceno foi criado no início do segundo milênio pelo prêmio Nobel de Quimica, Paul Crutzen.

O Planeta em seus 4,5 milhões de anos de existência já passou por vários ciclos na escala geológica, com devastações, sendo que a última ocorreu há 67 milhões de anos. Há uma teoria de que um asteróide atingiu o México há 65 milhões de anos, formando a cratera Chicxulub, e que provocou a alteração do clima e a extinção de espécies como os dinossauros. A era Mesozóica, dominada pelos répteis, foi seguida pela era Cenozóica – dos mamíferos – o que incluiu o aparecimento dos primatas.

Nessa nova era, uma tese polêmica defendida por vários cientistas, as atividades dos seres humanos estariam influenciando as transformações no mundo, num ritmo acelerado. O modo de vida relacionado com a produção e o consumo, alertam os especialistas, estão mexendo com o clima. E podem aumentar o risco de aquecimento do planeta.

Um ser vivo, o ser humano, impactar com intensidade a natureza é um fato inédito.Esse ponto de vista é atribuído à revolução industrial.com o uso intensivo de máquinas e de combustíveis fósseis. Para Wagner Costa Ribeiro, professor titular do departamento de Geografia da USP, um indicador seria exatamente o uso do solo se for olhadas as áreas naturais que havia no passado e as que se tem hoje, elas estão cada vez em menor escala.

“Toda essa movimentação de Terra a transferência para um área agrícola ou mesmo uma área urbana. Alguns estudos já apontam que nós estamos movimentando mais terra do que ocorreu na última glaciação.As condições do clima atual tem realação direta com as vegetações presentes nesses lugares. A alteração rápida do clima pode trazer consequencias,por ex mais ou menos chuva. Isso afeta toda a dinâmica da produção agrícola,”, diz.

Os recursos naturais do planeta têm limites e a taxa de extinção de espécies produzida pela atividades dos homens é 50 vezes maior do que o ritmo anterior da natureza. E destrói a biodiversidade de espécies animais e vegetais. Como mudar essa realidade quanto a tendência é de crescimento econômico dos países?

O professor acrescenta que a economia está baseada num sistema insustentável que é o consumismo. “Essa maneira de organizar a vida, não é inteligente. Porque faz com que objetos em plenas condições de uso sejam abandonadas. Deveria passar pela recuperação de áreas degradadas .Por um padrão de agricultura menos intensivo do solo. Por exemplo, a produção é voltada para o mercado, mas não com o descarte, e isso ocorre atualmente de forma exagerada sem nenhuma lógica. A não ser a lógica de quem quer ganhar dinheiro”.

O pesquisador Paulo Sérgio Oliveira, do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, um dos autores de uma nota publicada, no início de setembro, pela revista Science, informa que a perda de biodiversidade causada pela ação humana, principalmente entre aves, mamíferos e anfíbios, está abrindo espaço para uma grande expansão do papel ecológico desempenhado pelas formigas. “Muitas das espécies de vertebrados que têm sido extirpadas localmente ou se encontram em declínio são herbívoras, dispersoras de sementes ou granívoras. Portanto, à medida que o Antropoceno avança, invertebrados – e, notavelmente, as formigas – serão os herdeiros prospectivos dessas interações entre plantas e animais”. “Granívoras” são espécies que consomem grãos e sementes.

A nota dos brasileiros foi escrita em comentário ao artigo Defaunation in the Antropocene (Defaunação no Antropoceno), de autoria de uma equipe internacional de pesquisadores. Publicado em edição especial da Science sobre a extinção em massa de animais, o trabalho constata que “vivemos em meio a uma onda global de perda de biodiversidade impulsionada pelo homem (…) impactos humanos na biodiversidade animal são uma forma pouco reconhecida de mudança ambiental global”.

Entre os vertebrados terrestres, 322 espécies se extinguiram desde 1500, e as populações das espécies sobreviventes encontram-se em declínio. “Esses declínios terão um efeito cascata no funcionamento dos ecossistemas e no bem-estar humano”, adverte o artigo, que tem como principal autor Rodolfo Dirzo, da Universidade Stanford.

O comentário dos brasileiros lembra que as formigas, em geral, sofrem menos com as perturbações causadas pela atividade humana, são extremamente abundantes e interagem com várias outras espécies de insetos, plantas e vertebrados. “Vamos imaginar, se a gente entrasse na Amazônia, e eu falasse: qual a bicharada mais comum que vem na cabeça da gente quando a gente entra numa floresta tropical? Se você for perguntar a qualquer pessoa na rua, elas vão ter a tendência, como qualquer um de nós, de pensar em macaco, onça, bicho-preguiça, cobra, tucano, porque é isso que chama a atenção de qualquer pessoa quando pensa na floresta, porque são os bichos grandes”, diz Oliveira.

“Mas, ao contrário do que a nossa intuição visual nos diz, se a gente pegasse todos os bichos que a gente encontra na floresta Amazônica e colocasse numa bolsa, pegasse essa bolsa e colocasse numa balança, a maior parte do peso da bolsa é de bichinho pequeno, que não é vertebrado. Então, isso significa o quê? Que grande parte da energia da floresta que não está sob a forma de planta, está sob a forma de bichinho pequeno, e não sob a forma de bichos grandes que a gente tende a valorizar. As formigas e cupins, por exemplo, são insetos sociais (vivem em colônias de dezenas a milhões de indivíduos) e representam conjuntamente cerca de 30% da biomassa animal da floresta Amazônica”.

