A represa Billings e a sua água problemática

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Mapa Billings

Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a represa Billings deverá ser usada para abastecer parte da população que enfrenta a crise hídrica em São Paulo. O espelho d’água da Billings tem aproximadamente 100 km² e sua bacia hidrográfica estende-se por mais de 582 km², nos municípios de Ribeirão Pires, Diadema, Rio Grande da Serra, São Bernardo do Campo, Santo André e São Paulo. A represa surgiu em 1925 para gerar energia elétrica e movimentar as principais indústrias de São Paulo.

Atualmente, é responsável pelo abastecimento de 1,6 milhão de pessoas em Diadema, São Bernardo do Campo e parte de Santo André. A captação da água para tratamento é feita no braço Rio Grande e são produzidos 4,8 mil litros de água potável por segundo. Das seis cidades banhadas pelas águas da Billings, quatro são atendidas diretamente pela Sabesp com os serviços de distribuição de água e coleta de esgotos: São Paulo, São Bernardo do Campo, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

Nos últimos anos, a empresa realizou ações para elevar os índices de coleta, afastamento e tratamento de esgoto no entorno da Billings, região em que moram atualmente cerca de 1 milhão de habitantes, melhorando as condições ambientais da represa e a qualidade de vida a população. O primeiro uso da Billings, na primeira metade do século 20, foi para armazenamento de água para geração de energia elétrica na Usina de Henry Borden, em Cubatão, na Baixada Santista. Mas, ao longo do tempo e com o crescimento de São Paulo, o uso prioritário passou a ser para o abastecimento da população nos moldes de hoje.

Ao todo, a Billings colabora com 7,7 metros cúbicos por segundo de água para atender 2,3 milhões de pessoas pelos sistemas Rio Grande e Guarapiranga. Isso corresponde a um terço do Cantareira ou metade do Alto Tietê. Na Baixada Santista, o rio Cubatão também usa água da represa para abastecer 250 mil pessoas, segundo a Sabesp.

A represa Billings tem capacidade para armazenar 1,2 trilhão de litros e é considerada o maior reservatório da região metropolitana de São Paulo, segundo a Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Em janeiro, o volume armazenado era cerca de 500 bilhões de litros. Para efeito de comparação, o terceiro volume morto do Cantareira tem 41 bilhões de litros. Apesar disso, ela não é considerada como um dos sistemas de abastecimento da Grande São Paulo e fornece água para complementar os sistemas.

Estima-se que a Billings teria capacidade para fornecer água a cerca de 4,5 milhões de pessoas, o que não ocorre devido à poluição e intensa ocupação irregular nas margens, segundo especialistas. A presença de contaminantes industriais é outra preocupação.

Esse reservatório foi usado por muito tempo para receber afluente industrial e o lodo no fundo da represa ainda tem uma concentração grande desses resíduos. A água da represa tem níveis diferentes de poluição.

Desde 1958, a Sabesp usa água de dois braços da represa: do Rio Grande retira 5,5 m³/segundo para atender Diadema, São Bernardo e parte de Santo André. Essa parte do manancial é considerada mais limpa e é isolada da parte mais poluída da Billings.

Do Rio Taquacetuba retira 2,19 m³/segundo. Esse trecho é mais contaminado porque está próximo à área de descarga da água dos rios Tietê e Pinheiros sem tratamento, e enviados para o Guarapiranga. Entretanto, nem toda a represa tem a mesma qualidade.

Alguns especialistas acreditam que as técnicas convencionais de limpeza da água usadas hoje em São Paulo não são suficientes para tratar esse tipo de contaminação. Mas, existem sistemas mais sofisticados, como o de membranas ultrafiltrantes com mais capacidade para reter impurezas, como alternativa.

A tecnologia denominada membranas ultrafiltrantes nos processos de tratamento faz parte de uma família mais ampla de membranas, entre as quais se pode destacar as de microfiltração, nanofiltração e osmose reversa. Essas membranas se diferem entre si pela porosidade. Ou seja, a capacidade de deter sólidos é a principal forma de classificar o tipo da membrana. As de ultrafiltração, por exemplo, são microporosas e capazes de separar sólidos de diâmetro entre 2 e 50nm. Já as de microfiltração retêm sólidos superiores a 50nm.

