Instituto Agronômico faz levantamento sobre a seca em São Paulo

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secaResultados apontam redução de até 50% no volume de chuva em algumas regiões paulistas no mês de outubro

Carla Gomes e Fernanda Domiciano, da assessoria de imprensa do Instituto Agronômico (IAC)

Dados do IAC, de Campinas, apontam que a precipitação pluvial de outubro de 2013 ao mesmo mês de 2014 foi muito reduzida, com valores abaixo do esperado. O levantamento do IAC foi realizado em 13 regiões representativas do Estado de São Paulo.

No planalto paulista, esta redução atingiu níveis superiores a 50% em Ribeirão Preto, Guaíra, Monte Alegre do Sul e Campinas. Mesmo no litoral, como em Ubatuba, o total pluviométrico foi 18% inferior ao esperado”, afirma o pesquisador do IAC, Orivaldo Brunini. “Para se ter ideia, janeiro a março de 2014 foi o trimestre mais seco em 77 anos de análise em Ribeirão Preto. Campinas também registrou, de outubro de 2013 a março de 2014, o período com menor índice de chuva, desde 1891. O prognóstico do IAC é que possivelmente ocorram chuvas na média entre novembro de 2014 e março de 2015, o que pode gerar agravantes no período de estiagem do próximo ano”.

Em outubro iniciou-se a estação chuvosa, então, as anomalias em torno da média histórica deveriam ser zero ou próximo a este valor, porém, a estiagem prolongou-se até o final daquele mês, com índice de precipitação abaixo do esperado, com pouquíssimas localidades com anomalias positivas”, afirma o pesquisador do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.

Em Ubatuba, por exemplo, choveu 150 mm a menos do esperado para o período. Palmital foi a cidade onde mais choveu, com volume de 50 mm superior a 2013. Na região do extremo Oeste do estado, assim como em parte do litoral, a situação hídrica apresentou recuperação em outubro. A restrição, porém, continua nas demais localidades.

Embora se pense e, infelizmente, muitos acreditem que pelas suas características climáticas, São Paulo está isento do fenômeno seca, isto não é verdade”, afirma Brunini. O pesquisador explica que outros períodos de seca já ocorreram no Estado, como em 1954, 1961, 1963, 1974, 1985 e 2001.

Nossos dados apontam que este é, sem dúvida, um dos piores episódios de seca registrados. Isso se intensificou pelo alto grau de urbanização, aumento populacional, falta de preservação dos recursos naturais, entre outros fatores. Assim, é de extrema importância o estabelecimento de programas e políticas públicas para promover a segurança hídrica”, afirma.

O relatório do IAC aponta que o nível de precipitação de março, julho e outubro atingiu níveis preocupantes. “Como não temos mecanismos para evitar o fenômeno seca, devemos sim, adotar técnicas e ações que possam mitigar ou amenizar, ao longo do tempo, os efeitos danosos dessa situação”, analisa Brunini.

Segundo o pesquisador do instituto, a intensificação da seca em São Paulo ocorreu em setembro de 2013, em Campinas, Mococa e Ribeirão Preto. Para Brunini, a situação paulista já vinha se agravando há tempos e atividades como o Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERH) e o Programa de Desenvolvimento da Irrigação (PDA), os processos de outorga do uso da água feitos pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) e constante monitoramento meteorológico, como realizado pelo IAC, devem ser implementados e valorizados para atender à demanda da sociedade e propor ações para reduzir os efeitos negativos da seca.

O IAC realizou projeções meteorológicas do final de 2014 a março de 2015. As análises, baseadas em dados do próprio instituto e de órgãos especializados, indicam chuvas em torno da média, com ligeiro acréscimo da temperatura para o período de novembro de 2014 a março de 2015. A recomposição dos reservatórios, porém, não será plenamente alcançada.

Com previsão de chuva dentro da média histórica, não haverá recuperação total dos aquíferos e reservatórios, mantendo-se o sinal de alerta para o atendimento a necessidade da população, serviços essenciais, animais e agricultura em um nível mínimo e seguro, ou seja, estabelecendo um programa real de segurança hídrica. “Estas análises e projeções, se comprovadas, indicam cenário agravante para o período de abril a setembro de 2015, época de redução acentuada de chuvas em quase todo o território paulista”, explica Brunini.

