Ferramenta Linha do Tempo auxilia na gestão e melhora de vida

Especialista comenta sobre a importância de se ter condução sobre o tempo

Podemos não saber exatamente o que é tempo e o que ele representa para nós, mas sabemos exatamente como medi-lo – pelo menos de maneira formal. Porém, medir o tempo é algo de certa maneira superficial, afinal, o que realmente importa é o que é feito com ele, e não sua medida em números. Mas e você, sabe com o que tem gastado o seu tempo? Se você tivesse uma linha do tempo, onde estaria? Se tivesse que apontar em direção ao seu passado, para onde apontaria? Onde fica o seu futuro?

Com poucas perguntas percebemos que o tempo é algo muito mais complexo do que números e datas especiais: ele é aquilo que praticamente ‘controla’ a nossa vida, mas cabe a nós decidir como esse tempo será investido e se preferimos viver no passado, aproveitar o presente ou planejar o futuro. Qual a sua escolha?

Segundo Andreia Rego, psicanalista e coach de desenvolvimento humano no Rio de Janeiro/RJ, ao apontar uma direção no seu passado e escolher uma posição para o seu futuro, ligando-se tudo isso, cria-se a sua própria linha do tempo, ferramenta importante para que as pessoas não se sintam perdidas e saibam como se localizar em sua vida. “Utilizo a ferramenta Linha do Tempo para ajudar pessoas a acessarem seus melhores recursos, criarem futuros alcançáveis e a organizarem suas vidas”, comenta a coach.

Para complementar o entendimento sobre a ferramenta, há três passos principais: a gestão do tempo; o fato de lidar com o passado e acessar recursos; e o olhar para o futuro. Andreia Rego explica melhor. “A gestão do tempo, primeira parte da ‘Linha do Tempo’, é ainda dividida em três esferas menores, nas quais são classificadas as atividades urgentes, as atividades importantes e as atividades circunstanciais”, ressalta.

Segundo a especialista, nas atividades urgentes se encaixam aquelas tarefas que já deviam ter sido executadas, mas que ainda não foram. “Você sente que não pode deixar de executá-las. Você já estourou ou está quase estourando o prazo das atividades e isto pode te trazer sérias consequências. Exemplo: entregar um relatório, ir ao médico, levar o carro na oficina mecânica, etc.,” pontua.

As atividades importantes são todas aquelas que possuem prazo e alavanca a vida da pessoa, trazendo melhores resultados, como estudar para uma prova, preparar-se para uma entrevista, analisar a pauta de uma reunião complexa, etc. Já as atividades circunstanciais são aquelas excessivas ou que não trazem resultado nenhum. “Coloco nessa categoria aquelas atividades que fazem a hora, o dia, a semana passarem e depois você fica com a sensação de arrependimento por ter gastado tanto tempo à toa. Exemplos simples – e clássicos – são: ficar muito tempo nas redes sociais, assistir muito televisão, dormir em excesso, falar ao telefone, jogar vídeo-game por horas, etc.”, diz Andreia Rego.

Já a segunda parte da ‘Linha do Tempo’, que trabalha como lidar com o passado e acessar recursos, diz respeito a entender de onde a pessoa vem entender e analisar seus erros e maiores acertos, superar possíveis perdas e rancores e, com isso, ter certeza do que fazer para melhorar daquele ponto para frente. A partir de então, será focar no terceiro passo, que é olhar para o futuro.

“Quando a pessoa está pronta para seguir em frente, mais consciente da sua linha do tempo, é a hora de fortalecer suas metas, traçar os caminhos necessários e se orientar na melhor direção. Se existirem muitas dúvidas ou insegurança nesse processo, ou se a pessoa não souber muito bem qual caminho seguir, uma opção é procurar um profissional que, com um olhar externo, possa ajudar a pessoa a enxergar por um novo viés – porém, sempre lembro que é a própria pessoa que escolhe o caminho a ser traçado, o trabalho do coach ou psicanalista serve como um ‘empurrão’, como uma visão profissional para o assunto”, ressalta Andreia Rego. “O nosso sentido de tempo é crucial para nossa identidade. Reorganizar linhas do tempo é uma forma poderosa de mudar a realidade de uma pessoa”.

DOE e Taguchi: uma comparação

GLOSSÁRIO TÉCNICO GRATUITO

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Eduardo Moura

Anos atrás (por volta de 1995!) preparei uma tabela comparando o DOE (Design of Experiments) clássico e o Método Taguchi de Engenharia Robusta, a qual compartilho com o leitor nesta edição. Após 3 décadas de experiência com inúmeras técnicas para melhoria de produtos e processos (desde as primeiras etapas de desenvolvimento até a produção em alta escala), constatei que há duas que ocupam, de longe, o primeiro lugar no pódio: TRIZ e Engenharia Robusta. Opino que estes métodos deveriam ser parte do curriculum de Engenharia, tamanha é a eficácia dos mesmos, especialmente se forem usados de maneira sinérgica (mas isso é assunto para outro artigo).