Existem diversos tipos de membranas de ultrafiltração, mas as mais usadas são as de fibra oca que, quando projetadas para fluxo de fora para dentro, deixam o iodo ativado do lado de fora, enquanto o permeado limpo passa através da membrana. A água limpa, então, sai pelas paredes da membrana.

A eficiência das membranas é amplamente comprovada, sendo que a qualidade da água ou do efluente tratado é altíssima. Por isso, as membranas também ajudam as empresas a cumprirem as exigências para os lançamentos de efluentes em corpos receptores e sistemas de coleta de esgotos sanitários.

Muito usada para o fracionamento de leite e proteínas, purificação de solvente e água, e tratamento de esgotos, a técnica é considerada uma das melhores do mercado para a remoção de sólidos em suspensão, bactérias, vírus e outros agentes. O problema é o seu custo, o que faz muitas empresas desistirem de implantá-la.

membrana

Além disso, os sistemas de ultrafiltração precisam ser associados a outros processos de tratamento, como a aeração. Ou seja, existem também os sistemas compostos por membranas biorreatoras (MBR), nos quais todo o tratamento de água e efluentes ocorre dentro do equipamento, diferente dos sistemas de ultrafiltração, que precisam ser completados por outros processos. Apesar de ambas as técnicas serem usadas para a mesma função – tratamento de líquidos – a aplicação, porém, é diferente.

A MBR tem sido usada para o pré-tratamento de água do mar. O permeado, por sua vez, é encaminhado para o processo de osmose inversa, ocasião em que a água adquire condições para consumo. Os técnicos dizem que esse processo é recomendado para as companhias que fazem muito reuso de água. Para quem quer um efluente de qualidade superior ou possui pequeno espaço para implantar um sistema, é a melhor alternativa.

Enfim, as membranas acabam substituindo ou eliminando uma etapa de filtros para polimento e, apesar de exigir um investimento financeiro maior, os benefícios em longo prazo compensam. Ao se analisar o investimento e a operação, a vantagem é maior. Muita gente não leva em consideração a área ocupada pelos sistemas convencionais e o pequeno espaço exigido pelo de membranas ultrafiltrantes. A manutenção dos sistemas de membranas de ultrafiltração também é simples, porque tem uma limpeza química.

A Sabesp ainda não definiu como será ampliado o tratamento com o aumento da vazão da Billings, mas o sistema de membranas já é usado pela empresa e deve ser implantado nas estações de reuso de esgoto, as EPARs. O resultado, segundo o superintendente de tratamento de esgotos da RMSP Roberval Tavares de Souza, é uma água absolutamente limpa e sem nenhuma impureza.

Apesar da indicação do uso de membranas ultrafiltrantes, a Sabesp não deixa claro como o tratamento da água será adaptado para o aumento da vazão nos sistemas Guarapiranga e Alto Tietê. O governador disse que serão instalados contêineres para a filtragem com membranas, mas o material precisa ser importado porque não há fabricação no Brasil.

A Sabesp diz que essa tecnologia produz água com muito mais rapidez e que precisa de um espaço físico menor. O tratamento, que levaria pelo menos duas horas, ocorre em 20 a 30 minutos, funcionamento automatizado e com menos produtos químicos.

A obra de interligação do Rio Pequeno ao Sistema Rio Grande, ambos braços da Billings, permitiria a entrada de 2,2 m³/s, atendendo a áreas que dependiam do Cantareira. Para alguns técnicos, avançar no uso da Billings como um manancial de abastecimento seria uma solução mais sustentável de cuidado com a água. Ou seja, recuperar uma represa que já existe, usar uma fonte de água ao lado da cidade e não gastar bilhões para construir novas represas em locais distantes e que, não necessariamente, trarão os mesmos resultados no tempo que se precisa.

Os técnicos sugerem, como primeira mudança para permitir o uso da Billings para abastecimento, que a água do Rio Pinheiro deixe de ser bombeada para a represa. Porém, isso não é coisa simples, porque precisaria estar integrado com a questão da drenagem e das enchentes, mas não é impossível, já que a represa tem características que facilitam sua recuperação, como a grande extensão (106,6 km²).

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