O total de chuva acumulado até 27 de novembro de 2014 confirma as projeções de normalidade da precipitação, onde grande parte do estado já está com reserva hídrica recuperada do ponto de vista meteorológico e agronômico, mas não sob o ponto de vista hidrológico. “Destacamos Ribeirão Preto com anomalia negativa muito intensa e baixos volumes de chuva, mas ainda precisamos da confirmação dos dados”, diz.

A análise foi baseada no banco de dados do Instituto Agronômico, o mais completo do Brasil, com registros desde 1890. Para os estudos, foram considerados os efeitos agronômicos, meteorológicos e hidrometeorológicos da seca. A metodologia para análise e cálculo dos índices pode ser acompanhada nos sites: http://www.ciiagro.sp.gov.br; http://www.infoseca.sp.gov.br e http://www.ciiagro.org.br

Esse trabalho liderado pelo IAC conta com recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO), com a participação da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (FUNDAG), responsável por procedimentos administrativos.

Sob o ponto de vista da agricultura, as restrições hídricas ainda se mostraram severas em junho e continuaram até outubro de 2014. Somente a região de Presidente Prudente teve o índice pluviométrico adequado para o mês.

Brunini explica que com as chuvas do final de setembro e início de outubro, houve melhoria das condições hídricas, em especial no extremo Oeste paulista e no Vale do Paranapanema. A estação chuvosa, porém, não estava plenamente estabelecida, o que resultou no retorno da situação crítica. “Os resultados demonstram que as condições hídricas estavam críticas, exceto pela última semana de setembro. Somente na região de Presidente Prudente e Adamantina houve pequena melhoria para as culturas. Os valores não foram suficientes para manter o solo à capacidade de campo”, explica.

No caso da cana-de-açúcar, existe uma preocupação relacionada à estiagem nas regiões de Ribeirão Preto, Araçatuba e São José do Rio Preto, o que pode causar impacto para a o cultivo da cultura de ciclos de ano e de ano e meio, afetando o desenvolvimento das plântulas. Para as culturas de inverno, que exigem irrigação, não há indicação de recuperação de bacias hidrográficas, o que pode afetar a produção de batata e tomate, por exemplo. O desenvolvimento dos citros pode ser afetado se o aumento de temperatura, que é esperado, for superior a 2º C acima do normal. O mesmo problema pode ocorrer com o cafeeiro.

O prognóstico realizado pelo IAC, considerando oito regiões representativas de São Paulo e simulado para o período de outubro de 2014 a março de 2015, demonstra que se ocorrerem precipitações próximas ao esperado climaticamente em novembro e dezembro, será possível observar déficit hídrico. Por outro lado, em parte de janeiro, fevereiro e março de 2015 poderá ocorrer adequado suprimento hídrico às culturas com déficit climático quase nulo, nas áreas agrícolas paulistas.

Isso poderá afetar o desenvolvimento inicial do milho safrinha na região de Assis, o crescimento dos frutos do café, em Franca, e a formação final das espigas do milho safrinha, na região de São José do Rio Preto”, afirma o pesquisador do IAC. A má distribuição de chuvas poderá afetar ainda o plantio da cana-de-açúcar e o desenvolvimento de citros.

A rede meteorológica do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (CIIAGO), do IAC, monitora as condições hidrometeorológicas em mais de 145 pontos no Estado de São Paulo. Essa estrutura fornece dados atualizados a cada 20 minutos, a cada hora e totais diários dos diversos elementos meteorológicos, em especial: chuva, temperatura do ar e umidade relativa. As informações podem ser acessadas no site http://www.ciiagro.org.br/ema. “Esses dados, além de todo o suporte para a agricultura e Defesa Civil, podem dar importantes subsídios para previsão e suporte para programas de sustentabilidade da agricultura, segurança alimentar e segurança hídrica”, afirma Brunini.

Em 2005, o CIIAGRO-IAC introduziu um parâmetro estritamente agrometeorológico para análise de seca, baseado na diferenciação das culturas e em suas peculiares capacidades de retenção de água no solo, que podem ser refletidas por um maior ou menor volume de exploração das raízes. Nesse conceito, algumas culturas são agrupadas de acordo com a profundidade das raízes e considera-se também o tipo de solo, que pode determinar a profundidade do sistema radicular. 

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