Ganho de produtividade em três passos

banner

Para  se inscrever para a transmissão online gratuitamente, acesse http://www.abqeventos.org.br/

Cristiano Bertulucci Silveira

Produtividade alta é o sonho a ser alcançado em todos os segmentos industriais e claro, um objetivo almejado por profissionais que, assim como eu, desejam atingir sucesso em suas carreiras. Um renomado e bem sucedido gerente industrial certa vez disse que o segredo para atingir níveis altos de produtividade é fazendo coisas simples excepcionalmente bem. Em outras palavras, grandes resultados são atingidos quando dominamos uma técnica e aplicamos ela consistentemente. Ao final desta leitura você terá desenvolvido um conhecimento poderoso para driblar e reduzir as perdas de tempo (down time) e aumentar o resultado. A técnica baseia-se basicamente na ideia de fazer coisas simples excepcionalmente bem.

Produtividade: três passos simples

Um dos mais poderosos métodos para reduzir a perda de tempo é tratar uma causa de cada vez. Se pudermos focar em um simples problema por dia, com certeza você será capaz de resolvê-lo. Se projetarmos esta ideia para o ambiente industrial, podemos solicitar para que a equipe identifique e conserte um problema pertinente que atrapalha a produção naquele dia.

O segredo aqui é fazer com que a identificação e resolução do problema seja feita antes do término do turno, pois uma causa de falha resolvida em um dia resulta em vitórias pequenas e incrementais que no final de um período resultam em um grande aumento de produtividade.

A chave para a produtividade é seguir os 3 simples caminhos diariamente. É difícil? Tenho certeza que não, principalmente porque o resultado em equipe é muito mais rápido do que o resultado individual. Veja abaixo os 3 passos que podem ser aplicados em uma indústria de manufatura (não se esqueça esta regra pode ser aplicada em qualquer ambiente de trabalho):

1 –  Utilize as informações do chão de fábrica e da linha de produção para identificar as perdas de produtividade que estão ocorrendo naquele instante;

2 – Analise as perdas e coloque o foco da equipe nas que são maiores e mais fáceis de resolver (Como diz o ditado popular, primeiro temos que pegar as frutas que estão no chão para depois colher as mais altas);

3 – Estabeleça uma ação que possa ser realizada durante o dia e que vai resolver o problema que foi detectado no segundo passo.

Somente isto funciona? Sim, funciona e muito bem!!! Em alguns casos, quando aplicado diariamente, consegue-se um aumento de produtividade e do indicador OEE (Overall Equipment Effectiveness ou eficiência global dos equipamentos) na ordem de 10%. Isto porque houve um envolvimento de todos, desde os colaboradores até a supervisão (engenheiros, coordenadores e gerentes).

Três questões básicas:

O melhor caminho para executar os 3 passos é voltar-se para o chão de fábrica e fazer três perguntas simples (uma de cada vez). Veja o infográfico abaixo:

produtividade-infografico

Claro que você é capaz de perceber que aplicando estes três passos sem ter uma equipe treinada, focada e direcionada ao resultado do grupo (equipe com baixa qualidade), torna-se difícil conquistar a produtividade. Por este motivo listamos abaixo algumas dicas para manter uma equipe de qualidade.

Dicas valiosas para construção de equipes de alto desempenho:

  • Certifique-se que o ambiente de trabalho está em dia com todos os requisitos de segurança. Para aumentar consistentemente a produtividade e a produção industrial você deve ter certeza que o trabalho é executado com segurança;
  • Tenha certeza de que todos os equipamentos estão com as manutenções em dia e que são capazes de trabalhar com qualidade por longos períodos de tempo sem a necessidade de manutenções corretivas;
  • Desenvolva um planejamento amigável para concessão de férias e paradas de descanso. Tendo trabalhadores contentes e motivados ajuda a aumentar a qualidade de vida e a produtividade industrial;
  • Ofereça aos trabalhadores certas opções de benefícios que permitam eles investirem mais na empresa. Um trabalhador que tem interesse no resultado da empresa vai trabalhar consistentemente para aumentar a performance industrial;
  • Planeje e execute exercícios de construção de equipes de forma com que trabalhem em conjunto nos objetivos estabelecidos. Isto estimula uma força de trabalho com mais qualidade, mais criativa e dinâmica capaz de resolver problemas relacionados a produtividade;
  • Certifique-se de que cada funcionário esteja ciente da responsabilidade por suas ações e decisões e de que ele não pode passar a bola ou passar a culpa para outra pessoa;
  • Faça follow-up constante, informando se o progresso está suficiente ou não e se devem ser adotadas medidas provisórias antes que seja tarde demais para salvar a situação;
  • Gerencie a equipe de trabalho e ao mesmo tempo evite a microgestão;
  • Encoraje, motive, recompense e reconheça o trabalho de todos;
  • Procure os funcionários e peça a opinião deles. As pessoas gostam de ser ouvidas;
  • Estabeleça metas realistas;
  • Promova o trabalho em equipe;
  • Assegure-se de que as pessoas que compõem a equipe gostam do que fazem;
  • Trabalhe duro para evitar a monotonia, delegando novas atividades aos funcionários;
  • Ofereça treinamentos e novas opções de aprendizado;
  • Despenda menos tempo em reuniões e mais tempo em ações;
  • Utilize equipamentos e ferramentas para aumentar a produtividade;

