A Excelência em Gestão, segundo a Fundação Nacional da Qualidade (FNQ)

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Em outubro de 2014, a Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) completou 23 anos de atuação. Trata-se de um marco no movimento pela excelência da gestão, que reúne milhares de pessoas em rede em prol da disseminação da causa e da inserção das organizações e do Brasil na rota da competitividade mundial.

O trabalho da FNQ é baseado no Modelo de Excelência da Gestão® (MEG), uma metodologia de avaliação, autoavaliação e reconhecimento das boas práticas de gestão. O Modelo define uma base teórica e prática para a busca da excelência, dentro dos modernos princípios da identidade empresarial e do atual cenário do mercado.

Reafirmando seu papel de agente para o desenvolvimento das organizações e do País, a FNQ segue ampliando e fortalecendo a sua rede, consolidando-se como um centro de estudo, debate, geração e disseminação da cultura da excelência da gestão. E, ciente deste papel, reinventa um dos seus principais eventos, o Seminário Internacional em Busca da Excelência que passa a ser, em 2015, o Congresso FNQ de Excelência em Gestão.

O Congresso trará palestrantes de renome e conteúdo de vanguarda, em um formato moderno e atual. Acontecerá em 23 de junho, em São Paulo, no Centro de Convenções Rebouças, das 8h30 às 19h30, e contará com debates e networking, para discutir tendências inovadoras para construções de novas ideias e soluções. O público esperado é de 350 pessoas.

Com o tema “O Novo Capitalismo”, o Congresso pretende debater como uma gestão sustentável, integrada e inteligente, formada por um mapeamento de cenários internos e externos, pode representar ganhos para a organização ao se preparar para o futuro e criar valor para todas as partes interessadas. Hoje, o capitalismo clássico está sob o cerco da sociedade. As organizações, antes admiradas pelo seu papel no desenvolvimento social, agora são acusadas de serem as protagonistas de uma destruição do ecossistema e se veem obrigadas a gerar transformação para se adequarem às exigências do planeta e, consequentemente, de seus consumidores.

Não basta mais somente tratar de algumas ações sustentáveis, é preciso repensar a forma de trabalhar, o modelo de negócio e seus reais impactos a pequeno, médio e longo prazos. Pensando em todo esse cenário, vem a pergunta: como os empresários brasileiros estão lidando com essa nova realidade, em um país cuja riqueza ambiental é um de seus diferenciais e que muito vem sendo destruída em prol de uma economia focada no lucro em curto prazo, sem realmente incluir todos os stakeholders envolvidos no negócio?

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Pavan Sukhdev: “Qual seria a importância e o valor da biodiversidade para a sociedade e as empresas?”

O palestrante internacional será o economista indiano Pavan Sukhdev, principal autor do relatório The Economics of Ecossystems and Biodiversity (TEEB), da ONU, que falará a respeito da importância e do valor da biodiversidade para a sociedade e as empresas, e autor do livro “Corporação 2020 – Como transformar as empresas para o mundo de amanhã.” A obra traz uma visão perspicaz a respeito da história das empresas no mundo, chamando a atenção para as características marcantes da “corporação 1920” – que prioriza o crescimento a qualquer custo e a publicidade voltada, exclusivamente, para a ampliação dos mercados – e para a necessidade de fazer a transição para a “corporação 2020”.

O novo modelo corporativo proposto por Sukhdev é baseado em novos incentivos e regulamentações que permitam às empresas aumentar o bem-estar humano e a igualdade social, diminuir os riscos ambientais e os prejuízos ecológicos e continuar a gerar lucro. Para ele, o tempo, porém, está passando. O indiano trabalha com um horizonte de apenas sete anos para consolidar as mudanças corporativas.

Em seu livro, no prefácio, alerta: “O principal agente da economia atual – a corporação – não foi ainda persuadido ou incentivado a produzir uma economia verde. Se isso não acontecer, o relatório Teeb ficará apenas decorando prateleiras, sem nunca ser usado”.

Sukhdev diz que não se trata de querer mudar o mercado global. “Estamos nos concentrando em criar algumas políticas corporativas específicas, sobretudo mecanismos de cooperação e de transparência global. E, por outro lado, estabelecer ferramentas de regulação e controle para atividades importantes, entre elas o financiamento e a tributação internacional. Também é importante ter regras relacionadas à propaganda e, finalmente, divulgar o impacto ambiental da atividade comercial. O que queremos destes diferentes setores é a cooperação para chegarmos à economia verde, na qual os custos naturais de produção também são agregados ao mercado”, afirma.

Segundo ele, em janeiro de 2009, em seu discurso de posse, o presidente Barack Obama foi eloquente sobre a sua visão de “aproveitar o sol e os ventos e o solo para abastecer nossos carros e movimentar nossas fábricas”. Dessa forma, parecia claro que a ideia era alcançar a independência energética dos EUA por meio do combustível alternativo e isso era de fato um objetivo nobre, tanto para a segurança nacional e para a sobrevivência da biosfera.

“Mas, claro, pouco se ouviu falar sobre essa meta nos próximos anos de seu mandato, e quando fez finalmente ouvir, a visão tinha se transformado além do reconhecimento. Não era mais sobre as energias renováveis, mas sim mais combustíveis fósseis. E o herói improvável foi o gás natural. Os investimentos foram feitos e quem seria o maior beneficiado: a indústria de petróleo e gás, apoiados por seus banqueiros”.