No ambiente industrial, não tenho nenhuma dúvida de que a Engenharia Robusta é muito superior ao DOE, no que diz respeito à obtenção de resultados em tempo hábil, de maneira econômica. Essa deveria ser a conclusão após um exame (e reflexão) sobre as diferenças apontadas na tabela. Tenho comprovado tal superioridade em inúmeros casos reais de aplicação. Escolas de engenharia e empresas de consultoria que ensinam  Seis Sigma e/ou Delineamento de Experimentos mas que passam por alto os Métodos Taguchi estão fazendo um desserviço a seus clientes, sonegando-lhes informação extremamente valiosa (é claro que na maioria dos casos o fazem por absoluta ignorância, ou informação incompleta, distorcida ou antiquada sobre Taguchi). Empresas que não se preocupam em assegurar que seus engenheiros dominem o uso da Engenharia Robusta (deixando-os utilizar o “TIRO” para enfrentar problemas complexos de otimização) estão desperdiçando tremendas oportunidades de aplicar eficazmente e desenvolver o know-how de sua gente.

Bem, reconheço que a tabela a seguir é relativamente técnica. O entendimento completo da mesma pressupõe algum conhecimento sobre conceitos para realização de experimentos de engenharia. Por isso ofereço antes um pequeno glossário de alguns termos técnicos utilizados na tabela, visando facilitar o entendimento:

Mini-glossário (minha definição, sem maiores pretensões…)

Fator experimental: fator cujo efeito sobre a variável-resposta queremos quantificar, através dos dados experimentais.

Variável-resposta: variável aleatória associada ao produto ou processo sob estudo, cujo desempenho queremos melhorar.

Efeito principal: variação da resposta média causada pela mudança de nível de um fator experimental.

Nível de um fator: condição ou ajuste dado a um fator experimental.

Interação entre fatores: ocorre quando o efeito de um fator depende do nível em que está o outro.

ANOVA (Analysis of Variance): técnica estatística que permite identificar quais variáveis têm efeito significativo sobre a resposta média.

Teste F: teste estatístico de hipótese, utilizado para avaliar se duas amostras têm variância significativamente diferentes. Usado na ANOVA para avaliar (qualitativamente) o efeito que os fatores experimentais têm sobre a resposta média, em comparação com o erro experimental.

Fator de controle: fator experimental cujo ajuste (mudança de nível) não afeta ou tem mínimo impacto no custo unitário de manufatura (custo unitário totalmente variável).

Fator de ruído: fator normalmente associado ao ambiente de manufatura ou de uso, cujo ajuste pelo fabricante é impossível ou que implica aumento considerável do custo unitário de manufatura.

Fator aninhado: fator de controle que só existe ou se define dentro de um determinado nível de outro fator de controle.

Relação sinal/ruído: medida em escala logarítmica (decibéis) que expressa matematicamente a relação entre a energia transformada em resposta útil para o cliente (efeito dos fatores de controle e demais fatores de projeto) e a energia perdida em sintomas indesejáveis (efeito dos fatores de ruído). É um indicador relativo do nível de robustez do produto/processo sob estudo.

Tratamento: uma dada combinação de níveis dos fatores de controle e ruído, correspondente a uma “rodada” do experimento.

Erro experimental: incerteza associada ao valor da resposta e atribuída a fatores externos, distintos aos fatores de controle.

Aleatorização: técnica do DOE clássico cujo objetivo é “espalhar” o e“bloco” (determinado número de rodadas ou tratamentos).

Experimento fatorial completo: os tratamentos cobrem todas as possíveis combinações dos níveis dos fatores.

Experimento fatorial fracionado: os tratamentos cobrem apenas uma fração (matematicamente selecionada) dentre as possíveis combinações de níveis dos fatores experimentais.rro experimental ao acaso entre as várias rodadas ou “tratamentos” do experimento (isto é, diferentes combinações dos fatores e eventuais repetições das mesmas).

Blocagem: variação controlada de um fator externo (distinto dos fatores de controle), cujo nível é mantido constante dentro de cada.