Lembre-se que o recurso mais importante é o recurso humano. Ter um grupo de pessoas ansiosas para melhorar suas próprias habilidades, automaticamente aumenta a produtividade da empresa.

Principais Problemas relacionados a falta de produtividade

Motivação

Não é nenhum segredo que funcionários infelizes não possuem um boa produtividade e ainda afetam negativamente os seus colegas de trabalho. Se você suspeitar que a motivação é a causa da diminuição de produtividade, é o momento de encontrar o motivo pelo qual os funcionários estão insatisfeitos. Longos períodos de trabalho, treinamento insuficiente, problemas de gestão, baixos salários, falta de reconhecimento e más condições de trabalho podem ser o motivo para falta de motivação. Envolver os funcionários na solução destes problemas pode ajudar no desenvolvimento de um plano viável para aumentar tanto a motivação quanto a produtividade.

Nível de conforto

É difícil produzir quando você está se sentindo desconfortável. Qualquer coisa que faça os funcionários sentirem-se desconfortáveis, incluindo cadeiras, mesas, estações de trabalho, temperatura ou barulho pode afetar a produtividade. Fique atento a estes problemas.

Ferramentas

Sentir-se confortável com as ferramentas, equipamentos e softwares os quais os funcionários operam no dia a dia também afetam na produtividade. Se os funcionários não entendem ou utilizam os equipamentos incorretamente, é certo que a produtividade será afetada. Não precisamos nem falar que se os equipamentos e ferramentas forem insuficientes para as necessidades da empresa, isto impactará diretamente na performance.

Gestão deficiente

A gestão deficiente pode ser um fator contribuinte para baixa produtividade, principalmente quando a liderança não cumpre promessas, deixa de dar crédito ao trabalho dos colaboradores e culpa as pessoas pelos seus erros.  Líderes muito controladores também emperram a produtividade pois tendem a exigir aprovações até para a execução de pequenas tarefas. O não envolvimento dos líderes também é um problema, ao passo que os funcionários não tem a quem recorrer quando da ocorrência de falhas. Enfim, gestores que adotam uma atitude positiva ajudam a promover uma atitude positiva nos empregados. “No trabalho, assim como na vida, distrações fazem parte do percurso. A questão é o quanto você consegue gerir isto.”

Abaixo, você pode visualizar alguns números que causam a falta de produtividade:

Algumas estatísticas:

Principais motivos de falta de produtividade:

23,4% dos empregados que não possuem produtividade apontam o despreparo como causa.

33,2% dos empregados  que não possuem produtividade apontam a falta de orientação e como causa.

14,7% dos empregados que não possuem produtividade apontam a distração causada por outros colegas como motivo.

25% é o máximo de produtividade que um funcionário atinge quando trabalha 60 horas ao invés de 40 horas semanais, ou seja, aumenta-se em 50% as horas de trabalho para atingir somente 25% a mais de produtividade.

Internet no trabalho x produtividade:

77% dos trabalhadores que possuem conta no facebook admitem acessar a rede social no horário de trabalho.

60% das compras online são feitas no horário de trabalho.

20 horas por semana é o tempo que os empregados que trabalham com computador gastam online no trabalho sendo que 5 horas é navegando em sites não relacionados.

20% do tempo que a pessoa navega na internet é gasto em redes sociais.

90 minutos por dia é o tempo que as pessoas ficam online no trabalho. Em casa estas mesmas pessoas gastam em média 45 minutos por dia.

69% dos homens perdem tempo no trabalho navegando na internet. Com as mulheres, a porcentagem é de 62%.

Cristiano Bertulucci Silveira é engenheiro eletricista pela Unesp com MBA em Gestão de Projetos pela FVG e certificado pelo PMI. Atuou em gestão de ativos e gestão de projetos em grandes empresas como CBA-Votorantim Metais, Siemens e Votorantim Cimentos. Atualmente é diretor de projetos da Citisystems – cristiano@citisystems.com.br – Skype: cristianociti

Dinheiro não é problema

CURSOS PELA INTERNET

5S A Base para a Qualidade Total – Disponível pela Internet – Ministrado em 27/09/2013

As dicas para o sucesso do 5S em sua empresa.

