De onde vem o lucro das empresas que oferecem softwares de segurança gratuitos?

NORMAS COMENTADAS

NBR 14039 – COMENTADA
de 05/2005

Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. Possui 140 páginas de comentários…

Nr. de Páginas: 87

NBR 5410 – COMENTADA
de 09/2004

Instalações elétricas de baixa tensão – Versão comentada.

Nr. de Páginas: 209

NBR ISO 9001 – COMENTADA
de 11/2008

Sistemas de gestão da qualidade – Requisitos. Versão comentada.

Ariel Sepúlveda

Com frequência cada dia maior, parte de nossas vidas se digitaliza e altera o compasso de nossos atos. O que realizamos no mundo virtual tem tanta importância e sentido quanto o que acontece na vida real. E, da mesma maneira que buscamos segurança e privacidade da vida real, deveríamos valorizar segurança e privacidade no mundo virtual.

Mas nem sempre a percepção das pessoas e das empresas acompanha de fato o que está acontecendo nos bastidores da indústria. Isto vale, por exemplo, para a Internet das Coisas. A IoT vai disseminando a percepção de que todos os recursos virtuais de que se necessita são invisíveis, estão na nuvem e não precisam ser contratados.

De uma rede Wi-Fi a portais para arquivar dados, tudo pode ser acessado de qualquer ponto geográfico, tudo pode ser gratuito.  Fica literalmente no ar uma sensação de bem-estar, de contar com os serviços que se precisa sem ter de fazer escolhas, sem ter de checar contratos, sem ter de pagar por nada. Basta fazer um search e pronto – a rede ou a aplicação que se precisa está ali, pronta para ser usada, totalmente gratuita.

Para o usuário, porém, todo este conforto pode ser uma armadilha. Para refletir a importância de ver com novos olhos esta realidade, sempre apelo a um conto indutivo de Bertrand Russel para demostrar como certas percepções podem nos levar a cometer um erro que, no futuro, pode nos custar muito caro e afetar tanto nossos bens quanto nossas informações pessoais.

Em sua primeira manhã dentro de uma granja, um peru descobriu que seu cuidador lhe dava de comer às nove horas da manhã. Porém, sendo, como era, um bom peru indutivo, não tirou conclusões precipitadas. Esperou para elaborar uma teoria até haver coletado uma grande quantidade de observações do fato de seu cuidador lhe dar de comer todos os dias às nove horas da manhã; ele fez essas observações em uma grande variedade de circunstâncias, em quartas-feiras e domingos, em dias frios e quentes, em dias chuvosos e em dias ensolarados.

A cada dia, acrescentava um novo enunciado observacional à sua lista. Por fim, sua consciência indutiva se sentiu satisfeita e efetuou uma inferência indutiva para concluir: “O melhor amigo de um peru é seu cuidador”. Mas a conclusão falhou na véspera de Natal, pois, em vez de lhe dar comida, seu cuidador lhe cortou o pescoço. Uma inferência indutiva com premissas verdadeiras levou a uma conclusão falsa.

Mas o que têm a ver a digitalização dos serviços e a Internet das Coisas com um peru? A questão é que o peru, sem saber, estava em perigo – assim como os dados, imagens e logs de acessos das pessoas que acreditam no conto de fadas das soluções gratuitas de segurança e privacidade. Cada vez que vejo um dispositivo que tem instalado um software de antivírus gratuito, por exemplo, creio que seu usuário é um “peru”. A pessoa que pensa estar levando vantagem ao usufruir de uma tecnologia sem pagar nada não sabe que já está pagando, e muito.

Afinal, quem está por trás da digitalização de serviços e da Internet das Coisas são grandes corporações. Todas as empresas têm um dever fundamental: ganhar dinheiro para ser sustentáveis, pagar salários e dar lucros a seus acionistas. Fica claro, portanto, que nenhum produto gratuito tem a capacidade de se sustentar se não utilizar alguma maneira de obter lucros a partir dos volumes de informações gerados por sua própria oferta.

O usuário crê inocentemente que, baixando uma aplicação gratuita de segurança, está isento de qualquer ameaça. Julgando-se protegido, ele abre o flanco e livremente entrega ao fornecedor da solução que usa uma grande quantidade de dados pessoais. Existem rumores muito críveis de que essas empresas vendem os padrões de comportamento de seus usuários a empresas de marketing que buscam o lugar justo e adequado para colocar seu produto com o menor esforço.

A melhor forma de escapar a esta armadilha é desistir de contos de fadas e compreender que a segurança do seu dispositivo de acesso – seja um PC, um tablet ou seu smartphone – demanda que você utilize uma solução consistente, sempre atualizada e paga. Ao pagar, você ganha direitos e passa a contar com a garantia de que seus dados serão protegidos não só de ataques externos mas de uso indevido da parte do próprio fornecedor da solução de segurança ou privacidade.

Pense racionalmente: o valor de qualquer licença de software de segurança ou privacidade é mínimo quando comparado ao prejuízo que pode ser ocasionado pelo uso de uma solução gratuita que pode, inicialmente, parecer confiável. Mais cedo ou mais tarde, porém, o que parece um presente trará ao seu dispositivo digital o Natal – exatamente o mesmo tipo de Natal que chegou para o peru da narrativa de Bertrand Russel.

Ariel Sepúlveda é engenheiro de sistemas da F-Secure Brasil.

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