 

DOE clássico TAGUCHI (Engenharia Robusta)
Contexto ideal Pesquisa; ciência pura Indústria; ciência aplicada (tecnologia)
Objetivos Estudo científico: validar hipótese a partir de dados com variabilidade intrínseca. Estudo de engenharia: custo, qualidade, prazo(valor agregado)
Modelar a realidade, entender o fenômeno Modificar a realidade, otimizar produto/processo
Obter um modelo válido sob condições rigorosamente controladas Obter resultados experimentais que sejam reproduzíveis em alta escala (fabricação e uso)
Postura Detectar causas Minimizar o impacto das causas
Separar efeitos principais em relação aoerro experimental Achar condição estável diante do “ruído”
Variável-resposta Estudo de médias, apenas Estudo simultâneo da média e variabilidade(relação sinal/ruído)
Tendência de estudar múltiplas respostas Tipicamente uma única resposta, relacionada c/ função primária do produto/processo (transformação de energia realizada pelo produto/processo)
Nenhuma ênfase na escolha da variável resposta. Tende a medir atributos ou “sintomas” (porcentagens, rendimentos etc.) Grande ênfase na escolha da resposta. Procura medir variáveis contínuas diretamente relacionadas com a função básica do produto/ processo.
Fatores estudados Não há distinção Distinção a priori entre fatores de controle efatores de ruído
Aplicabilidade dos resultados Tipicamente pontual; restrita à faixa de variação dos fatores. Tipicamente mais ampla, aplicável a toda uma faixa de interesse (usando “resposta dinâmica”, com o objetivo de desenvolver tecnologias robustas, utilizáveis em uma ampla faixa de uso).
Metodologia Rigor estatístico: ênfase em significância estatística (ANOVA e Teste F) Critérios de engenharia: ênfase em significância técnica e considerações de custo
Erro experimental: abordagem probabilística; erro considerado aleatório e assumido como constante. Erro experimental: abordagem determinística; erro considerado como efeito do ruído, e assumido como não-constante.
Ênfase em aleatorização (com o objetivo de “espalhar” o efeito de fatores externos não-controláveis). Nenhuma ênfase em aleatorização (devido ao uso de fatores de ruído, os quais são impostos sobre os fatores de controle). Se a reprodutibilidade dos resultados depende de aleatorização, então tais resultados são inúteis do ponto de vista prático, pois durante a manufatura em alta escala e no ambiente normal de uso as varáveis externas (fatores de ruído, cuidadosamente controlados no experimento) estarão à solta.
Blocagem utilizada de modo a “isolar” o efeito de fatores externo controláveis (a fim de reduzir o erro experimental). Blocagem (ruído composto) utilizada para impor o ruído sobre os fatores de controle, de modo a “forçar” a variação da resposta em duas condições extremas (a fim de aumentar o erro experimental e assim poder medir a robustez).
Uso de replicações (amostras maiores em cada rodada), para poder estimar o erro experimental. O uso da técnica de ruído composto dispensa o uso de replicações. Podem ser usadas amostras pequenas em cada rodada: tipicamente n=2, com um valor em cada condição extrema do ruído, já que isso funciona como se fosse uma amostra aleatorizada muito grande.
Fatores de controle Tipicamente 3 a 4 fatores estudados simultaneamente Tipicamente 8 a 13 fatores estudados simultaneamente
Dois níveis cada fator Três níveis ou mais (a fim de explorar não linearidades e tendências, e assim identificar nova região de otimização)
Interações entre fatores de controle Considera apenas interações sobre a média. Reserva espaço no experimento para o estudo de tais interações. Não dá importância a interações sobre a média, já que estas depois são canceladas ao ajustar a resposta média na condição ótima final.Utiliza várias técnicas para evitar interações entre fatores de controle sobre a relação sinal/ruído. O experimento confirmatório ajuda a detectar esse tipo de interação (que permite medir o nível de robustez, através da relação sinal/ruído).
Interações têm precedência sobre efeitos principais (evitar confundimento) Efeitos principais têm precedência sobre interações (deixar que eventuais confundimentos insuspeitos a priori se manifestem no experimento confirmatório)
Interações entre fatores de controle e fatores de ruído Não faz distinção Ponto vital do estudo! Detectá-las é fundamental para conferir robustez ao produto/processo. Utiliza a relação sinal/ruído para tal fim (a qual contém uma “ANOVA embutida”).
Uso dematrizes experimentais Recomenda usar fatorial completo (para não perder informação sobre interações) Recomenda não usar fatorial completo (inviável para vários fatores com 3 níveis). A perda de informação sobre interações entre fatores de controle não é relevante para o objetivo de identificar a condição robustez dos fatores (mínima variabilidade diante do ruído).
Também usa fatorial moderadamente fracionado Usa fatorial altamente fracionado (arranjo ortogonal saturado)
Uso de fatorial fracionado visa reduzir o tamanho do experimento. Uso do fatorial fracionado, em layout “cruzado” com o ruído, visa detectar robustez e “filtrar” projetos não-robustos (além de reduzir o tamanho do experimento).
Adaptação da matriz às condições particulares de cada experimento Extremamente complexa, requer estatístico com alto grau de especialização e experiência em DOE para lidar com experimentos não-simétricos (diferentes número de níveis) ou fatores aninhados, por exemplo. Extremamente facilitada com técnicas desenvolvidas por Taguchi. Pode ser feita por engenheiros, após treinamento básico.

Eduardo Moura é diretor da Qualiplus Excelência Empresarial – emoura@qualiplus.com.br