Crises e realejos – a música é sempre a mesma

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L. A. Costacurta Junqueira, diretor do Instituto MVC

Trabalho em consultoria e treinamento há 50 anos. Com base em minha história de vida posso dizer que todas as crises, com poucas exceções, se revestem de características e comportamentos bastante similares e repetitivos.

Vejo crises como realejos, sempre tocando as mesmas músicas, com pequenas mudanças em seu ritmo. Para provar o que digo, lembro ao leitor que esta é a terceira versão de um artigo escrito há 30 anos. Dito isso o leitor deve se preparar para ler um artigo que não é inédito. Por uma questão de respeito ao leitor devo dizer que esse texto é, apenas, 05% novo.

A situação da economia brasileira tem gerado profundas mudanças no comportamento de executivos e empresários; essas mudanças ocorrem nos procedimentos de compra, de venda, no planejamento da vida, na gerência de modo geral. Uma característica nova é que, agora, há uma variável nova: A descrença em algumas instituições do setor público.

Eis uma lista das alterações de procedimentos e características que mais frequentemente temos observado:

– Aumento significativo das pessoas que nos procuram (e que não nos procuravam): antigos prestadores de serviços, consultores, clientes, amigos de infância, etc.

– Um certo caradurismo coletivo, em que o hábito de pechinchar se institucionalizou. Todos querem um desconto, uma vantagem extra, algo mais, (inclusive para “mostrar serviço ao superior hierárquico, às vezes até em detrimento da qualidade do que está sendo contratado”). Tudo passa a ser negociável, os preços fixos são maleáveis, as ofertas não são definitivas, etc. Também reaparece com força a figura da renegociação.

– Preocupação com os resultados em curto prazo, com o tangível, com o operacionalizável, com a “garantia”, com o retorno do investimento…; tudo como se o mundo fosse terminar no dia seguinte.

– Motivação para a competição predominando sobre a motivação para a cooperação; “cada um por si e Deus por todos” Na era do trabalho em equipe e do compartilhamento do conhecimento isso é quase uma heresia.

– Preocupação em cortar o micro (cafezinho, xerox, o boy, etc.) para preservar o macro (o salário, o emprego, o status). É a predominância do tim-tim por tim-tim sobre o tão-tão por tão-tão.

– Alardear pessimismo, falar dos insucessos, ser o “profeta da catástrofe”(inclusive para evitar pedidos de emprego dos amigos).

– Para alguns, o tempo passa a sobrar, novas atividades têm que ser inventadas para “preencher” o dia. O executivo passa a chegar mais cedo em casa ou “inventar” atividades no escritório para parecer que está ocupado.

– Há um aumento de preocupação com os objetivos de natureza individual/profissional em detrimento daqueles puramente de natureza organizacional: “Se minha empresa naufragar, eu pelo menos sobreviverei”.

– Procura-se incessantemente uma segunda atividade, aumenta o número de “consultores”, professores” e aprendizes” de outras atividades, que não exijam tempo integral.

– Os homens passam a incentivar cada vez mais o trabalho das mulheres (das próprias e das subordinadas, no campo profissional). A ideia é que todos estejam ocupados.

– O nível de tensão cresce na organização, aumentam os problemas de relacionamento interpessoal; passa a aparecer mais aquele executivo de natureza apaziguadora, que busca a harmonia, que tem mais empatia e habilidade de conviver com situações mais conflituosas.

– Sobrevivem os executivos que suportam mais a tensão, que tem habilidades mais diversificadas, espírito prático; tendem a sucumbir mais rapidamente aqueles executivos que não suportam a ambiguidade, a incerteza, que são profundamente especialistas, mas em apenas uma área ou assunto.

As crises nos obrigam a pensar em atividades cujo retorno seja maior Vamos a alguns exemplos. A primeira ideia, muito simples, seria aplicar o velho princípio de Pareto: “Identificar e desenvolver aqueles 20% de ações que produzem 80% de resultados”. Lembrar sempre da “máxima” de Peter Drucker: “Mais importante do que fazer certo as coisas é fazer as coisas certas”.

O grande problema (se não agirmos assim) pode ser institucionalizar o erro. As atividades de efeito multiplicador também são muito importantes: parcerias, alianças, maior utilização das mídias sociais, inserção das informações a respeito de sua empresa (e de você) nos bancos de dados, etc.

Ser flexível e aberto para novas oportunidades, por mais esdrúxulas que possam parecer inicialmente. Incrementar o marketing pessoal e profissional. Utilizar mais o Linkedin, Facebook, etc. Olhar para o passado e buscar ideias que foram descartadas, mas que talvez hoje estejam atualíssimas. Ocupar-se em equilibrar o QE (mais esquecido) e o QI (mais lembrado). Dar oportunidade para que todos que trabalham com você contribuam e aumentem sua visibilidade.

Delegar mais, buscando a potencialização das ações, decisões. Buscar ações sinérgicas, trabalhos em equipe, evitando a individualização; é hora de formar um time e não um conjunto de indivíduos. Se você acha que algumas coisas lhe parecem familiares ou que elas já fazem parte de seu repertório, ótimo. Você está no caminho certo. Lembre-se também de como teria sido mais fácil se tudo isso pudesse ter sido iniciado há anos atrás, quando inexistia a crise.

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