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A estória de Lorenzo Odone, contada no filme O Óleo de Lorenzo, é um recurso extremamente rico para aprender a resolver problemas complexos e aparentemente sem solução.

Claudemir Oribe

Estudar e aprender a resolver um problema complexo pode ser mais divertido do que possa aparentar. O filme O Óleo de Lorenzo é um recurso riquíssimo, pois nele é possível ver um processo de resolução sob vários pontos de vista. Depois de aprender o método, o interessado pode assistir ao filme e nele há muito que observar e aprender.

O filme conta a estória verídica de Lorenzo, um menino de pai Italiano e mãe americana que, depois de voltar aos EUA após uma temporada morando na África, ele foi diagnosticado com uma doença degenerativa do cérebro, chamada ALD ou Adrenoleucodistrofia[i]. Na época em que se passa a estória, na década de 80, não havia cura e nem tratamento desenvolvidos e a morte, em até 24 meses, era inevitável para toda criança diagnosticada com a doença.

Ao assistir a estória, narrada com perfeição pelo diretor e com atuação magnífica dos intérpretes, é possível observar a aplicação de um método científico, a questão do rigor científico, às barreiras enfrentadas e superadas durante a análise do problema e o comportamento das protagonistas.

O método científico de resolução de problemas é muito bem ilustrado. Pode-se observar claramente a identificação do problema pela observação dos sintomas[ii]. Os pais desconfiaram de várias coisas e procuraram vários médicos até que um deles identificou o mal corretamente. Se isso não acontecesse, o menino poderia ter morrido, tentando terapias que certamente seriam mal sucedidas. Na etapa de Análise, os pais foram procuram informações para compreender o mecanismo da doença por meio da formulação de hipóteses sobre como ela agia no cérebro do seu filho. As explicações custaram a aparecer e só foram reveladas depois de muitas seções de estudo e discussões com médicos e especialistas. Duas hipóteses foram formuladas e testadas, sendo que apenas a segunda possibilitou um efeito mais eficaz.

Do ponto de vista metodológico é possível assistir a formulação de uma solução, a confirmação da eficácia da solução por meio de um experimento controlado, a implementação da solução, a verificação dos resultados, a padronização e o planejamento de ações remanescentes para outras crianças que portavam a doença e, também para dar continuidade às pesquisas e melhorar a solução encontrada[iii].

Embora o método científico tenha sido aplicado, isso não aconteceu de forma harmônica. Muitos embates metodológicos aconteceram entre os pais e o médico – Dr. Nikolay interpretado por Peter Ustinov – pois o pesquisador era obrigado a seguir o método com rigor devido aos riscos humanos que sua ausência implicaria. No entanto, os experimentos demandariam anos, talvez décadas, tempo que Lorenzo definitivamente não possuía. Os pais tinham que recorrer a riscos maiores, pois o tempo (sim sempre ele…) estava se esgotando e a saída era se valer de uma abordagem experimental[iv] mais ousada, sobre o próprio filho. É possível observar como o tempo acaba determinando a abordagem e como o método pode ser flexibilizado desde que utilizado dentro de premissas e hipóteses plausíveis.

Quanto às barreiras, o solucionador de problemas encontrará no filme a referência de que precisa para constatar que não basta boas intenções e disposição, mesmo que extrema. As dificuldades estão por todo o lado, mesmo naqueles que, em princípio deveriam colaborar. O maior problema é a falta de informação, pois tratava-se de algo novo e o pouco que existia estava fragmentado entre poucos especialistas ao redor do mundo. Tiveram que recorrer à biblioteca e, mesmo sendo leigos, estudar bioquímica[v]. O estresse da situação provoca conflitos. O casal Odone briga com a tia do menino, com o médico, com enfermeiras, com a associação de pais de portadores da doença e até entre si. O óleo que precisam, e que pode salvar seu filho, nunca tinha sido produzido antes. Depois de procurar por mais de uma centena de laboratórios, acabam encontrando um na Inglaterra que se dispõe a sintetizá-lo. Tudo é dificílimo e extremamente trabalhoso. Eles correm o risco de experimentar o óleo no filho, e talvez até antecipar sua morte, mesmo diante da recusa do médico de continuar colaborando[vi].