Acrescenta que uma estratégia ostensiva da Arábia Saudita e da OPEP parece ser a de colocar o xisto fora do negócio e os seus objetivos são claros: eles estão produzindo petróleo bruto suficiente para manter os preços abaixo de US $ 75-80/bbl (barril). “Eles parecem estar muitos confortáveis com a ideia de fazer isso, porque os seus custos de produção são mais perto de USD 5/bbl. Além disso, alguns analistas encontraram evidências de uma visão estratégica entre as autoridades sauditas que as suas receitas petrolíferas são mais bem aproveitado internamente para transformar seu país para uma economia mais ampla, mais diversificada, mais duradoura. Se eles estiverem certos, a produção saudita tem outra razão mais estratégica para continuar alta”.

“A aposta estratégica da Arábia tem sérias consequências: ela põe em causa quanto tempo outros países da OPEP (não menos importante Irã, Rússia, Venezuela) poderão manter os preços baixos do petróleo em uma época de estresse orçamental. O que isto significa em termos de instabilidade política é sempre uma incógnita, e que poderia ser um final macabro de baixos preços do petróleo se um desses países produtores de petróleo não suportar a pressão orçamental mais e explodir em caos”.

Ele acha que os grandes produtores nacionais de petróleo e as principais empresas de petróleo e gás terão de repensar todos os seus investimentos de alto custo, especialmente em novas instalações no mar e em xisto. Contudo, não são apenas os grandes produtores que estão em risco. “Nos EUA, a produção de xisto é tradicionalmente liderada pelos chamadas wildcatters ou empresas independentes, e apenas cerca de 30% é com os grandes produtores. Quão seguras é o futuro dessas empresas menores? O colapso dos preços do petróleo vai prejudicar os produtores de petróleo e gás de xisto, especialmente os produtores de gás de xisto e seus subprodutos (indexado ao preço do petróleo) para financiar as operações de perfuração. Formações de xisto oferecem plena produção por períodos curtos e reduzem significativamente depois. Portanto, normalmente estes produtores de xisto dos EUA operam em com linhas de crédito mensais e necessitam de injeções de capital frequentes para perfurar e gerar fluxo de caixa livre. Tal necessidade de regular capital e a perfuração, coloca esses produtores em uma posição muito diferente em comparação com os convencionais, que podem investir e manter a produção a partir de um único ativo de dez a 30 anos. Sem uma perspectiva de lucro de curto prazo positivo, o refinanciamento do xisto poderia secar e as falências podem se tornar mais regra do que exceção”, assegura.

Conforme revela, até agora, os grandes exploradores de petróleo e os produtores estão muito bem capitalizados através de algumas décadas de operações de alta margem de lucros com base em concessões de baixo custo de perfuração, exploração eficaz e os preços elevados do petróleo. “No entanto”, observa, “nem esses recursos valem mais, então o meu palpite é que os EUA e outros governos terão de tomar uma decisão difícil: ganhar a ira da sociedade, fazendo o que sempre fizeram: salvar os seus amigos no mundo dos negócios, ou admitir que eles tenham uma política energética completamente errada. Eles não seriam o primeiro a fazê-lo”.

A visão do Antropoceno, uma era onde nós, seres humanos, tornaram-se a força geológica dominante, era de fato a do presidente Obama em 2008 ou 2009. Ou seja, a estratégia era de investir em combustíveis alternativos e não mais em combustível fóssil. “A política seria reduzir e eliminar gradualmente os subsídios de USD 1 trilhão aos preços e produção concedidos aos combustíveis fósseis (esse número sobe para USD 2 trilhões) se for incluído, como quer Fundo Monetário Internacional (FMI), os custos econômicos das emissões. Em vez disso, na medida em que se refere à energia, estamos continuando coletivamente em 2015 com a visão nublada, estratégia errada, políticas confusas e maus investimentos. Eu tenho um simples pedido aos governos em 2015. Por favor, não resgatem aqueles que fazem más decisões econômicas mais uma vez , apenas permitam que falhem. Vai ser bom para a economia e emprego, e ainda melhor para a nossa existência planetária segura”, acrescenta.

Pavan Sukhdev é fundador presidente da IST Advisory, uma consultoria colaborativa que avalia o desempenho de governos, empresas e ONGs. Pavan foi premiado em 2011 com o McCluskey Fellowship da Universidade de Yale, e escreveu seu livro “Corporação 2020”, enquanto ensinava na Universidade de Yale entre 2011 e 2012.

Agenda

– Credenciamento e welcome coffee.

– Abertura: Wilson Ferreira Junior – Presidente do Conselho Curador da FNQ.

– Palestra magna: O Novo Capitalismo – Como transformar as organizações para o mundo de amanhã – Palestrante internacional confirmado: Pavan Sukhdev, economista indiano, principal autor do relatório The Economics of Ecossystems and Biodiversity (TEEB) da ONU, e autor do livro “Corporação 2020”.

– Coffee break para relacionamento.

– Painel de debate: Negócios de impacto – Como canalizar forças para fins mais inclusivos e sustentáveis

Painelistas convidados – Vox Capital; Sistema B; Artemísia; Plataforma Saúde e Yunus.

– Almoço.

– Painel de debate: Repensando o crescimento econômico – Como prosperar dentro de limites

Painelistas convidados: Unilever; Dudalina; J. Macêdo; Vale e Basf.

– Conclusões e encerramento.

– Happy hour no espaço para negócios.

– Show de stand up.

– Palestra: Cachaça e caipirinha – cultura e prazer do Brasil – Palestrante confirmado: Jairo Martins, autor do livro “Cachaça: o mais brasileiro dos prazeres”.

Mais informações e inscrições nas últimas vagas no link http://www.fnq.org.br/CEG2015/

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