O pesquisador explica que cerca de 90% dos arbustos e das árvores em ecossistemas tropicais dependem da interação com animais para dispersar suas sementes. “Essas árvores têm frutos atrativos, de polpa carnosa, gostosa, nutritiva e visualmente chamativa”, que atraem animais como aves e macacos. Esses animais removem o fruto da copa e, de alguma forma, fazem com que cheguem ao chão, dispersando as sementes. “Com esses bichos desaparecendo, a dispersão de sementes fica comprometida. Porque, quem vai arrancar os frutos da copa das árvores? Aí entram os bichinhos pequenos”.

Estudos realizados pelo grupo de Oliveira na Unicamp mostram que, uma vez no solo, as sementes passam por um processo de dispersão secundária, realizado pelas formigas. “O que a formiga está interessada é na parte carnosa do fruto, que ela utilizar para alimentar as irmãs que ainda estão sob a forma de larvas, lá dentro do formigueiro”. Ao remover os restos de polpa, as formigas deixam a semente limpa, protegendo-a da infestação por fungos no chão úmido da mata e facilitando a germinação.

Mesmo formigas carnívoras, explicou o pesquisador, cumprem uma função na dispersão de sementes. “Essas formigas gostam de trazer para casa proteína e gordura. Saem para caçar cupim, lagarta, outras formigas”, disse ele. “Só que muitos frutos, que são dispersos por macacos, passarinhos, têm a polpa rica em gordura e proteína. Isso faz com que as formigas carnívoras se interessem por eles, porque é muito melhor pegar um fruto que não vai brigar com você na hora de ser capturado”.

“A gente descobriu que essa interação de formigas carnívoras com frutos ricos em proteína e gordura é muito comum no cerrado e na mata atlântica”, afirmou. “Enfim, acontece que uma quantidade muito grande de frutos chega ao chão da floresta, e uma quantidade muito grande de espécies de formigas interage, no chão da floresta, com essa grande quantidade de frutos”.

Outra descoberta do grupo de Oliveira foi de que, ao levar a semente para a vizinhança do formigueiro, os insetos aumentam a chance de germinação e de crescimento da planta jovem, visto que o solo próximo ao ninho é uma “ilha de nutrientes”. “Quando um passarinho pega um fruto e leva para longe, você não sabe onde ele vai largar a semente. Ela pode cair num lugar onde a planta não vai para a frente. É muito imprevisível o destino dessa semente”, disse o pesquisador.

“Acontece que sempre que uma formiga acha um alimento, ela o leva para um destino certo, que é o ninho. Então, se o passarinho ou macaco pode levar a semente para mais longe, o que é muito bom para a planta, porque ela pode colonizar outros lugares, a formiga oferece outra vantagem: embora leve a semente para perto, ela leva para um lugar onde o solo é mais rico, uma ilha de nutrientes, onde a planta jovem tem mais chance de crescer”.

Com o progressivo desaparecimento dos animais que fazem a dispersão primária das sementes, o papel das formigas na ecologia das árvores tende a ganhar mais importância, afirma a nota na Science. “Se os frutos deixam de ser coletados na copa e carregados para longe, mais deles cairão no chão junto à árvore e ficarão disponíveis para as formigas”, disse Oliveira. “Com esses bichos maiores ficando cada vez mais raros, a quantidade de fruto que é removida da copa para algum lugar por aves ou mamíferos vai ficando progressivamente menor. Assim, a proporção do que chega ao chão vai ficando progressivamente maior. É esse o nosso ponto da nota”.

“Em um hectare de Floresta Amazônica, você vai contar 8 milhões de formigas no solo. Então, imagina 8 milhões de bichinhos num quadrado de um hectare (100 m x 100 m), saindo de casa para trazer comida para casa”, ressaltou. Esse novo protagonismo das formigas trará consequências. “Acho que o impacto disso afeta muito mais a gente do que imaginamos”, disse o pesquisador. “Sumindo a bicharada grande, vamos começar a notar, no nosso dia a dia, coisas que a gente não percebia. Sem a bicharada grande, as sementes não vão poder mais ser levadas para longe. Então, a capacidade de regeneração das florestas começa a ser reduzida, porque os frutos vão ter uma distância de dispersão muito menor”.

Além disso, lembra ele, muitos dos animais que comem frutos e dispersam sementes também comem insetos. Com o desaparecimento desses vertebrados, infestações de insetos, como mosquitos, podem se tornar mais comuns. “E a bicharada grande também poliniza plantas. Sumir com beija-flores, por exemplo, significa reduzir frutos. Flores que não são polinizadas não produzem frutos”.

As formigas também são mais resistentes às agressões humanas ao meio ambiente que outros insetos, como abelhas e borboletas. Em alguns casos, elas até mesmo prosperam após a intervenção do homem, com consequências para os ecossistemas.

“A saúva, por exemplo, é uma formiga que corta folhas para levar para o formigueiro, onde cultiva um fungo como alimento. Mas o bicho-preguiça também come folha, alguns macacos também comem folha, a anta come folha”, explicou Oliveira. “Então, vários desses vertebrados, além de comerem frutos na copa das árvores, também comem folhas. Com eles desaparecendo, quem que tende a ser o principal herbívoro das florestas? A saúva”.

“O papel delas como herbívoras, então, vai ficando progressivamente maior. E qual a importância disso? Se as saúvas vão ficando cada vez mais importantes nos lugares de onde os vertebrados vão sumindo, elas podem afetar quais plantas vão prosperar, ou não, na floresta. Se a saúva ficar muito importante, as plantas de que elas mais gostam vão começar a desaparecer, com o risco de alterar a composição da floresta”, conclui.

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