Os riscos dos trabalhadores no cultivo do abacaxi

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abacaxi.jpgA Fundacentro realizou um estudo sobre a saúde dos trabalhadores que atuam no cultivo do abacaxi. O Brasil é o segundo produtor mundial nesse segmento, segundo dados de 2011, e os trabalhadores sofrem com um esgotamento que eles denominam como tanguá. “É um processo de exaustão. O trabalhador chega ao limite, sente câimbras e tremedeiras, tem desmaios”, explica a pesquisadora da Fundacentro, Cristina Gonzaga.

A pesquisadora, que tem estudos na área de cana-de-açúcar, foi procurada pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Guaraçaí/SP. Em princípio, o pedido era para estudar as luvas de proteção usadas no cultivo do abacaxi. Mas logo nas primeiras conversas foi mencionada a ocorrência de uma espécie de “canseira” que acomete alguns trabalhadores e os faz procurar o posto de atendimento médico. É o chamado tanguá, esgotamento no trabalho similar ao birola que ocorre no corte manual da cana.

Para realizar o estudo, os pesquisadores optaram pela análise coletiva do trabalho, metodologia que reúne os trabalhadores para descrever de forma detalhada sua jornada laboral. Foram quatro reuniões, sendo que na última ocorreu a validação do material estudado por oito trabalhadores. “Os trabalhadores validaram o estudo, concordando que sofrem muito para trabalhar, são acometidos por dores e acidentes de trabalho”, afirma Cristina Gonzaga.

Os relatos dos trabalhadores apontaram problemas osteomusculares e a presença de animais peçonhentos como escorpião, cobra e aranha no local de trabalho. Outra questão importante foi o trabalho precário. Os trabalhadores são estimulados a não ter vínculo empregatício, o que interfere no fornecimento de Equipamento de Proteção Individual (EPI) e nas formas de controle do trabalho.

“O vinculo empregatício interfere no horário de trabalho e descansos, no controle da qualidade do trabalho exercido, na forma de pagamento e no valor da diária, na forma de atuar em caso de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais, nos benefícios concedidos e nas tarefas exercidas”, afirma a pesquisadora da Fundacentro. “Nenhuma tecnologia é aplicada para melhorar as condições de trabalho, como na aplicação de adubo químico e de herbicidas com as mãos. Situação que expõe os trabalhadores ao contato direto com os agentes químicos e ocasiona sobrecarga física pela postura exercida, carga transportada e também pode provocar dermatoses ocupacionais nas mãos”.

Em relação ao tanguá, percebeu-se que ele está relacionado às condições adversas de trabalho. Além da exposição química sem proteção, há problemas gerados pelas condições ambientais, como excesso de calor, chuva, frio; animais peçonhentos e objeto de trabalho agressivo. O ritmo intenso, os elevados esforços físicos, as posturas inadequadas, a má alimentação e desidratação ainda marcam esse tipo de trabalho.

O estudo contou a participação das pesquisadoras da Fundacentro, Maria Cristina Gonzaga e Sandra Donatelli; do Centro de Referência Regional em Saúde do Trabalhador – Cerest de Ilha Solteira/SP, Ana Paula Tencarte e Eliana dos Santos; e do professor da Universidade Federal da Paraíba, Paulo José Adissi.

A pesquisa possibilitou também a elaboração de um protocolo de intenções entre a Fundacentro, o Departamento Municipal de Saúde da Prefeitura de Ilha Solteira, a Associação dos Produtores de Abacaxi do Município de Guaraçaí – Apamg e o Sindicato Rural de Guaraçaí. O objetivo é pesquisar todas as fases do processo produtivo do abacaxi, reconhecer os riscos, propor equipamentos de proteção individual e ferramentas de trabalho adequadas.

Nessa nova fase, a pesquisa se centrará em olhar para o trabalho real, por isso a ida a campo é fundamental. Serão realizadas algumas etapas da análise ergonômica. Serão avaliadas estratégias operacionais individuais e coletivas para proteger os trabalhadores. Alguns avanços já começam a ser percebidos como a contratação de médico do trabalho e técnico de segurança pela Apamg.

A atividade do abacaxi movimenta R$ 30 milhões anuais somente em Guaraçaí e abrange em torno de 3.500 hectares de área plantada. São produzidos 2,5 milhões de abacaxis. Desde a produção até a comercialização, cerca de três mil pessoas trabalham na área, o que corresponde a 38% da população do município. Dados de 2009, quando o Brasil era o maior produtor mundial de abacaxi, apontam uma produção de 2.206.490 toneladas. Os resultados dos estudos podem servir de referência para o cultivo do abacaxi em todo o país.

Além da precariedade das condições físicas e sociais durante a execução do plantio do abacaxi, os acidentes mais comuns envolvem perfuração em partes do corpo (pernas, braços, mãos, e pés), causados pelas folhas pontiagudas do abacaxi e aos ataques de serpentes peçonhentas. Em uma das falas de um trabalhador entrevistado, o mesmo coloca que o risco da presença de animais é maior quando da colheita das mudas para o plantio. Ressalta ainda que não há nenhuma proteção e como alternativa “tem que pular quando vê cobra”.

O Brasil é o segundo maior produtor de abacaxi, seguido da Tailândia, de acordo com a Organização das Nações Unidas. Na região de Guaraçai, próxima a Araçatuba no estado de São Paulo, a produção do abacaxi é de 52,52%. Cerca de 3 mil pessoas, ou o equivalente a 38% da população da cidade são empregadas diretamente, dividindo-se em grupos de unidades de produção familiar e unidades patronais.

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