A Manutenção Autônoma – Disponível pela Internet – Ministrado em 11/10/2013

Como conscientizar e habilitar o operador a cuidar adequadamente do equipamento.

Ruy Martins Altenfelder Silva

“Em São Paulo existem 300 mil professores e só quem deu aula sabe como essa profissão é difícil. Você entra na sala e enfrenta uma audiência que nem sempre é amistosa. E essas 300 mil pessoas fazem isso todos os dias. A expressão “Guerreiro da Educação” vale para cada uma delas.” Essas são palavras de José Goldemberg, eleito Professor Emérito 2014 – Troféu Guerreiro da Educação – Ruy Mesquita, numa homenagem do CIEE e do jornal O Estado de S.Paulo extensiva a todos os professores do Brasil.

Hoje, os professores raramente recebem o reconhecimento merecido pela profissão que exercem, quase sempre enfrentando adversidades de toda a ordem, em especial no ensino básico. Até há algumas décadas, contavam com o apoio dos governantes, a gratidão dos pais e o respeito dos alunos.

Mas, numa perniciosa inversão de valores, passaram a ser agredidos por alunos, questionados por pais, mal remunerados e não amparados na medida necessária pelos governantes. Um dos resultados é a desprezo dos jovens pela carreira, tanto que de 2012 a 2013 houve uma queda de 22 mil concluintes dos cursos de licenciatura, segundo o Censo do Ensino Superior. Ou seja, centenas de escolas do ensino básico continuarão sem professores para disciplinas estratégicas, como matemática e português, entre outras.

Há mais fatores desestimulantes, como a precariedade ou ausência de segurança dentro e fora das escolas; despreparo gestores; transferência pelas famílias da responsabilidade pela transmissão ao aluno de valores pessoais e sociais, de noções de cidadania e mesmo de questões de saúde. Além disso, é comum pais isentarem os filhos quando estes são punidos por faltas graves, em mais um exemplo da cultura de impunidade que viceja no país. São pais que criticam os professores e não pronunciam uma palavra de recriminação, correção ou orientação contra malfeitos dos filhos, muitas vezes graves, como agressões físicas e morais ao docente, aos colegas ou ao patrimônio físico da instituição.

Além de prejudicar a qualidade de ensino, as deficiências da gestão escolar, em especial na rede pública, acabam também por prejudicar o professor que, na melhor das hipóteses, se vê privado de condições adequadas para exercer seu ofício. Primeiro ponto criticado por especialistas: a prevalência de indicações políticas para cargos de gestão, sem critérios de competência ou formação profissional.

Dois recentes editoriais do jornal O Estado de S. Paulo colocam o dedo na ferida, ao afirmar que a má qualidade do ensino não se deve – como é voz comum – à falta de verbas para a educação. Analisando os números do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), a Controladoria-Geral da União (CGU) detectou que, de 2007 a 2013, os repasses saltaram de R$ 67 bilhões para R$ 116 bilhões, a serem usados para pagamento de professores, compra de equipamentos e  atividades básicas, como transporte e merenda. Apesar da dinheirama, a maior parte dos estados beneficiados, principalmente no Norte e no Nordeste, não atingiu a patamares médios de qualidade de ensino, havendo queda no Pará e no Piauí. Além da má gestão, tais recursos também são alvo de corrupção: a CGU aponta para a existência de desvios de verbas em 73% dos  180 municípios fiscalizados.

Entre os ralos pelos quais escoa o dinheiro da educação, a CGU identificou gastos perdulários, financiamento de campanhas eleitorais, falhas administrativas, contratos irregulares, superfaturamento, fraudes em licitações, notas fiscais frias, documentos falsificados, empresas de fachada, envolvendo políticos, servidores e prestadores de serviços – sendo que as vencedoras de licitações municipais pagam uma comissão média de 20% do valor do contrato.

Como o número de alunos não cresce na mesma proporção do salto constatado nas transferências do Fundeb para estados e municípios, é razoável inferir que há algo estranho, pois as contas não fecham. Se há mais dinheiro, porque a qualidade do ensino vem subindo, na média geral, a passos de tartaruga, como confirmam os péssimos indicadores nacionais e internacionais.

Sem um órgão eficaz de fiscalização dos recursos, o ensino público continuará a ser mais uma prova de que, no serviço público, nem sempre o que falta é dinheiro para corrigir as distorções e melhorar o desempenho do mestre e do aluno. Do que a educação necessita, de verdade, para atingir o patamar de qualidade desejável, é de ética no trato da coisa pública, de competência na gestão e de olhar vigilante da sociedade (até agora quase ausente).    

Ruy Martins Altenfelder Silva é presidente do Conselho de Administração do CIEE e da Academia Paulista de Letras Jurídicas (APLJ).