Finalmente e talvez uma das maiores lições a tirar, é o comportamento obstinado do casal Odone. Movidos por um amor singular pelo filho e dispostos a qualquer coisa para salvá-lo, eles vencem barreiras cognitivas e perseguem a compreensão do processo que desencadeia a doença e a busca de uma solução inovadora[vii], como se fossem salvar a própria vida. A motivação necessária à resolução de um problema complexo é ilustrada ao extremo nessa estória real, emocionante e educativa que, não apenas ensina, mas nos enche de entusiasmo para tentar protagonizar uma experiência de vida ao menos em parte semelhante. A estória é tão rica que vale a pena assistir várias vezes para extrair a lição contida em cada cena. É diversão e aprendizado garantido. E com pipoca fica melhor ainda!

Claudemir Oribe é mestre em administração, consultor e instrutor de MASP, ferramentas da qualidade e gestão de T&D – claudemir@qualypro.com.br

Referências

O ÓLEO DE LORENZO. Direção: George Miller. Produção: Doug Mitchel e George Miller. Intérpretes: Nick Nolte; Susan Saradon; Peter Ustinov; Zack O’Malley Greenburg e outros. Roteiro: George Miller e Nick Enright. Los Angeles: Universal Studios, 1992. 1 DVD (129 min.), Color.

ORIBE, Claudemir Y. Quem Resolve Problemas Aprende? A contribuição do método de análise e solução de problemas para a aprendizagem organizacional. Belo Horizonte, 2008. Dissertação (Mestre em Administração). Programa de Pós-Graduação em Administração da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

ORIBE, Claudemir Y. Como Resolver Problemas de Forma mais Prática: o MASP experimental. Revista Banas Qualidade, São Paulo: Editora EPSE, n. 256/64, outubro de 2013. p. 78.

MAGALHÃES, Helvécio Patrocínio de. O Método Científico Ilustrado no Filme O Óleo de Lorenzo. In. MAGALHÃES, Helvécio Patrocínio de. Uma investigação sobre métodos para solução de problemas na ótica da engenharia: análise da teoria e da prática. Belo Horizonte, 2005. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Escola de Engenharia, UFMG. Cap. 2.3. p. 30-34. Disponível em: http://www.dep.ufmg.br/pos/defesas/diss133.pdf. Acesso em: 23/02/2007.

The Mielin Project. Disponível em http://www.myelin.org/. Acessado em 05/03/2015.

i] A ALD, é uma doença genética rara, que é transmitida por mulheres portadoras e que afeta apenas os filhos homens. Na ALD provoca um acúmulo excessivo de ácidos graxos de cadeia muito longa (AGCML) constituídos de 24 ou 26 átomos de carbono em tecidos corporais, sobretudo no cérebro e nas glândulas adrenais. A consequência disso é a destruição da camada de mielina, o revestimento das células nervosas, o que afeta a transmissão de impulsos nervosos, levando o cérebro a perder suas funções.

[ii] A observação aconteceu antes da identificação do problema como parte deste. Diante do pouco tempo, nenhum cronograma foi feito, embora o prazo tenha sido monitorado constantemente. O casal Odone partiu e se dedicou com afinco à Análise depois da identificação do problema.

[iii] Depois de vencida a progressão da doença, Augusto Odone iniciou o projeto mielina, para fomentar pesquisas visando recuperar as células nervosas já destruídas. Ver The Mielin Project.

[iv] Ver Oribe, 2013.

[v] Esse trecho ilustra bem como os usuários de MASP precisam preencher as lacunas de conhecimento, aprendendo sobre o que já existe e desenvolvendo soluções novas, se for o caso. Isso faz do caso um exemplo de inovação.

[vi] Lorenzo Odone morreu de pneumonia com 30 anos, 26 anos após ser diagnosticado com a doença.

[vii] Por este feito, Augusto Odone, pai de Lorenzo recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Stirling.

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