IPT desenvolve dispositivos para avaliação normativas de squeezes, garrafas térmicas e coolers

squeezeO Laboratório de Embalagem e Acondicionamento do IPT desenvolveu dois novos ensaios para avaliação de embalagens que reservam conteúdos líquidos. Um está relacionado com a NBR 15879 de 10/2010 – Garrafa squeeze – Requisitos e métodos de ensaio que estabelece os requisitos mínimos e os métodos de ensaio para garrafas squeeze com capacidade máxima de 1L, ou seja, para as garrafas plásticas flexíveis com bicos retráteis.

Outro ensaio utiliza as normas da ISO, para avaliação de recipientes térmicos destinados ao armazenamento de conteúdos quentes (garrafas térmicas) ou frios (coolers). No Brasil, também existe a NBR 13282 de 04/1998 – Garrafa térmica com ampola de vidro – Requisitos e métodos de ensaio que estabelece os requisitos e métodos de ensaios que devem ser atendidos pelas garrafas térmicas com ampolas de vidro.

Segundo Rogério Parra e Mara Lúcia Siqueira Dantas, ambos pesquisadores do laboratório, os novos ensaios foram elaborados devido a uma demanda de mercado. As verificações foram solicitadas pelos clientes e, após uma pesquisa das normas e verificação dos equipamentos disponíveis no IPT, foram desenvolvidos dispositivos para avaliação do desempenho.

Comum entre atletas e praticantes de esportes, os squeezes têm se popularizado por suas diversas utilidades. Além de serem instrumentos a favor da saúde e do bem-estar, já que mesmo no dia a dia ou em atividades de baixo impacto é necessário manter-se sempre hidratado, atualmente, por exemplo, muitas empresas têm promovido campanhas de preservação ambiental oferecendo esses tipos de garrafas como brindes, a fim de diminuir o consumo de copos descartáveis no ambiente de trabalho.

O novo ensaio desenvolvido pelo IPT busca atender a três quesitos a serem seguidos pelos fabricantes de squeezes, que procuram garantir a segurança no armazenamento do conteúdo e, portanto, a dos consumidores também. Desenvolveu-se um dispositivo de aperto para checar a rigidez do material, e verificou-se a existência de cantos vivos (superfícies cortantes) e a resistência de arrancamento do bico retrátil das garrafas.

Parra observa que essas avaliações são fundamentais para evitar riscos aos usuários de squeezes. “O princípio da embalagem é ela conter alguma coisa. Se ela rasga, por exemplo, ela perde a sua função. Além disso, eles [os squeezes] não podem ter cantos vivos, para não machucar a boca do consumidor, e a tampa tem que suportar o puxar, pelo perigo de esgasgamento”.

As garrafas térmicas constituem outro item bastante comum no Brasil, tanto no ambiente domiciliar quanto de trabalho. Famosas pelo armazenamento do popular cafezinho, hoje é possível encontrar até mesmo versões individuais e em miniatura, nos mais variados tamanhos, materiais e cores. Já os coolers, que se assemelham em termos construtivos às garrafas térmicas, também se tornaram comuns em eventos, geralmente para o armazenamento de bebidas em baixa temperatura.

Segundo Mara, os novos ensaios desenvolvidos têm como foco a eficiência térmica desses produtos. “Essa é a característica principal da garrafa térmica e do cooler. A norma especifica qual é o tempo em que cada garrafa, com cada determinado volume, deve manter o conteúdo em determinada temperatura, em um ambiente normal, de temperatura externa. Monitoramos o tempo de decaimento ou aumento da temperatura do líquido interno [nessas condições]”, explica a pesquisadora.

Para a avaliação de garrafas térmicas, também foram elaborados novos dispositivos, como para a verificação dos respingos de líquido no movimento de verter a embalagem e para análise de resistência a impactos no manuseio normal. Dentro desses ensaios, também são realizadas análises de gotejamento e vazamento, além de testes em alças e avaliações da dimensão do revestimento interno, no caso dos coolers.

Segundo a norma, a garrafa squeeze é um frasco plástico não rígido com válvula de retenção frasco destinado a fornecimento de líquido para beber, com paredes não rígidas com efeito memória, ou seja, a partir de uma deformação decorrente de aperto das paredes laterais, a garrafa retorna ao seu formato original sem apresentar deformação permanente signifi cativa. Possui também uma válvula de retenção (bico) para evitar derramamento do líquido.

