Qual o protetor solar ideal para sua pele?

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???????????????????????????????????????????????????As altas temperaturas chegaram com o verão, e um item muito importante, que não devemos esquecer jamais, é o protetor solar. O uso diário do protetor, mesmo que você não esteja exposto ao sol, é essencial, pois evita doenças como o câncer de pele e previne problemas como manchas e rugas precoces.

Por falta de cultura e até mesmo informação, muitas pessoas não têm esse hábito e só aplicam o protetor em ambientes em que seu uso é primordial, como praias ou piscinas. Mas afinal, qual a maneira correta de aplicar? Qual o melhor protetor para cada tipo de pele? Qual a diferença entre eles? Com o objetivo de sanar essas e muitas outras dúvidas, a dermatologista Adriana Benito, da Rede Pró-Corpo Estética, responde as dez perguntas mais frequentes sobre protetor solar. Confira:

— Porque é importante utilizar o protetor solar mesmo quando não se está exposto ao sol ou em dias nublados?

Mesmo com o céu encoberto, é preciso usar protetor solar e evitar a exposição prolongada, pois os raios ultravioletas, embora em quantidade menor, atravessam as nuvens. Especialmente no verão, os raios ultravioletas são mais intensos, devido à incidência menos inclinada e mais direta dos raios solares em nosso hemisfério. O horário mais crítico é das 10 às 16 horas. O protetor solar deve ser aplicado diariamente, pelo menos vinte minutos antes da exposição ao sol.

— Qual a diferença entre protetor solar e bloqueador solar?

O protetor solar possui componentes que absorvem os raios UVA e UVB e os transformam em luz visível, inofensiva para a pele. Diferentemente do protetor solar, o bloqueador reflete a radiação UV e geralmente apresenta óxido de zinco ou dióxido de titânio em sua composição. O produto protege das radiações UVA e UVB. Quando aplicado, deixa a pele esbranquiçada e opaca, e inibe o bronzeado. O bloqueador solar costuma ser usado por pessoas muito claras e de pele sensível, ou em áreas da pele que sofreram cirurgias. Também é recomendado por dermatologistas para quem fez peeling, para impedir a penetração dos raios UV.

— Protetor solar em maquiagem (base, batom, etc.) substitui o uso do protetor convencional?

Existem apresentações de protetores solares em base e batom que podem substituir o protetor comum mas, para efetivamente proteger a pele, o produto precisa oferecer FPS e PPD adequados, e a maioria das bases não oferece.  Também é importante utilizar a quantidade correta.

— Qual o significado da sigla FPS (4, 8, 20 etc.)?

FPS significa Fator de Proteção Solar. Todo filtro solar tem um número que determina o seu FPS, que pode variar de 2 a 100 nos produtos comercializados no Brasil. O FPS mede a proteção contra os raios UVB, responsáveis pela queimadura solar, mas não medem a proteção contra os raios UVA.  A pele, quando exposta ao sol sem proteção, leva um determinado tempo para ficar vermelha. Quando se usa um filtro solar com FPS 15, por exemplo, a mesma pele leva 15 vezes mais tempo para ficar vermelha.

— É verdade ou mito que, acima do fator 30, todos os produtos têm o mesmo efeito?

É mito. Essa é uma ideia que foi divulgada de forma errada. O filtro solar com FPS 30 bloqueia a maior parte dos raios UV e o aumento do FPS realmente aumenta pouco o percentual de bloqueio desses raios.

No entanto, como explicado acima, usando um filtro solar com FPS 30 a pele levará 30 vezes mais tempo para ficar vermelha, e usando um filtro com FPS 60 levará 60 vezes mais tempo. Se o tempo para a pele ficar vermelha aumenta, significa que protege mais e melhor.

— Existe diferença de protetor solar entre pele clara e escura? E quem tem excesso de pintas no corpo?

O melhor fator de proteção solar para cada tipo de pele é diferente. Pessoas com pele negra necessitam de um protetor com FPS entre 6 e 15. Pessoas com pele morena, FPS entre 20 e 25. Pessoas com pele clara, FPS acima de 30. Pessoas com tendência a ter pintas têm uma aceleração no surgimento dessas lesões devido ao sol. As pintas que já estão instaladas na pele podem sofrer um processo de malignização pela exposição exagerada. Portanto, essas pessoas devem usar filtro solar com fator 30, no mínimo, e analisar suas pintas regularmente para detectar quaisquer alterações em seus aspectos.

— Usar camiseta ou outras roupas substitui o uso do protetor solar?

Mesmo que esteja vestido, não abandone o protetor solar se você irá expor-se ao sol. Peças escuras, embora mais quentes, protegem mais a pele do que roupas claras. As roupas escuras absorvem a radiação, impedindo que ela atinja a pele. Há disponíveis no mercado roupas com protetor solar. Se não puder comprá-las, prefira roupas feitas com poliamida.

— Existe protetor solar para o couro cabeludo?

Sim. Além dos protetores solares capilares, também existem cremes para pentear com proteção solar, e que não são difíceis de encontrar. É o método ideal para praia e piscina. Eles evitam danos ao cabelo e ao couro cabeludo. No dia a dia, cremes e leave-ins também são indicados. Algumas marcas de gel possuem proteção solar. Existem também alguns hidratantes em spray, mais leves que os cremes.

