A comunicação entre pais e filhos

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Bibianna Teodori

A comunicação entre pais e filhos é parte essencial do desenvolvimento das crianças. Para sermos felizes, precisamos de nutrição afetiva, estímulos e contato. Quando se estabelece uma comunicação assertiva com as crianças, cria-se, consequentemente, uma profunda conexão com elas. Somente com esse elo podemos transmitir a nossos filhos as mensagens afetivas. Essa é a melhor forma para educar, pois comunicar alimenta a alma, constitui valores e expressa emoções.

A criança necessita de reconhecimento dos pais para se sentir importante e amada, por isso, é fundamental declararmos o nosso amor. É importante dizer “amo você, filho”. Esta simples frase expressa a própria capacidade de amar e também que o outro é amável. Para os filhos, conversar com os pais mantém viva a conexão interior entre eles.

Assim, sentem-se amados, escutados, importantes, apoiados. O acolhimento permitido por essa comunicação desenvolverá autoconfiança, autoestima, autoeficácia, autossuficiência. Por meio da conversação diária, podemos alimentar o gênio que existe dentro de cada ser em formação.

Já para os pais, conversar diariamente com seu filho permitirá observar e compreender como os filhos se sentem, de que modo eles preferem se comunicar, como se movem no mundo, quais são os seus gostos, suas preferências, necessidades, seus pontos fortes e fraquezas. Somente respeitando o modo de seu filho ver, falar e se mover no mundo é possível criar proximidade. Filhos são seres únicos e o fato de expressarem uma personalidade diferente dos pais nem sempre significa desobediência ou vontade de contradizer.

A comunicação é uma arte, é a capacidade especial que supõe entregar-se ao outro. Há uma diferença muito grande entre as palavras falar e se comunicar. Quando articulamos palavras, sem necessariamente nos preocuparmos de ser compreendidos, significa que estamos falando. Diferentemente, quando os filhos compreendem as intenções através daquilo que dizemos, então significa que estamos nos comunicando com eles.

Às vezes, uma boa comunicação significa ficar em silêncio, para não piorar as coisas. Segundo o Dr. Albert Mehrabian, docente da universidade UCLA, da Califórnia (EUA), estamos nos comunicando sempre. O conteúdo verbal representa na comunicação apenas 7%, um dado surpreendente.

Portanto, para sermos eficazes nestes 7%, é necessário nos concentramos e melhorar o uso do tom, volume, ritmo, da intensidade da voz. As pausas e os silêncios respondem por 38% da comunicação.

No entanto, mais da metade, algo em torno de 55%, é representado pela comunicação não verbal, ou seja, a linguagem da postura, expressão facial, gestos, corpo, etc. Dessa forma, sempre estaremos comunicando algo com aquilo que dizemos e não dizemos, como nos expressamos, como utilizamos o nosso corpo enquanto estamos falando, e com a nossa presença ou a nossa ausência.

Uma pesquisa realizada na Europa, com 2.000 pais de crianças entre 3 e 18 anos, apontou que 42% dos pais não se sentem bons o suficiente porque passam 30 minutos com os filhos depois do trabalho. Alguns minutos são suficientes para estar com os filhos? A vida é corrida para a maior parte dos pais, muitos precisam trabalhar em dois ou três empregos, e às vezes chegam em casa e os filhos estão dormindo.

Acredito que a qualidade do tempo que passamos com os filhos seja mais importante que a quantidade. Mesmo com pouco tempo podemos dizer a eles o quanto os amamos e o quanto podem contar conosco.

A brecha para conversar estabelecer um elo de comunicação pode ser aberta com perguntas sobre a rotina dele. Questões francas abrem o canal da comunicação, enquanto outras fecham. Por exemplo: “Foi tudo bem na escola hoje, filho?”. A resposta pode ser um monossilábico “sim”.

Se perguntássemos “Como foi hoje na escola, filho?”, o diálogo poderia ter continuidade. A partir daí, todos os assuntos pertinentes à rotina da criança podem ser explorados, como escola, amigos, sexualidade, drogas, espiritualidade, etc.

Sem esse tipo de relacionamento não se cria a conexão e, consequentemente, não há comunhão, confiança, liberdade e apoio. A criança cresce sozinha e insegura, sem ter aprendido o que significa ser amada de verdade.

A melhor herança que podemos deixar para os nossos filhos é fazer com que eles se sintam amados. Portanto, abrace, beije, converse com os filhos, dedique o máximo de tempo que você conseguir. Aprenda com eles!

Bibianna Teodori é executive e master coach, idealizadora e fundadora da Positive Transformation Coaching – www.bibiannateodoricoach.com.br

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