A garrafa squeeze, bem como todas as matérias-primas utilizadas na sua fabricação, devem atender às legislações sanitárias vigentes (ver Bibliografia). A garrafa, para ser considerada squeezable, deve retornar ao seu estado normal após o ensaio de 6.1, em 5 min, sem apresentar deformação permanente significativa. As garrafas squeeze devem atender ao ensaio descrito em 6.2, sem gerar riscos potenciais causados por partes pequenas, verifi cados de acordo com os ensaios de 4.4.

Os componentes removíveis ou soltos e fragmentos devem ter tamanho tal que, enquanto em estado não comprimido, não caibam nos limites de um cilindro reto truncado (ver 6.3). As garrafas squeeze, quando ensaiadas de acordo com 6.2, não devem estar sujeitas aos perigos das pontas agudas. Se uma ponta acessível falhar no ensaio de pontas agudas conforme determinado em 6.4, deve ser determinado o quanto essa ponta apresenta de risco não razoável de lesão, levando-se em consideração o uso previsto.

Os bicos acoplados às garrafas squeeze, quando submetidos ao ensaio de tração conforme 6.5, na posição mais crítica de travamento, com força igual a 70 N, não devem gerar riscos potenciais por partes pequenas, verifi cados de acordo com o ensaio específi co de 4.4. As garrafas squeeze não devem apresentar evidência de vazamento de produto quando submetidas ao ensaio de estanqueidade (ver 6.6).

O dispositivo de carga deve ser um disco de metal com diâmetro de 15 mm ± 1,5 mm e espessura mínima de 10 mm. O perímetro do disco deve ser arredondado, com um raio de 0,8 mm, para eliminar bordas irregulares.

Colocar a garrafa squeeze vazia, com a válvula de retenção aberta, sobre uma superfície plana, na osição horizontal. Posicionar o disco de maneira que a superfície plana de contato esteja paralela à superfície de ensaio.

Para garrafas squeeze com volume superior a 350 mL e outras formas que não cilíndricas, com uma velocidade de 100 mm/min, comprimir no centro a garrafa squeeze até 50 % do seu diâmetro. Manter a carga por 10 s e retornar ao estado inicial.Para garrafas squeeze com volume até 350 mL e outras formas que não cilíndricas, com uma velocidade de 100 mm/min, comprimir no centro a garrafa squeeze até 40 % do seu diâmetro. Manter a carga por 10 s e retornar ao estado inicial.

Deixar a garrafa squeeze em repouso por 5 min e avaliar visualmente se há alguma deformidade que a desconfigure para utilizações repetidas. O ensaio de impacto visa simular os danos que uma garrafa squeeze pode sofrer ao cair de uma mesa, de um balcão ou outras situações em que haja impacto que possa ocorrer em conseqüência de abuso razoavelmente previsível. A superfície de impacto deve consistir em ladrilhos de composição vinílica de espessura nominal de aproximadamente 3 mm, assentados sobre concreto de pelo menos 64 mm de espessura. O ladrilho deve ter uma dureza Shore A de 80 ± 10 e a superfície de impacto deve ter pelo menos 0,3 m².

Enfim, as garrafas plásticas descartáveis são mais indicadas para quem se hidrata no trabalho ou na prática de esportes do que as garrafas de plástico usadas por mais tempo, conhecidas como squeezes. Um problema dessas embalagens descartáveis, squeezes e copos, é que elas podem acumular microorganismos após alguns dias de uso, que podem causar males à saúde, como infecções. E a contaminação se dá por falta de higienização correta.

Assim, uma higienização deve ser feita pelo menos três vezes por semana, com meia tampinha de hipoclorito durante dez minutos. Sempre após o uso ela deve ser seca e nunca ser guardada úmida. A limpeza deve ser feita com uma esponja própria para mamadeiras, conhecidas como rabo de gato.

A garrafinha plástica descartável, aquela de água mineral, é a que acumula um número menor de bactérias, segundo os testes. Mas ela deve ser trocada a cada três dias. Descarte a garrafa caso ela apresente fissuras, rachaduras ou ranhuras, pois dificultam a limpeza e podem servir de esconderijo para bactérias, fungos e vírus. Para lavar o ideal é escova de mamadeira. Para os copos mais largos serve a esponja comum.

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