— Qual a diferença entre protetores em spray, creme e gel?

Todos têm o mesmo princípio ativo, mas podem ter vantagens, dependendo do tipo de pele. Os cremes são indicados para quem tem pele ressecada, porque ajudam a hidratar, além de proteger. O gel é ideal para as peles oleosas, porque não deixam aspecto pegajoso nem a superfície cutânea gordurosa. A opção spray serve para economizar tempo de aplicação, sendo muito mais prática que loções e texturas de gel.

— Quem tem alergia, o que deve fazer para se proteger do sol?

Nada substitui por completo a ação do filtro solar. A melhor saída é descobrir a substância que causa alergia em você e encontrar um produto que não a contenha em sua fórmula. Para isso, procure um especialista e mostre a ele os protetores que costuma utilizar. Assim, o médico pode analisar os produtos e indicar-lhe outros que sejam inofensivos para você.

Investimento em ferrovias: motor da competitividade e desenvolvimento econômico do país

Everaldo Barros

Com uma matriz de transportes totalmente desequilibrada, e ocupando a 65º posição no ranking mundial de eficiência logística, o Brasil tem no sistema rodoviário federal o principal e quase único meio de transporte de mercadorias em longos trajetos. E é evidente em todos os planos e escalas geográficas de meios de transporte que a preferência ainda é o investimento em rodovias. Mas, para um país com enormes distâncias, a opção por ferrovias não seria a mais adequada para a integração econômica e regional?

As deficiências estruturais e legais encontradas no país são sentidas tanto pelas empresas que atuam no mercado doméstico, quanto as atuantes no exterior. Com uma pauta exportadora, quase totalmente formada por grãos, minério de ferro e outros commodities, onde os preços são flutuantes e dependem de dezenas de fatores externos, as empresas brasileiras são expostas à própria sorte. O impacto da logística no produto brasileiro retira das nossas empresas a capacidade de competir globalmente, cerceia a entrada em novos mercados e enfraquece acordos bilaterais que poderiam ser desenvolvidos.

O principal argumento dos defensores do transporte rodoviário é que essa modalidade exige investimentos iniciais relativamente baixos para a sua implantação. E isso é verdade, ainda mais porque a malha ferroviária do Brasil tem várias carências, como cobertura territorial insuficiente e problemas graves de funcionalidade. Mas, embora a construção de uma ferrovia possa demandar custos maiores em um primeiro momento, o custo de manutenção é muito inferior ao das estradas de rodagem, já que a estrada de ferro tem maior durabilidade, tanto do seu leito quanto dos equipamentos.

Os favoráveis às rodovias também afirmam que as estradas possibilitam o deslocamento de um número maior de pessoas, favorecem o uso do automóvel e, no caso de países com dimensões continentais como as do Brasil, apresentam-se como um dos meios mais flexíveis e ágeis no acesso às cargas, pois pode chegar até os lugares mais ermos. Contudo, deixam de dimensionar o desgaste físico e mental dos motoristas, os graves acidentes envolvendo caminhões de cargas e a falta de segurança nas estradas, seja pelas péssimas condições das estradas ou pelos altos índices de roubos de cargas no País.

O impacto ambiental é outro fator essencial a ser levado em conta, já que o setor de transporte é o maior responsável pela emissão de CO₂ no Brasil, e responde por mais de 38% do total das emissões. Através de investimentos de longo prazo em ferrovias, seria possível reduzir em 30% as emissões de CO₂ no país, com impacto direto na preservação ao meio ambiente.

Ainda a favor das ferrovias, podemos citar a economia em combustível e energia, o seguro de mercadorias transportadas por esse meio – que são, em média, metade dos valores pagos nos transportes rodoviários –, além de maior facilidade de transbordo e a viabilidade de associar o transporte ferroviário a uma série de entrepostos no sistema portuário nacional. A implementação da malha ferroviária pode contribuir diretamente com a exequibilidade dos portos secos, uma solução eficiente para o ineficiente processo logístico atual do setor portuário, em que as mercadorias se mantêm em filas proibitivas, com tempo de espera que foge de qualquer padrão mundial.

Por que não estabelecer como prioridade absoluta os investimentos em ferrovias? Por que deixamos nossas empresas entregues à própria sorte ou às margens da volatilidade dos preços globais?  Por que, como país, somos incapazes de estabelecer, e cumprir, metas mínimas de investimento na expansão da malha ferroviária? Por que, através das PPPs – Parcerias Público Privadas, não atraímos investidores para as ferrovias no Brasil? Seriam nossos marcos regulatórios, ou a falta deles, um real entrave aos interessados em expandir a malha ferroviária brasileira?

O investimento em ferrovias é ponto inquestionável como fomentador da economia do Brasil, e o resultado refletirá em maior competitividade às nossas empresas e consequente desenvolvimento econômico do país. Deve ser de prioridade das diversas esferas de governo, principalmente do federal, a responsabilidade em tornar a ferrovia o principal meio de transporte do país. Procrastinar tal decisão é determinar a falta de competitividade das nossas empresas e perpetuar o baixo  crescimento econômico do Brasil.

Everaldo Barros é CEO da MAC Logistic.